A nova geração irreverente mostrou-se no FE-Festival Emergente | Reportagem
Nos dias 15 e 16 de outubro, o Capitólio, em Lisboa, recebeu a terceira edição do FE-Festival Emergente. Com o objetivo de apoiar e promover artistas emergentes no panorama nacional, já desde 2019, tem dado a conhecer novos talentos, uns já a despontar, outros em processo de ascensão.
Numa edição com mais público e um entusiasmo efervescente finalmente foi possível ter pessoas de pé na plateia e sem restrições de lotação. Os dois dias de festival tiveram um line-up composto por bandas selecionadas a concurso depois de um processo de Open Call decorrido durante o verão. Algumas mais conhecidas do grande público, fizeram também parte do cartaz como convidadas para abrilhantar mais o certame. Sempre com música boa à mistura. Foram mais de 60 artistas em palco, 18 bandas, 11 delas super emergentes e selecionadas no já referido Open Call.
Eis o cartaz apresentado:
Sexta-feira, dia 15:
Sreya (convidada)
Evacigana (Open Call)
Conjunto Júlio (Open Call – escolha do júri)
Too Many Suns (Open Call)
Mikee Shite (Open Call – escolha do júri)
Mike Vhiles (Open Call)
Gator The Alligator (convidados)
Chinaskee & Convidados (convidados)
- por ordem cronológica de entrada em palco e com a devida referência das bandas a concurso e dos convidados.
Sábado, dia 16:
Bia Maria (convidada)
Madalena Palmeirim (Open Call)
Falso Nove (Open Call)
Quase Nicolau (Open Call)
Biloba (Open Call – escolha do júri)
April Marmara (convidada)
Caio (convidado)
Los Chapos (Open Call – escolha do júri)
Humana Taranja (Open Call)
Solar Corona (convidados)
- por ordem cronológica de entrada em palco e com a devida referência das bandas a concurso.
Público animado durante a atuação dos Gator, The Alligator [Mais fotos no nosso instagram @headliner.portugal]
O festival, composto por uma equipa jovem e dinâmica, a cargo da promotora Transiberia Productions, dá oportunidade às vozes mais jovens de se poderem expressar dentro do mundo da musicalidade, e poder ser colocada a tónica no que estes estão a fazer, sem elitismos ou nichos desnecessários. É essa a dinâmica que se sentiu, e que transbordou do palco para um público entusiasmo. O foco está no indie rock, na pop e na música eletrónica, estando também aberto a outras sonoridades como o hip-hop, o novo jazz e a música experimental.
A open-call esteve aberta a bandas e videoclipes, nacionais e espanhóis. A abertura a nuestros hermanos não surtiu como o desejado, também por efeitos colaterais da pandemia pelo que não estiveram presentes projetos espanhóis. O concurso Super Emergentes premeia projetos musicais, a solo ou em grupo, nas categorias: Melhor Projeto Musical Super Emergente e Melhor Concerto Super Emergente. A lista dos vencedores, divulgada pela organização na passada sexta-feira dia 22, está disponível na parte final deste artigo.
Joana Domingues dos Quase Nicolau durante a performance da banda [Mais fotos no nosso instagram @headliner.portugal]
As candidaturas também podiam ser submetidas através de videoclipes, para o concurso Super Emergente – Videoclipes, que premeia monetariamente o «Melhor Videoclipe» e a «Melhor Realização». As votações para todos os concursos são abertas ao público, existindo assim, uma votação interna e uma votação pública. A lista dos vencedores, divulgada pela organização na passada sexta-feira dia 22, está disponível na parte final deste artigo.
Entre conversas, mostras de videoclipes e belíssimos concertos, ficámos a conhecer, a redescobrir ou a ver ao vivo pela primeira vez uma série de bons artistas que se mostraram promissores e com garantias que o futuro musical português está em boas mãos. Todos estes artistas podem ser descobertos nas mais variadas plataformas sendo que vão poder encontra-los ao vivo em palcos pelo país. Algo que aconselhamos vivamente!
Mais uma brilhante edição que prova que muitas são as musicalidades por conhecer e finalizado o evento ficamos ansiosos por saber quem eram os premiados de 2021 – se bem que todos assim o são pelos dois maravilhosos dias que nos proporcionaram com a sua música.
Eis agora a listagem completa dos vencedores:
Prémio Melhor Concerto: Los Chapos
Los Chapos em palco [Mais fotos no nosso instagram @headliner.portugal]
Prémio Melhor Projeto Musical: Falso Nove
Falso Nove em palco [Mais fotos no nosso instagram @headliner.portugal]
Menção Honrosa Banda (250€): Humana Taranja
Humana Taranja em palco [Mais fotos no nosso instagram @headliner.portugal]
Prémio Melhor Videoclip (500€): "Mais Um Verso" de Jasmim
Prémio Melhor Realização (500€): "Another Day At The Firm", tema dos Los Chapos e realizado por Francisco Sousa
Menção Honrosa Videoclip (250€): "Animal Celestial", tema de Mateus Verde e realizado por Beatriz Teixeira, Beatriz Valério, Inês Santos e António Firmino
Os prémios de Menção Honrosa não estavam previamente destinados tendo a organização adicionado esta categoria após uma séria consideração devido à imensa qualidade destes projetos todos e que acharam que também mereciam esta premiação.
O headLiner teve a honra em ser Media Partner deste festival e contribuir um pouco para a sua divulgação. Um evento que faz totalmente a “cara” deste nosso projeto no qual gostamos de dar relevo aos novos talentos nacionais na área da música.
Sigam o nosso instagram para verem mais fotos do FE-Festival Emergente 2021: acedam à página aqui.
Fe-Festival Emergente: A irreverência faz emergir o talento | Entrevista
A 3ª edição do Festival Emergente 2021 vai acontecer nos dias 15 e 16 de Outubro no Capitólio, uma das melhores salas do país e da cidade de Lisboa. Depois da difícil mas desafiante edição de 2020, num só dia e com 8 bandas, este ano o festival volta ao seu modelo original em dois dias, num alinhamento repleto de bandas emergentes.
Um cartaz cheio de talento, em resultado de um Open Call Super Emergentes fortíssimo, em que mais uma vez esta nova geração de músicos superou todas as expectativas e tornou a seleção extremamente difícil: foram selecionadas 11 bandas para o alinhamento e não 8, como estava previsto.
O Emergente faz assim jus à sua principal missão de apoiar a nova geração da música portuguesa, dando-lhe o maior número de oportunidades possível, fazendo-a subir a um palco com excelentes condições técnicas, espaciais e audiovisuais, para que o seu talento possa brilhar em grandes concertos com grandes performances, já uma imagem de marca do festival.
Estivemos à conversa com o Carlos Gomes, diretor artístico do festival, e falamos sobre o super cartaz que o festival lisboeta traz, assim como todos os desafios que enfrentaram e sobre o futuro não muito distante deste evento tão único em Portugal.
Entrevista ao Fe-Festival Emergente
headLiner: Olá, Carlos, tudo bem? Estamos a muitos poucos dias do festival, o que falta fazer? Já está tudo pronto para esta terceira edição?
Festival Emergente: Oi, tudo bem? O que falta fazer? Oh pá, falta fazer aquelas coisas finais de produção de um festival. Desde coordenar a chegada das bandas, aos horários de refeições, como é que as bandas se vão articular no espaço em termos de camarins, enfim, todas aquelas coisas pequeninas com que fazem que no fundo as coisas fluam.
headLiner: “Os menos jovens têm os mais jovens como referência e não o contrário.” Queres-nos falar o significado desta frase e como ela se reflete no festival?
