A Expectativa Pela Derrota
Sapateando em meus lábios
Distorcendo minha fala
Pisoteando em meu peito
Determinando-me o túmulo
Contraditório em minha graça
Ordinário em minha interpretação
Pré-executado em qualquer julgamento
Assim sendo, de todas as instâncias me declaro culpado
O meu idioma é o Des:
Desorganizado, desesperançoso
Desapegado, destoado
Desajeitado e desconfortável
O anjo psicológico, me disse:
Caíra quem vivera, ressentira
Quem tens sangue nas veias
Obedecera que fora estéril
Valso meu tango fragmentado
Ascendendo ao declínio
Me sujeito a trapaça e ao ego
Servindo a ganância de viúvas do espetáculo
Os tambores e a expectativa
As cortinas e os aplausos
A persona em dores sintéticas
Nunca comove, mais serve
O teu consolo, a tua alegria
Era a carne encarnada em espelhos
O que desmorona, fica sob os panos
Destrutivo, ainda sobre o idioma disruptivo
O explicito, fora censurado
Implícito no gosto de do sangue enferrujado
Adepto a espiral que me leva a sarjeta
Em meu ápice, fui morte e ferramenta, amante e espírito...