"Zero. The little one-eyed thing." Malachi held up a polythene bag.
"That's a shame."
"They used to feed it." The sound of the bag falling onto tile was thick and fleshy. "They used to pity it."
"Pity gets boring after a while, I guess."
"I guess." He eyes stuck to its place on the floor. "Should we burn it?"
"Maybe some other time."
"Are you busy now?" No answer. "Shiloh?"
"You can pack it with the luggage." He didn't look up from his desk. "I think it's time to go."
——
There existed three fundamental constants in Malachi Tenin's life.
First, that the botanical drawings in his book, the one he found in that horrid place, were the closest he would ever get to seeing a real flower. They were white, but not the kind he knew, that fluorescent which left the iron of blood in his mouth. A soft, live, white. There was orange, too. Only heelies ever wore orange, and that was on their hats. The book said it was orange. He didn't know if he'd known that word before. He might've just called it red. There were so many words he was missing. The book was hard to read.
Second, that Shiloh Kaner was the best man in the known world—or, at least, this side of the wallpaper sky. He was only nineteen, and spent his younger years rigging roulette games, hiding underneath closed tables with alligator clips, a keypad, and a thumb-sized magnet. Just to annoy them. Not to win any of the tokens. The kids had figured out those were pointless many years ago. Adults are not so quick to learn. What do they win at the end of the day? A sandwich? Shiloh had made sure to keep Malachi away from recruiters and croupiers; he might've fallen for their stories, before, when he was young and upset and wanted to feel important. He was important now, certainly.
Third, that no matter what he does, what pacifying traits he buys—yellow hair, broader shoulders, a sharper jaw, a few more inches of height—nothing will stop the tremors in his hands and the defect of his speech. This fault, not born of anxiety, nor anything solvable, will follow him for the rest of his life. There is a dissonance in him, now, and it grows every night he lives with his new name and new face. Oh, and the spectacles, his sunshades, he can never take off. At least they look cool. Bile churns his stomach constantly; that's to be expected, though.
Malachi, barely nineteen, is a dead man walking.
He's known for a few months, now. Watching the twitch in his fingers grow ever more erratic. He hasn't told Shiloh yet. They haven't finished fixing things.
He wasn't meant to live this long, either. No kids from the chip city were ever meant to make it to a meaningful age. He doesn't know why they don't just put them down when they're born. Maybe that's too much effort. It's easiest to let the kids kill themselves. Or to wait until they die. Like Zero.
Shiloh's travel case was one of those seemingly endless purses which unfolded to nearly his height, stuffed to the brim with clothes rolled into compact capsules, two tool kits, sixteen packets of jerky—kind unspecified—and bandages upon bandages upon bandages. And an extra pair of shades.
Malachi packed five dresses, three trousers, a rain jacket, four packages of cheese and meat, and two books: Nalekha Khes'kala, a historical compendium, and Wildlife of the Countryside as per Wenlock Squire.
Nada exatamente físico, afinal, estava sozinho ali, enfiado naquele centro de treinamento poucos instantes antes do sol raiar completamente. Sua insatisfação estava mais relacionada às preocupações e aos temores que não abandonavam sua mente desde que seus poderes haviam se perdido e desde que aqueles pesadelos medonhos haviam começado, sendo o mais recente deles o que envolvia seu pai. Tânatos estava diante de si, quase irreconhecível em sua forma humana, ensanguentado e com a foice que sempre lhe acompanhava, quebrada, partida em mil pedaços ao lado, inserido num cenário apocalíptico, completamente preenchido pela violência e pelo desespero. Sem nenhum outro contato, sem nenhum diálogo. Apenas um vislumbre do corpo divino antes que Thomas fosse subitamente arrancado daquela visagem.
Agora estava ali, treinando com a espada de madeira que em nada se assemelhava à leveza de suas foices, mas ainda assim, servia para mantê-lo distraído e distante de todas as coisas ruins que rondavam sua consciência naquele momento.
Uma nova investida, um novo avanço, os golpes só um pouco mais rápidos do que os anteriores, porque já havia ficado até mais tarde na noite anterior, repetindo e repetindo os movimentos sem mais nenhum propósito por trás além da necessidade voraz de tentar compensar nas habilidades de combate a ausência de todo o leque de poderes que desenvolveu ao longo de seus vinte e cinco anos.
Como também usava toda aquela bebida e todos aqueles outros vícios para tentar compensar e preencher o vazio que parecia ocupar seu coração desde que se dava por gente; a compulsão por jogos, por novas mulheres a cada final de semana, a sede por poder e influência até nos momentos menos significantes possíveis... Apenas mais demonstrativos de como Thomas estava, de fato, deixando-se levar para um caminho mais mortal do que necessariamente divino, simplesmente porque não enxergava naquele destino como semideus alguma esperança ou mais algo de positivo sobrando.
Não quando pareciam estar diante do apocalipse, tão eminentemente disposto à porta do Acampamento Meio-Sangue, bem como de qualquer outra instalação para outro ser vivo que tivesse sido amaldiçoado com a sina de ter alguma relação com aqueles que se denominavam deuses.
E era por isso que sentia-se afundando cada vez mais naquele mar de medo e de ansiedade; como poderia proteger aqueles que amava se não era mais um soldado de elite como o que havia treinado para se tornar ao longo de sua adolescência e vida adulta? Como seus amigos estariam seguros se ele próprio não conseguia garantir que estaria vivo para ajudá-los? Ao mesmo tempo que havia o pensamento sabotador despontando em alguma parte de sua mente, tilintando, reluzindo um lembrete de que Thomas estava delirando.
Ele não tinha amigos.
Não tinha nem mesmo uma família que o amasse verdadeiramente.
Nem mãe preocupada, nem um pai presente.
Estava sozinho. E, o pior. Sentia-se sozinho. Refletindo sobre como desejava poder voltar no tempo e aproveitar um pouco mais aquele tempo sem preocupações, sem tantas frustrações.
E mais uma sequência de golpes contra o alvo. A espada de madeira sendo deixada de lado para que apenas os pulsos focassem no material à sua frente, avançando, socando, forçando ao máximo os nós de seus dedos.
Em expectativa. Os olhos fechados, até finalmente parar, ofegante; o suor escorrendo pela curva do pescoço, um respirar profundo enquanto desejava estar errado, desejando também que aqueles pensamentos se afastassem. Ou que ele tivesse algo ou alguém em quem minimamente se agarrar quando sua mente lhe pregava peças como aquela.
