— Ei! — ela parou, sem saber o que fazer, e ficou me olhando.
— Não quer vir conosco?
Depois de alguns segundo em silêncio, ela respondeu.
— Tudo bem.
Fomos todos juntos, e em pouco tempo já estava se enturmando. A Ísis (única garota entre nós, além dela) parecia feliz, não se sentia mais tão sozinha, e a garota parecia ter gostado dela. Em alguns segundos estavam rindo, nem parecia mais a garota triste e sem-graça de antes. Pude ouvir um pouco da conversa das duas, a Ísis perguntou seu nome, idade, e mais algumas perguntas idiotas que sempre se faz a um desconhecido. Lílian, 17. A Ísis não parecia conformada com as respostas, e depois de alguns segundos, continuou perguntando.
— Então, o que fazia aqui sozinha?
— Eu? Ah sim, desculpe — as duas riram, perguntei-me se era sempre assim, tão desligada. — Estava… procurando algo.
A Ísis riu da resposta tola, e em um tom irônico, indagou:
— Ah, claro! E já encontrou?
A Lílian riu sem graça. Parecia estar falando sério.
— Não, ainda não encontrei. Afinal… onde estamos indo?
Em pouco tempo chegamos. Era uma casa de shows — bem menor e menos freqüentada do que a primeira; a música ainda era rock, porém bem mais calmo. Algumas mesas, e o problema: a entrada era cara. Isso parecia não ser problema para a Ísis, que logo disse:
— Sem problema, Lílian! Você me paga depois.
Sentamos em uma mesa longe do palco, bebemos, conversamos e rimos muito. Lílian já não parecia tão triste como antes, muito pelo contrário: era a que mais falava, contando da experiência idiota com o cigarro, e outras coisas mais. Mas não contou o porquê de estar ali, ou melhor, o quê ela estava “procurando” naquele lugar.
Em meio a tantas conversas, ela parou por um instante. Estava encarando algo – ou alguém. Parecia ter finalmente encontrado o que procurava.