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From #RoadToCharacter by David Brooks
Texto chamado "Pecado" do livro "The Road to Character" de David Brooks (página 53 a 56)
Hoje a palavra "pecado" perdeu o seu poder e sua fantástica intensidade. É geralmente mais usada no contexto de sobremesas que engordam. A maior parte das pessoas nas suas conversas quotidianas não falam muito sobre o pecado individual. Se conseguirem chegar ao ponto de falar sobre o mal humano, esse mal é geralmente localizado nas estruturas da sociedade - na desigualdade, opressão, racismo, e por aí em diante - não dentro do peito humano.
Abandonámos o conceito de pecado, primeiro, porque deixámos para trás uma visão depravada da natureza humana. No Século XVIII, e mesmo no Século XIX, muitas pessoas realmente abraçavam a auto-avaliação sombria expressa na velha oração puritana: "Ainda assim, peco": "Pai Eterno, Sois bom além de todo o pensamento, mas eu sou vil, desgraçado, miserável, cego..." Isto é demasiado negro para a mentalidade moderna.
Em segundo lugar, em muitos tempos e em muitos lugares, a palavra "pecado" foi usada para declarar guerra ao prazer, até aos pecados saudáveis do sexo e do entretenimento. O pecado era usado como pretexto para viver sem alegria e de uma maneira censória. O "pecado" era uma palavra invocada para suprimir os prazeres do corpo, para aterrorizar adolescentes acerca dos perigos da masturbação.
Além disso, a palavra "pecado" foi abusada pelos hipócritas (self-righteous), pelos resmungões de coração duro que pareciam alarmados, como H. L Mencken costumava dizer, pela possibilidade de alguém em algum lado poder estar a divertir-se, que pareciam sempre prontos para dar uma reguada na suposição que essa pessoa estava a fazer algo errado. A palavra "pecado" foi abusada por pessoas que abraçaram um estilo severo e autoritário de educação, que sentiam que tinham de espancar a depravação para fora dos seus filhos. Foi abusada por aqueles que, por alguma razão, fetichizaram o sofrimento, que acreditaram que apenas através de uma auto-mortificação rígida podemos realmente tornar-nos superiores e bons.
Mas na verdade, "pecado", como "vocação" e "alma", é uma daquelas palavras sem as quais não podemos passar. É uma daquelas palavras que tem de ser regenerada e modernizada.
O pecado é uma peça necessária da nossa mobília mental porque nos lembra que a vida é um caso moral. Não interessa quanto tentamos reduzir tudo a uma química determinista dentro do nosso cérebro, não interessa quanto tentamos reduzir o comportamento a um tipo de instinto de rebanho que é representado pela estatística, não interessa quanto lutamos para substituir o pecado por palavras sem carga moral, como "falha", "erro" ou "fraqueza", as partes mais essenciais da vida são assuntos de responsabilidade individual e moral: se vamos ser corajosos ou cobardes, honestos ou desonestos, compassivos ou insensíveis, fiéis ou desleais. Quando a cultura moderna tenta substituir o pecado por ideias como erro ou insensibilidade, ou tenta de uma vez banir palavras como "virtude", "carácter", "mal" e "vício", isso não torna a nossa vida menos moral; apenas significa que escurecemos o núcleo moral inescapável da vida com linguagem superficial. Apenas significa que pensamos e falamos com menos clareza acerca destas escolhas, e portanto nos tornamos cada vez mais cegos para os desafios morais da vida quotidiana.
O pecado também é uma peça necessária da nossa mobília mental porque o pecado é comunal, enquanto o erro é individual. Tu cometes um erro, mas todos nós somos atormentados por pecados como o egoísmo e a irreflexão. O pecado está cozido na nossa natureza e é-nos estendido de geração em geração. Somos todos pecadores, uns com os outros. Estar consciente do pecado é sentir uma simpatia intensa pelos outros que pecam. É ser lembrado que a condição do pecado é comunal, e que por isso as soluções são comunais. Lutamos contra o pecado juntos, como comunidades e famílias, combatendo o nossos próprios pecados individuais ajudando os outros a combater os deles.
Além disso, o conceito de pecado é necessário porque é radicalmente verdadeiro. Dizeres que és pecador não é dizer que tens uma mancha negra depravada no teu coração. É dizer que, como todos os outros, tens alguma perversidade na tua natureza. Queremos fazer uma coisa, mas acabamos a fazer a outra. Queremos o que não deveríamos querer. Nenhum de nós quer ter um coração duro, mas às vezes temos. Ninguém se quer enganar a si próprio, mas passamos a vida a racionalizar. Ninguém quer ser cruel, mas disparamos coisas de que nos arrependemos depois. Ninguém quer ser um espectador, que comete pecados de omissão, mas nas palavras da poeta Marguerite Wilkinson, todos cometemos o pecado do "amor não-tentado".
