Nosso Tempo (A Dramione Fanfic) - Capítulo 14: A Copa Mundial de Quadribol
— Pegou tudo o que precisa? - A voz doce de sua mãe perguntou e os olhos de Hermione se ergueram para encontrá-la adentrando o quarto.
Diferente dos outros alunos, ela não podia se dar ao luxo de esquecer nada. Seus pais, sendo Trouxas, não possuíam corujas para lhe enviar um livro ou roupas que acabassem sendo deixados para trás.
— Sim. - Respondeu com um leve sorriso e virou-se de volta para colocar os últimos pertences dentro do baú.
A mulher de cabelos escuros e volumosos caminhou devagar até sua filha, com um olhar melancólico por ter que despedir-se dela mais cedo naquele ano. Não havia compreendido bem do que se tratava, assim como a maioria das coisas que Hermione contava a eles sobre Hogwarts e o mundo bruxo, mas entendera que era algo divertido. E isso era tudo que ela precisava saber. Enquanto sua preciosa filha estivesse sorrindo, ela poderia resignar-se à sua ignorância.
— Que livro lindo. - Comentou enquanto apanhava um dos livros que ainda estavam sobre a cama esperando para serem guardados.
Era um livro grande e de aparência luxuosa. Sua capa de couro em um tom profundo de turquesa, adornada por delicados arabescos dourados em baixo-relevo, e com o corte das páginas também em dourado-ouro.
Não se lembrava de tê-lo comprado.
— Foi um presente dos seus amigos? - Perguntou, erguendo o olhar para o rosto levemente surpreso da filha.
— É…. - Murmurou Hermione, hesitante demais para soar convincente, e voltou a guardar os itens dentro da mala, sem coragem de corrigir sua mãe.
— Os Weasley são muito gentis de estarem vindo buscá-la para essa tal copa de quadribol. - Comentou esticando o braço para guardar o livro junto dos demais dentro do malão. — Fico muito feliz que tenha amigos tão bons.
— Sim, eles são. - Hermione sorriu.
— Tudo pronto? Seus amigos acabaram de chegar. - Anunciou seu pai, surgindo à soleira da porta do quarto, pouco tempo depois que elas finalmente tinham terminado de guardar tudo no baú.
Hermione assentiu e, esticando-se um pouco para o lado, pôde ver o carro do senhor Weasley parado em frente a casa, com Rony, Fred e Jorge de pé ao lado dele. Ela acenou para eles com um sorriso no rosto e então apressou-se em descer com suas coisas.
Ao chegarem na Toca, Hermione acabou por conhecer os dois filhos mais velhos dos Weasley: Gui e Carlinhos. Ambos também intensamente ruivos assim como os demais membros da família.
Gui, o mais velho, era mais alto do que os gêmeos, seus cabelos eram compridos até os ombros, presos em rabo de cavalo baixo, e tinha uma aura despreocupada que o fazia parecer saído direto de uma banda de rock trouxa. Já Carlinhos era bem mais baixo e robusto, e sua voz tinha um tom constante e tranquilo, algo que Hermione definitivamente não esperava de alguém que trabalhava com feras tão indóceis como dragões.
Harry ainda não estava na Toca no dia que Hermione chegou, mas não demorou mais do que alguns dias para que senhor Weasley o trouxesse consigo de Londres, após um longo dia de trabalho no Ministério.
— Ansiosos para amanhã? - Perguntou Arthur durante o jantar daquela noite.
A mesa nunca estivera tão cheia antes e, mesmo que fosse larga e espaçosa, mal dava conta de abrigar as mais de dez pessoas amontoadas ao redor dela.
— Com certeza. - Rony foi o primeiro a dizer e os outros não demorar a concordar com acenos de cabeça.
— É a primeira vez de Harry e Hermione indo assistir um jogo da Copa Mundial de Quadribol. - Anunciou Gina parecendo ainda mais empolgada do que os dois.