Até que um grasnado soou pelo espaço amplo, agourento e macabro como o tom ao qual o Wentworth era acostumado. E mais uma vocalização, mais uma sinalização, de modo que Thomas imediatamente abriu os olhos e voltou sua atenção na direção do barulho.
Não podia ser.
Ou podia. No caso, Mefistófeles, o primeiro de seus corvos invocados ainda na adolescência, estava ali, não tão distante de si, naquele tamanho opulento, avantajado, imponente e medonho, mesmo que aquela ainda não fosse sua forma infernal. Os olhos escuros reluzindo, as asas se abrindo em cumprimento enquanto saltitava na direção do mestre.
Como na primeira vez em que havia sido invocado: numa tarde, enquanto Thomas ainda estava na escola regular, após ter tido visões com a expectativa de vida de um professor e ter sido taxado de louco por comentar sobre isso, passando a lidar com o isolamento das semanas seguintes se enfiando em qualquer sala que estivesse vazia; novamente sentindo-se vazio. Até que Mefisto apareceu, assombrando-o, a princípio, mas mostrando-se uma companhia fabulosa e que os mortais não conseguiam ver em geral.
— Não pode ser... — Thomas balbuciou, incrédulo, aproximando-se da ave. Imediatamente ajoelhando-se diante dele, as mãos, agora levemente ensanguentadas por ter a carne ferida, indo de encontro à cabeça do ser, afagando-a como se fosse um cachorro dócil. — Você voltou. Puta merda, você tá aqui. — Comemorou em um tom meio embargado com uma risada nervosa, os olhos começando a se encher de lágrimas. O treinamento tendo sido concluído de uma vez por todas agora. — Oi, amigão. Eu senti tanto a sua falta. Me perdoa por não ter conseguido te trazer de volta. — Pediu meio sem jeito, o rosto se tornando vermelho conforme os sentimentos vinham à tona. Estava realmente desacreditado de que as coisas estavam se ajeitando; a invisibilidade recobrada, a capacidade de atiçar o ciclo de vida de flores e plantas, mesmo que por acidente... — Você... Saiu do submundo, certo? Como estão as coisas por lá? — Indagou, meio desesperado.
Em resposta, ao invés de grasnar, Mefisto piscou algumas vezes, rapidamente, tombando a cabeça de lado. Não era autorizado a repassar informações se não pela vontade expressa de Tânatos, além do quê, havia alguns ferimentos por seu corpo enegrecido. Leves, mas ainda assim, um indicativo de que as coisas não eram mais tão seguras nos domínios de Hades e sob a proteção de seu pai.
— Esquece. — Anulou a própria curiosidade então, abrindo um sorriso emocionado, finalmente cedendo às lágrimas antes de se inclinar e abraçar a ave com todo o cuidado, envolvendo aquele porte digno de um cachorro médio como se sua vida dependesse daquilo agora. — O que importa é que você tá aqui agora.
Parecia que ainda haviam motivos pelos quais lutar, afinal. E aquele era o sinal mais claro de que isso era tão claro quanto a luz do dia ou tão escuro quanto a penugem preta azulada de Mefisto, no caso.
Se questionado, poderia colocar a culpa na bebida. Se questionado, poderia culpar também a dor que sentia em seu peito, a solidão vinha assombrar sua vida depois do destino lhe mostrar como a felicidade parecia. Se questionado, Eugen Brown não teria como provar sua inocência para o fatídico dia da morte de Idris. E o pior não era apenas a falta de álibi, mas também o fato de que, semanas antes da morte do ex-colega de classe, após alguns drinks tomado no bar próximo ao minúsculo apartamento que agora morava, tinha decidido que não iria mais guardar toda aquela raiva dentro de si.
Se o rancor é algo que vai destruindo alguém por dentro, o que sentia naquele momento já tinha passado de apenas destruir para consumir por completo o seu interior. Um ano atrás, sua vida virou de cabeça para baixo. O emprego foi perdido por causa de uma ousadia de Idris, uma vingança daquele idiota que brotava do inferno para bagunçar a estabilidade que Eugen criou junto com a namorada e filha. Uma família. Uma família que lhe dava amor e apoio, algo que nunca conheceu enquanto crescia. Tinha virado a página e esquecido tudo o que aconteceu no colégio; esquecido quem foi um dia. Mas pelo visto Idris não apagou da memória o dano que o jovem Eugen Brown causou a si. Suas fofocas exageradas fizeram dos anos do garoto um desastre nos corredores da escola, mas ora! Eram crianças!
Mas se Idris queria guerra, então ele teria.
Aguentar calado sofrendo as consequências da língua mentirosa daquele imbecil, tendo por consequência perdido seu e perdido sua família, já não era mais uma opção. Eugen não estava tão bêbado assim, diga-se de passagem, sua resistência para o álcool era ótima e um copo de vodka e uma garrafa de cerveja não iriam lhe afetar tanto. Mas dava-lhe coragem para ir até a casa do inútil despejar algumas verdades na cara dele. Parado na frente do local, pegou algumas pedrinhas e começou a jogar na janela da casa dele. Três pedras foram o suficiente para fazê-lo sair e assim que viu os cabelos bagunçado, Eugen disparou: ❝ —— Venha aqui, seu desgraçado!' chamou. O homem, porém, não saiu dos limites da casa.
A covardia dele fez-lhe rir de maneira debochada, abrindo os braços. ❝ —— Ah, vai ficar aí? Não tem problema, eu vou até você, seu imbecil!' dito isso aproximou-se com rapidez, correndo atrás de Idris quando este tentou entrar. Eugen o prendeu contra a parede, o antebraço pressionando em seu pescoço. Era mais alto, mais forte, tinha a vantagem ali. ❝ —— Você me fez perder meu emprego, minha família. Tudo por causa de uma porra de palhaçada de infância? Qual é o seu problema, idiota?!' sua voz era alta, ignorando a forma como Idris tentava lhe afastar, bater em seu peito para tentar lhe afastar. Infelizmente, o álcool apesar de não ter tanta influência sobre si, ainda conseguia lhe deixar sem muito controle dos movimentos. Quando o rapaz lhe deu um chute na canela, o loiro o soltou. "Você mereceu isso!" o ouviu disparar. E caramba, apenas inflamou mais o ódio que Eugen sentia.
