Eu não ligo se você é legal. Não ligo para as suas botas legais e nem aquele casaco que eu insisto em deixar com meu cheiro.
Eu não penso naquele teu cabelo jogado que nem é tão bonito assim, mas não sei o que acontece.
É que fui feita pra ir, sabe? No meio dos teus gritos, das tuas ameaças, dos teus equívocos, porque eu é que sou assim. Bagunçada. Sempre fui quem arruma as coisas e espera tudo se ajeitar, sempre fui quem chora quando não sabe se explicar, sempre fui quem se apaixona, mas sabe, sei a hora de falar.
Imagina, por um segundo, porque nós dois sabemos que não vai dar certo, se fosse plausível, coerente como aquele texto de ontem à noite. Tem potencial. Tudo que tenha tendência a me fazer desmoronar tem potencial. E, olha, você não morre mais. Vai ser mais uma daquelas decepções que eu só conto pra tentar justificar meus defeitos, mas se me conhecesse bem saberia que sempre fui assim.
Antes tudo seria uma perda de tempo. Todas as vezes que tive vontade de chorar, as vezes que eu tive vontade de desistir, as vezes que você me fez te amar, até mesmo sucumbir. A verdade é que eu idealizo nós dois e não deveria. Você não quer mãos dadas e há muito tempo já não sei demonstrar que me importo.
Nós não somos nada, mas eu sei que tenta me dizer alguma coisa quando a gente se beija. Como aquela sensação de pensar algo e tentar dizer através da pele, do toque, do contrário.
Mas nós nao vamos dar certo. Você não vai conseguir me dizer o que quer, eu não vou precisar dizer o que eu sinto. Essas milhões de ligações vão se transformar em vácuo e tudo o que vai sobrar vão ser os nossos amigos perguntando o que aconteceu entre nós dois. Porque, amor, eu queria que você me pedisse pra ficar. Você queria que eu ficasse e mesmo assim fui embora. É o que eu faço.
Mariana Nunes













