Dan Bilzerian e o mito da escolha
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“Uma das coisas sobre a qual eu estava refletindo é o quanto —se nós realmente quisermos desmantelar o patriarcado capitalista, racista e imperialista— nós precisamos estudar. Precisamos aprender. Precisamos utilizar novas formas de conhecimento, e permitir que esse conhecimento mude a gente.” — bell hooks.
Essa certamente não é a primeira vez nos últimos seis anos em que uma demonstração de ódio contra as mulheres toma as redes sociais. Certamente não é a mais surpreendente, e certamente não é a mais urgente. Duas coisas me motivaram a sentar e escrever depois de tanto tempo em silêncio; primeiro, a sensação de que o que eu tinha a dizer realmente acrescentaria algo a essa conversa e, em segundo, a realização de que quase uma década depois do meu primeiro contato com o feminismo, ainda estamos tendo as mesmas discussões e, muitas vezes, perdendo as mesmas discussões - mesmo quando elas já foram elaboradas a exaustão por feministas que nos antecederam.
O feminismo liberal, que, com todos os seus imensos problemas, serviu como porta de entrada pra muitas, previsivelmente estagnou parte de uma geração. Adotamos discursos sem fazermos o trabalho pesado e dolorido de refletir criticamente sobre essas ideias. Quando essas ideias foram desafiadas, então, não conseguimos defendê-las. Essa frustração, no melhor dos dias, nos levou a folhear blogs e assistir vídeos em busca de respostas pra discussões pontuais. No pior, nos ressentiu e afastou desse lugar de advocacia, deixando um sentimento amargo.
Ao invés de nos aprofundarmos mais, nos acomodamos em uma confusão conceitual e na inabilidade de defender a um nível racional e lógico algo que, intuitiva e emocionalmente, apela e fala com a nossa experiência vivida de navegar o mundo como mulheres. Quando fizemos isso, renunciamos aos saberes, esforços e sacrifícios de mulheres que vieram antes de nós, mulheres que construíram o movimento feminista com menos recursos e em tempos mais difíceis que esses, o que nos leva ao episódio dessa semana.
Embora eu nunca tivesse ouvido falar do nome “Dan Bilzerian”, absolutamente nada no seu perfil me pareceu novo. A estética trazida por Bilzerian existe, arrisco dizer, desde meados dos anos 50, quando Hugh Hefner publicou a primeira edição da revista Playboy e começou a construir sua imagem como cafetão, muito antes do surgimento das redes sociais. Na melhor das hipóteses, essas fotos são tediosas e pouco originais. Tanto Bilzerian como Hefner acumularam denúncias, processos e relatos das mulheres com quem conviveram, e os dois alimentaram gerações com narrativas, valores e simbolismos pautados na misoginia, por vezes dentro da sua própria casa.
Em ambos os casos, nos vimos surpresas e indignadas com a facilidade que homens das nossas vidas tiveram pra essas mídias e idolatrarem esses homens. Quando ousamos confrontá-los, fomos recebidas com uma defesa feroz desse tipo de comportamento e uma série de acusações que, supostamente, nos desmoralizariam.
Acompanhei as discussões sobre o caso do Bilzerian de longe, querendo entender as principais divergências pra escrever sobre. Terminei minhas anotações com uma única palavra no papel: escolha. Depois de explorar sessões de comentários e ler mulheres e homens, entendi que, em grande parte, a polêmica não era a objetificação e exploração das imagens das mulheres - esse era quase um ponto passivo.
A grande questão era que, se essas mulheres “optaram” por estar ali, então feministas não teriam direito de criticar esse conteúdo e os homens, por sua vez, recebiam passe livre para interagir com essas contas. Em outras palavras, os homens nas redes sociais superaram a discussão inicial, que perguntava “isso é objetificação?” ou “é a objetificação algo negativo?”, e então passaram a nos perguntar “se uma mulher aceita ser objetificada, porque eu não posso sentir prazer em consumir sua objetificação?”.
Antes de abordar o tópico da escolha em si, queria falar um pouco sobre o quão sintomático é esse desvio do foco da discussão. Por que é que sempre mudamos o foco para as mulheres? Por que os homens sempre se esquivam da conversa sobre suas condutas pessoais e buscam transferir sua culpa? Quando nos estupram (por que ela estava com aquela roupa?), quando nos agridem dentro de casa (por que ela não foi embora?) e quando nos exibem como commodities em contas de instagram (ela não escolheu estar ali?).
Esse processo de desresponsabilização do homem - no ocidente, especialmente do homem branco - é característico do patriarcado; serve para a produção de uma inimputabilidade que inocenta homens de seus crimes mais graves contra as mulheres, tanto no imaginário popular quanto, por vezes, no sistema judiciário.
