Demorei pra falar sobre isso, mas acho que ainda está em tempo. Então, não lembro mais do meu primeiro assédio. Foram muitos, já. Em sua maioria frases na rua. Principalmente por morar em uma cidade quente demais e estudar numa escola cujo uniforme é fantasia sexual de muita gente (Saia de pregas e meia 3/4). Já ouvi que queriam me levar pra casa, me chupar todinha, que queriam que estivesse na cama deles e outras coisas do tipo. Sem contar os "elogios" como gostosa e tesão. E isso começou antes dos meus 12 anos, quando nem corpo eu tinha. Mas, lembro das duas histórias mais marcantes. Comparadas com outras dessa tag nem são "nada demais", mas me deixaram apavorada. Na primeira, eu tinha 13 anos e estava passando o ano novo, com minha mãe, na casa de uns conhecidos. A dona da casa tinha mais de 80 anos, e o marido dela também. Ele virou para mim, na frente de todos, e disse "Nossa, mas você é um T grande." e ainda fez questão de explicar "Um tesão". Me senti humilhada, e por estar na casa de quem falou isso não pude responder a altura. A outra vez foi mais recente. Estava voltando do estágio, ainda com o uniforme da escola (calça, já evito usar a saia). Meu estágio é num museu que fica dentro de um parque (Quinta da Boa Vista, para quem conhece). É num dia de semana, então o lugar está sempre bem vazio. Costumo voltar com meus amigos. Mas nesse dia estava sozinha. Um homem me perseguiu, dizendo " Quero te comer todinha", "Gostosa" e coisas do tipo. Ele quase me alcançou. Só desistiu de me seguir quando consegui me aproximar de uma família que também caminhava no parque. Sei que falei em duas histórias, mas lembrei de mais uma que retrata bem o que as mulheres passam. Recentemente me chamaram de gostosa mesmo ao lado da minha mãe. Mas, nunca fizeram isso quando eu estava com um garoto. E não tem relação com a situação, e sim com a (falta de) companhia. Um dia estava voltando da escola com meu primo, ele tem apenas 13 anos e é bem pequeno pra idade. Passamos ao lado de uma obra. Percebi alguns pedreiros me olhando, mas nenhum passou disso. Logo depois meu primo entrou na casa dele, que era perto da obra. Nesse momento um dos pedreiros que antes só olhou passou por mim e disse que queria me comer. Percebi então que mesmo acompanhada de uma criança de 13 anos mereço respeito, mas sozinha não.