⠀⠀⠀⠀ Joaquin é filho de uma herança de militares. O tataravô, bisavô e até mesmo o pai fizeram carreira no meio, logo inevitavelmente ele convivera com a disciplina e os bons costumes, embora nunca conseguira internalizá-los efetivamente em seus hábitos. Porque, ainda que seu pai acreditasse fielmente que a honra e a ordem corressem no sangue de sua família, a genética que os adoecia também o fazia. O garoto era uma criança agitada e, talvez em vista dos poucos amigos, vivia num mundo distante, deslocando-se para longe conforme as aulas passavam. Rabiscava desenhos dos quais se orgulhava em seu caderno - não obstante estes fossem constantemente rasgados por seus colegas de classe. Todavia, ele continuava a dispersar-se das anotações essenciais das matérias. Constantemente haviam reclamações acerca de Joaquin em casa, a dispersão, a inquietude e a falta de sociabilidade com as outras crianças incomodavam os docentes e os pais. Eram falhas que somente se somavam.
⠀⠀⠀⠀ Certamente os profissionais responsáveis por sua educação não faziam a menor ideia de como lidar consigo, visto que, quando não submerso em sua quietude, Joaquin estava explodindo com os outros colegas de classe que tentavam aproximar-se ou abusar de si em sua vulnerabilidade, gerando um ambiente à beira de um colapso e suspensões mensais. Diante de tantas expulsões e um comportamento incorrigível, o pai espancava-o em casa e destruía os materiais de desenho que ganhara da mãe – que vegetava numa cama desconfortável, sem vontade de viver.
⠀⠀⠀⠀ Na adolescência, a solidão incomodara. As brigas entre ele e o pai eram reciprocamente físicas, seu genitor já estava mais fraco em virtude da idade; contudo, devido aos músculos adquiridos no exército, ainda conseguia gerar em Joaquin alguns hematomas significativos. Fora mais que natural que ele se distanciasse daquela casa, fonte única de uma dor insuperável em seu peito. Tornou-se rebelde como forma de autopreservação. Rodeava-se de más companhias que supriam a solidão e o vazio trazidos pela família e pelo colégio. Evitava ao máximo o lar, uma vez que sempre que o pai o via, praguejava contra sua existência e depositava em si a culpa da depressão severa da mãe. Num dia ensolarado, Joaquin decidiu dar fim ao sofrimento proporcionado a si e aos que o rodeavam. Com os pés firmes na ponta da sacada do prédio do colégio, alguém lhe puxou. E determinadas coisas tem mudado desde o toque sutil, embora firme, em sua epiderme.
⠀⠀⠀⠀ Joaquin encontrara seu propósito, e ele seria servir aos Southside Scorpions, fonte pela qual banhava-se e encontrava significado para a vida. E por seu líder e por eles daria sua vida, visto que a eles a devia.
𝒆𝒙𝒕𝒓𝒂𝒔:
› Joaquin grafita em motos, aliando seu amor pelos veículos e desenho.
› Joaquin é Boderline, transtorno que herdara da família paterna
› Joaquin fora salvo pelos Scorpions e eles o deram razões para continuar vivendo, por isso faria qualquer coisa por seu líder e membros.
› Joaquin aprendera a pilotar com os Scorpions e desenvolvera sua paixão pelos veículos com eles e por causa deles.
naively enthusiastic or idealistic; failing to recognize the practical realities of a situation.
lee mingi, irmão mais novo de ursula e funcionário do fliperama. vive mais dentro da própria imaginação do que fora, fissurado por tudo que foge do normal. facilmente assustado por pessoas mas acredita no sobrenatural. começou a gaguejar após um acidente de carro aos quatro anos, mas hoje em dia se estressa menos com isso.
❛ ░ ✰ ˙˖ CHAPTER OO1. ——— ‘WHAT WHO WE
FIGHT FOR’ !!
tw: violência, sangue, vocabulário chulo.
i’m the ᴠɪᴏʟᴇɴᴄᴇ in the 𝓅𝑜𝓊𝓇𝒾𝓃𝑔 𝓇𝒶𝒾𝓃
i’m a H U R R I C A N E.
7 MESES ATRÁS.
o balcão TREME sob o impacto dos punhos cerrados de raehwa, despertando de seu semi-sono o rapaz detrás do caixa ( bordado na polo bordô debaixo do brasão da ᴋɪᴍ's ᴘɪᴢᴢᴀ seu apelido — ❛ 𝓳𝓸𝓸𝓷 ❜ ) ——— ❝ ei, aonde você vai?! ❞ manifesta-se ele, recebendo resposta nenhuma da mulher que carrega a sua tempestade para o salão do restaurante. pelo caminho ela deixa a viseira, tão vermelha quanto o sangue ardente que chispava pelas suas veias e o resto do seu uniforme, e a mísera fração de r a c i o n a l i d a d e que a permitira sobreviver para contemplar vinte e três primaveras. somavam três os delinquentes sentados ao redor da mesa 2, que distraídos com a conversa ALTA ATÉ DEMAIS que tinham só percebem a presença colérica da garçonete quando ela iça um deles de pé pelo colarinho da camiseta ——— ❝ que porra é essa?! ❞ ——— e o caos está instalado.
