Conversa no msn:
- Mas Taci, você tem absoluta certeza disso?
- Tenho, Luc.
- Você nem tem certeza se ele te ama.
- Eu sei que ele me ama.
- E tu ama ele?
- Claro.
- É, e pra isso vai se dar pra um qualquer num motel de beira de estrada?
- Qualé, Lucas, ele não é um qualquer.
- Claro que não, só um cara que tu conheceu há um mês atrás, um trintão, e que pra provar que ama ele, ele quer que tu transe. Pra mim é um canalha.
- Caramba ele não é um trintão.
- Não... tem vinte e nove, esqueci... mas igual, é mais velho.
- Só dez anos, e pra amor não tem idade.
- É né.
...
- Tá, mas tu vai me lavar ou não.
- Vou Taciana, mesmo não estando de acordo com esta besteira.
- Tá se acha que a minha primeira vez assim vai ser besteira, como tu acha que deve ser a minha primeira vez?
- Primeiro o cara tinha que te buscar em casa, dizer um ‘oi’ pros teus pais, e depois te levar pra jantar, dai vocês iriam para um lugar mais sossegado, e ia ver no que ia dar.
- (risos) Luc, você é engraçado.
- Que graça tem em ser romântico?
- Nenhuma... tá, vou me arrumar, esteja aqui daqui uma hora.
- Aham.
Ela vai para o banho e ele para o telefone. Uma hora depois ele bate na porta da casa dela, a mãe dela abre.
- Boa noite, Lucas. A Taci falou que vocês iriam sair.
- Boa noite dona Mari, - ele alonga o pescoço para ver o pai de Taci, - Boa noite seu Jorge.
- Mas entre garoto. – Fala seu Jorge com sua voz grossa.
Lucas entra e senta-se, estava dando Jornal Nacional, eles fazem comentários sobre as notícias. Em poucos minutos Taci desce, muito linda, mais do que de costume, com um vestido preto liso, sob um sobre-tudo também preto com detalhes em vermelho, como o sapato e a bolsa de mão. Seus olhos carregados de rímel estavam apreensivos.
- Oi. – Taci abre um sorriso.
- Oi... vamos?
- Claro. – quando chegam a porta...- pai, mãe, não me esperem, vou aproveitar e dormir na casa de alguma das garotas.
- Tá bem, querida. – Diz dona Mari do sofá.
- Divirtam-se, e juízo. – Adverte seu Jorge.
Quando chegam ao carro Taci começa:
- Tá você me leva lá... e pode ir embora, e me busca perto das oito da manhã, certo?
- Já que é como você quer. – e dá a partida no carro.
Passam-se alguns minutos, apenas o som do carro era ouvido, nenhum dos dois trocou uma só palavra, até que o carro para em frente a um restaurante.
- Luc, não é aqui, o que quê tá fazendo?
- Fazendo o que o seu futuro namorado deve fazer.
Ele sai do carro e chega até a porta do carona e a abre, estende a mão para que Taci a pegue. Os olhos dela se enchem de lagrimas quando olha para os deles sorrindo, ele pega a lagrima com o dedo.
- Espero que seja de felicidade.
- Pura... emoção.
- Agora acho melhor se conter se não vão achar que eu te forcei a vir.
- E não?
- Não. (risos)
Eles chegam a uma das mesas, conduzidos por um dor garçons, ele oferece o cardápio.
- Eu já fiz o pedido, junto da reserva, mais cedo.
- Tudo bem.
Ele a olha, sem esconder sua felicidade. – Aposto que aquele trintão não ia pedir a tua comida favorita.
- Não creio que num restaurante chique como esse você pediu macarronada, Luc!
- Tu queria tentar comer lagosta?
- Eca. (os dois riem)
- Eu não podia nem imaginar outro te tocando, e eu te dando de bandeja pra um canalha qualquer. – ele pega na mão dela.
- E eu nunca que imaginei que você me queria desse jeito, eu...
Ela foi interrompida pelo garçom trazendo um carrinho com os pratos. Macarrão com molho branco e muito queijo, uma salada de tomates e cenoura, e duas latinhas de coca-cola zero.
- Quando quiser eu trago a sobremesa. - e sai.
- Tu é doido.
- Por você.
Os dois comem, fazem comentários sobre o restaurante e as pessoas grã-finas, muito diferentes deles, passa-se alguns minutos, Luc pede a sobremesa e mais coca-cola zero.
- Agora o que você aprontou?
- Surpresa!
- (risos) Só o que em falta ser gelatina (mais risos).
- Ah, vai dizer que tu não gosta.
- É a única coisa que tu sabe fazer, Lucas.
Surge o garçom novamente com a sobremesa.
- Sorvete? Com marshmallows?
- Tu gosta né?
- Amo.
- Eu sabia. (risos). Eu te conheço muito bem.
- Bobo.
Ela não conseguia esconder sua felicidade, até que em sua bolça começa a tocar Wheels do Foo Fighters, era Marcelo, o trintão.
- Deixa que eu atendo.
- Luc..., - ele pegou o celular da mão dela
- Alô.
“ O celular não é da Taci?”
- Sim.
“E onde ela está?”
- Jantando com o seu futuro namorado.
