Bate papo com o diretor do curta "Rota de Fuga"
Uma breve entrevista com o diretor Bruno Bralfperr, sobre seu curta "Rota de Fuga".
ETD6 - Qual tecnologia você usou para realizar o seu filme e por que?
Bruno: Optamos nesse filme por diferentes plataformas de captação digital, elas foram importante pois possibilitaram diversas intenções narrativas e escolhas estéticas. Como por exemplo, a câmera de um celular, que flagrou a movimentação de pessoas pela linha do trem após uma falha de sistema.
ETD 6 - Conte-nos um pouco sobre o seu filme… suas intenções e processos.
Bruno: Rota de Fuga é um filme que investiga o meio do caminho, o espaço entre o sair e chegar. O filme foi realizado através do Instituto Criar de Tv & Cinema, uma organização não-governamental que trabalha através de educação audiovisual. A proposta era discutir o tema da mobilidade urbana na cidade. São Paulo é sinônimo de movimento e hibridismo cultural, dessa forma o filme não poderia ser diferente. Assim, diferentes personagens e especialistas ponderam sobre essa questão, nos levando a pensar: Quem somos nós nessa mobilidade urbana?
ETD 6 - Você participa de algum movimento social, alguma militância? Se sim, qual? Se não, porque você levou este olhar, o dos direitos humanos, para o seu filme?
Bruno: Acredito muito na missão do Instituto Criar, que é promover o desenvolvimento profissional, sociocultural e pessoal de jovens através do audiovisual. Creio também que todo filme diretamente ou indiretamente revela o olhar dos direitos humanos.
No nosso caso especificamente, na questão da mobilidade urbana, todos os habitantes dessa, e de grandes cidades vivem o trânsito, o transporte diariamente, tudo é movimento. Mas nem sempre vivemos isso conscientemente. Zygmunt Bauman nos trouxe o pensamento do não-lugar, os espaços de rápida circulação que não permitem uma identidade, como o trem ou o metrô. Mas as pessoas mesmo sem perceber parecem ir contra esse contexto, elas mudam os espaços, se apropriam deles. Há casais que fazem duma estação de metrô o seu refúgio e não podemos negar que há uma identidade ali. Esse é o olhar dos direitos humanos, gastamos de 1 a 3 horas para chegar no trabalho ou voltar para casa, as vezes até mais. O quê acontece nesse tempo?