Festival Emergente: É o espírito que preside ao aparecimento do próprio Festival Emergente. É uma crença profunda de algum de nós que estamos por detrás do festival, temos presente na vossa geração, ou seja, na geração daqueles que poderiam ser os nossos filhos, também tenho um filho com 23 anos (risos), e, portanto, sei bem o que é isso. Vemos que é uma geração muito mais cooperante, muito mais aberta, trabalha mais em comunidade e em prol de objetivos comuns, ao contrário daquilo que nos vendem a toda a hora, que não há valores nesta geração. Eu acho que há muitos valores e eu/nós acreditamos muito nela, portanto a ideia é essa, aprender também com os mais novos. É aprender com toda esta atmosfera, com toda esta capacidade que vocês têm em trabalhar em conjunto e de sonharem com os vossos projetos e de os concretizar. O Emergente é precisamente o reflexo disso. Nós queremos convocar essa energia para o festival e dai abrirmos as portas às bandas super emergentes para saltarem para cima de um palco, neste caso o Capitólio. O festival representa um pouco isso também, uma junção da experiência das equipas técnicas e das pessoas que estão por detrás da produção do festival com a juventude e a frescura das bandas, músicos e de toda a gente que está envolvida na promoção e divulgação do seu trabalho. Diria que é um pouco a nossa missão, apoiar esta geração, contribuir para que ela mais rapidamente atinja os seus objetivos porque acreditamos que isso é uma forma de darmos o nosso contributo para mudar um pouco o mundo. Uma espécie de status quo, de serem sempre as mesmas pessoas, as mesmas bandas envolvidas em coisas com uma visibilidade um bocado maior.
Não sei se respondi à tua questão (risos), porque essa frase de facto tem um trocadilho muito sentido que é: não é necessariamente os mais novos que olham para os mais velhos como alguém mais experiente em função dessa experiência, porque se a experiência é má, não há muito a aprender com ela. Nós gostamos muito da palavra irreverência, porque nós também sentimo-nos muito irreverentes, e apesar de não sermos da mesma idade das bandas, todos nós sentimo-nos irreverentes no sentido de acharmos que a questão da idade não é o mais importante, a idade é só uma questão cronológica. O que é realmente importante é estarmos abertos uns aos outros e podermos aprender com aqueles que não tem essa tal experiência e que por isso tem uma forma diferente de olhar as coisas, uma outra forma de estar em palco e nós colhemos muito dessa energia vital.
headLiner: Há muitos festivais por este país fora, e que felizmente Portugal faz tão bem. O Fe-Festival Emergente traz algo de novo. Como surgiu a ideia de fazer uma Open Call para artistas emergentes, em vez de não só convida-los?
Festival Emergente: Isso é uma pergunta que gosto particularmente de responder, porque a verdade é que no 1º ano pensamos como toda a gente. Convidamos x bandas de acordo com os nossos critérios, gostos e com uma tentativa de apresentar uma certa linhagem da nova música portuguesa naquele momento, procurando também abranger todo o território nacional. Já na 2ª edição, por questões até de ordem financeira, não tínhamos orçamento para estar a pensar em convidar quem nós quiséssemos, tínhamos um orçamento baixíssimo. O que pensamos foi fazer um open call para bandas que nunca tenham tocado num palco com a qualidade do Capitólio, e vamos fazer um line-up com base só em bandas super emergentes, pagando um cache simbólico. Isso é algo que também temos em atenção, ninguém vai tocar ao Emergente sem ser pago, suportamos ajudas de custos tanto a nível de deslocação como a nível alimentar, ou seja, tentamos acolher verdadeiramente as bandas, acarinhamo-las e temos prazer nisso. Com a invenção do Open Call Super Emergentes, a coisa correu tão bem e as bandas tinham tanta qualidade, que poderíamos ter feito um festival de 3 dias só com bandas desse open call. Assim, pensamos em claramente continuar a experiência neste ano tendo agora mais flexibilidade quer em termos financeiros quer em termos de dias, voltamos a ter 2 dias. O que aconteceu foi que tínhamos pensado ter 8 bandas resultantes do open call e 8 bandas convidadas, mas a verdade é que a dor foi tanta de deixar certos projetos que tem uma altíssima qualidade de fora que o que fizemos foi estender não a 8 mas a 11 bandas, ou seja, não estamos a falar nem de 1, 2, 3 nem de 4 mas 11 (!!) bandas a subir ao palco do Capitólio.
É um bom exemplo da tal irreverência que estávamos a falar há pouco, de não estarmos fechados na nossa caixinha e termos tido esta capacidade de pensar em soluções diferentes para tornar viável a realização do festival em 2020, nas circunstâncias que todos sabemos. Adiamos o festival 5 vezes, reprogramamos o festival 5 vezes para conseguirmos realizá-lo com público na sala. Também tivemos o livestream, o que voltamos a ter este ano. Essa abertura acabou por despoletar uma ideia com que fez que tenha-mos ainda mais contacto com bandas ainda mais emergentes e com as quais aprendemos de facto a qualidade que existe por ai como até descobrir sonoridades emergentes, que estão num ponto de muito autêntico e visceral. Não há nenhum festival em que possas assistir a 8, 10 bandas que sabes que vais estar a vê-las pela primeira vez e sabes que aquilo que vais ouvir nunca ouviste antes. Isso é algo que nos dá um grande gozo, essa tal irreverência.
headLiner: Inicialmente estava previsto a escolha de 8 artistas, no final foram escolhidos 11 artistas. Isto mostra o quanto talento Portugal tem e toda a potencialidade de jovens artistas? Como é feita a escolha das bandas?
Festival Emergente: A escolha das bandas é conjugante de uma serie de fatores. Nós convocamos uma serie de júris da área da música, o Tiago Castro, radialista na SBSR, Vitor Belanciano do Público, eu (Carlos) em representação do festival, o João Araújo do Rodellus, e este ano tivemos a parceria do João Fernandes do Canal 180, que acabou por ser substituído mais tarde. O júri escolhe 3 das bandas do Open Call num sistema que começa por ser por de votação, e depois como aconteceu este ano, a votação foi tão dispersa, a qualidade era tão grande que toda a gente votou em praticamente bandas todas elas diferentes. Temos de nos reunir e de chegar a um consenso. Este ano a escolha do júri recaiu sobre o Conjunto Júlio, os Los Chapos e Biloba. Os Biloba são um grupo incrível de música que vem de uma escola de jazz, o Conjunto Júlio são daqueles casos que falávamos há pouco da visceralidade de quem começa a tocar com os amigos e descobre ali qualquer coisa e isso esta muito presente na música deles, e depois os Los Chapos que são uma banda que nós também sentimos que tem tudo para fazer um grande percurso. Eles também são muito jovens, salvo erro eles até se reuniram no ano de 2020, como o Conjunto Júlio. Só para teres uma ideia do quanto emergentes são (risos). Pronto, isso é uma primeira fase.
Depois, abrimos a votação ao público, eles escolhem uma banda para subir ao palco e este ano essa escolha recaiu sobre Mikee Shite, e nós estamos muito curiosos. Eu acho que vai ser a sua estreia mesmo como banda (risos), apesar de já terem tocado com outras bandas, com o nome de Mikee Shite, vai ser praticamente a estreia absoluta. Bem, as outras bandas tendo em conta a escolha dos júris, são escolhas nossas, da organização em função da diversidade dos géneros musicais, de uma forte presença feminina, a conjugação de projetos solo e projetos formato banda, a conjugação de malta mais do norte e malta mais do sul. Há uma mensagem que gostaria de dizer e gostaria de deixar bem claro, há muitas bandas que ficaram fora do Festival Emergente não é porque tenham falta de qualidade, é porque a seleção é isso mesmo, ou seja, acabam por ser um conjunto de fatores com que aqueles que foram selecionados fazem sentido naquele momento para a construção do line-up.
headLiner: Do super cartaz que montaram este ano, da nossa parte é impossível não destacar um dos discos do ano do Chinaskee, a irreverência de Sreya ou os concertos eletrizantes dos Gator, The Aligator. O que gostavas de destacar mais deste cartaz?
Festival Emergente: Primeiro de tudo, o que gostava de destacar deste cartaz são as 11 banda resultantes do Open Call como um todo, porque acho que seria extremamente injusto estar aqui a destacar alguma em particular. Não são nem 1, nem 2 nem 3 nem 4 bandas, são 11 bandas super emergentes que vão subir ao Capitólio.