— Ora, eu não sabia disso. Que incrível! Será um prazer levá-los a seu primeiro jogo. - Exclamou o senhor Weasley abocanhando um pedaço de linguiça do seu prato.
— Há alguma aposta rolando? - Perguntou Gui, olhando na direção dos gêmeos com um olhar de quem já sabia a resposta.
— Claro que sim. - Disse Fred.
— Até agora estamos com seis votos a dois. Irlanda na frente, claro. - Disse Jorge.
— Só Rony e Harry estão apostando na Bulgária. - Completou Fred em um tom desdenhoso.
— Me inclua nessa contagem também. - Instruiu Carlinhos. — Também quero apostar nos búlgaros.
— Eu também. - Concordou Gui, erguendo a mão. — Ouvi dizer que Krum está tendo uma temporada incrível esse ano.
— São dez sicles por aposta. - Alegou Fred, estendendo a mão pedinte na direção dos irmãos mais velhos, com um sorriso astuto estampado nos lábios.
Gui exalou uma risada e Carlinhos apenas balançou a cabeça como se dissesse “eles nunca mudam”. Mas, por fim, ambos enfiaram as mãos nos bolsos e estenderam as moedas de prata na direção dos gêmeos, que as recolheram com um brilho satisfeito nos olhos.
Era cedo quando Hermione acordou na manhã seguinte. Tão cedo que nem o sol havia se levantado ainda. Ela apanhou suas roupas, previamente separadas na noite anterior, e seguiu para o banheiro no andar de cima. Ao retornar para o quarto, já limpa e de roupas trocadas, Gina estava de pé ao lado da cama, rosto ainda marcado pelo travesseiro.
— Você não é muito matinal, não é? - Brincou Hermione, assistindo os olhos da amiga pesarem de sono.
— Com certeza não. - Resmungou com a voz rouca e arrastada de quem mal despertara. — Poderia descer e ajudar minha mãe? Queria só mais alguns minutinhos…. - Pediu com um suspiro, deixando bem claro que só estava de pé porque Molly passara por ali para chamá-la.
— Claro. - Concordou Hermione, sorrindo enquanto via a amiga se jogar de volta nos lençóis, murmurando algo entre um agradecimento e um protesto abafado.
Chegando na cozinha, Molly a recebeu com um grande sorriso e um bom dia caloroso. Ela chamou Hermione para se sentar, alegando que logo serviria o café da manhã, mas a garota insistiu em ajudá-la com os afazeres que faltavam.
— Obrigada, querida. - Agradeceu em um tom doce e afetuoso.
Do lado de fora das janelas, a escuridão da madrugada ainda imperava. Era aproximadamente cinco da manhã, mas a cozinha já cheirava a pão recém assado e torta doce.
A que horas será que a senhora Weasley havia acordado? Perguntou-se Hermione ao observar o tanto de comida que já estava pronta. Se não tinha dormido, não aparentava. Estava tão alegre e enérgica como sempre.
— Posso te ajudar com o chá? - Sugeriu Hermione já apanhando o bule de metal envelhecido que repousava sobre a pia.
Molly assentiu com um sorriso agradecido e, pouco depois, saiu com a desculpa de colher algumas maçãs no pomar atrás da casa.
Uma a uma, as vozes foram surgindo pela casa, ainda roucas de sono, mas animadas pela expectativa do grande dia. Após estarem todos prontos e devidamente alimentados, era finalmente hora de partir.
Senhora Weasley lhes deu alguns pedaços de torta, pães e biscoitos para levarem como lanche. E gritou para não aprontarem nada, enquanto os assistia caminhar na direção da floresta com Arthur e Gui na liderança do grupo.
— Para onde estamos indo? - Harry perguntou depois de alguns minutos de caminhada, dando voz à dúvida que pairava no ar.
— Não faço ideia. - Disse Rony.