❝ —— Eu mereci? E sabe o que você merece? Morrer! Ninguém nunca sentiria sua falta, assim como na escola, você é um inútil!' disparou, cuspindo no chão após aquilo. O que viu então foi o rosto bravo do rapaz e um punho fechado em seu nariz. A forma como sua cabeça virou para o lado fez os óculos fugirem para fora do rosto, rolando sabe-se Deus lá para onde ali dentro do quintal. Quebrado, provavelmente, não adiantaria nada procurar. Mas a raiva inchou mais ainda, fazendo-o devolver o soco. Ambos com os narizes sangrando agora. ❝ —— Eu vou acabar com a sua raça, Niven! Escreva o que eu estou te dizendo! Vou acabar com a porra da sua raça! Você me paga!' a ameaça foi dita em um grito com raiva, com ódio, não se reconhecia mais e isso era assustador. O melhor a se fazer era sair dali antes que realmente fizesse alguma coisa contra a vida do outro homem. Limpando o nariz ensanguentado, se afastou do local. Os vizinhos do rapaz estavam de olho, Eugen podia ver isso e, irritado, gritou: ❝ —— Estão olhando o quê? Espero que tenham gostado do show!'
Sua saída dali foi feita com os passos pesados, largos, cada passada entregando mais de sua raiva mas também servindo para fazer-lhe notar uma coisa: podia ter gritado com ele e até batido naquele inútil, mas isso não tinha servido de nada para aplacar o rancor que enchia seu coração. Idris Niven iria se arrepender de ter voltado a perturbar sua vida.
Já estava tudo certo para o que faria naquele dia. Claire passou o começo do dia, como sempre, divertindo-se junto aos amigos. Durante o intervalo entre as aulas, ela desapareceu da vista destes e seguiu para um lugar estratégico. Usaria o feitiço Vox Loquentium que aprendera no ano anterior. Este faria com que sua voz ecoasse por todos os alto-falantes da escola. Qualquer um, em qualquer lugar ali dentro conseguiria ouvi-la. Sim, isso incluía o diretor e seus subordinados. A ameaça de expulsão poderia enfim ser real, mas aquilo apenas a impulsionaria a deixar claro para o Ministério da Magia qual era a atitude da escola com aqueles que tentavam fazer a diferença. Tomou a poção que a faria mudar de voz e fez o feitiço, antes de começar a falar com a boca próxima a varinha. “À todos os novos estudantes de Dumrstrang.” Claire falava com a voz firme e confiante, tentando não rir de como sua voz encontrava-se irreconhecível. Bendito fosse Oleg e sua paciência para ensiná-la a matéria maravilhosa que poderia ser Poções. “Sejam bem vindos a prisão que chamam de escola. Onde um aluno, por ter alguma característica diferente dos demais, é mal tratado e desrespeitado em frente aos olhos dos outros que apenas se fingem de cegos e mudos. Onde somos ensinados a abaixar a cabeça, ao invés de apoiarem a liberdade de expressão e ensinar que o diferente é bom, que o diferente nos faz aprender e que o diferente pode ser tão talentoso quanto. Onde querem que nos tornemos bruxos e bruxas retrógrados, que vivem no século passado e não pensam no futuro.” As palavras acusatórias saiam da boca de Landvik com muita convicção. Ela já vinha estudando seu discurso a um tempo, escolhendo as palavras que passariam verdade e que fariam todos pensar. Ela falava de situações já vividas e vistas, pessoalmente. Inclusive a falta de atenção da que a própria escola dava. “Uma escola que parou no tempo e não entende a gravidade da situação e quando tentamos mostrá-los, fingem que não nos escutam.” Claire imaginava qual estaria sendo a expressão de cada aluno e professor no momento em que escutavam as suas palavras. Esperava que estivesse dando o efeito esperado. “Uma escola onde pessoas que incentivam o preconceito e a maldade são considerados reis, enquanto aqueles que lutam pelo bem são chamados de traidores de sangue.” Claire nem mesmo conseguia contar quantas vezes fora chamada de traidora de sangue por alunos de Durmstrang e precisou ouvir tudo sozinha. “Se pararem de pensar em si mesmos por um segundo e olharem ao redor, irão notar quantos estão acoados em sua própria insegurança achando que estão sozinhos nessa luta. Mas não se enganem, pois a revolta existe. Ela está aqui, falando diretamente com vocês. Nós não vamos nos calar e nós não vamos nos deixar amedrontar por pessoas que pensam que causar medo é a forma de resolver tudo.” Lembrou-se, obviamente, de Van Bergan e Cia e o que estavam fazendo para tirá-la do sério. “Importar-se, lutar pelo que acredita e pelo direito a liberdade e respeito, resolve tudo. Desde que nasci eu aprendi a não abaixar a cabeça e podem ter certeza que não vou fazer."
Que Claire Landvik era do tipo revolucionária revoltada a escola inteira sabia, afinal não fora apenas uma vez que a encontraram discutindo com puristas ou discursando em meio ao pátio sobre como as atitudes que tinham com os estudantes mestiços eram sem caráter ou sentido. Além de deixar bastante claro para quem quisesse ouvir sua opinião sobre a escola não tomar nenhuma atitude sobre aquilo. Ao contrário do que muitos pensavam, Claire era sim sangue-puro, assim como toda a família Landvik, a diferença estava no fato de sua família nunca ter julgado nascidos trouxas ou mestiços como inferiores. Era bastante claro para eles que todos tinham o mesmo talento, afinal não foram poucas as vezes que esses bruxos fizeram maravilhas. A questão era simples: Mereciam ser tratados com igual respeito. Durmstrang não ajudava, no entanto. Toda a história da escola era envolta em preconceito e injustiça que pouco tinham seus motivos justificados, acarretando em diversos momentos de crueldade entre os alunos. Claire tinha uma opinião. Acreditava que puristas tinham medo de ver pessoas que, segundo eles, não eram dignas, mostrando serem melhores bruxos e conseguindo feitos que estes não eram capazes de acumular. Usavam da maldade para atormentá-las e tentar fazer com que se sentissem acuadas o suficiente para não terem coragem de fazer o que quisessem. Queriam mostrar poder partindo para o medo. Uma pena para eles, porque Claire Landvik não tinha medo.
