Noite dos Mascarados – 1966
- Composição: Chico Buarque;
- Disponível em: Chico Buarque de Hollanda – Volume 2, Chico Buarque & Maria Bethânia Ao Vivo.
O ator Hugo Carvana e o diretor Antônio Carlos Fontoura haviam se encantado com Morte e Vida Severina e imaginaram um show só com músicas de Chico Buarque, que seriam cantadas também por Odette Lara e pelo MPB-4. Chamou-se Meu refrão e estreou em julho de 1966 na boate Arpège, do pianista Waldir Calmon, no Leme. Foi um enorme sucesso e ficou meses em cartaz. É dessa ocasião o primeiro entrevero de Chico com a censura. Uma das dezesseis músicas do show, Tamandaré, foi proibida como ofensiva ao patrono da Marinha. Nunca chegou a ser gravada. Era uma brincadeira com o Almirante Joaquim Marques Lisboa, cuja efígie adornava as desvalorizadas notas de um cruzeiro.
Para que o programa não ficasse desfalcado, Fontoura pediu a Chico que compusesse outra música, a ser cantada em dueto com Odette Lara. "Foi assim que ele fez Noite dos Mascarados, em cinco dias", revela Odette. A cantora e atriz se lembra também do suspiro feminino que em uníssono subia da platéia mal Chico entoava o primeiro verso de Olê, Olá. "Eu e o MPB-4, na meia-luz do palco, começávamos a rir, e Chico esperava passar o suspiro para continuar", conta.
©Copyright Humberto Werneck, Gol de letras, em Chico Buarque Letra e Música, Cia da Letras, 1989.
O vídeo deste post corresponde à versão original da música, cantada por Chico e os Três Morais. Os links a seguir são de versões ao vivo com Chico, Nara Leão e MPB-4 (material raro). Link 1 | Link 2. Agradecimentos: Guilherme Tauil.