O próprio Bilzerian, que já recebeu em suas festas privadas personalidades como Chris Brown, conhecido por espancar mulheres ao ponto de desfigurá-las, afirmou em 2018 que essa “merda de #metoo” (sic) estava saindo do controle e arruinando a vida de homens que simplesmente tocaram as costas de uma garota. Esse comportamento é sistemático, e não é diferente agora.
Esse é, num sentido, um apelo meu pra que essa e tantas outras discussões não se percam frente a essa tática masculinista. Antes de discutir escolha com esses homens, é preciso que eles expliquem o porquê de consumirem, financiarem e promoverem misoginia diariamente em suas vidas; se interessarem e sentirem prazer com isso; se recusarem a mudar mesmo quando confrontados. O debate sobre escolha, seja qual for sua conclusão, não é um pretexto pra que os homens limpem suas mãos e sigam fazendo o que vem fazendo até agora.
Com isso dito; quando falamos sobre escolha, presumimos a existência de opções e da liberdade para selecioná-las. Quando falamos sobre a ausência de escolha, penso sobre os fatores imobilizadores em duas categorias: os imediatos (circustâncias financeiras, psicológicas, sistema de apoio, etc) e os de longo prazo (culturais).
A discussão filosófica sobre o que é "liberdade" é muito extensa, mas pra efeitos práticos, vou assumir que quando presumimos corriqueiramente que alguém é livre, estamos dizendo que os fatores imobilizadores são praticamente desprezíveis; não sistemáticos, não institucionais, não imutáveis e na melhor das hipóteses apenas levemente condicionantes. Nesse caso, só podemos determinar a "escolha" ouvindo e estudando essa demografia com rigor cientifico, pra compreender suas motivações e experiências. Infelizmente, as estatísticas sobre a prostituição de luxo ainda são muito escassas.¹
Apesar disso, selecionei, dentre alguns dados disponíveis sobre a prostituição como um todo, aqueles que abordam ao máximo a prostituição de garotas jovens e que excluem a prostituição motivada por sobrevivência, tentando me aproximar um pouco mais desse grupo dentro da indústria.
O dinheiro é citado como a principal motivação dentre cerca de 90% das mulheres. Essas mulheres podem estar buscando escapar de um cenário de pobreza ou complementar sua renda, tanto para sustentar dependentes, pagar por seus estudos, obter segurança financeira ou viajar.²
Em países onde o valor de uma educação superior é muito alta, como os Estados Unidos, meninas de classe média costumam entrar na prostituição para bancarem seus estudos.³
Os estudos revelam que a maioria das adolescentes prostituídas vem de lares disfuncionais. Num estudo de Maura Crowley, 85% das entrevistadas reportaram a ausência de pelo menos um dos pais em sua criação. No estudo de Diana Gray, 75% descreveu sua relação com os pais como sendo “pobre” ou “muito ruim”.⁴
Uma relação muito forte entre prostituição e violência infantil, sexual e doméstica também foi reportada. Tanto nos estudos de Crowley quanto do Huckleberry House Project, 2 a cada 3 meninas reportaram terem sido abusadas em casa.⁴
Estudos mostram que 10 a 20% já estiveram em um hospital psiquiátrico, acometidas por depressão e sentimentos de abandono e rejeição. Metade já tentou suicídio.⁴
O modus operandi dos recrutadores, tanto na prostituição de luxo quanto no tráfico sexual de menores, também denuncia quem é o alvo principal. Madison, ex-coelhinha da Playboy, contou em uma de suas entrevistas que havia um tendência nos recrutamentos feitos por Hefner: “mulheres bonitas muito jovens, desorientadas e vulneráveis, de origem rural”⁵. Os investigadores no caso de Jeffrey Epstein, conhecido pedófilo e traficante sexual, relatam os mesmos padrões: “pelo que pude ver da minha investigação, crianças e meninas vulneráveis são seus maiores alvos. Quanto mais jovem e mais vulnerável, melhor”, disse Mike Fistein.⁶
Quando falamos sobre a permanência dessas mulheres na indústria e ousamos falar em escolha, precisamos então, muito antes, levar em conta seus relatos de abuso psicológico, traumas e coerção, além do estigma e da falta de perspectiva como fatores imobilizantes. Nesse sentido, a realidade da prostituição de rua, em que os indicadores são mais objetivos, não permite nem que o defensor mais ávido da prostituição possa ignorá-los. Na prostituição de luxo, no entanto, em que por vezes fatores psicológicos imperam sob determinantes econômicos, essa discussão é mais difícil por conta do caráter quase subjetivo, mas não menos real, da imobilização. Isso acontece porque, ao invés de nos basearmos em números brutos, precisamos, nesse caso, nos pautarmos pela voz e pelo relato de muitas mulheres. Homens têm uma dificuldade imensa em se pautar por vozes e relatos de mulheres, porque isso requer ouvi-las e acreditar nelas, algo com que não estão acostumados.