Depois dentro dos nossos convidados, obviamente que gostamos muito de todos eles (risos), e o importante é que para além dos que já referiste, referir que vamos ter o Caio, é um artista que seguimos atentamente, é alguém que nós gostamos mesmo muito de ouvir. Ele de facto é um músico com uma altíssima qualidade, com uma entrega muito grande e com uma relação também muito grande entre a sua própria pessoa e aquilo que ele faz como artista. Então, vamos ter o Caio num momento turning point da sua carreira, no qual vai apresentar temas novos do seu próximo álbum, e, em formato de banda o que acho que vai ser uma experiência muito forte no festival. Depois temos um conjunto de vozes femininas completamente diferentes. Teremos a Madalena Palmeirim, ela tocou com uma proposta muito singular, ela e o seu ukelele com uma poética muito forte, aquilo que ela canta, os temas que ela invoca na sua música. A April Marmara, é uma artista que nós adoramos, já gostávamos de a ter trazido ao festival Emergente noutros anos, mas que por uma razão ou outra não foi possível, mas de facto ela traz-nos uma espécie de nostalgia épica como eu lhe chamo (risos). Ela invoca tudo aquilo que é mais profundo do ser humano, das suas ambições, dos seus sonhos, dos seus desejos, tudo está ali expresso de uma forma latente e acho que vai ser um concerto enorme. A Bia Maria tem uma proposta incrível, que achamos também muito importante em Portugal, das tradições estarem muito vivas e de ainda ter sido possível a esta geração ter este clash entre aquilo que é a hipermodernidade em confronto com as tradições que ainda estão presentes. Por cima disto, ela ainda vai adicionar uma roupagem mais eletrónica, e nós estamos super curiosos de ouvir este concerto. Por fim temos a Sreya que invoca temas muitos importantes para nós. Tem um lado quase infantil, genuíno, mas ao mesmo tempo muito próprio muito identitário, no sentido de se exprimir muito o que se é sem merdas, sem grandes filtros, colocando também esta liberdade do ser, das opções de se quer ser aquilo que se é e não em função das regras que nos são impostas.
headLiner: O Festiva Emergente vai para além da música cantada/tocada. Traz também um conjunto de conversas de personalidades do meio, assim como uma componente mais artística, nomeadamente da parte audiovisual, os videoclipes. O que é que vocês querem trazer com toda esta diversidade de conteúdo? Uma espécie de WebSummit da música nacional?
Festival Emergente: Não não não, nada disso (risos). Deixa-me te dizer que pessoalmente tenho alguma aversão a esse tipo de ideia de Summit ou o que seja. O que nós percebemos é que as coisas de facto estão interligadas. Para já, os videoclips são uma forma de muito cineastas iniciarem o seu percurso. Há um enorme talento dentro da cinematografia em Portugal e muitos deles começam precisamente por fazer videoclipes que são pequenas histórias, são curtas-metragens. Podem ter ou não uma certa sintonia com a música e com os temas musicais que abordam, mas que por muitas vezes se sobrepõem à qualidade musical do tema que estão a acompanhar. Por outro lado, há equipas a trabalhar nos videoclips, desde os camaras man, maquilhadores, produtores, enfim, toda uma serie de gente muito jovem, que tem uma enorme vontade de trabalhar e com uma qualidade brutal. Nós então decidimos selecionar 14 videoclipes que vão passar entre cada dois concertos, e no final haverá um prémio para o melhor e para a melhor realização, ambos no valor de 500€.
Teremos também as conversas, que são extremamente importantes para passar aqui uma mensagem à malta mais nova, que o talento é o pilar fundamental do percurso artístico, mas que também é preciso ter a consciência que o talento só por só não basta. É preciso trabalhar, é preciso criar as condições para que esse talento chegue ao maior número de pessoas possíveis. Isso implica também um envolvimento com o meio artístico a que se pertence, o querer trabalhar nesse sentido e saber como promover o seu trabalho, encontrar as pessoas certas que possam apoiá-los nesse caminho. E isso passa por tudo, pelos agentes, programadores de espaços, passa pela imprensa escrita, pelos radialistas, enfim, passa por entidades que neste momento desenvolvem um trabalho incrível no sentido da promoção da música portuguesa lá fora. As conversas de facto vão ter uma serie de convidados muito interessantes, e nós apelamos que toda a gente compareça e que venha conversar. As próprias bandas que não estejam a fazer soundcheck, que subam até ao terraço. As conversas serão das 14:30 até às 15:30 sobre precisamente o que é isto da música emergente e dos desafios que teremos no futuro. Por outro lado, irá ser falado também estratégias de internacionalização e de partilha de conhecimento para que este talento seja mais visível.
De ano para ano, o Festival Emergente Reinventa-se e traz sempre boas novidades. Já tens alguma pensada para o ano de 2022?
Festival Emergente: Já este ano tentamos fazer uma ponte com o país vizinho, com Espanha, com o objetivo de trazer bandas espanholas através do open call, que acabou por não resultar porque também começamos muito tarde. O Festiva Emergente também tem um problema estrutural, que é a dependência financeira, que implica candidaturas, prazos e tempos de espera desses resultados e só depois de saberes com que linhas te podes cozer, é que podes propriamente a programar e a pensar no que é que o festival pode ser em termos de estrutura, datas, local, enfim, há muitas variáveis que ficam dependentes dessa capacidade financeira. E pronto, de facto começamos tarde a procurar esse trabalho de procura de parceiros em Espanha que nos apoiassem neste esforço de trazer bandas espanholas, e depois começar a intercambiar com eles bandas portuguesas em Espanha. Para o ano queremos precisamente continuidade aos contactos que fizemos este ano, que não foram frutíferos numa primeira abordagem, mas que estou convencido que vão ser para o ano.
Outra coisa que gostaríamos de fazer, pouco a pouco, é expandir esta ideia da internacionalização do festival, a outras propostas que nos parecem encaixar neste carácter emergente do festival e da sua programação. Agora, nós gostamos de dar estes passos de uma forma consistente e de uma forma que faça sentido para nós. Gostamos de olhar para os line-ups de todos os anos e de pensar que de facto há todos os anos ali uma ideia, uma espécie de “onda” como eu lhe chamo, de cada um dos dias da programação. Uma transição de uns momentos para os outros de uma forma que faça sentido, quase como uma partitura musical e não somente uma junção de bandas.
Evento sem limite de lotação e plateia de pé | Festival Emergente 2021
A organizadora e promotora Transiberia Productions vai levar a cabo a realização da 3ª edição do Festival Emergente nos próximos dias 15 e 16 de outubro no Capitólio em Lisboa. Deste modo o evento regressa à sua génese com o alinhamento distribuído por dois dias e preenchido de bandas emergentes incluindo as que vão atuar por convite.
A primeira fase iniciou-se com Open Call Super Emergentes realizado entre 14 de Junho e 15 de Agosto. A seleção revelou-se extremamente difícil: foram selecionadas 11 bandas para o alinhamento e não 8, como estava previsto.
O Emergente faz assim jus à sua principal missão de apoiar a nova geração da música portuguesa, dando-lhe o maior número de oportunidades possível, fazendo-a subir a um palco com excelentes condições técnicas, espaciais e audiovisuais, para que o seu talento possa brilhar em grandes concertos com grandes performances, já uma imagem de marca do festival.
Àqueles que subirem ao palco em resultado do Open Call, serão atribuidos dois prémios: Melhor Concerto Super Emergente (por votação combinada do júri e do público) cujo prémio é a actuação no Festival Rodellus em 2022 e Melhor Projeto Musical (da responsabilidade exclusiva do júri) cujo prémio é a gravação dum EP ou álbum nos Estúdios Camaleão, em Lisboa.