Ele abriu a boca novamente, pronto para repassar a pergunta para seu pai, quando uma voz desconhecida correu por entre as árvores:
— Arthur! - Chamava um homem de meia-idade parado ao lado de um grande freixo de tronco largo e nodoso.
— É Cedrico. O apanhado da Lufa-lufa. - Sussurrou Gina para Hermione, referindo-se ao rapaz alto parado ao lado do senhor que acenava para eles. — E aquele é o pai dele, Amos Diggory. Ele e papai são amigos de longa data.
Quando se aproximaram, o lufano cumprimentou Harry e Gina, velhos conhecidos das partidas de Quadribol, e lançou para Hermione um breve aceno com um sorriso simpático.
Lavender e Parvati morreriam de inveja se eu contasse a elas. Pensou enquanto se lembrava das conversas fervorosas que as colegas de quarto trocavam frequentemente a respeito de Cedrico Diggory.
Eles caminharam por mais alguns minutos, até alcançarem uma grande clareira. O sol já estava visível no céu quando chegaram ao topo de uma pequena colina, onde um único pé de bota surrada estava abandonado.
— É a chave de um portal. - Disseram os gêmeos quando Harry questionou o que era.
Todos juntaram-se ao redor da bota velha e, um a um, tocaram-na com uma das mãos. Senhor Diggory iniciou uma contagem e, quando o número três rolou para fora de sua boca, o mundo pareceu girar. O ar os puxava e bagunçava os cabelos. Girando tão depressa que era impossível ver qualquer coisa além de um borrão giratório de céu, nuvens e terra.
— Já podem soltar. - Instruiu senhor Weasley e, apesar de receosa, Hermione soltou, assim como todos os demais.
Seus corpos despencaram no ar em alta velocidade, o vento soprando ainda mais forte contra eles. Hermione sentiu seu corpo atingir o chão, mas, para sua surpresa, não houve dor alguma, apesar do forte baque contra a grama úmida.
Quando todos já estavam de pé novamente, senhor Diggory os guiou até o topo de outra pequena colina, e de lá puderam ver um mar de barracas e gente estender-se até onde a vista alcançava.
— Olhem só pra isso. - Suspirou senhor Weasley extasiado. — Bom, meninos… bem-vindos à Copa Mundial de Quadribol. - Anunciou em meio a uma empolgação quase infantil, e, como se fosse uma doença contagiosa, sorrisos surgiram nos lábios de todos.
O local da final da Copa Mundial de Quadribol não era apenas grande, era colossal. A extensão do campo parecia não ter fim, e o céu abria-se como uma cúpula mágica, tingido com as primeiras nuances do amanhecer. Ao longe, bandeiras tremulavam, coloridas, brilhantes, e uma alegria pulsante dançava no ar como se existisse um feitiço coletivo de entusiasmo.
Hermione sentiu um arrepio lhe subir pelos braços. Mesmo não tendo interesse algum por quadribol, havia algo de especial ali, uma energia contagiante que seria capaz de empolgar até mesmo o mais ranzinza dos duendes.
Senhor Diggory e Cedrico despediram-se dos demais, seguindo seu próprio caminho, enquanto os Weasley mais velhos guiavam o grupo por entre as vielas do acampamento. Eles caminharam por entre trilhas improvisadas de terra batida, passando por famílias inteiras com camisetas combinando, grupos de bruxos entoando hinos em idiomas que Hermione não conseguia identificar, e feitiços de bandeiras animadas que projetavam mascotes dançando no ar.
Era como uma mistura de parque de diversões, feira medieval e convenção internacional de feitiçaria, tudo ao mesmo tempo.
— Hermione, Gina. - Chamou Jorge, postado ao lado de Fred diante de uma pequena barraca de doces franceses que mudavam de sabor dependendo do humor de quem os comia.
— Vocês precisam experimentar esses. - Insistiram, empolgados, e Hermione sentiu Gina arrastá-la pelo braço até onde seus irmãos estavam.
