O sindicato dos roteiristas americanos, Writers Guild of America, declarou que a paralisação foi concedida por unanimidade.
Segundo o sindicato, algumas das principais reinvindicações são melhores condições de trabalho, o aumento do salário mínimo, remuneração igualitária entre produções direto para streaming comparada com plataformas como TV e cinema, além de uma nova fórmula para tornar os “valores residuais” mais justos, que são os valores pagos aos talentos envolvidos em produções que são reprisadas (modalidade conhecida como sindication) ou retransmitidas em canais de TV a cabo ou outras mídias.
Um exemplo é a quantidade de dinheiro que o elenco de Friends ganha graças às inúmeras reprises. Parte desses valores também é repassada a outros talentos envolvidos nas produções, como os roteiristas, por exemplo.
No entanto, com as plataformas de streaming, não existe um repasse do valor residual para os roteiristas, que por sua vez recebem apenas um valor fixo, independentemente do sucesso da produção em que estiveram envolvidos.
Os roteiristas citam que a era do streaming trouxe uma grande discrepância entre o volume de trabalho e a compensação aos profissionais. A WGA também teme que os estúdios gerem uma economia de pequenos empregos e que o trabalho dos profissionais do setor se torne "uma profissão freelancer". Por este motivo, hoje em dia é comum que roteiristas trabalhem em mais de uma série ao mesmo tempo. Entre os envolvidos nas negociações estão Apple, Netflix, Amazon, Disney, Warner Bros. Discovery, Sony, Paramount e NBC Universal.
O sindicato também busca uma reavaliação dos valores pagos aos roteiristas, considerados baixos em vista do grande número de reprises, sucesso internacional das produções e alcance por meio de plataformas de streaming. Do outro lado, a AMPTP afirma que o pagamento de direitos residuais aos roteiristas atingiu um recorde em 2021, chegando a quase US$ 500 milhões, além de negar que os estúdios estejam alegando falsas dificuldades econômicas nas negociações.
“O Conselho da Costa Oeste e Conselho da Costa Leste do Writers Guild of America, agindo de acordo com a autoridade concedida a eles por seus membros, votaram unanimemente para convocar uma greve, a partir das 00:01, terça-feira, 2 de maio”, disse o sindicato em comunicado pelo twitter.
A previsão é que os primeiros afetados sejam os talk-shows e programas de variedades, enquanto filmes e séries roteirizados não devem ser afetados inicialmente. Essa situação pode mudar, dependendo exclusivamente da extensão da greve.
Ainda não se sabe até quando a greve irá se estender, já que tudo depende de um acordo entre a WGA e a AMPTP. Mesmo sendo um assunto que vem sendo debatido há vários meses, não há nenhum sinal de que a Aliança dos Produtores pretende ceder a greve.
Alguns grandes nomesda indústria já demonstraram seu apoio à classe. A atriz Amanda Seyfried defendeu seus amigos roteiristas no tapete vermelho do MET Gala, supostamente James Gunn já teria declarado seu apoio à greve e, portanto, deve paralisar a escrita do roteiro de Superman: Legacy, o primeiro filme de seu novo Universo DC.
Vale lembrar que o mesmo ocorreu em 2007 e durou 100 dias, produções como The Big Bang Theory, 24 Horas, Breaking Bad e mais tiveram que adaptar número de episódios e/ou adiar temporadas.
Os programas Last Week Tonight with John Oliver, The Late Show with Stephen Colbert, Jimmy Kimmel Live, The Tonight Show Starring Jimmy Fallon e Late Night with Seth Meyers não vão entrar ao vivo em respeito à paralisação. Todos os programas mencionados vão exibir, no lugar, gravações repetidas até novo aviso.