Sol, calor, amigos e José Pinhal – Dia 2 do Festival Rodellus 2023 | Reportagem
O fenómeno nacional José Pinhal Post-Mortem Experience | mais fotos clicar aqui Acordei com o calor que se fazia sentir dentro da tenda, algo que não esperava dado o dilúvio da noite anterior. A segunda e última jornada teve lugar no sábado, 29 de julho. Fomos ao café Macieira, provavelmente o único café num raio de 1km do campismo, para uma refeição que nem sabia bem se era pequeno-almoço ou almoço. Vim-me a aperceber que seria ali que seria dado o início ao 2º dia do Rodellus, com o DJ set da dupla Dementes Brilhantes, com selo Favela Discos.
Completamente em contraste com o dia anterior, o calor fazia-se sentir e o sol raiava, tornando assim o sábado um verdadeiro típico dia de festival de verão: sol, calor, amigos e José Pinhal. Isso mesmo, o incontornável fenómeno da música popular portuguesa que renasceu através da banda de tributo José Pinhal Post-Mortem Experience, era o grande headLiner não só deste dia como também de todo o festival. Isso percebeu-se bem cedo, com a quantidade de pessoas que começaram a vaguear por Ruilhe, antecipando aquele que seria uma das maiores enchentes de que me lembro no festival.
Stereoacid em versão trio | mais fotos clicar aqui Bem mais cedo, entraram em palco o duo Steroacid composto por Sérgio Alves e Luís Marques. Fizeram-se acompanhar por Gonçalo Ferreira. Ainda a suar do calor que se fez sentir de tarde, a banda de Braga trouxe para o campo os ritmos quentes e dançantes tendo como elemento principal o saxofone fazendo a todos que assistiam viajar por breves momentos para um local paradisíaco, longe daquele campo de milho em terra batida.
De seguida veio uma estreia a Portugal, e que estreia! Falamos de Adwaith, banda oriunda do País de Gales e que tinha estado há poucas semanas no histórico Glastonbury Festival, tocava agora no festival mais rural de Portugal.
Hollie Singer, vocalista e guitarrista das Adwaith | clicar aqui
O trio de mulheres destaca-se pelo seu som bem indie-rock ao estilo britânico mas com letras em galês, tornando toda a experiência ao vivo algo que nunca antes ouvido. Na bagagem do avião trouxeram o seu disco do ano passado ‘Bato Mato’, com malhas como “ETO” ou “Sud”. Cheias de energia esta banda traz nas costas já suporte a bandas como IDLES ou Manic Street Preachers.
Sentia-se uma azáfama no recinto que não se tinha feito sentir no dia anterior. Alias, diria que nunca antes sentido nos muitos anos de Rodellus que levo. As pessoas já eram muitas, mas notava-se que não iria ficar por ai. A razão? Se chegaram com a vossa leitura até aqui, sabem então qual a razão: José Pinhal. Antes do fenómeno da música portuguesa, subiriam ao palco pouco depois da meia-noite, o post-punk estridente dos Sereias.
Sereias em palco | clicar aqui A banda do Porto, tinha uma das maiores comitivas em cima do palco do Rodellus, 6 músicos que ao vivo transformavam de forma individual os seus instrumentos numa orquestra de jazz, com ou sem sentido, liderados pela poesia crua, corrosiva e agressiva de Pedro Ribeiro. Nos seus diversos instrumentos trouxeram o mais recente disco ‘Sereias’, editado o ano passado numa mistura de post-rock e kraut em progressão contínua, sempre com uma atitude rebelde, punk, sempre a roçar a fronteira entre o free-jazz e a música contemporânea. Uma atuação intensa, não só para a banda portuense como para os já milhares de pessoas que preenchiam quase por completo o recinto. Foi a primeira lotação esgotada na história do evento.
A noite já ia bem dentro, a cerveja na mão mantinha-se sempre fresca, e ao meu redor uma multidão de gente que começou aos poucos a movimentar-se para o palco. Meio perdido entre conversas, comecei a ouvir gritos de êxtase apercebendo-me do que viria aí.
Bruno Martins, o destemido vocalista dos José Pinhal Post-Mortem Experience | clicar aqui Pouco passava da hora quando começaram a entrar os muitos elementos de José Pinhal Post-Mortem Experience liderados por Bruno de Seda. Coincidência ou não, a personagem de Bruno de Seda quase se poderia confundir com a figura de José Pinhal entre o seu bigode cheio de personalidade e os seus longos cabelos, trazendo para cima do palco uma experiência ainda mais imortal.
Muitos clássicos foram entoados não só pelo soundsystem do Rodellus mas também pelas vozes afinadas (ou não) dos milhares fãs do artista de Matosinhos que nos deixou em 1993. “Baby Meu Amorzinho”, “Covarde”, “Magia (Bola de Cristal Mentia)” foram só algumas que fez parte da setlist que levou uma debandada ao campo.
Nuno Oliveira dos José Pinhal Post-Mortem Experience | clicar aqui
Toda a gente a dançar, sorrisos, abraços, não se via uma vivalma parada naquele recinto, e muito culpa da incrível interpretação e arranjos ligeiramente mais pop que os Post-Mortem Experience têm vindo a levar um pouco por todo o país.
Pouco faltava para o final do concerto quando “Tu És a Que Eu Quero (Tu Não Prendas o Cabelo”, começou a deambular por todos nós e ai foi a explosão, como se tratasse de um dos maiores hits algumas vez lançado (e será que não será?). Entre moches, tentativas de crowdsurf e muitos corpos dançantes, começou-se a ouvir “José Pinhal, Imortal” vezes sem conta contagiando os milhares de festivaleiros, e mostrando ali que o fenómeno José Pinhal ultrapassou gerações passadas e marcará muitas outras no futuro.
David Machado dos José Pinhal Post-Mortem Experience | clicar aqui A energia já era muito pouca, mas a verdade é que passar aquelas duas noites no Rodellus, mais um ano, encheu-me o coração, sempre rodeado de amigos, rodeados de pessoas que erguem este festival no meio de um sítio tão genuíno e bonito que é Ruilhe, e que ano após ano, mostram que só volta ao Rodellus quem realmente não tem medo do campo.
Foto-reportagem completa deste dia: Clicar Aqui
Texto: Luís Silva Fotografia: Jorge Resende













