Depois de terem um longo dia em Avalon, Sofia tinha achado uma ótima ideia que os dois jantassem juntos e depois ficassem vendo as estrelas por algum tempo no jardim. E claro que isso incluía alguns beijos em meio as conversas estilo casalzinho que tinham. Parecia que, por mais exaustivo que tivesse sido o dia, quando estavam juntos, a energia dos dois era automaticamente renovada; como um celular que recebe uma nova carga ao ser ligado na tomada. Um era a tomada do outro, podia-se dizer. Assim, quando trovões começaram a ressoar ao fundo, Aloysius olhou para a garota deitada ao seu lado na grama e lhe deu um beijo na bochecha, sugerindo que entrassem no castelo antes que o temporal os pegasse. Por mais frio que estivesse ficando, o casal parecia bastante aquecido pelo clima que rolava entre eles. Aloy caminhava ao lado da princesa, os braços envoltos em seu corpo por cima da jaqueta dele que ela vestia - uma cortesia devido ao vento gelado - enquanto conversavam sobre como seria difícil levantar da cama no dia seguinte caso o temporal durasse até a manhã. E em meio aquela conversa, decidiram que a noite não terminaria ali: A muito ela queria assistir um filme que ele tinha baixado no computador. A decisão mais prática era que fossem para o quarto dele, onde depois de conectar o computador a enorme televisão, deitaram-se na cama e aninhando-a nos braços, começaram a ver o filme. Exatamente como faziam quando eram um casal.Assistir filme abraçadinho nela daquela forma começou a tomar rumos perigosos, que se transformaram em beijos cada vez mais intensos, que por sua vez se transformaram em preliminares e depois, o momento deles. Pode parecer clichê, mas aquilo não era apenas sexo. Era amor. E aquela noite, acabou sendo uma das raras noites em que ele adormecia com ela depois que romperam o namoro. A intenção não era deixá-la dormir ali, claro. Mas o barulho da chuva batendo nas janelas, somado ao ambiente quentinho, as conversas e risadinhas em voz baixa enquanto ela estava nos braços dele, seguidas da respiração suave de quando ela adormecera, fora o bastante para que ele decidisse deixar daquele jeito e adormecer também. Sentia falta de quando dormia com ela, e não era algo negável. Não pra si mesmo. E aquilo poderia ser facilmente considerado um sinal dos deuses dado ao que se seguiu. Deviam ter adormecido por no máximo uma hora, quando a garota despertou em um salto, acordando-o. Estava prestes a perguntar o que acontecera, quando a assistiu pegar sua Esfera e transformá-la no tamanho original, levantando-se as pressas da cama e sentando-se a escrivaninha do quarto. Quando ela pegou um dos enormes papéis próprios para desenho, ele entendeu o que estava acontecendo. Era uma visão. E sentado na cama, a observou desenhar freneticamente, esperando que acabasse rápido, como a maioria das visões que presenciara. Mas as horas passavam, a chuva lá fora ficava mais forte e ela nunca parava ou terminava. Quando o dia começou a clarear, horas depois, ela finalmente se levantou da escrivaninha, e ele se levantou da cama pronto para ajudá-la. Conforme se aproximava dela, podia notar as mãos feridas pelo esforço. Mas ele não fora rápido o bastante. Ouvindo um “Eu vou desmaiar” vindo dela, ele assistiu seu corpo frágil balançar como folhas ao vento e ela cair para o lado. E por consequência, assistiu quando, em uma tentativa de se segurar para não desabar, ela segurou em uma espada árabe antiga presa a parede antes de, de fato, desmaiar. Aloysius não odiava o dom concedido a Sofia de ter visões, longe disso, achava uma dádiva incrível. Só que não podia negar o quanto odiava as consequências que vez ou outra eram causadas para a garota por essas visões. E aquela era uma delas. Agindo rápido, ele pegou a camiseta jogada no chão e enrolou na mão cortada da princesa desmaiada, antes de pegá-la cuidadosamente no colo e colocá-la na cama. Assim que a ajeitou no móvel, pegou o kit de primeiros socorros no closet e sentou-se a beirada da cama para poder cuidar dele. Tinha acabado de cuidar dos ferimentos menores nas mãos e acabado de desenrolar a mão cortada, expondo o membro ensanguentado, quando a viu abrir os olhos. Rapidamente, pegou uma gaze embebida em soro e colocou sobre o corte. - Ei… - disse em voz baixa, levando a mão livre a seu rosto e o acariciando suavemente. - Como se sen… - Começou a pergunta, mas foi interrompido pelo grito assustado dela quando olhou para a própria mão. “O que, por Apolo, aconteceu com as minhas mãos?!”, ela questionou, a voz ficando embargada. “O que eu fiz, Aloy? Eu machuquei alguém? Machuquei você? De onde vem esse sangue?”, perguntou disparadamente, a voz beirando o pânico. O príncipe a envolveu com os braços firmes, de certa forma a puxando para o colo, e depositou um beijo delicado em sua testa. - Sch… Está tudo bem. Você se machucou desenhando a visão, e quando acabou, foi se apoiar para tentar não desmaiar e apoiou numa espada… E ai se cortou - ele contou em voz baixa, a aninhando. Pegou sua mão e voltou a cuidar dela, logo fazendo um curativo. - Está tudo bem. Você precisa descansar. - disse, utilizando um tom carinhoso. Colocou o kit de primeiros socorros no chão e deitou na cama com ela, a aninhando novamente em um abraço e cobrindo os dois. - Tá tudo bem. Eu tô aqui. - sussurrou, lhe dando um selinho enquanto começava a brincar com os cabelos da morena, logo a observando dormir. Depois de notar que ela entrara em sono pesado, ele finalmente se permitiu adormecer.