Retomando a ideia da sua edição original, de estabelecer uma linhagem para o indie pop rock nacional e muitas das suas variantes, o cartaz de 2021 combina talentos confirmados pelo público e pela indústria musical e que agora emerge noutras dimensões dos seus percursos artísticos, talentos despontados nos últimos três anos e ainda no processo de definição da sua identidade artística e puros talentos Super Emergentes, acabados de sair de fornadas caseiras e confinados à concentração nos estúdios de música.
O Festival Emergente vai realizar-se com a plateia do Capitólio em pé sem limite de lotação! Depois de no ano passado termos ficado sentados, este ano vamos poder voltar a desfrutar da música e do ambiente do festival em pé e a dançar!
Eis então o alinhamento:
15 de Outubro
CHINASKEE & CONVIDADOS (convidados)
GATOR THE ALLIGATOR (convidados)
SREYA (convidada)
MIKE VHILES (Open Call)
TOO MANY SUNS (Open Call)
EVACIGANA (Open Call)
CONJUNTO JÚLIO (Open Call – escolha do júri)
MIKEE SHITE (Open Call – escolha do público)
Horários
18h30m – Sreya
19h15m – Evacigana
20h00m – Conjunto Júlio
20h45m – Too Many Suns
21h30m – Mikee Shite
22h15m – Mike Vhiles
23h00m – Gator The Alligator
00h00m – Chinaskee & Convidados
16 de Outubro
SOLAR CORONA (convidados)
BIA MARIA (convidada)
CAIO (convidado)
APRIL MARMARA (convidada)
HUMANA TARANJA (Open Call)
FALSO NOVE (Open Call)
QUASE NICOLAU (Open Call)
MADALENA PALMEIRIM (Open Call)
LOS CHAPOS (Open Call – escolha do júri)
BILOBA (Open Call – escolha do júri)
Horários
17h00m – Bia Maria
17h45m – Madalena Palmeirim
18h30m – Falso Nove
19h15m – Quase Nicolau
20h00m – Biloba
20h45m – April Marmara
21h30m – Caio
22h30m – Los Chapos
23h15m – Humana Taranja
00h00m – Solar Corona
Uma das novidades foi a abertura de duas novas novas categorias: “Melhor Videoclipe” e “Melhor Realização”. A seleção dos 14 vídeos finalistas do concurso que terá a sua fase final de votação durante o decorrer do festival é:
MATEUS VERDE – Animal Celestial
LOS CHAPOS – Another Day At The Firm
DELA MARMY – Not Real
MEMA – Perdi O Norte
JASMIM – Mais Um Verso
DELA MARMY – Old Human
CELSO – Queimar Tempo
YAKUZA – Tunning
THEO – The World Is Not The Same
BONANÇA – Ah Desaparecer
BIRDS ARE INDIE – Our Last Waltz
CONJUNTO!EVITE – Quebra Ossos
PRÍNCIPE DO LUMIAR – Treino
EVACIGANA – Tempo Morto
O melhor vídeo (por votação combinada do público e do júri) e o melhor realizador (da responsabilidade exclusiva do júri) receberão um prémio monetário de 500€.
A grande novidade desta próxima edição é que, pela primeira vez, o concurso abriu-se igualmente aos “nuestros hermanos”. Não foi bem sucedida esta primeira tentativa de abertura às bandas de Espanha devido também às condicionantes dos tempos atuais. Em 2022 deverá existir nova tentativa já que os primeiros contatos estão estabelecidos e porventura no próximo ano estarão reunidas melhores condições para o certame ser de alcance ibérico.
O festival volta a ser realizado fisicamente e em Live Streaming (fomos o primeiro festival português a ser integralmente transmitido em Live Streaming), na plataforma Live Stage da Ticketline. A receita do Live Streaming reverterá integralmente para a União Audiovisual, como forma de apoiar aqueles sem os quais os concertos não podem existir e que também nos apoiaram o ano passado.
Toda a informação sobre o evento passará pelo headLiner como Media Partner Oficial do Festival Emergente tanto nas redes sociais como em https://headlinerportugal.tumblr.com/
Sites e redes sociais do festival:
Site: https://www.festivalemergente.com
Facebook: https://www.facebook.com/FEFestivalEmergente
Instagram: https://www.instagram.com/fe_festival_emergente
Especial: Foco headLiner com Krypto | Festival Rodellus 2021
Em ano de pandemia, o Rodellus adaptou-se e preparou um cartaz dividido por 3 fins-de-semana consecutivos com duas bandas por cada um deles. A música feita em Portugal tem o seu devido destaque.
A sexta edição do festival Rodellus iniciou-se no dia 24 de julho com a presença de David Bruno e Hause Plants naquele que foi um arranque a plenos pulmões. Neste primeiro de três sábado consecutivos as expetativas não foram defraudadas e o público vibrou com os os concertos. A nossa reportagem pode ser lida e vista Rodellus é Resistência, Rock e Ruilhe | Reportagem - Dia 1 .
No passado sábado tocaram os Grand Sun e os The Twist Connection.
Será já no próximo sábado, 7 de agosto, o encerramento desta edição bem especial do Rodellus, festival que realiza-se em Ruílhe no concelho de Braga. No último dos três sábados teremos os Black Bombaim e os Krypto.
Os Krypto são compostos por Gon, Martelo e Chaka, formação com base no Porto e com elementos vindos de bandas como os Zen e os Greengo.
‘Eye18′ é o álbum que editaram em Janeiro de 2020 e que será apresentado neste concerto do festival bracarense. Uma edição pela Lovers & Lollypops.
Podem agora ler a conversa que tivemos com os Krypto. Além de servir de antevisão deste próximo concerto, permite melhor conhecer a visão da banda e as suas ideias acerca da situação atual e o seu impacto.
~ Entrevista aos Krypto
headLiner: Krypto é ainda uma banda desconhecida por muitos no panorama nacional. No entanto, para quem anda mais distraído, vocês contam com um dos vocalistas mais carismáticos da mítica banda punk dos anos 90, Zen, e mais recentemente dos Plus Ultra. Os Kryto onde nascem no meio disto?
Krypto: Antes sequer de imaginar Krypto a acontecer, já existia amizade. Gon é o mais popular entre nós, mas todos já contava mos com alguma experiência e marca no panorama nacional, tanto eu (Chaka) como (martelo) já passámos por algumas bandas de rock / metal sendo a nossa mais recente ----Greengo----- Krypto nasce num ano "complicado" misturado pela criatividade de uns e o caos de outros... estes dois deram facilmente origem ao nosso álbum Eye18
headLiner: O vosso disco de estreia ‘Eye18’ foi gravado no icónico centro comercial STOP, espaço de resistência e contracultura na cidade Porto. O quão importante é esse espaço para a cultura underground portuense e em especial para os Krypto?
Krypto: O centro comercial stop é, e será, enquanto existir um dos pontos mais importantes na cena musical no norte do país, aqui nascem coisas icónicas e a diversidade é muito grande. Para nós o Stop é de certa forma uma extensão da nossa casa, seja ponto de encontro,local de cervejas ou principalmente o local onde extravasamos as nossas ideias é onde passamos grande parte do nosso tempo.. daí ser bastante importante.
headLiner: Já vimos muitos discos editados por Portugal fora, mas nada parecido com a edição física que vocês lançaram. Uma banda desenhada, bastante gráfica, que é acompanhada com o vosso disco. Como surgiu essa ideia e o que tentam alcançar com esse suplemento gráfico extra?
Krypto: A ideia surge através do cruzar de amizades, alguém ouve o som e pensa de imediato que o som cola perfeitamente aos desenhos de Rui Moura (@ruicough) podem chekar a sua página no Instagram.
Depois de ver alguns dos seus trabalhos e de ele ouvir o nosso som, concordamos que a direção é a mesma, apenas com formas diferentes de expressão, pensamos porque não fazer um disco que desse algo diferente a quem o ouça, ver e ouvir, cada um vai por onde quiser, essa é a beleza disto.
Queríamos deixar também uma referência à Lovers & Lollypops e a Chilli Com Carne que editaram o disco.
headLiner: O vosso som é decididamente brutal, cru e psicadélico. Quais são as vossas bandas de eleição? Em que bandas se reveem como inspiração para este projeto?