Outro ponto que revoltava Claire era como pessoas podiam ser volúveis a outras e não terem opinião própria. Não eram poucos os bruxos que ela via apoiando causas injustas por medo de também se tornarem vítimas de puristas. Não sabia se era a sua criação simples e com pessoas confiantes que facilitava, mas apenas a imagem de abaixar a cabeça para pessoas que vão valiam a pena faziam a garota ficar enjoada. Não existia nada mais importante para Claire do que sua verdade e seus princípios e ela lutaria por eles até quando pudesse.
Sua luta começaria naquela primeira semana. Ainda que não fosse desistir, Claire sabia que não conseguiria ir muito longe sozinha e ao longo de seus anos na escola conhecera pessoas que tinham a mesma opinião que ela. Esses sempre a ajudavam em suas defesas contra mestiços. Daquela vez, no entanto, apesar do objetivo ser chamar atenção e conseguir que novas pessoas entendessem a causa, ela não queria envolver os amigos. Não quando sabia que as consequências de seus atos poderiam resultar em castigos mais severos do que o normal. Ainda que o fizesse de maneira anônima daquela vez, porque apenas queria mostrar que tinha alguém ali que não abaixaria a cabeça para atitudes tão retrógradas, ela tinha em mente que seria a primeira pessoa que desconfiariam e não ser a favor da mentira as vezes lhe traziam maus momentos. Claire sabia que seus inimigos a subestimavam, e pensava que eram apenas papo e socos na cara. Ela mostraria que não. Queria, naquele dia, causar comoção, falatório, deixar claro que a luta contra preconceito não tinha acabado dentro de Durmstrang e que eles não conseguiriam calá-la, não importa o quanto quisessem fazê-la sentir-se insegura.
“Hoje, eu só quero que entendam de uma vez por todas, a gravidade dessa história.” Pediu, fazendo uma pausa para respirar. Precisava finalizar seu discurso de uma vez, já que a poção estava para ter um fim. Lembrava-se de Oleg lhe dizendo o tempo que a voz ficaria mudada. “E que desistir não é uma palavra que existe no meu vocabulário.” Afastou a boca da varinha e finalizou o feitiço. Estava dado o recado e ela tinha certeza da comoção que estaria acontecendo nos corredores da escola. Logo mais apareceria alguém em seu quarto com um recado do diretor e Claire iria lidar com as acusações, ameaças e consequências se cabeça erguida, pois ela não fazia nada de errado. Estava apenas lutando pelos seus direitos e dos outros colegas, pensando no melhor de todos, inclusive da própria escola que teria a sua visibilidade bem melhor se começasse a pensar.
“Hey dad!” A loirinha de apenas oito anos em seu vestido rosa bufante exclamou contente ao entrar no escritório do pai, que verificava alguns papéis de sua empresa. Frank Marshall presidia a Marshall Atlantic desde os vinte e três anos quando seu pai faleceu por um tumor raro. A empresa de engenharia crescera muito após o comando do homem que sempre sabia quais decisões tomar. Olá querida. A pequena sentou-se na cadeira em frente ao pai e preparou-se para fazer o seu pedido. “Posso ir na casa da Theresa hoje? A mãe dela vai fazer uma reunião com nossas amigas da escola e ela me cham…” Você não tem prova essa semana? A loira assentiu com a cabeça. "Tenho, mas eu já estudei tudo e…” Estudo nunca é demais, Amy. Te expliquei que se um dia quiser ser a herdeira desse lugar, vai precisar sempre ter notas máximas. O homem não falava de maneira dura, ainda que seus discursos fossem sempre firmes. Amy entendia a todos. Daquela vez, no entanto, tinha desejo de passar o dia com sua melhor amiga. “Mas eu pensei que…” Querida. O homem a encarou da mesma forma que fazia sempre que não havia discussão. A pequena entendera e apenas se levantara, voltando para o quarto onde começaria a revisar toda a matéria novamente. Negaria-se a tirar notas que não fossem máximas. Faria sempre o que esperavam de si.
2, março, 2009
“Cinco, seis, sete e oito.” E os passos saiam com extrema agilidade e segurança. Seguiam o ritmo perfeito da música sem perder em nenhum momento. Amy sabia bem o que fazia. Aprendera tudo sozinha e dançava em seu quarto ou quando estava acompanhada de suas amigas nos poucos momentos sem tarefas que tinha. O que você está fazendo? Assustou-se com a voz da mãe e desligou a música do celular. “Apenas dançando um pouco. Nada demais…” Respondeu com um sorriso mínimo nos lábios. “Aliás, mãe…” Disse, enquanto observava a mulher arrumar seus pertences de maneira organizada. A loira era uma mulher que gostava de ordem completa. “Tem uma escola de dança no centro e estou pensando em me candidatar.” A outra virou-se para a folha com o cenho franzido. Amy nunca havia comentado sobre dança antes. “Phill pode me acompanhar já que as aulas são a noite.” Filha, você não tem tempo para isso. A mulher fora categórica. Nunca precisaram elevar o tom de voz com Amy. Sabiam que ela não discutiria e afinal, só pensavam no bem da sua única menina. Amy precisava aprender a lidar com a vida real. E nós não vamos gastar mais dinheiro com besteiras. Pode continuar dançando no seu quarto mesmo, sim? A Sra Marshall deixou um beijo gentil na testa de sua garota de 13 anos e saiu do quarto.
23, fevereiro, 2011
Se quer alguma coisa, precisa se impor e pegar você mesmo, filha. O homem dizia com os braços nos ombros da loira, antes de tornar seu lugar na mesa de jantar. Amy havia acabado de dizer que as inscrições para presidente estudantil estavam abertas no colégio e toda sua família lhe apoiara para conseguir. Vai te ajudar a aprender como liderar. Como liderar os outros. Precisa disso se um dia for tomar conta da empresa. O outro disse, e Amy assentia aos mandamentos. Podia ter agora quinze anos, mas a imposição alheia sempre seria levada na frente de duas vontades. Amy, na verdade, já havia se esquecido de quais eram as suas vontades. Sua personalidade formava-se como a de Frank. Decidida e focada apenas no que interessava. O poder para si. Já era quase uma rainha no colégio. Junto de Theresa, formavam a dupla mais popular do colégio. Mandavam e demandavam. As pessoas faziam o que queriam e sempre conseguiam o que queriam. Nem mesmo precisavam se esforçar para aquilo. Amy adorava o poder. Seu pai tinha razão afinal, não havia como não gostar.