“Que? (risos irônicos)”
- Isso mesmo, ela achou alguém melhor, que um que só a quer pra ir pra cama.
“ Cara, passa o telefone pra Taciana.”
- Tá. – Luc revira os olhos pra Taci e entrega o telefone.
- Quê?
“ Gostosa, tu era pra tá aqui comigo, a cama tá tão fria.”
- Esquenta com uma biscate.
“ Mas gostosa...”
- Marcelo, azar, tu não escutou que eu tô ocupada jantando com o meu futuro namorado? Não precisa mais me procurar. – e desliga a ligação. – Ele não incomoda mais.
- Foi bonito.
- O que?
- Você dizendo “meu futuro namorado”.
- É, espero que bem logo.
- Vai ser, tem mais coisa pra essa noite.
- Tô ansiosa.
Ele paga a conta e eles chegam até o carro.
- Tá frio né? – ela se queixa.
Ele tira seu casaco e entrega pra ela. Ela faz uma carinha de cãozinho sem dono.
- Não precisa, dai tu que vai ficar com frio.
- Daqui a pouco tu me esquenta.
- Bobo.
No carro ela insiste.
- Onde que tu vai em levar agora?
- Surpresa!
- Tu e tuas surpresas. – ela se emburra e fecha a cara.
- Desamarra esse burro.
- Não tô de burro.
- Tá sim.
- Não tô
- Caramba tu é teimosa.
- Não sou não.
- E linda.
- Sou nada.
- É sim.
- Tu que é cego.
- Sou, só enxergo você na minha vida.
- Bobo.
- Um pouquinho.
- Muito.
- Tá, mas só se tu for linda.
- Um pouquinho.
- Muito.
- Tá. (os dois riem.)
Ele freia o carro por um instante em frente da garagem de um prédio.
- Por que a gente veio até a sua casa?
- Prefere fazer amor num motel pra caminhoneiro?
- (risos) Não.
- Então, e assim não vai parecer que estamos fazendo algo de errado.
- Mas não é nada errado.
- Mas se fosse com o trintão iria ser.
- Pois é.
No elevador podia se ouvir suas respirações, pesadas, ansiosas, nenhum falava nada, nenhum comentou nada, mas suas mentes estavam muito agitadas. De repente Luc não aguentou, agarrou Taci pela cintura e lhe deu um beijo, doce e demorado, ela retribuiu, deixando cair sua bolsa, ele pegou no cabelo dela, fazendo carinho, o elevador parou, ela ajuntou a bolsa e os dois saíram de mãos dadas. Luc se atrapalhou um pouco com a chave do apartamento, quando entrou acendeu a luz, estava tudo como ela se lembrava, ela o ajudou a decorar, são amigos a tanto tempo, nunca ela imaginou estar prestes a dizer que são namorados.
- Luc?
- Taci...
(risos)
- No restaurante eu já queria te dizer uma coisa...
- Fala. – ele a olha fixamente.
- Eu te amo há muito tempo, acho que sempre, mas eu não sabia, e quando eu comecei a sair com o Marcelo eu esperava que tu impedisse ou algo do tipo, mas tu não fez nada, dai hoje quando você me disse que não estava de acordo me brotou um pingo de esperança, mas dai tu falou que me levava, e dai quando tu não me levou pro motel, de bandeja pro trintão, eu nem acreditei... – ela chorava e sorria ao mesmo tempo, - isso é bem mais que eu sempre sonhei. Te amo.
- Eu te amo mais.
- E por quê disse que ia me levar pro outro?
- Por que eu achava que você amava ele, mas eu não quis perder a esperança, e dai bolei tudo isso, o jantar, um jogo de vídeo game...
- Tu bolou um jogo de vídeo game pra nossa primeira vez?
- É, eu sou um programador se lembra? É o que eu sei fazer.
(risos)
- Tá, então vamos jogar.
Os dois sentam-se nas almofadas em frente à televisão, cada um com um controle nas mãos, o jogo começa, Taci não conhecia, Luc foi quem programou e ganhava disparado, era estilo Mario, mas era um casal que catava coraçõezinhos, ate que o bonequinho de Luc para em frente a um enorme coração, e espera o bonequinho de Taci, ela chega, e ele caminha ate o coração, o pegando, e na tela aparece “ quer namorar comigo”.
- Sim!
Os dois se beijam, levantam, ele vai tirando o seu casaco que estava nela, ela vai batendo os pés e tirando os sapatos.
- Calma. – Taci o interrompe.
- Que?
- Eu sou virgem. – ela fica vermelha.
- Eu sei, e eu também sou.
- Como?
- Eu esperei pra que esse dia fosse com você, pra ser especial.
- Fofo.
- Boba.
- Tu é mais.
- Sempre. (risos)
- Mas serio, eu não sei se eu tô preparada.
- Mas quer tentar?
- No quarto?
- Perfeito, mais confortável.
A cama de Luc era grande e macia, eles se beijavam, se despiam. A noite foi perfeita, os dois se amaram. Eles murmuravam declarações. Acordaram abraçadinhos em conchinha. Pela manhã como era domingo eles almoçaram na casa de Taci, e ele oficialmente estava lá como seu namorado.