Hermione hesitou por um instante, mas provou. O sabor era de menta, depois de morango… e então chá com canela. Ela riu, surpresa. Não tinha como prever o gosto seguinte.
Após mais alguns minutos de caminhada, todos pararam em frente de uma modesta barraca de lona bege e aparência precária. Senhor Weasley puxou a lona da porta e gesticulou animadamente enquanto seus filhos atravessavam, de um em um, para dentro.
— Parece apartada. - Cochichou Harry em um tom divertido.
— Espera só até entrarmos. - Respondeu Rony, com um sorriso de quem já conhecia o segredo.
Quando foi a vez deles de entrarem, uma nítida surpresa estampou-se nos olhos de Harry e Hermione. Ambos pararam ainda em frente a porta, completamente impactados com a surpresa.
— Feitiço de expansão. - Constatou Hermione em meio a um sorriso de admiração.
O interior era dezenas de vezes maior do que aparentava por fora. Um piso de madeira rangente cobria todo o chão da barraca, cortinas de tapeçaria separavam os ambientes, e, no centro, havia uma sala com quatro sofás e uma pequena lareira de metal, que certamente permaneceria desligada já que estavam no auge do verão. Era praticamente uma casa de campo, completa com tudo que se pudesse precisar.
Quando enfim escureceu, todos já estavam devidamente trajados para assistir ao jogo. Fred, Jorge e Rony haviam pintados seus rostos com as cores das bandeiras, Rony com o vermelho e preto da Bulgária e os gêmeos com o verde e branco da Irlanda. Os gêmeos também estavam vestindo cachecóis da mesma cor e Fred tinha até mesmo um chapéu listrado. Harry e Gina tinham cada um um grande chapéu, o de Harry era preto e vermelho e o de Gina era todo verde e com um cinto preto na base, imitando a típica roupa dos leprechauns. Hermione havia pegado um cachecol emprestado com Gina, assim como Percy que também trazia as cores da Irlanda apenas no cachecol em tons de verde e branco. Já os Weasley mais velhos tinham optado pela simplicidade e, ao invés de enormes chapéus, cachecóis de cores vibrantes ou pinturas faciais escandalosas, carregavam consigo apenas pequenas bandeirinhas com as cores da Bulgária.
Chegando ao estádio, os degraus pareciam não ter fim. Subiram metros e metros através da longa escadaria e, toda vez que passavam por uma plataforma, senhor Weasley apenas continuava guiando-os mais e mais para cima.
— Caramba, pai. Até onde vamos subir? - Reclamou Rony quando passaram por mais uma plataforma que estava localizada ao meio da gigantesca arquibancada.
Mas, antes que o senhor Weasley pudesse dizer qualquer uma de suas frase otimistas e motivacionais, que vinha repetindo já há algum tempo, uma voz suave e fria atraiu a atenção de todos para a plataforma ao lado.
— Veja por esse ângulo. Se chover, serão os primeiros a saber.
E lá estava Lucius Malfoy. Encostado com altivez, o rosto esculpido em escárnio e os olhos ainda mais frios que seu tom de voz. Draco estava a seu lado, observando o grupo com interesse contido. Um dos olhos dele fixou-se em Hermione por um instante, notando o cachecol verde e branco que ela usava. Um sorriso torto e presunçoso curvou os lábios do sonserino, como se aquilo fosse uma piada fácil demais.
— Estamos no camarote do ministro. Foi um convite pessoal do próprio Cornélio Fudge. - Disparou Draco, impelido pela forte vontade de se exibir.
— Não fique se gabando, Draco. É perda de tempo com essas pessoas. - Repreendeu Lucius, mas seu tom era tudo menos uma repreensão. Junto com o olhar arrogante que ele direcionava a Arthur Weasley, soava puramente como escárnio.