Realmente temos almas manchadas. A mesma ambição que nos leva a construir uma nova empresa também nos leva a ser materialistas e exploradores. O mesmo apetite que nos leva a ter filhos leva-nos ao adultério. A mesma confiança que nos leva a arriscar e a ser criativos pode levar-nos ao culto de nós próprios e à arrogância.
O pecado não é uma coisa demoníaca. É apenas a nossa tendência perversa de estragar as coisas, de favorecer o curto prazo sobre o longo prazo, o rasteiro sobre o elevado. O pecado, quando é cometido vez após vez, endurece-nos para uma lealdade a um amor mais baixo.
O perigo do pecado, por outras palavras, é que se alimenta de si próprio. Pequenas transigências morais na Segunda-Feira tornam-te mais inclinado a cometer outras transigências morais maiores à Terça-Feira. Uma pessoa mente a si própria uma vez e em breve deixa de saber distinguir quando está a mentir a si própria e quando não está. Outra pessoa é consumida pelo pecado da auto-comiseração, uma paixão por ser uma vítima justificada que devora tudo à sua volta do mesmo modo se estivesse irada ou gananciosa.
As pessoas raramente cometem os grandes pecados do nada. Elas atravessam uma série de portas. Elas têm um problema não-verificado com a raiva. Elas têm um problema não-verificado com a bebida e com as drogas. Eas têm um problema não-verificado com a simpatia. A corrupção gera corrupção. O pecado é o castigo do pecado.
A última razão porque o pecado é uma peça necessária da nossa mobília mental é que sem ele, todo o método de contruir carácter se desmorona. Desde tempos imemoriais, as pessoas conquistaram glória atingindo grandes coisas externas, mas elas construíram carácter lutando contra os seus pecados internos. As pessoas tornam-se sólidas, estáveis e dignas de respeito próprio porque derrotaram ou pelo menos lutaram com os seus próprios demónios. Se perdermos o conceito de pecado, então perdemos a coisa contra qual a boa pessoa lutou.
A pessoa envolvida numa luta contra o pecado entende que cada dia é cheio de ocasiões morais. Uma vez conheci um empregado que pergunta a todos os candidatos a emprego: "descreve uma ocasião em que tenhas dito a verdade contra a tua conveniência." Essencialmente, ele está a perguntar àquelas pessoas se elas têm os seus amores no lugar certo, se elas colocariam o amor pela verdade acima do amor pela carreira.
Em lugares como Abilene, no Kansas, os grandes pecados, se deixados intocáveis, teriam efeitos muito práticos e desastrosos. A preguiça levaria a um fracasso agrícola; a gula ou o alcoolismo à destruição de uma família; a luxúria à ruína de uma jovem; a vaidade ao desperdício, à dívida e à bancarrota.
Em lugares como estes, as pessoas tinham não só uma consciência em relação ao pecado mas a tipos diferentes de pecado e aos diferentes remédios para cada um deles. Alguns pecados, como a ira e a luxúria, são animais selvagens. Têm de ser combatidos com hábitos de repressão. Outro pecados, como o escárnio e o desrespeito, são como manchas. Têm de ser expurgados por absolvição, por desculpas, remorsos, restituições, e purificação. Outro ainda, como o roubo, são como uma dívida. Só podem ser rectificados pagando de volta o que ficámos a dever à sociedade. Pecados como o adultério, o suborno, e a deslealdade são mais como a traição do que como o crime; estragam a ordem social. A harmonia social pode ser tecida de volta apenas por um novo processo lento de compromisso com os relacionamentos e com a reconstrução da confiança. Os pecados da arrogância e do orgulho vêm de um desejo perverso de estatuto e de superioridade. O único remédio para eles é sermos humildes perante os outros.
Noutras palavras, as pessoas dos tempos antigos herdaram um vocabulário moral vasto e um conjunto de ferramentas morais, desenvolvidas através dos séculos e passadas de geração em geração. Esta era uma herança prática, como aprender a falar uma determinada língua, que as pessoas poderiam usar para enfrentar as suas próprias lutas morais.
To live in the presence of great truths and eternal laws, to be led by permanent ideals, that is what keeps a man patient when the world ignores him and calm and unspoiled when the world praises him
Epictetus
New Year’s Contributions
I want to share something with you that’s been on my mind lately.....
This year is only twenty days old, but its already been filled with some of the most serious soul-searching of my life. Be ye warned: I’m not saying I’ve been binge watching Netflix and feeling sad about my life. Instead, I’ve really been taking an inventory of my personal journey. It’s leading to action, guys, so I believe it’s benefiting me.
When it comes to “New Year’s resolutions” I usually don’t make them. I tend to think that saving all of our resolutions for New Year’s Day is kind of lazy. Shouldn’t we want to improve our lives daily, even hourly? I understand the desire to make a new resolution for a New Year, but I feel like it’s also a missed opportunity for the other three hundred and sixty four days.
However, if I were to make a resolution for this year, I do know what it’d be right away. My resolution would be to contribute.