os demais fregueses observam assustados ( porém especialmente interessados ) a funcionária da pizzaria desferir um soco na fuça do garoto, cujos companheiros só então entram em ação e partem para cima dela; três contra um é COVARDIA, mas qualquer número contra a ira imensa da yoon é só mais um pretexto para ela bater mais forte. e forte ela bate, apesar de desajeitadamente, em todos eles ——— chuta o da direita na região que mais lhe doeria ( e espera que o tenha feito infértil ), e o magricela da esquerda se dobra em agonia com uma costela quebrada... mas só lhe importava mesmo acabar com a raça do primeiro, que zarpa na direção da porta limpando o sangue que escorria como cachoeira do nariz. quando ela o alcança na calçada frente ao estabelecimento, cerca de uma dezena de rostos ——— entre eles o de joon, sorrindo ESTUPEFATO ——— colados à vidraça do estabelecimento assistem ao desenrolar da porradaria.
graças à sua estatura franzina, raehwa consegue com o esforço exprimido em um grunhido o derrubar com um empurrão: ❝ isso é ‘pra você aprender a ter o mínimo de respeito pelas pessoas, seu imbecil! ❞ e pontua a sua indignação com um, dois, TRÊS bicos na altura de sua cintura ——— quatro, quando ele ousa a chamar de ❝ filha da puta! você é completamente louca! ❞ como se ela precisasse do lembrete... suas exclamações só fazem distorcer a sua visão, e aos poucos a silhueta do homem estirada ao chão lhe parece muito mais um saco de pancada. ela desaba com os joelhos abertos sobre o seu tronco, pregando-o ao asfalto mas não era como ele pudesse se mexer de qualquer jeito, e profere irada as suas últimas palavras:
❝ NINGUÉM fala assim da minha irmã, entendeu? nem mesmo a porra do seu cadáver. ❞
e ela só é expelida de seu transe quando há sangue o suficiente em seu avental para rechear uma pizza mediana e o rosto do desgraçado desaparece debaixo do inchaço das bochechas roxas, ao embalo do ronco de um motor e sob a luz do farol de uma moto desconhecida...
DON’T READ IF YOU ARE TRIGGERED BY: domestic violence;
guess what? quando o pequeno kyesang de cerca de quinze anos, com notas péssimas, comportamento pior ainda e marcas no corpo de tanto apanhar dentro de casa, escutou que poderia viver a vida apenas pilotando uma fucking moto, foi impossível simplesmente não largar tudo e fugir de casa, então ele fez uma coisa de cada vez.
lentamente, suas faltas na escola foram se tornando mais frequentes até o momento em que nenhum professor o vira por meses em sequência; depois lentamente passou a faltar no trabalho meia boca naquela lojinha de conveniência longe de casa até o momento em que o chefe, amigo da família, estourou e lhe mandou embora de seu emprego de meio período.
chegara, então, a vez de sua casa. ambiente asqueroso, por sinal. levou junto de si, sua irmã mais nova. além disso, já era hora, antes que acabasse matando seu pai nos socos, retribuindo todo o carinho que recebia do velho. a atitude não era nova, porém. assim que nascera e completara idade o suficiente para responder às ordens recebidas, kyesang começou a ter que lidar com uma onda de espancamento em massa. tinha sorte se eram apenas palmadas, pois o velho parecia gostar de chutá-lo e queimá-lo com aquelas bitucas de cigarro.
por outro lado, tudo o que fazia era permanecer parado, prometendo a morte ao babaca do outro lado. com catorze anos completos e tamanho o suficiente para revidar, a história era diferente. dificilmente fazia pouco uso da força nos braços, o que lhe rendeu brigas feias em casa que envolviam os mais variados objetos como armas e as palavras de mais baixo calão enquanto sua mãe e irmã permaneciam como telespectadores.
o conflito familiar era papo da vizinhança e na escola que atendiam, mas outra coisa que chocava aqueles que sabiam do que acontecia no interior da residência nº 267 era a negligência. dentro de casa, com a palavra do pai como ordem, pouco encontravam para comer e ambos os irmãos eram obrigados a dividir uma cama de solteiro — isso quando não recorriam ao banheiro e sua porta com chave devido ao medo de morrer enquanto dormiam.
por isso, por mais ruins que fossem as condições em que se encontravam, quando fugiram, os irmãos dogko encontravam-se agradecidos por estarem longe de tal ambiente. é claro, não foi fácil lidar com a fome, o frio e a mau caráter dos outros, mas não era muito diferente do que no lugar onde deveriam chamar de casa. foi obrigado a fazer algumas coisas das quais não se orgulha em nada e outra pelas quais não podia se importar menos, ainda assim sabe que foi essa a forma que conseguiu garantir a segurança de seu bem mais precioso.
logo kyesang encontrou membros do westside crocodiles que lhe ofereceram espaço o suficiente para crescer dentro do grupo, mas sua presença ali não durou muito e com vinte anos ele já havia encontrado seu lugar com os southside scorpions; sua saída foi amigável, afinal, apesar do comportamento errôneo e explosivo, havia conquistado os membros de ambos os clubes.
the thing is quando ele ficou sabendo desse modo de vida, jamais imaginou-se líder de um clube de rachas. com vinte e dois anos, contudo, estava desafiando e vencendo em pista o mandachuva dos escorpiões.
o passado ficou para trás. dele, kyesang só carrega sua irmã, seus traços de personalidade e características físicas (sim, leia com ironia). é por natureza alguém inquieto e competitivo, a impaciência e franqueza correm em seu sangue por genética, assim como sua capacidade de se meter em problemas, ainda assim faria de tudo para defender mesmo os membros mais novos do clube.
aí é que ‘tá o maldito problema: alguns diriam que sua fidelidade somado a sua impulsividade e arrogância não resultam em nada bom, mas ninguém pode negar que ele é um puta líder para os escorpiões.