Senhor Weasley apenas exalou com desgosto e direcionou para que todos continuassem a subir. Ignorando completamente os comentários dos Malfoy. No entanto, quando Harry já estava virando-se para seguir com os demais. Lucius esticou sua bengala, segurando a manga do garoto contra o corrimão da escada.
— Divirta-se bastante… enquanto pode. - Disse em um tom quase de ameaça, antes de soltar a bengala e desaparecer através da plataforma.
Os olhos de Hermione seguiram de volta para Draco, tentando entender o que tinha sido aquilo, mas ele próprio parecia não ter entendido muito bem, e agora seguia seu pai em direção do camarote de que tanto havia se gabado.
O restante dos laces de escada foram tranquilos, e parecia que a cada degrau a conversa irritante com os Malfoy se dissipava, ao poucos trazendo de volta a empolgação de antes.
Chegando ao topo, os olhos de todos brilharam. O estádio parecia vivo, pulsante, maior do que qualquer construção que já tivessem visto. Era como se todo o mundo bruxo tivesse se reunido ali, em um oceano de cores berrante, bandeiras tremulando e sons que se multiplicavam em gritos, aplausos e música de torcida.
— Vai ser a Irlanda! Estou dizendo. A Bulgária só tem o Krum. - Anunciou Gina quase vibrando de empolgação.
— Só o Krum? - Rony riu, arqueando as sobrancelhas em desdém. — Ele sozinho ganhou os dois últimos jogos!
Hermione apenas sorriu, observando o desenrolar daquela discussão já familiar, enquanto seus olhos se voltavam para o centro do campo onde os mascotes dos times já começavam suas apresentações.
Primeiro vieram os leprechauns. Pequenos homenzinhos verdes, com rostos travessos e sorrisos cintilantes, que dançavam ao redor do estádio lançando ao público moedas de ouro mágicas que desapareciam poucos minutos depois. Em seguida, foi a vez dos mascotes da Bulgária, os leprechauns deram lugar a lindas mulheres de pele pálida e cabelos e olhos prateados. Veela. Hermione reconheceu. Eram graciosas e lindas… tão lindas que nem pareciam reais.
Harry e Rony pareciam hipnotizados.
De repente, uma explosão de fogos mágicos tomou os céus, e Hermione levou a mão ao peito, assustada e maravilhada. As luzes formaram os brasões da Irlanda e da Bulgária no ar, e então, com um rugido coletivo da plateia, os jogadores surgiram em vassouras velozes, as túnicas esvoaçando sob os feixes mágicos de luz.
— É ele! Victor Krum! - Exclamou Rony ainda mais empolgado do que quando viu as veela.
Algumas horas mais tarde, o estádio inteiro vibrou quando o apito final ecoou pelo campo. Um turbilhão de fagulhas douradas cruzaram o céu, formando espirais que soletravam: Irlanda Campeã!
A torcida irlandesa explodiu em gritos e risadas, enquanto do lado búlgaro, muitos continuavam a aplaudir a performance de Viktor Krum que, apesar de sua captura espetacular do pomo, não conseguiu impedir a derrota de sua equipe.
— Eu disse que a Irlanda ganharia. - Gabou-se Gina, inflando-se para cima de Rony, que apenas bufou entre risos resignados..
A descida pela escadaria foi mais lenta, com os corpos cansados, mas a mente ainda vibrando com a adrenalina da partida. Hermione seguia com os demais quando sentiu algo roçar os nós de seus dedos sobre o corrimão. Ela correu os olhos até sua mão, encontrando sobre ela um pedaço de pergaminho dobrado em um formato extremamente familiar. Não era preciso nem mesmo desdobrar o papel para que soubesse que estaria assinado com um M.
Idiota! Xingou em pensamento, certa de que seria mais algum comentário maldoso dele se gabando a respeito do quão incrível era o camarote do ministro ou o quão luxuosa era a barraca para onde ele estava indo agora. Ela até mesmo conseguia ouvir a voz pomposa e petulante dele ressoando em sua mente.
