Ele: - O que antecede o bem e o mal?
Ela: - Isso depende. Depende de quem. Sempre está por debaixo do que você ou eu poderíamos entender.
Ele: - Antes do quê?
Ela: - Do resultado. Antes de acontecer aalgo,lgo seja bom ou ruim, aconteceu algo que desencadeou reações.
Ele: - Isso significa que ninguém é culpado de nada? E a responsabilidade?
Ela: - Na verdade, todos somos responsáveis e irresponsáveis em diversos contextos. Se você parar para pensar bem, uma criança que não recebe amor dos pais, cuidados e atenção que uma criança precisa para o seu desenvolvimento, se tornará um adulto incerto. Isso significa que pode se tornar um bom adulto, mas o risco de que se torne um adulto ruim ou prejudicado está presente na mesma proporção.
Não podemos dizer que o mundo está como está porque a natureza se revoltou contra humanos e alterou seus sistemas, o homem ataca o homem.
Ele: - Isso significaria que todos os traumas definem o eu de uma pessoa?
Ela: Os traumas são como cicatrizes para que os tem, ainda que o mundo não possa ver, o dono da cicatriz ainda pode sentir, e quando tratado se tornará uma lembrança que machucou, mas já não pode mais afetar.
Ele: - Mas e quem não teve traumas e ainda assim se torna uma pessoa ruim?
Ela: - Isso, a meu ver, já não faz mais parte da história atual do ser, mas talvez da anterior. Não sabemos tudo o que acreditamos que sabemos, existe muito mais coisa que não podemos explicar, mas que faz sentido imaginar como possibilidade. A vida, talvez, anteceda aquilo que imaginamos como começo, meio e fim.