14, novembro, 2014
A primeira vez que Amy tomara aquela atitude errada fora com dezoito anos. Logo após o fim do ensino médio quando ela trabalhava na Marshall Atlantic ao lado do pai. Era um cargo pequeno, mas lhe tomava todo o tempo que poderia ter e segundo Frank, era importantíssimo para o futuro alheio. Conseguira entrar no sistema de finanças da empresa por meio de um software que o próprio pai lhe ensinara a usar. Qual seria o problema de desviar um pouco do dinheiro para si mesma? O homem nunca notaria. Estava mais preocupado em controlar a vida da filha do que em qualquer outra coisa. E além de tudo, seria apenas uma vez. Desviara uma quantia para sua conta e apenas compartilhara aquele assunto com sua melhor amiga. Sabia que poderia confiar nela. “Podemos comprar aquelas coisas que queríamos e nossos pais não nos deram dinheiro. Daremos um jeito de esconder depois.” Não fora o próprio Frank Marshall quem disse que quando se quer uma coisa deve correr atrás para pegá-la? Era o que Amy estava fazendo. Estava na hora de ela controlar alguma parte de sua vida.
27, outubro, 2016
Amy vai estudar arquitetura. Já está decidido. O homem disse sorrindo orgulhoso para a filha. Ela era a única luz daquela família. Fazia o que era certo e o que daria um futuro. “Eu vou, pai. Theresa e eu escolhemos a UCLA. É próxima da filial da Marshall Atlantic na Califórnia.” Apontou para o pai com um sorriso tranquilo nos lábios. Essa é a minha garota. O homem deixou um beijo na cabeça da loira e saiu da sala. Tinha assuntos a serem resolvidos. A escolha fora bastante simples para Amy. Arquitetura era o sonho do pai e ela não tinha mais nenhuma opção. Feito. Ele ficaria feliz com ela, Amy não precisaria se preocupar com o homem vigiando seus passos. Ah, é. Os desvios de dinheiro continuaram. Amy viciara na chance de poder controlar suas próprias escolhas. De ter o poder até mesmo sobre aquele que tinha nela. Estava um passo a frente como fora ensinada.
A segurança é a chave de tudo, filha. Faça sempre o que for melhor para você.
pov 1. “and suddenly everything goes down in flames.”
Quando a campainha tocou, Katherine esperava por qualquer outra visita. Nunca imaginou que Brandon Davis iria até seu apartamento. Ao vê-lo do outro lado da porta, a garota sentiu seu coração apertar. Tinha certeza que ele não estava ali por uma boa causa. Principalmente levando pelo fato de que a última vez que se viram, fora durante a catástrofe também chamada de jantar em família. "O que está fazendo aqui?" Fora direta em seu questionamento, o encarando de maneira firme ainda que suas pernas bambeassem. Precisava mostrar que não estava amedrontada. Isso é jeito de receber o seu pai, querida? O humor alheio não era um bom sinal e Katherine soube que seria pior do que estava esperando. Deixou que o homem entrasse dentro do cômodo e fechou a porta, virando-se para o homem com os braços cruzados. "Não estou brincando. Quero saber o que o senhor veio fazer aqui." Observou a fisionomia alheia mudar e Brandon escurecer os olhos, a encarando com firmeza. Quero que termine o que é que tenha com o barman. Uma risada alta saiu dos lábios da garota. "Essa é uma piada, certo?" Perguntou em meio as risadas. "Eu não vou terminar com ele, pai. Pensei ter deixado muito claro que estamos em um relacionamento sério." Não me importa. Você vai terminar com ele. As risadas da garota cessaram e ela respirou fundo antes de falar. "Eu não vou fazer algo porque você quer. A escolha é apenas minha. Eu o amo e não há nada que possa fazer para mudar isso." Era muito simples, na verdade. Ele não poderia obrigá-la a terminar um relacionamento quando não queria fazê-lo. O contrato já está assinado, Katherine. Brandon disse, sem parecer abalado com as palavras da filha. Ele nem mesmo parecia ter escutado. Você tem um mês para acabar a brincadeira com esse moleque. "Do que raios está falando?" Que história era aquela de contrato? Como ele poderia dar um prazo para o término do relacionamento? Nada daquela conversa estava fazendo sentido. Katherine só queria voltar no tempo e nunca ter decidido levar Aiden para a sua casa, ainda que não quisesse que ele pensasse que ela estava com vergonha de apresentá -lo à sua família. Porque achou que Rebecca e Harry estavam no jantar aquela noite? Está tudo acertado. Uma vez que você e Eric se casarem, a empresa se torna uma só e serão milhões de reais a mais em nossa conta.
A forma que Brandon falava, como se aquele fosse o assunto mais banal que existia, deixava Katherine enjoada. "Você só pode estar brincando." Disse, ainda que começasse a sentir seus olhos lacrimejarem. Era surreal que ele estivesse fazendo aquilo pelas costas dela. "Não tem o direito nenhum de tirar a minha liberdade dessa maneira. Não pode me obrigar a cas..." Escuta aqui, Katherine. Sentiu o homem apertar seu braço com extrema força, sabendo que ficaria marcado depois. Cansei dessa conversa. Eu não vou perder milhões de reais por capricho de uma garota mimada. Aprenda a arcar com suas responsabilidades. O encarou incrédula. Ele estava chamando um casamento arranjado de responsabilidade? Onde mais a ganância daquele homem poderia ir? "Eu não vou..." Murmurou em meio as lágrimas que desciam de seus olhos. "Não vou deixar o Aide..." Ah vai. Sentiu o aperto ficar mais forte. Está se esquecendo de quem eu sou, querida? Eu te dei um mês. E se em um mês você não tiver feito... Eu farei por você. Ele faria algo contra Aiden. Ela tivera a certeza pela forma como o homem a encarava. Não esqueça que eu conheço a família dele. "Por que está fazendo isso?" Ainda lhe era inacreditável. Ele estaria acabando com a vida da filha por nada. Uma hora vai entender que o dinheiro faz de você alguém nesse mundo. Sentiu seu braço ser solto e o homem caminhar até a porta. Um mês, Katherine. O seu noivado acontecerá no próximo. Compre um vestido bonito. E ela escutou a porta ser fechada.