Os homens disputam então a narrativa sobre a experiência dessas mulheres e fecham os olhos para toda e qualquer ocorrência problemática. Quando Vanessa Castano processou Bilzerian por ter dado um chute no seu rosto enquanto usava botas militares, os homens disputaram essa narrativa. Quando Janice Griffith, (aos 18 anos), quebrou seu pé depois de ser jogada de um telhado por Bilzerian (aos 35 anos) em direção a uma piscina, nua e sendo agarrada pela sua vagina, seu processo foi considerado "frívolo" e sua carreira na indústria pornográfica considerada desmoralizante (pelos mesmos homens que consomem pornografia). O que disseram foi: ela aceitou estar ali. Ninguém questionou a indústria por trás dessa produção que envolve lançar meninas de 18 anos nuas de telhados pelas mãos de homens adultos, ou os homens adultos que aceitam produzir e os homens adultos consumem esses materiais.
Quando Holly Madison publicou um livro relatando os abusos que sofreu nas mãos de Herf, que incluíam ser cuspida por cortar seu cabelo, pressionada a deixar seu trabalho como garçonete e abusada verbalmente todos os dias⁵, os homens a chamaram de "ingrata", ou a ignoraram e voltaram a comprar suas Playboys sem qualquer tipo de remorso. Quando Gwyneth Montenegro falou sobre como o mundo da prostituição de luxo envolve riscos físicos e ameaças, “homens pagam um dinheiro muito alto pra estar com você, e por vezes acham que são seus donos”, essa declaração sequer alcançou esses homens.
A importância de falar sobre esses casos antes de mergulhar mais afundo é muito simples; na indústria do sexo, eles são a absoluta maioria. Essa não é uma afirmação feminista mas simplesmente um fato. Apesar disso e de todas essas considerações e dados, seria um insulto à minha e a sua inteligência, é claro, assumir que todas as mulheres do mundo que entram e permanecem na pornografia e na prostituição o fazem porque, muito objetivamente, vêm de uma origem desvantajosa ou problemática, ou porque são individualmente coagidas em um nível físico ou psicológico.
É verdade portanto, e isso também é documentado na literatura, que uma parte das mulheres é motivada por “um desejo por independência, novidade, e insatisfação com seu trabalho rotineiro”², ou por “diversão, aventura e oportunidades sexuais que se apresentam na indústria do sexo”⁴, ou simplesmente porque “conhecem outras mulheres que trabalham na indústria”.⁴
Uma teoria feminista, ou qualquer teoria por assim se dizer, costuma ser desafiada justamente nessas exceções; esses exemplos são levantados por homens eufóricos como prova irrefutável da falibilidade da teoria feminista. De certa forma, esses homens acreditam que esses casos os absolvem, ou absolvem a indústria do sexo num geral, de todas as outras majoritárias instâncias em que ela é caracterizada por violência física, sexual, estupro, abuso psicológico, levando mulheres prostituídas a depressão, ao suicídio, ao abuso de drogas e ao estresse pós traumático, e moldando negativamente a experiência de mulheres ao redor do mundo que estão expostas a homens que consomem esse conteúdo.⁷⁸⁹
Por um lado, são também nessas ocasiões que temos a maior oportunidade de explorar o conhecimento desenvolvido por mulheres que nos antecederam. Talvez muitas de nós fiquem satisfeitas em descobrir que essas questões já foram, no campo teórico, superadas; a tristeza é perceber que essa superação lógica, mesmo tantas décadas depois, não se traduziu em uma mudança prática para as mulheres.
Andrea Dworkin disse: “A mulher não nasce, ela é feita; no seu fazer, sua humanidade é destruída. Ela se torna símbolo disto, símbolo daquilo: mãe da terra, puta do universo, mas ela nunca se torna ela mesma porque é proibido para ela fazê-lo.”.
Como produto do patriarcado, a masculinidade, esse gênero destinado aos homens, é definida como humana e universalizante, ao passo que o feminino é definido como o “Outro” - um conjunto de ritos e símbolos de submissão e servitude relegado às mulheres, das nossas brincadeiras de infância ao nosso andar, do nosso sapato às nossas funções no seio familiar, em nossas carreiras e também na nossa auto-estima. O amor no patriarcado, como disse Dworkin, é definindo pela capacidade de uma mulher de sustentar abuso e até seu apetite por ele; sempre marcado pelo auto-sacrifício, o sacrifício de sua identidade, vontade, integridade, com a finalidade de cumprir e resgatar a masculinidade do homem. No sexo, esse amor é o impulso masoquista erótico; a paixão frenética que leva uma mulher a degradação e ao abuso.¹⁰
Na estética de Bilzerian, Hefner e outros, é a “escolha” que leva, curiosamente (ou não) somente mulheres a terem uma pulsão ou o direito a ocupar esse lugar de objeto, e somente homens a ocupar o lugar de sujeito. Na prostituição, é a realização de que o acesso de homens aos corpos de mulheres é que tem sido historicamente e sistematicamente tratado como um commodity, em uma dinâmica que nunca se inverte substancialmente². Para nós, fica o dever de questionar porque “diversão e aventura sexual” significa, pras mulheres, um lugar despersonalizado, ao passo de que para os homens essa mesma diversão e aventura está marcada pela dominação e a posse, seja de uma arma, uma lancha ou várias mulheres.