Hermione apanhou o pequeno pássaro de papel, o amassou por entre os dedos e enfiou em um bolso qualquer de sua roupa. Não iria estragar seu humor com alguma piadinha de escárnio vinda de Draco Malfoy.
— Hermione. - A voz de Rony a chamou e ela imediatamente desceu seu olhar para ele que estava alguns degraus abaixo. — Venha, fique perto, ou vai acabar se perdendo.
Ela correu para alcançá-lo e agarrou-se ao braço do amigo, notando quão realmente fácil seria se perder em meio aquele mar de gente que descia as escadas.
De volta à barraca, o clima era de pura festa. Até o lado perdedor: Harry, Rony e os dois Weasley mais velhos, estavam rindo e cantando animadamente. Senhor Weasley havia saído para conversar com Amos Diggory e agora Fred e Jorge eram a alma da comemoração na cabana. Hermione não soube dizer se estavam mais felizes por seu time do coração ter ganhado o jogo ou por eles terem vencido a aposta.
— Aqui, Hermione. - Jorge se aproximou estendendo para ela algumas moedas de prata. — Sua parte do prêmio. - Ela apanhou o punhado de sicles e agradeceu. Nem lembrava-se mais que tinha participado daquela aposta.
Depois de alguns minutos, Rony começou, pela milésima vez naquele verão, a exaltar Krum. Ele rasgava elogios para o apanhador búlgaro, enquanto os gêmeos faziam algumas piadas.
— Rony, acho que está apaixonado. - Caçoou Gina, em meio a sorrisos, e Rony apenas resmungou.
Hermione riu com os outros, encantada com o calor barulhento daquela família que sempre conseguia transformar tudo em festa. E, em seguida, seguiu até seus pertences para guardar os seus, recém-adquiridos, vinte sicles. Ao enfiar a mão no bolso para puxar as moedas, um pedaço de pergaminho amassado veio junto. O maldito bilhete. Ela revirou os olhos em desgosto ao lembrar de quem o recebera.
Após guardar os sicles em sua bolça, ela sentou-se em sua cama e, depois de um breve suspiro resignado, que mascarava um pouco de curiosidade, enfim desdobrou o papel para descobrir de uma vez quais palavras arrogantes o sonseriano escolhera usar dessa vez.
“Granger, vá embora. Agora! Nascidos trouxas são o alvo. — M.”
Seu cenho franziu-se imediatamente ao ler aquela mensagem. De tudo que havia cogitado que ele teria escrito, aquilo com certeza não havia nem chegado perto.
O que ele queria dizer com “nascidos trouxas são o alvo”? Perguntou-se, mas antes que ela chegasse a qualquer conclusão, Arthur Weasley voltou às pressa para a tenda chamando a todos em um tom de desespero.
Ele não deu muitas explicações, apenas ordenou que Percy, Fred e Jorge escoltassem os mais novos de volta para a chave de portal, enquanto ele, Gui e Carlinhos corriam para ajudar os aurores a conterem o ataque que havia começado.
Do lado de fora da tenda, tudo estava um caos. Pessoas gritavam e corriam por todos os lados. Barracas estavam sendo queimadas e, ao longe, era possível avistar algumas pessoas estranhas encapuzadas.
Comensais da Morte. Concluiu Hermione com os olhos arregalado e o coração disparado no peito.
Ela sentiu-se ser puxada por Rony e ambos dispararam atrás de Fred e Jorge na direção da colina onde ficava a chave de portal. Percy seguia junto de Gina mais à frente, mas os olhos de Hermione não estavam vendo Harry em lugar algum.
— Rony, espera! O Harry... - Parou de correr, ofegante, e olhou em volta com desespero. — Onde está o Harry?
Rony parou também, a encarando confuso, mas logo também estava com seus olhos azuis varrendo os arredores a procura do amigo.
Harry havia simplesmente desaparecido.
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