Talvez meu problema seja o fascínio pelos finais e nunca os começos.
Seja a última acentuação bendita! Mas a primeira exclamação, nem se cita.
O gosto da glória da última linha, no spotlight, gran(d) finale!
A plateia se agita. As lágrimas nos olhos, morte cerebral na última fila.
Parada cardíaca, um drama que excita.
Quando você foi embora, de imediato não pude chorar.
Contemplei.
"As cortinas se fecham!", gritei para as paredes.
Mas o modus operandi delas era cínico, era silêncio.
Um diálogo de um, um "noitálogo" revirado.
Ah, você tinha alcançado, o coup de grâce.
"Clemência, clemência, tudo menos a sua ausência!"
Bati os pés nervoso, sorriso no rosto, que final, uau.
O discurso mais épico dentro de uma pequena boca, mas lábios cheios.
Fartos de mim.
O deslanchar dos dedos pela maçaneta, e não minhas costas.
Adeus, adeus, eu entendi. Farei parte da encenação também.
8h. 12h. 20h. Éternité. E o que são os minutos quando tudo é igual?
Depois eu entendi muito bem: O teatro era real, o palco era a vida.
As cortinas rasgadas, eram as camadas do meu coração.
E que final, meu amor. Olhos tempestuosos, fúria, indignação.
Você ganhou o mundo e eu recluso dentro do apê.
Palmas, ovaciono! A ficha caí depois que os bilhetes vendem.
Um corte perfurando a matriz. Eu, cortado ao meio.
Fascinado pela dor palpável, saliente. Atordoando de prazer e tristeza.
E a cereja do bolo: Memórias como arquivos intermináveis.
O recluso do meu tormento, quatrocentos anos morrendo dentro de mim.
Até acho que esqueci do começo, mas meu amor, é impossível esquecer o final.
Fiz algumas ataduras e sobrevivi, não era minha meta, mas me vi obrigado a seguir parado no mesmo lugar e no tempo.
Lindo, e esquece-se o grande momento.
O post-mortem em vida, memórias póstumas de mim, pois sim.
Meses, anos, décadas, séculos, vidas fascinadas por um único final, a última acentuação da sua gritaria, e esquecidas as exclamações de alegria, o gosto da glória da última linha:
"Não volto, jamais."
Então me deixe só, que há muito não posso que me deixe em paz, desconheço o termo.
Drive safe, e longe das rotas do meu peito, da minha essência.
Vou tomar providência: Vou chorar até rir de mim, juntar os cacos da cara porcelana e esquecer que existe diferença entre os dias úteis e os fins de semana. Escrever uma peça estirado ao chão, carmesim.
Fin.
D.D