"O destino das mulheres dessa família é fiar, cozinhar, lavar, chorar e esperar."
O Continente - ÉRICO VERISSIMO
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"O destino das mulheres dessa família é fiar, cozinhar, lavar, chorar e esperar."
O Continente - ÉRICO VERISSIMO
RECOMENDAÇÃO DO DIA: O Continente (1&2), O tempo e O vento - Érico Veríssimo Devem estar pensando "nossa tu realmente leu esses dois livros?" e eu vou responder que sim. Eu li pelo simples fato de que eu gostei da história e dos personagens. Claro que, a primeira vez que meus olhos se encontraram com esse tipo de linguagem que eu não estava acostumada, encarei com certa resistência, mas aos poucos fui criando um certo carinho. Érico retrata 200 anos de história do Rio Grande do Sul em mais de mil páginas ao todo, algo que, vamos concordar, não é esse mamão com açúcar. Ele nos apresenta o gaúcho de verdade, sem embelezamentos ou contos de fada. Nos mostra a força da mulher gaúcha que é a raiz que sustenta a árvore (família). #EricoVerissimo #Otempoeovento #Ocontinente #companhiadasletras
A velha Bibiana gosta do barulho da cadeira nas tábuas do soalho. É como uma voz, uma companhia. Lembra-lhe outros tempos, outras largas esperas. Estas batidas surdas e o uivo do vento, e o matraquear das vidraças, e o tempo passando...
Érico Veríssimo.
Como o tempo custa a passar quando a gente espera! Principalmente quando venta. Parece que o vento maneia o tempo.
Érico Veríssimo.
Um ruído surdo e cadenciado. Rodrigo fica de ouvido atento. Sempre temeu que um inimigo traiçoeiro pudesse aproximar-se da casa no escuro e atirar uma bomba aqui dentro. O coração começa a bater com mais força. Ele imagina tudo... O homem, de lenço vermelho no pescoço, poncho e barba comprida... A bomba é redonda, preta, com um pavio, bem como uma que ele viu numa figura... O inimigo vem se arrastando, devagarinho. Decerto está já debaixo do coqueiro. Agora pula o muro... Está perto da janela da varanda... Bate a pedra do isqueiro para acender o pavio. Vai atirar a bomba... — Toríbio! Sacode o irmão pelos ombros. — Que é? — Estás ouvindo um barulho? — Estou. — Que será? — Bobalhão! É a cadeira de balanço da vó Bibiana. — Será mesmo? — É, sim. Dorme! O ruído continua, surdo, regular, como se fosse o pulsar do próprio coração do Sobrado.
Érico Veríssimo.
Era uma noite fria de lua cheia. As estrelas cintilavam sobre a cidade de Santa Fé, que de tão quieta e deserta parecia um cemitério abandonado. Era tanto o silêncio e tão leve o ar, que se alguém aguçasse o ouvido talvez pudesse até escutar o sereno na solidão.
Érico Veríssimo.