Caminhou até o sofá e sentou ali. Dobrou as pernas e abraçou-as. Estava em completo e mais puro choque. Acordara de manhã feliz em um relacionamento sério com o rapaz que tanto amava, com a certeza de que viveriam o felizes para sempre que gostaria. Não havia nada para impedi-los de realizar. E agora estava perdida com o que seria de seu futuro. Poderia apenas bater o pé e continuar negando o término do namoro, mas estaria colocando Aiden e sua família em risco. Tinha certeza que Brandon não estava brincando. Para conseguir o que queria, o homem faria de tudo, inclusive prejudicar pessoas inocentes e Katherine não poderia deixar que aquilo acontecesse. Um mês. Ele lhe dera um mês para acabar com tudo. “I can’t do it...” Murmurou para si mesma, sentindo seu coração apertar mais uma vez e as lágrimas descerem de seus olhos. E se o fizesse? E depois que terminasse com Aiden? Ela teria que se casar com Eric, o qual vira apenas três ou quatro vezes? Se bem conhecia o pai, ele a levaria arrastada até o altar, apenas para fazê-la assinar o contrato que fazia com que as empresas das duas famílias se tornassem uma só. Katherine estava completamente perdida e nem mesmo poderia contar para alguém sobre aquilo por medo do que poderia vir a acontecer com estes. Precisava pensar e precisava encontrar uma solução, ainda que ela parecesse impossível de ser encontrada.
Samuel estava esperando a alguns minutos na fila para ser o próximo a cantar no karaokê do hotel, quando seu nome foi chamado ele não resistiu e deu um pulinho de alegria. Desde criança, cantar - mesmo que mal - fazia parte da sua diversão, passava horas brincando com o aparelho caro de karaokê que havia em sua casa e nas noites de festa em família, ele praticamente se apossava do aparelho junto com os parentes bêbados e as tias que vivem perguntando sobre a vida amorosa.
Ao subir no palco, assumiu postura de cantor interagindo com a platéia “Quero todo mundo com a mão para cima” Ordenou sorridente, com a mão direita ele mostrava o movimento que pedia enquanto com a esquerda segurava o microfone “Essa música que cantarei é um clássico no meu País.” Ele pigarreou e assim que a letra surgiu, ele começou a cantar acompanhando a cor amarela preenchendo as palavras. Estava até surpreso por ter aquela música ali. “Quando eu digo que deixei de te amar é porque eu te amo.” Ele passou o olhar pela platéia, parando sobre Disney. Levou a mão sobre o peito e esticou até ela. “Quando eu digo que não quero mais você é porque eu te quero.” Cantarolou dessa vez olhando para Charity, mas ao invés de levar a mão no coração, ele semicerrou os pulsos da mão livre, flexionando o braço e inclinou o corpo para frente “Eu tenho medo de te dar meu coração...” Abriu o pulso estendendo o braço para frente “e confessar que eu estou em tuas mãos” Manteve o braço esticado com a palma da mão virada para cima. “mas não posso imaginar o que vai ser de mim se eu te perder um dia” Sorrindo, começou a andar pelo palco. “Eu me afasto e me defendo de você” Ficou de lado para a platéia, estendendo o braço para frente enquanto puxava o corpo para trás “Mas depois me entrego” Deslizou encolhendo o braço e virando para a frente “Faço tipo, falo coisas que eu não sou, mas depois eu nego” Continuou andando sobre o pequeno palco, parando no centro “Mas a verdade é que eu sou louco por você” Nesse momento ele cantou olhando direto para a Ross e apontou em sua direção com o dedo indicador “E tenho medo de pensar em te perder” Esticou o braço para os lados e inclinou a cabeça para trás, cantando olhando para o teto. “Eu preciso aceitar que não dá mais pra separar as nossas vidas” Expressivo, ele gesticulou levando a mão até o peito e olhando de modo geral para a platéia “Agora, todo mundo comigo” Pediu ficando animado com o refrão que estava por vir “E nessa loucura de dizer que não te quero vou negando as aparências, disfarçando as evidências. Mas pra que viver fingindo se eu não posso enganar meu coração? Eu sei que te amo!” Cantou o refrão balançando o braço livre e o corpo de um lado para o outro. “Chega de mentiras de negar o meu desejo, eu te quero mais que tudo, eu preciso do seu beijo, eu entrego a minha vida pra você fazer o que quiser de mim” Voltou a andar pelo palco, utilizando de todo o espaço para sua apresentação “Só quero ouvir você dizer que sim!” Parou virado de frente para a platéia enquanto cantava a plenos pulmões “Diz que é verdade, que tem saudade, que ainda você pensa muito em mim” Voltou até o meio do palco, erguendo a mão para a cima e balançando de um lado para o outro “Diz que é verdade, que tem saudade que ainda você quer viver pra mim.” Levou a mão até o peito e deu um giro “De novo” Avisou antes de reprisar a penúltima parte da música. “Eu me afasto e me defendo de você, mas depois me entrego. Faço tipo, falo coisas que eu não sou, mas depois eu nego” Mudou o microfone de mãos e imitou o movimento que havia feito anteriormente. “Mas a verdade é que eu sou louco por você e tenho medo de pensar em te perder” Parou outra vez no meio do palco “Eu preciso aceitar que não dá mais pra separar as nossas vidas” De algum modo ele já havia cativado a maioria dos presentes, todos estavam balançando a mão no ar antes mesmo dele dar início ao refrão “E nessa loucura de dizer que não te quero vou negando as aparências, disfarçando as evidências. Mas pra que viver fingindo se eu não posso enganar meu coração? Eu sei que te amo!” Ao cantar ‘eu sei que te amo’ ele estendeu o microfone para a platéia na intenção delas fazerem o coro, mas infelizmente ninguém repetiu. Ele deu com os ombros, afinal não esperava que repetissem de verdade e prosseguiu com a cantoria “Chega de mentiras de negar o meu desejo eu te quero mais que tudo, eu preciso do seu beijo, eu entrego a minha vida pra você fazer o que quiser de mim. Só quero ouvir você dizer que sim!” Permaneceu parado no centro do palco. Ergueu outra vez os braços para cima e movimentou de um lado para o outro “Diz que é verdade, que tem saudade que ainda você pensa muito em mim. Diz que é verdade, que tem saudade que ainda você quer viver pra mim” Terminou a canção dando um giro sem sair do lugar. Assim que a canção findou e os aplausos começaram, ele agradeceu fazendo uma reverência.