Krypto: Todos temos um faro bastante versátil no que toca ao que ouvimos, ninguém se prende a nada, mas os mais importantes para nós já morreram.. este disco conta mais propriamente com situações pessoais das nossas vidas do que com possíveis cenas inspiracionais..
headLiner: Estavam no alinhamento para um dos maiores festivais de metal do país, o Barroselas Metal Fest, que infelizmente foi adiado mais uma vez. Dia 7 de agosto vão estar no festival Rodellus, um dos primeiros festivais que vão atuar como banda? É difícil de imaginar o rock/metal numa perspetiva de assistir na cadeira. Apesar disso, o que esperam desse concerto?
Krypto: Sinceramente o ano de lançamento do nosso disco prometia uma bela ascensão para Krypto, mas tudo o que havíamos alcançado veio por água abaixo.
Para Krypto será um dos primeiros fests, certo.. individualmente todos já passámos por vários festivais.. em relação ao pessoal estar sentado a ver concertos com este tipo de energia...pfff... É uma seca! Mas não temos medo de nada, pelo contrário espero que ninguém tenha medo do que pode acontecer, pois a vontade é virar as cadeiras todas.. esperamos basicamente dar um bom concerto e entreter a quem o vir..
Rodellus é Resistência, Rock e Ruilhe | Reportagem - Dia 1
2020 seria o 3º ano que viveríamos o Rodellus, exatamente isso, viveríamos, pois nestes 3 dias de festa que o festival de Ruilhe oferece, é exatamente isso que faríamos. Montamos a tenda e durante os dias de calor intenso, vivemos a bonita e pacata aldeia de Ruilhe como fosse nossa casa. Este ano tal não aconteceu, devido a todas as razões que conhecemos pelo qual não irei voltar a relembrar, mas a organização Rodellus - Associação Cultural formada por jovens de Ruilhe, Cunha, Tadim e Arentim (freguesias vizinhas) arregaçaram as mangas e fizeram acontecer um dos primeiros festivais de Verão pós-confinamento.
Como relembrar também é viver, nada como recordar as últimas edições através da nossa visão:
2018: Viver o campo é viver o Rodellus - A estória | Reportagem
2019: A política dos 3 R’s: Ruílhe, Rodellus, Rock | Reportagem
Em 2021, após um ano inevitável de interrupção, o Rodellus mostrou-se resistente perante tudo o que vivemos, reinventou-se dando primazia à música e à cultura, distribuindo por 3 fins-de-semanas distintos o festival. Em poucos dias os 3 dias esgotaram e isso reflete a sede com que todos nós andamos sedentos pela música, pela liberdade, amizade e tudo que só um festival de verão oferece.
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O novo formato do Rodellus trouxe a todos os festivaleiros uma experiência rural diferente: uma pequena viagem à historia do festival relembrada por Hernâni, diretor do festival. Esta viagem foi iniciada com um pequeno passeio ao passado da vila de Ruilhe. Começamos numa das antigas típicas casas da região, que outrora servia de abrigo para muitas famílias, e a partir dai seguimos caminho. Por umas escadas em pedra, mesmo antes de chegarmos ao destino final, fomo-nos cruzando por pequenas molduras em que nela se encaixavam memórias fotográficas dos últimos anos do festival, autoria de Joana Sousa, a fotografa oficial do Rodellus. No topo da escadaria, encontrava-se o tal local "secreto" onde se ia fazer a festa durante aquela tarde.
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O local era uma pequena praça (se assim se pode chamar), mesmo em frente ao bonito e abandonado edifício da GNR. O calor fazia-se sentir com o passar dos minutos (embora as previsões assim não o dissessem) mas algo, que já não se vivia em eventos pós-confinamento, ajudou a combater tais temperaturas. Falamos da barraca de cervejas (e águas) que a organização montou. Realçamos este tão insignificante espaço físico pois era em torno dele que se iam fazendo ouvir conversas e gargalhadas entre amigos e conhecidos, algo que para esta nova realidade ainda solta um sorriso da nossa parte. Sorriso devidamente escondido...
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As cerca de 50 cadeiras coloridas, que ocuparam grande parte do pequeno recinto, iam sendo preenchidas ao longo que os minutos se aproximavam para a hora de arranque: 17:30h. Pouco passava, quando os Hause Plants entraram pelo único palco que este ano se ergueu na pequena vila. Há muito tempo ansiávamos ver o projeto de Guilherme Correia, banda lisboeta que fez no Rodellus a sua primeira aparição por terras minhotas. Na bagagem trouxeram o seu EP de estreia e que no qual tivemos o privilégio de ouvir em 1ª Mão, 'Film For Color Photos'.
O shoegaze que já conhecíamos do disco, veio reconfirmar-se na sua atuação ao vivo. Com Dani Royo na guitarra, João Simões dos Grand Sun no baixo e ainda Jantónio Nunes dos Huggs na bateria, a banda mostrava toda a pujança de uma banda rock em pleno delírio e diversão, algo que não é tão visível em bandas lisboetas, como a própria banda brincou. Passando por todo o seu EP, no quais se incluem singles como “Here, Somewhere”, “Only You” ou “Visual Daries”, faixa que fez Guilherme em tom irónico dizer:
“É a única que vocês conhecem, se estiverem ligados à Antena 3 à uma da manhã sem querer”.
No cardápio, não podia faltar uma das nossa favoritas e primeiro single de estreia “City Vocabulary” ou até passando mesmo por uma estreia:
“É a primeira vez que tocamos esta música ao vivo”, começando a dedilhar “Fun at Random Places”.
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Uma estreia sem medo do campo pelos Hause Plants, que aqui e ali iam mostrando irreverência e rock em cima do palco. Desde os voos aéreos entre a bateria e palco, passando pela interação com o público que levou Simões a descer do palco e a tocar com uma das figuras icónicas do festival, o Zé Pimenta (quem lá esteve conhece a personagem).
O palco ia-se despindo de instrumentos, dando lugar a uma comprida mesa de DJ coberta de rosas ora vermelhas ora cor-de-rosa e uma bonita e única guitarra elétrica. De fundo ia tocando clássicos desde a bem portuguesa, “Papel Principal” a um dos grandes clássico da música rock, “Wind Of Change” dos Scorpions. Quem orquestrava isto tudo só poderia ser uma pessoa: António Bandeiras.
Passando pouco tempo do DJ set em estilo mátine, entrou a figura principal do último concerto do dia. Marquito, como carinhosamente David Bruno chama ao seu amigo e solista de palco Marco Duarte. Da sua guitarra saem os primeiros acordes de “Praliné”, bem afinados e bem sentidos pelo guitarrista, deu o inicio do concerto de um dos nomes mais aguardados do festival.
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Quem já viu esta figura da música contemporânea portuguesa ao vivo, sabe que David Bruno é um português com muito orgulho nas suas “portugalidades”, referenciando as “bandejas de alumínio”, como um instrumento fundamental num bom tasco começando a tocar “Mesa Para Dois no Carpa”.
Sempre muito comunicativo e com o seu sotaque bem característico, é bem audível as muitas gargalhadas que vai arrancando da plateia. Um desses casos foi na explicação que deu em “N Gosto K M Mentem“ relembrando os tempos de escola em que os rufias pediam dinheiro e de forma a fugir a tal suborno mentia.
David Bruno fez uma viagem pelos seus três mais recentes discos, tocando faixas como “Monte da Virgem Platónica“, “Salamanca By Night“, “Doucement“, ou mesmo pela nunca editada, “Lamborghini na Rulote”, faixa que diz ele:
“ (...) nem que me pagassem 1 Milhão de euros eu gravava-a. Esta música é só para quem vem ver os concertos, só a toco ao vivo”.
