Se você tá achando tá achando que vou falar de alguma viajem que fiz pro Carnaval de Recife ou Olinda, tá enganado. E também não é sobre nenhuma menina com sotaque maravilhoso que conheci, ou alguma noitada comum da juventude moderna. Queria falar desse estado, que mesmo sendo longe e eu nunca ter ido lá tem me alimentado, instigado, inspirado e me fazendo ver as artes de outra forma.
Minha primeira referência de Pernambuco foi com 5 anos onde meus vizinhos foram a Caruaru e me traziam diversos souvenires. Também na 3ª série, em uma dessas festas típicas do Centro Educacional Wanda Garcia (onde estudei a 3ª e 4ª série do ensino fundamental). Onde umas das professoras, que eu realmente não lembro o nome, pediu para alguns meninos tentarem simular alguns passos de Frevo, enquanto os outros alunos faziam Ciranda, ou quase isso. Eu e mais uns dois conseguimos, fazer um pouquinho parecido, porque na época fazíamos capoeira e tínhamos algum domínio de movimentos com as pernas. Hoje já não sei mais nada! Quando isso me aconteceu não tinha muita ideia do tamanho do Brasil, onde ficava Pernambuco ou até mesmo que iria trabalhar com arte e cultura no futuro. Achava que ia ser bombeiro ou escritor, eram as únicas profissões que me atraiam na idade de 9,10 anos.
Logo em seguida veio a adolescência, puberdade, Rock ‘n Roll e Rádio Cidade. Onde conheci o Nação Zumbi, confesso que de inicio não gostei muito porque não entendia aquela mistura. Tava viajando muito mais no “Californication” do que qual quer outra coisa. Mas me chamou a atenção por ser algo diferente das bandas gringas, e eu ver todo mundo respeitando e pagando pau. Na verdade só fui entender totalmente Nação Zumbi a uns 5 anos atrás, quando fui saber qual era a do Mangue Beat e de todo aquele bonde de lá.
Em 2010 tive o prazer de conhecer o jornalista e escritor Julio Ludemir, que é Pernambucano de Olinda, no projeto “Jovem Repórter” da Secretaria de Cultura de Nova Iguaçu, do qual ele era coordenador e eu estagiário. Ele foi um dos caras que demorei um pouco para entender. Não sacava como esse cara conseguia tirar beleza do cotidiano periférico, e a partir disso provocar e desafiar um monte de universitários a fazer o mesmo, valorizando o local e não sendo piegas ou falso.
A partir disso fui conhecendo outras pessoas da terrinha e sabendo mais a respeito da cultura local. O assunto sempre muito comentado e elogiado era o Carnaval, que era totalmente plural, organizado e belo. A arte de lá com artistas como o já citado Nação Zumbi, Otto, Karina Buhr e Mombojó, não saem dos meus ouvidos. Minha aventura com Pernambuco é também o cinema. Flimes como “Árido Movie” (meu favorito, de Lírio Ferreira), “Amarelo Manga”(Cláudio Assis), “Viajo porque preciso, Volto porque te amo”(Karim Ainoz e Marcelo Gomes) e alguns outros. O último que conheci foi o grande Simião Martiniano, que é camelô e produz os próprios filmes de forma independente. Quero ser Pernambucano quando crescer.