Escrevo porque não tenho pra quem contar as coisas do meu coração, da minha vida e do meu pensar!
Escrevo porque aconteceu e acontecem coisas das quais eu já podia esperar, mas, não deveriam acontecer.
Deixei de ser eu, venderam o que eu chamava de lar! Me tiraram do meu lugar, pela vida de outrem eu decidi ser outro. Caminho difícil de explicar.
Deixar a sua essência só é difícil pra quem a deixa. Hoje me vejo no chão da sala que não é minha, sob o tapete que não é meu e um lugar que eu não existo para ser, existo na passagem do dia.
Sinto que não há mais minha casa, não há mais meu canto e minhas coisas se resumem a gavetas. O que antes estava sob a mesa, hoje, está em caixas fragmentadas em uma dispensa que nem se sabe o que existe lá!
Me apoio em outras vivências, experiência e sinto que meu trabalho é o meu lar. Me acho melhor lá, lá fora, onde não existe nada além do nada.
Escrevo porque tenho vontade de falar, gritar e me expressar, mas, quando o fiz, me deram comprimidos que antes nunca precisei. Hoje tomo 3 doses pra suportar a minha existência inexistente.
Ninguém sente como a gente sente. Ninguém vê como a gente vê, logo eu, me sufocaram, acabaram com quem eu era e eu escolhi. Me deixaram sem chão, mas não sem apoio do que querem que seja. Me apoiam para ser moldado, transformado.
Me sinto mais não me encontro. Estou perdido, vivendo e sendo como posso. Remédios que não me deixam chorar... Sentimentos que só me fazem pensar e um desejo imenso de não desejar nada!
Queria voltar e escolher tudo de novo, sem emoção, precipitação e ansiedade. Queria que o passado fosse agora mas, sabendo das escolhas que faço.
Estou em um mar navegando por águas que desconheço, sendo impulsionado pelo vento que sobra firme. Fazendo de mim um novo ser, com um novo pensar. Crescer pode ser difícil, mas, não deveria ser assim. Eu literalmente queimei o barco comigo dentro. Só preciso achar forças pra continuar a remar...