Um dos momentos mais bonitos e mais esperados ficou para o final, onde já ninguém se aguentou sentado, soltando na minha cara um sorriso rasgado. Foi em “Festa da Espuma”, quando a maior parte das pessoas levantou-se e começaram a dançar, algo que para mim tem um pouco de estranho mas de maravilhoso. Estávamos todos lá só por um propósito, a música, a alegria, e David Bruno, Marco Duarte e António Bandeiras com as suas rosas, conseguiram dar-nos isso tudo.
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Foi assim o primeiro fim-de-semana do Rodellus, festival onde o mote de Rock paira na sua génese mas é com a palavra Resistência que mais uma edição se ergueu na bonita aldeia de Ruilhe.
Durante os próximos dois sábados, já com casa esgotada, subirão ao palco nomes como Grand Sun e The Twist Connection a 31 de julho e Black Bombaim e Krypto a 7 de agosto.
Especial: Foco headLiner com Grand Sun | Festival Rodellus 2021
A sexta edição do festival Rodellus iniciou-se no passado sábado com David Bruno e Hause Plants naquele que foi um arranque a plenos pulmões. Neste primeiro de três sábado consecutivos as expetativas não foram defraudadas e o público vibrou com os os concertos. A nossa reportagem pode ser lida e vista aqui brevemente.
Em ano de pandemia, o Rodellus adaptou-se e preparou um cartaz dividido por 3 fins-de-semana consecutivos com duas bandas por cada um deles. A música feita em Portugal tem o seu devido destaque. Para ficarem a saber tudo sobre a edição deste 2021 podem ler o nosso artigo Rodellus à desbrava em julho e agosto.
Será já no próximo sábado, 31 de julho, o 2º round desta edição bem especial do Rodellus, festival que realiza-se em Ruílhe no concelho de Braga. Nesta etapa vão tocar os The Twist Connection, banda rock & roll de Coimbra. A outra formação que vão tocar são os Grand Sun.
Os Grand Sun são compostos por João Simões (guitarrista e vocalista), António Reis (teclista e guitarrista), Miguel Gomes (baterista) e por João Ribeiro (baixista). Oriundos da área metropolitana de Lisboa, vão dar um salto até Braga, terra da Gig.ROCKS!, a sua atual agência. Na bagagem levam o seu LP de estreia, ‘Sal Y Amore’.
Podem agora ler a conversa que tivemos com os Grand Sun. Além de servir de antevisão deste próximo concerto, permite melhor conhecer a visão da banda e as suas ideias acerca da situação atual e o seu impacto.
foto pela: Beatriz Pequeno
~ Entrevista aos Grand Sun
headLiner: Aos poucos e poucos os Grand Sun têm vindo a conquistar o seu espaço no panorama musical nacional. Tivemos a oportunidade de vos ver pela primeira vez no Festival Ecos do Lima em 2019, e já na altura sentimos a enorme vontade de quererem fazer a festa em cima do palco. É esse o vosso grande propósito como banda?
Grand Sun: Sem dúvida que Grand Sun enquanto banda vive do contacto com o publico e de tocar live, mas também é importante esclarecer que não é o único propósito da banda pois também é importante que nos divirtamos também, se não estivermos a gostar dificilmente o publico vai gostar também, é mais uma inter-relação. Acima de tudo, tentamos ser genuínos e honestos em cima do palco, achamos que isso é que estabelece uma relação positiva com as pessoas, calha bem que, honestamente e genuinamente, sejamos adeptos de folia.
headLiner: ‘Sal Y Amore’, o vosso mais recente trabalho discográfico foi bem acolhido pela imprensa especializada na área musical. Também na nossa 1ª edição de ‘Quando Fala Um Português…’ (1ºs prémios da cena alternativa em Portugal) no qual o público escolheu os melhores trabalhos de 2020, “ganharam” numa das finais mais renhidas. Estavam à espera de um feedback tão positivo?
Grand Sun: E ainda estamos um pouco assoberbados por termos “ganho” a B Fachada, Filipe Sambado e a Galgo (risos). Sinceramente, dado que o álbum foi lançado em pleno início de pandemia e desta ser uma situação pela qual nunca passamos, não conseguíamos prever qualquer tipo de feedback. O facto de o pessoal estar em quarentena em casa um pouco à procura de distrações com certeza contribuiu positivamente para o feedback, porém não podemos dizer de maneira evidente e lúcida que o esperávamos. Tendo em conta o panorama geral estamos muito contentes com a reação das pessoas, deu-nos grandes oportunidades como o suberock ou entrar nos novos talentos Fnac e tocar no coliseu dos recreios, e todas estas reações ao álbum meio que mostraram que devemos estar orgulhosos de todo o percurso até aqui, o que é muito gratificante para nós pois levamos muito a sério o que estamos a fazer e por isso estamos muito gratos.
headLiner: Numa entrevista disseram que tentam levar para o disco o que fazem ao vivo, e não o contrário como normalmente acontece. O que querem dizer com isso? Trazer o improviso e a alegria de tocar ao vivo para dentro do estúdio?
Grand Sun: O que normalmente acontece ao gravares discos é compores temas e arranjos primeiro depois tentares reproduzir isso ao vivo, porém no ‘Sal Y Amore’, muitas das musicas já foram gravadas depois de terem sido muito rodadas ao vivo, e por isso o que fizemos foi reproduzir esse tal feeling de as tocarmos ao vivo com toda a improvisação e energia inerente.
headLiner: Em ‘Sal Y Amore’ tem algumas faixas que de certo modo parecem conectar-se. O caso de “Dear Ruby” e de “Dear Ruby II” e de “Palo Santo” e “Santo Palo”. Querem-nos desvendar o jogo que fizeram por de trás desses dois pares de músicas?
Grand Sun: Sim! Esse duplo wordplay surgiu assim: a “Palo Santo” inicialmente era uma música com duas partes um bocado distintas, onde experimentamos fazer a coisa de forma coesa mas lastly achamos que o que faria sentido cortar a fita ali e transformar a coisa em duas faixas. Já no caso da “Dear Ruby”, foi logo a primeira música a ser escrita para este disco, ainda tem muita da estética do EP mas por outro lado obedece a essa ideia de continuidade, onde transformamos o solo de teclas que costumávamos fazer ao vivo numa espécie de viagem psicadélica no disco. No primeiro exemplo sentimos a coisa como duas faixas diferentes, daí mudar a ordem das coisas, já na Ruby é como uma extensão, daí o I e o II.
headLiner: Um dos vídeosclips mais engraçados que vimos ultimamente foi o Talk Show recriado em “Circles”. Ficou-me na retina esta frase: “Who Are They Again?...” Esta frase sintetiza um pouco a mensagem que querem transmitir com este vídeo?
Grand Sun: Estamos muito felizes com o resultado final do videoclipe da Circles. Divertimo-nos imenso a fazê-lo! Procurámos transmitir a mensagem que queríamos através de um humor absurdo e surrealista, com inspiração desde os grandes Monty Python até a algo mais recente como o Eric Andre's Show. Este tipo de humor irracional e imprevisível deu-nos a liberdade de expressar nas entrelinhas sem esperar fazer muito sentido. A pergunta: "Who are they again?" serve não só para mostrar a indiferença que muitas vezes os entrevistadores ou apresentadores têm nos artistas, mas também a nossa própria luta enquanto banda para nos mantermos relevantes e obviamente crescer. Esta frase também está intimamente ligada à resposta que se segue "Ahah! We love you!" que acaba por ser uma crítica de como os artistas lidam com essa indiferença e como acabam por valorizar aqueles que não os valorizam.
headLiner: O disco foi lançado dias depois de a pandemia atingir redondamente o nosso país. Tal retirou a possibilidade de mostrarem ao vivo as novas músicas e na altura já tinham algumas datas fechadas. Para vocês que fazem de um concerto uma festa como foi lidar com essa situação?