Aquela havia sido uma das suas apresentações mais engraçadas, não por ele ter incorporado a canção ao cantar. Mas por ter sido a primeira pessoa da noite que cantou uma música em português para os ‘gringos’. Rindo divertido, ele desceu do palco e correu até o moço regente do karaokê. Foi decidido com a próxima canção. Nessa noite ele tinha uma missão importante, como diria a rainha dos falsetes, iria mostrar cultura para aquele povo.
Malachi had been pacing in silence for a few minutes, eyes fixed to the floor. The small office had the only bathroom in the little shack where they had set up shop, and the only mirror, but the glass sat just outside the tiled room, hung a few inches above the wooden floor.
They both took turns preening in front of their stretched reflections every morning, watching their combs squeeze and bulge with every movement through their hair. He’d pull his into spikes, fixing them in place as he’d asked for it to be when he bought the hair. Shiloh would part his dense coils with a lock-pick’s precision. He didn’t buy a style from any shop; he left his friend that small vice, but denied it for himself. He liked to come up with something new to do every morning, occupying his hands as he recited to himself the information memorized the night before. There was a lot he needed to know about travel.
Malachi had his own subjects to study, makeshift fields of expertise for children the who never saw the inside of a school. Yet before the warped glass, hands hugging his elbows, he remembered none of it.
Long fingers moved to his neck, and they squeezed, tracing chords of wiry muscle and jutting-out bones that forced copper skin to stretch over them in sandy stripes. He glanced at the mirror, a participant in his anxiety, then back to the gnarl in the board below his feet. His speech began like the middle of a conversation.
“Well, of course it’s about the trip! When is it not? Everything's always about the trip, that’s the whole— it’s everything! We can’t keep going on like this. I said I wanted to leave, but everything’s going to be different, different and- and weird, and– I know!” He threw his hands down. “I know I've never been scared of things being different before." He faltered, lips pulling tight. "So– so what's the problem, huh, why am I..?”
He met his own eyes. His eyes? Did he always look like that? How long have those been his eyes? His head spun. “I’ve been looking at those papers. You know the scans of them, they're up on the screen downstairs. I’ve been looking at them. Sometimes I just sit in here and I look at them, on my…” He pawed for the word in the air. “You know what I mean. I thought it was fiction, at first. I thought, there’s no way any place like that exists. They must’ve misfiled it with the real records. But- but it is real. A fantasy land. What we imagined? We weren’t even close.”
He gasped, losing his new breaths far too quickly. "Divergent evolution. That's– that's what my book calls it. Two populations keep going on by themselves until they're totally different species. They never interact, can't communicate. They become unrecognizable."
In the heavy silence, his eyes were swallowed by a color black and hollow.
“They won’t recognize me, my species, and I’m going to get there, and I’m going to be her again, and I won’t recognize me either. I can't do it.”
He looked up as if the figure in the mirror had particularly offended him. "I haven’t got any bugs!” He squinted at the shifting colors under his glasses. Whose green eyes were reprimanding him with such ferocity? Were his eyes green?
Trembling where he stood, he took a green handkerchief from the crook of his shirt collar. Shaking out its wrinkles, he broke from his stupor to run it under the faucet. The cloth pressed, damp and frigid, against his feverish cheeks. “Come on, I know I had a bug, but I fixed it, see? Look at me! No more errors, not anymore. I’m fixed.”
Throat seizing at the heat that wouldn’t leave his face, he swallowed with a grimace. His hands were held up to the mirror, a fist squeezed around the handkerchief, nails dug into his palms. He stared at them with fixated curiosity, the excess wetness slipping to his elbow in freshwater tears. He didn’t remember filing his nails. How were they so trim? “It’s like giving me a transplant heart, then ripping it straight outta my chest cavity. You expect me to keep breathing?”
“But I have to go,” he mumbled, voice breaking. “Believe me. What, am I supposed to send Shiloh out by himself? What if he– what if it’s worse out there? My books could be wrong now, it could be barbaric, or- or a wasteland! Imagine that: they do some weird forest magic on him, and he comes back and he hasn’t got any bones?” He scrubbed his kerchief over his neck, twitching from misfired nerves. “Bones, he needs those. Plus, it’s my mess. There’s no integrity—integrity, that’s something they don’t have—there’s no integrity in making him go in my place.”
Despite the confidence of the words, they sounded utterly defeated, as if integrity was the worst thing to come out of all this. Maybe that’s why they had it so easy, Kavida and them; they had nothing to make them sick with guilt, no code that could make them stop in a mirror and consider, for any fraction of time, that perhaps a suffocating greed had swallowed them. “Shouldn’t have dragged him into this. My mess.” That same suffocation he felt every time he put head to pillow.
“I'll manage. I always manage.” His eyes sparkled with gold tresses. His shoulders rolled back, straightening him. “I spent fifteen years like that before. A couple months won’t kill me." The statement was barely honest. "I'm good at it, it’s not hard. A kind of fun, really.” Why did he say that? “I don't want to, but I don't want all this nonsense going on either. A trade-off's fair, isn't it? It's like a costume party. Always wearing some sort of costume… Oh, I'll need a new name, I suppose. And I'll have to talk to some—" He cut off with a yelp, nape going cold. "I did forget!”
"This is why I talk, because I don't remember anything, I just– I just wait for the words to fall out of my mouth, you remind me of everything,” he rambled, his pacing beginning again. Knuckles pressed into the hollows of his cheeks to stifle the rising upset. "Don't remember a lick unless I'm talking, waiting for something to come loose. I don't even know half this stuff until I'm saying it, and I've gotta write it all down once I do. I don't remember knowing it before. Does that make sense?" He looked at the mirror again. "Never mind. Shouldn’t bother. This is stupid."
He shook the cobwebs from his head. "External contact. We need an external contact. Why don't we know anyone. Okay. Wenlock Squire says the best way to introduce a new species to your garden is to bring native soil so– so it doesn't bolt. But, to keep certain plants alive, they need a trellis to guide their growth so they don't fall— don't tangle on themselves. We need a trellis."
He swiped a thin notebook off the desk, rolling the accompanying pencil between his thumb and forefinger before beginning to write below a previous set of lines. "Qualities of a trellis: sturdy, but not bulky. Breathable. Appropriately shaped. We can't have an ivy trellis if we're really beans. Upward movement. Vertical… something." He squinted. It was getting harder to read his own handwriting. He could never remember what it was he wrote, anyway. "Why does no one out there want to talk to us?" He shook his head clear. "No, I know, it's obvious. But still. We're dying. You'd think someone'd… do something."