A luta feminista tem sido, pelo último século, pela compreensão de que embora essa seja a nossa realidade atual, não há nada de natural ou verdadeiro nela; nenhuma mulher é inatamente submissa, ou naturalmente atraída pela sua própria desumanização. Esses comportamentos são produto da experiência em uma sociedade patriarcal e de um processo de despersonalização que chamamos de socialização; essa vivência violenta que codifica a submissão tão profundamente em nós que passamos a chamá-la de identidade, personalidade ou preferência; um resultado do gênero. Essa é, em resumo, uma teoria sobre a liberdade ou, melhor, sobre um sistema que a ataca, e no qual a escolha é nada mais que uma ilusão liberal.
A discussão sobre esse tipo de conteúdo não é uma discussão moralista nem se refere a absolutamente todas as expressões da nudez e da sexualidade feminina, embora todas estejam compreendidas num contexto patriarcal e sejam afetadas por isso em algum grau. Muito menos visa atacar mulheres que, porventura, se encontrem nessa indústria; essa não é uma abordagem feminista. Mas a abordagem feminista, ao contrário do que o liberalismo possa ter feitos alguns acreditarem, também não é sobre se tornar uma grande mãe cujo principal propósito é fazer com que homens e mulheres se sintam bem, pura e simplesmente. Esse é um movimento social e, tal qual, estará sempre voltado pra problematização além da superfície das estruturas patriarcais e suas implicações na vida das mulheres, o que envolve inclusive questionar, por vezes, aquilo que chamamos de "escolha". Tem sido assim historicamente e, se depender de mim e muitas outras mulheres incríveis, assim continuará a ser.
A superação do patriarcado atravessa, por tanto, tanto essa estética quanto a prostituição e a pornografia num geral. Cabe a juventude se esforçar para, geração após geração, quebrar esses padrões tóxicos. Cabe aos homens da nossa geração se comprometer a um trabalho sério e profundo de introspecção, que envolva analisar tudo que internalizaram e desaprender grande parte do que foram ensinados sobre as mulheres e o sexo, desengajando-se de comportamentos problemáticos. Cabe a todos nós reimaginar uma sociedade em que homens e mulheres existam de iguais para iguais em todos os aspectos, e não descansar enquanto não chegarmos lá.
Espero que isso ajude, em algum grau, na reflexão de qualquer mulher que está se auto questionando nesse momento, e que continuemos nos educando, trocando ideias, fortalecendo a teoria e usando ela pra orientar nossa prática, que precisa ser diária.
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Notas de rodapé e referências.
¹Uma busca no Google Scholar por palavras chave, tanto em português quanto em inglês, de termos como “high end prostitution”, “high profile prostitution”, “high class prostitution”, “escourt prostitution” + “statistics”, “profile”, etc não resulta em artigos que estudem essa demografia especifica e profundamente. Os poucos artigos sobre o tema incluem relatos, por parte dos autores, da mesma dificuldade: a escassez de dados.
²"Prostitution Policy: Revolutionizing Practice Through a Gendered Perspective"
³"Selling Sex in the City: A Global History of Prostitution, 1600s-2000s"
⁴"The Prostitution of Women and Girls"
⁵”Down The Rabbit Hole: Curious Adventures and Cautionary Tales of a Former Playboy Bunny”
⁶"How Jeffrey Epstein allegedly targeted girls from disadvantaged backgrounds who were most vulnerable to abuse", disponível aqui.
⁷"Pornography and Sexual Callousness: The Perceptual and Behavioral Consequences of Exposure to Pornography"
⁸"Effects of Prolonged Consumption of Pornography", por Dolf Zillmann em Indiana University
⁹"Pornland: How Porn Has Hijacked Our Sexuality"
¹⁰"The Root Cause", discurso de Andrea Dworkin apresentado no Instituto de Tecnologia de Massachusetts, em Setembro de 1975.
Recomendações.
“The Uses Of Erotic: The Erotic as Power”, da Audre Lorde.
“Hot Girls Wanted”, disponível na Netflix.
“Jeffrey Epstein: Poder e perversão”, disponível na Netflix.
"Finding Home", documentário disponível online.
"Born in Brothels", documentário disponível online.
"Pornland", da Gail Dines.
"O efeito do sexo", artigo do Osmundo de Araújo disponível online.