Grand Sun: Foi, como para toda a indústria das artes em Portugal, um golpe duro. Na altura vimos cair de um dia para o outro uma tour com mais de 10 concertos pelo país e a oportunidade de apresentar o LP acabadinho de sair. No entanto, esperamos que o facto do álbum ‘Sal Y Amore’ ter uma vertente tão "ao vivo" tenha levado a experiência dos concertos às casas das pessoas durante o confinamento. É um sentimento reconfortante! Felizmente já começa ser possível subir ao palco em eventos que conseguem juntar as condições necessárias, como é o caso do Rodellus. E com isto aproveitamos para agradecer esta oportunidade de tocar no festival! Vamos conseguir matar saudades da festa e do espetáculo após estes meses difíceis.
headLiner: Dia 31 de julho vão estar no festival Rodellus, um sonho finalmente a ser realizado (risos). Desta vez parece que estamos mesmo a desconfinar em todas as vertentes (aos poucos mesmo assim). O que pode esperar da vossa estreia no festival de Ruílhe?
Grand Sun: A estreia no Rodellus vai ser como sempre somos: Dar tudo em palco. Sempre que vamos a Braga é uma grande festa e esta não vai ser exceção. Este festival é uma boa oportunidade para mostrarmos ao norte que lisboa também tem roque e principalmente, para voltarmos a ter esta conexão com o público que nos faz tanta falta (e no fundo é por isso que ainda estamos aqui).
headLiner: É sempre difícil de falar de futuro quando se vive numa situação atual tão complicada. Mas qual o grande objetivo para os Grand Sun para 2022?
Grand Sun: O futuro é fazer música. Temos alguns planos para lançar novo disco e esperemos muitos concertos para compensar. A nossa missão é fazer música seja em concerto com o nosso querido público ou no estúdio a pensar em novas maneiras de nos reinventarmos. Quando tudo isto passar, ainda vamos cá estar porque esta é a nossa paixão e temos a certeza que temos algo a dizer. Agora pensamos no presente, no que pudemos dar ao nosso público e nos copos que vamos beber no Rodellus.
Rodellus à desbrava: entrevista com a organização | Festival Rodellus 2021
5 de agosto de 2015. Uma data histórica e guardada com carinho por quem criou, fez erguer e por quem continua a fazer acontecer o Rodellus. Nesse dia aconteceu a 1ª edição deste evento sendo que nesse ano o festival foi apenas de um dia. A organização está a cargo da Associação Rodellus e tem contado com o apoio de diversas instituições locais tais como a Câmara Municipal de Braga.
O aparecimento deste acontecimento musical fez sobressair Ruílhe, uma pequena freguesia na zona sudoeste do concelho de Braga. Apesar de distar cerca de 10 km do centro dessa cidade minhota, Ruilhe é uma zona altamente rural. Daí que em 2017 o lema do festival “Para Quem Não Tem Medo do Campo” tenha ficado enraizado e definitivamente associado ao Rodellus.
Gator, The Alligator ao vivo no Rodellus em 2019
De 2016 a 2019 o festival Rodellus teve 4 edições, todas elas durante a época de verão e em finais do mês de julho. De ano para ano o evento foi crescendo de relevância tanto no panorama local como a nível nacional sendo inclusive reconhecido no estrangeiro.
O fio condutor em conteúdos musicais foi sempre música rock e indie nos seus mais diversos ramos. Desde o início tem sido possível um equilíbrio entre formações lusitanas e estrangeiras nas bandas escolhidas. Escolhas seletivas e que sempre se enquadraram muito bem com o contexto do evento.
Recordamos agora as últimas duas edições antes da pandemia:
2018: A nossa reportagem pode ser vista e lida aqui.
2019: A nossa reportagem pode ser vista e lida aqui.
Brutus ao vivo no Rodellus em 2019
O presente: 2021
Em ano de pandemia por causa da doença Covid19 o festival reinventa-se e vai acontecer em formato expandido por 3 sábados consecutivos: 24, 31 de julho e ainda 7 de agosto. O resto da informação como, por exemplo, o cartaz podem ser encontradas aqui.
De seguida apresentamos uma entrevista à organização onde passado e o presente deste bonito festival minhoto é abordado. A edição bem especial que vai ter lugar dentro de dias merece igualmente umas palavras importantes. João Araújo (programador), Hernâni Silva (presidente da associação Rodellus) e Gabriel Azevedo foram as pessoas ligadas ao Festival Rodellus que tiveram a gentileza de responder às nossas questões.
~ Entrevista à organização do Rodellus
headLiner: O Rodellus é um festival diferenciado no panorama nacional pela sua localização rural embora perto de uma das maiores cidades do país. Realiza-se em Ruílhe, uma pequena freguesia bracarense, por ser o berço de vários membros da organização. Como foram os primeiros momentos como “corajosos organizadores no campo” em que decidiram definitivamente avançar com a vossa ideia?
Rodellus: A ideia surgiu no final de 2014, quando alguns de nós (fundadores) em convívio de café, nos apercebemos que tínhamos uma vontade e gosto em comum, dinamizar a freguesia de Ruílhe e fazer um festival de verão e de música rock/alternativa. A ideia foi partilhada com uma associação local (A.C.R.D. de Ruílhe) que nos deu a estrutura necessária para realizar o festival. Depois de um primeiro ano com muito rock e de sucesso, decidimos continuar e criamos, de raiz, a associação: Rodellus – Associação Cultural, que até hoje é responsável pela organização do Rodellus. Entre amigos, conhecidos e amizades que se fizeram, fomos avançando com o projeto e ganhando, de ano para ano, o apoio e reconhecimento da comunidade, do município, do público e do setor artístico.
headLiner: De onde surge o nome Rodellus para intitular o vosso evento?
Rodellus: O nome surge de uma pesquisa feita por alguns membros da organização que procuraram entender a origem e evolução do nome Ruílhe. Reparamos que o nome tinha uma significância considerável no que à história de Ruílhe diz respeito. Pensa-se que o nome “Rodellus” surge como um vestígio da invasão dos visigodos/godos à península ibérica, já que este é um topónimo germânico. Bem adiante, a manifestação do povo local que se rejeitou aculturar aos romanos e à romanização, manteve o nome que viria a dar origem a Ruílhe, depois de algumas transformações do mesmo. Esse caráter disruptivo e de contracultura inspirou o nome e a missão do festival, estendendo-se até à nossa narrativa e linha de programação, servindo assim de homenagem a quem teve a força de defender a sua própria cultura.
Palco principal do Rodellus em 2019
headLiner: A organização do festival está a cargo de quantas pessoas? Isto é, quantas estão diretamente envolvidas nos diversos processos, desde a seleção de cartaz às montagens… Há também voluntariado comunitário em prol do evento?
Rodellus: A organização do festival é composta por 16 elementos. Temos sempre voluntariado comunitário e o volume do mesmo é de cerca de 30 pessoas, à exceção deste ano diferente, já que o formato não exige este número de colaboradores.
headLiner: Sendo um festival de rock alternativo as bandas escolhidas, embora algumas com algum nível de reconhecimento, não são propriamente do conhecimento mainstream. Como é feita a escolha?
Rodellus: A seleção das bandas é feita pelos responsáveis pela programação e direção artística depois de algum estudo de mercado, que muitas vezes passa também por assistir a muitos concertos locais e visitar também outros festivais, bem como recorrendo ao meio digital. Bandas ou artistas que fazem sentido no Rodellus, devem ser aquelas que essencialmente se levam a sério (embora seja relativo este ponto); devem ser emergentes e/ou consagradas (ou a caminho de o serem), de forma a compor um cartaz com artistas emergentes e outros que, de alguma forma, garantam público para o festival. Geralmente, temos preferência por projetos diferenciadores e, idealmente, com novos trabalhos. Essencialmente, tentamos sempre ter uma oferta diversificada, embora centrada no rock e na música alternativa, mas não nos fechamos a géneros ou estilos, estando sempre abertos a novas correntes. Por último, devem ser artistas nacionais e internacionais, de forma a mostrar o que se faz de bom em Portugal e além-fronteiras. Nesta edição selecionamos apenas projetos nacionais, dado o contexto pandémico que vivemos. Entendemos que este é um ano de apoiar, com mais enfoque ainda, os artistas nacionais.
headLiner: Analisando as 5 edições realizadas, quais as bandas mais difíceis de contratar e/ou as que deram mais gozo em poderem contar com elas? Há sempre umas preferências especiais certo?
