Será que é o destino ou você mesmo me deixando perto você, hora mostra que quer, hora não. Acho que não entendeu a inda que eu não estou a sua espera, não mais, estou em movimento e mais rápido que antes, ou você pegar o trem ou perde, não sei o que está esperando, se é alguma mensagem divida dizendo que eu sou a certa mas de mensagem divinas eu sei, já pedi varios sinais pra saber se é você o amor da minha vida, não me deixe assim, pode ser o amor da minha vida mas não significa que vai ficar nela
If you say it’s calm, you’re gonna jinx it. Era um mito conhecido dentre os residentes, mas até agora, de todas as vezes que as palavras rolaram de sua língua, nada aconteceu. Ashley se sentia quase como um Deus naqueles momentos, em que apesar do sangue pingando no chão e grudado nas luvas em suas mãos as coisas davam certo. Elas não deveriam toda vez, não sendo ele parte do programa cirúrgico do Cedars-Sinai, mas então, uma maré de boa sorte era comum, aquela era a sua.
Quando viu a agente de Levi passar a porta, contudo, e correr em sua direção, sabia que tinha chegado ao fim.
(trigger warning: overdose)
“Wha the fuck did the asshole do now?!” A pergunta fora feita as pressas, enquanto os passos já se aceleravam sob o piso de porcelanato constantemente limpo, não tardando a alcançar o carro enquanto a mulher desesperadamente lhe implorava para não contactar ninguém, como se aquilo fosse o mais importante. O mais importante, no entanto, era o amigo tão extremamente pálido e desacordado no banco de trás do veículo. O mais importante era o pulso fraco que tão desesperadamente Ashle logo constatou ao pressionar os dedos contra a lateral de seu pescoço, mal notando que sua outra mão já tremia enquanto ele sacudia a perna alheia tentando lhe chamar a atenção, as lágrimas juntando-se aos olhos; teimosamente e aproveitando-se de toda a raiva sentida no momento, ele não as derrubava. “You fucker, you have no freaking right to come to my job and try to die on me, I’ll kill you myself!! Wake the fuck up, Levi!” Grunhir, claramente, não adiantara e nas batidas aceleradas do próprio coração, Ashley tentava não se desesperar.
Foi assim que ele gritou por ajuda a plenos pulmões, a equipe médica logo vindo auxiliá-lo e movê-lo para dentro do hospital. Ashley foi, contudo, barrado à porta, não pelos amigos mas pela mulher que lhe segurou tão fortemente o braço. “You can’t tell anyone he’s here, if anyone finds out...!”
O loiro não lhe deu chance de concluir, contudo.
De repente, Ashley via em vermelho.
Os dedos fecharam-se no pulso fino com agressividade que normalmente só se fazia presente nas palavras, tão extremamente controlado sempre era em não transpassar limites. Nenhuma linha, conquanto, parecia clara naquele instante. Eram borrões disformes diante das palavras que a seus ouvidos soavam tão simplesmente diabólicas. Mais tarde, ele bem sania, arrependeria-se, mas agora o ódio alimentado por tantos anos por aquele mundo de fama o consumia e a coisa mais importante para a outra parecia ser manter o melhor amigo longe dos holofotes, quando estava há alguns metros de distância correndo risco de vida.
Ashley queria gritar.
E Ashley gritou.
“I DON’T FUCKIN’ CARE, YOU STUPID COW, HE CAN DIE! SO SHUT YOUR FUCKIN’ MOUTH AND GO WAIT IN THE FREAKIN’ WAITING ROOM BEFORE I FUCKIN’ KICK YOUR ASS OUT OF HERE! WHAT’S YOUR PROBLEM?”
O susto não foi apenas seu quando a força exacerbada com que se proferiu fez arranhar as pregas vocais, mas de toda a equipe médica. Serviu para fazer calar a mulher ao seu lado, assistindo-a se retirar as pressas, de uma maneira que lhe proveu alívio ínfimo diante da situação. Infelizmente, também foi toda a certeza que o chefe de traumatologia precisava para ter certeza de que Padilla não poderia ficar ali, não como estava, não sendo uma pessoa que lhe importava tanto na mesa.
Ash já sabia disso, mas isso não o impediu de tentar passar, sentindo o braço do enfermeiro lhe impedir, suas íris azuladas fixas na figura do amigo que, de lado, parecia por seu estômago para fora ao que lhe faziam a lavagem estomacal, a máquina que media seus batimentos cardíacos indicando a falha dos mesmos; naquele momento, seus olhos se cruzaram com os de Izma, vendo a melhor amiga dentro da residência ministrar o que deveria ser antidoto, a epinefrina fora de cogitação. O desespero abateu-se sob Ashley como um soco na boca do estômago, despreparado demais para vê-lo em pior estado do que chegara.
Ele deveria saber, contudo, porque por mais de uma vez ajudara Levi a melhorar após abuso de bebida alcoólica e drogas. Nunca achou, contudo, que acabaria por fazer amizade com ele, nunca achou que ele se tornaria um dos melhores amigos e, mais definitivamente, nunca achou que o veria chegar naquele ponto.
Nunca sentiu que havia falhado tanto, como amigo e como pessoa.
Foi quando, de certa forma, desligou-se, sendo guiado por um colega até a parte de fora da sala, mas logo o estavam chamando para ajudar e o loiro ficou ali. Ele não percebeu quando o corpo escorregou pela parede ou quando tudo que pode sentir contra seus dedos foi o chão frio, o som do apito contínuo da máquina comprimindo quase que insuportavelmente seu coração antes que o barulho do desfibrilador sendo utilizado soasse tal qual arranjo em quatro cordas, em especial quando o barulho da máquina voltou a se fazer compassado.
Ele não se sentia mais Deus, logo percebeu, mas humano e pequeno. Falho em seu cerne e impotente, incapaz de prover auxílio ao músico. Era uma lição dura, é claro, mas uma da qual precisava ser gradualmente lembrado e que não queria, de maneira alguma, naquele momento.
Mas não daquele jeito.
Ashley também não notou quanto tempo passou, em choque, mas notou quando uma sombra se interpôs em sua frente, ali no corredor, na figura do professor que tinha nos lábios sorriso triste e pequeno. “... He’s out of danger, for now.” E foi isso. Isso e um aperto em seu ombro depois que o homem lhe ajudou a levantar, isso e a ciência de uma única coisa: “I’m gonna fucking kill this idiot.”
A mentira era absurda, é claro, porque no próximo instante seu alívio é que era absurdo e o carinho com que segurou a mão de Levi quando lhe foi permitido entrar no quarto também.