His head felt so very heavy. "Gotta talk to Shiloh. Gotta… gotta talk to him." He stood, the familiar sound of his bones clicking back into place snapping his mind into his body. “Stupid, stupid. All worked up about fish fry and forgetting– okay, I gotta go, see you.”
He turned, grasping the doorknob with a new intensity and swinging it open. “I’ll have to finish my list– oh!” He shouted at the thunk of the door smacking his friend in the head. “Shy! Oh, are you– what are you doing?”
Shiloh just laughed, more sheepish than apologetic. Slinking away from the door, hand pressed to his browbone, he looked like the perfect picture of a rogue. “You’d been in there for a while. Was just making sure you didn’t, uh, die or something. I hear that happens.”
"Dude." Malachi pushed his shoulder. “Haven't we talked about this? The whole eavesdropping thing?"
Shiloh’s words were jolted by his stumble into the nearer-than-he-remembered railing. “Is it so-o much of a problem to worry when someone’s pacing around a room, talking to himself, for fifteen minutes?”
“It’s how I get my feelings out, alright? I can’t give you gibberish, I need to make sure it all comes out right.” With a pout, he added, "And I wasn't pacing. By the end."
“Yeah, gibberish, that's all you ever talk," Shiloh muttered. “Beans, really? Have you totally lost it?”
“Would you be surprised?”
The words rang in the silence until Shiloh finally put his hands on his friend’s shoulders. “No,” he said, soft, “and I'm not blaming you. But I’m telling you, you need to take it easy. Your stutter's gotten worse and you can hardly finish a sentence nowadays. Man, I know you think it looks bad, but I don’t care. You know I don't. Just let me handle some stuff, alright? Look, look at me, c’mon, I’m not dumb. I know something's bothering you. If it’s about your eyes—”
“It’s not about my eyes,” he scowled, but it was weak and halfhearted.
“Fine. Then if it’s about… the trip.” Shiloh paused, waiting for him to jump to correct him. “If it’s about that, you can talk to me.”
“You won’t even say it,” Malachi groused, pulling away to head back downstairs. “You won’t even– how’m I supposed to talk about it if you can’t even get it together to say it! You know it's not about the trip, you know it's trip-adjacent, so you– you say that like it means something.”
Shiloh winced, but followed dutifully. “Look, you know I just don’t get it. I don’t wanna call you the wrong thing, doesn't mean I think there's anything wrong with you. I want to understand you better, honest. But if you’d ever just talk to me about it–”
“You wouldn’t get it!”
“Don’t be a child, and stop interrupting me. This is what I’m talking about. Your brain’s not right, you’ve got a bug. The conversational part of your brain's all fried.”
His glasses slipped down his nose with the force of his head shaking. "It wasn’t even that serious, okay? The bugs are all gone. We fixed them. We fixed everything, no more errors.”
Shiloh covered his face. “Fine. Y’know what? I'm not gonna argue with you. But right now, this?” He grabbed the boy’s elbow, turning him back. He knocked Malachi’s forehead with the back of his hand and gestured to his glittering eyes. “Yeah, not buying it. So tell me what’s wrong.”
"Why do you always think it's about my eyes? I feel fine, okay, I don't know why you care so much." The tightness of his throat had made his voice high in pitch, but it was starting to quell. "It doesn't even hurt so bad anymore, it doesn't."
"Hey, I asked you a question." The boy stilled, slow to catch up. Carefully, he wiped his face.
“She's no different from me, I know. No one’s told me anything to the contrary, I know. But how am I supposed to act the same when I’m her? We're hardly the same person! No one ever listened to m– to her, they only listen to Malachi. I'm supposed to give that up?"
“No one’s asking you to give anything up, okay? I promise.” He patted his friend’s shoulder with a grounding force. “You don’t have to keep the persona any longer than you have to. You can go right back to being Malachi, I don’t care what you look like.”
He nodded, sniffling. "I'm just nervous. I think. It's going away, now, I can't feel it so much." He pressed his thumb to his chest. "Like it's gone to my bones instead of my heart. So it's… less."
Shiloh nudged Malachi’s cheek, pulling him into a final bout of tense eye contact. "I just need you to tell me—honestly—that you're okay. Or that you're gonna be okay if we do this."
He nodded. "I'll– okay. Okay. Okay–" He hit his temple with the heel of his palm. "Yes, I'll be fine. I just need to get dressed, and then, uh, yeah, I'll meet you outside. You can talk to the heelies, right?"
"I know the plan. You got everything else ready?"
He covered his face. "I forgot to map the exit route."
Shiloh peeled the fingers away from his face. "We did that last night. Remember?"
He paused, staring at him with scrunched brows, until the words and memories lined up in his head with a nearly audible click. "Oh. We did. You're right."
"There you go. See? Everything's okay." He patted his shoulder. "C'mon. I don't know about you, but I really need a vacation." He smiled.
"No, there's another thing, I…" Chi blinked slowly. "Someone's running the automat, right?"
"Yeah, I got Lexen on it. He'll be fine. He's smart."
"And the, uh… the hotline?"
"Dolly. And she said her friend would do nights."
"Okay. Yeah, okay." He looked down at his notepad. Qualities of a trellis. Where was he trying to go with that? "I needed to talk to you about something."
"Needed, or need?"
"Need," he said, tentative. "I just, um… here." He pressed the notebook to Shiloh's chest, biting the thumbnail on the hand he still held close over his throat. "We need a trellis person. In Kessia. It made sense before, but I– I lost the thought."
Shiloh took the pad, keen violet scanning it over, sharp and understanding. “Fish. You’re right.” He chewed the corner of his mouth. “You know what? This is one of those things I think we’ve gotta figure out on the fly.”
“I hate the fly.”
“I know. It’s gonna be okay. You get dressed, yeah? I’m gonna check everything out one last time.”
“You’ve already checked four times.”
Shiloh shrugged. “One extra time won’t hurt. Give the place a little goodbye.” He smiled. “Go on. Shoo. Get all pretty and whatever. I’ll be here.”
He didn’t expect the sudden hug. “Thank you for coming with me.”
He huffed. “What else do I really have going for me, huh? What does anybody have except a couple friends?”