Rodellus: Há sempre preferências sim, e por vezes somos impressionados (geralmente pela positiva) quando as vemos e ouvimos ao vivo no Rodellus. Essa também é a beleza da arte performativa e, por vezes, assim se alteram as preferências, já que acabamos sempre por ter boas surpresas.
Normalmente, as bandas mais difíceis de contratar são os headliners (passo a expressão 😉) e ainda mais quando se trata de artistas estrangeiros. Podemos dizer que The Vintage Caravan, Brutus e Fai Baba terão sido as mais difíceis de contratar, mas deu-nos um gozo especial recebê-los e ficar com a sensação de que valeu muito a pena o esforço e o risco. Para além destas, foi também especial ter recebido bandas como The Cavemen, Mars Red Sky, First Breath After Coma, Solar Corona, Bee Bee Sea, entre outras.
Solar Corona ao vivo no Rodellus em 2019
headLiner: Escolham pelo menos 3 momentos marcantes das edições já realizadas…
Rodellus: O primeiro foi desde logo o ponto alto da primeira edição do festival, onde numa quarta-feira conseguimos contar com cerca de 600 pessoas. Foi bonito vermos, nos últimos concertos da noite, um público tão bem composto. O segundo momento foi logo na segunda edição, onde a vinda dos islandeses The Vintage Caravan (headliner) nos catapultou também para o público espanhol, tendo sido visitados por alguns dos nuestros hermanos, que desde então marcaram presença nas edições seguintes. A própria banda e respetivo concerto, marcou muito o nosso público e comunidade local, pela qualidade musical e performance com que nos brindaram. O terceiro momento, e não ficaríamos por aqui, foi a atribuição do prémio de Melhor Festival Ibérico de Pequena Dimensão pela Iberian Festival Awards e APORFEST, em 2019, correspondendo à edição de 2018. Esse prémio e toda a motivação e responsabilidade que acarretou, levou a que na última edição (2019) atingíssemos o maior pico de público num concerto, tendo sido também uma das edições mais marcantes para o público e a organização.
Ambiente no Rodellus em 2019
headLiner: Já realizaram 5 edições do Rodellus. Conseguem descrever um perfil do festivaleiro que tem-se revelado um “corajoso do campo” com tendência de usufruir do festival mais do que uma vez?
Rodellus: O perfil do festivaleiro do Rodellus, que acaba por ser também transversal ao de outros festivais muito interessantes que temos pelo país fora, deve ser rebelde, no sentido de não ter receio de viver a experiência de campo, de acampar, de explorar o Rodellus e Ruílhe e, principalmente, de ter a vontade de conhecer novas bandas e artistas que, assim como para nós, nos diferenciam pela escolha disruptiva que compõem os cartazes do festival. Devem ser, essencialmente, festivaleiros com energia, que apreciem a festa, que se misturem com e conheçam a comunidade e que apreciem a música que temos sempre para oferecer.
headLiner: Para quem estiver a ler esta entrevista e não conhece o evento… Para os nossos leitores terem uma melhor noção, na vossa última edição, qual foi a média de assistência diária?
Rodellus: A última edição foi a que teve a maior assistência diária, tendo atingido cerca de 1200 pessoas, registadas no momento em que levamos com uma avalanche de rock dos nossos headliners Brutus.
Brutus no Rodellus em 2019
headLiner: O adiamento da edição de 2020 terá provocado um sentimento devastador se bem que embalado por ter sido uma decisão lógica. Como é que vocês lidaram com tudo o que aconteceu em particular ligado ao vosso Rodellus?
Rodellus: No momento em que a pandemia se vinculou, tínhamos já planeado o Rodellus 2020 em praticamente todas as frentes, faltando apenas executar. À data (março, 2020) o cartaz já se encontrava fechado e a comunicação teria sido iniciada pouco antes, se o contexto de saúde e de segurança pública nos tivesse permitido. Foi com enorme tristeza que vimos cancelada a nossa edição de 2020, tendo desde logo feito o comunicado aos artistas, aos parceiros, às equipas técnicas e ao nosso público. Fomo-nos mantendo a par o mais possível, de forma a prever eventuais mudanças no cenário que se vivia na altura, mas infelizmente não foi possível adaptarmos a edição de 2020 do Rodellus, por razões óbvias. Isso levou-nos a ganhar uma força extra para que em 2021 pudéssemos olhar para o festival, para a cultura e o setor, de uma forma adaptada e com a esperança de poder finalmente fazer alguma coisa, fosse o que fosse. No fundo, a nossa forma de lidar com o problema que é a pandemia foi pensar e desenhar um novo formato adaptado à nova realidade, e que acabou por desaguar nesta edição do Rodellus 2021: à desbrava!
headLiner: Este ano vamos ter uma edição diferente ao longo de 3 sábados. O que pode esperar o público que estará presente ao longo destes dias?
Rodellus: Nesta edição não podem perder os 6 concertos que temos para vocês: David Bruno, Hause Plants, The Twist Connection, Grand Sun, Black Bombaim e Krypto, divididos pelas 3 sessões. Os passeios rurais darão a conhecer um pouco melhor a freguesia de Ruílhe e a experiência rural exclusiva para quem adquiriu bilhetes para os lugares limitados, com direito a um Kit Rodellus alusivo à cultura, ambiente e pandemia. Em suma, o público pode contar com boa música, bom ambiente, segurança e muita partilha, numa edição que será diferente e enriquecedora, assim esperamos.z
Rodellus à desbrava em julho e agosto | Festival Rodellus 2021
A pandemia fez a organização do festival Rodellus adiar a edição do ano passado para o presente ano e felizmente com a evolução do desconfinamento vai ser possível a realização do evento nos dias 24 de julho, 31 de julho e 7 de agosto.
Será, obrigatoriamente, uma experiência única adaptada devido às condicionantes que a atual realidade impõe. Dividido por 3 fins fins-de-semana com 3 sessões e alinhamentos distintos. Cada uma destas sessões acontecerá num local secreto, com passeio rural desde o ponto de encontro até ao local dos concertos do dia. O número de lugares disponíveis será limitado.
Nesta 6ª edição do festival minhoto, a sensibilização ambiental, desde sempre presente na génese do certame, continua a ser uma das grandes preocupações da organização, com ações que integram o ambiente envolvente e a vida no campo.
O cartaz de 2021 vai ser desbravado com 6 projetos musicais que não têm medo do campo, são eles então os seguintes:
The Twist Connection
Banda de Coimbra com o seu incansável rock’n’roll.
Black Bombaim
O trio oriundo dos arredores de Barcelos que trilha as sonoridades rock com longas jams especiais serão uma presença forte.
David Bruno
O universo imaginário luso-kitsch que cruza a realidade e a ficção, dos filmes de ação aos bailes de verão será apresentado através de ‘Raiashopping’, álbum do artista lançado em 2020.
Krypto
Levará o seu balanço da música pesada com um laivo psicadélico sendo assim o projeto com o som mais arrojado do evento.
Grand Sun
O pop psicadélico com uma atitude post-punk dos levará até Braga o LP de estreia ‘Sal y Amore’.
Hause Plants
Projeto de Guilherme Correia nascido inteiramente no seu quarto no qual transformou os sonhos em canções. Pode-se considerar bedroom pop porém pede para ser ouvido ao vivo e será isso que vai acontecer no Rodellus no qual será apresentado ‘Film for Color Photos’, um EP que teve uma audição bem atenta do headLiner e cuja resenha pode ser lida aqui.
Recordem agora a belíssima edição de 2019 através da nossa reportagem:
A política dos 3 R’s: Ruílhe, Rodellus, Rock
Toda a informação sobre o evento passará pelo headLiner como Media Partner Oficial do Rodellus 2021 tanto nas nossas redes sociais como em headlinerportugal.tumblr.com