Às vezes é tão difícil acreditar que a tempestade vai acabar, ou que o sol ainda vai surgir e iluminar toda essa escuridão que nos apavora e nos faz perder a visão. É tão duro ter que acordar, lavar o rosto, levantar a cabeça, abrir um sorriso e sair, com a obrigação de mostrar pra todo mundo que tudo vai bem, quando na verdade não está nada bem. Sufoca tanto ter que fingir, quando a vontade mesmo é de gritar pro mundo a sua dor, pra ver se pelo menos alivia um pouco. Nossa como seria tão bom, se todas as vezes, nestes momentos, alguém do nada demonstrasse um gesto de carinho aconchegante, ou simplesmente arrancasse um sorriso intenso da nossa alma. Porque, de verdade, é disso que a gente precisa, de algo que nos tire dessa atuação horripilante, que nos faça flutuar, ir além de tudo isso, nem que seja por milésimos de segundos, nem que seja só pra nos fazer lembrar que a vida não acabou. A gente só quer crer que ainda existem aquelas pessoas que fazem questão da nossa existência e que torcem para nos ver bem. Seria tão bom acreditar que todos se importam verdadeiramente e mutuamente com as dores uns dos outros, e que no mundo não existe amor fingido. Amaria viver nesse lugar, onde tudo é verdadeiro, onde todos pudessem mostrar seus piores sentimentos sem medo, acreditando que não é sinal de fraqueza, mas apenas fases, oscilações e que ninguém vai apedrejar ninguém por conta disso. Onde amar é um prazer e não uma obrigação; onde o cuidado um com os outros é agradável e todos fazem questão; onde incentivar, motivar e torcer é uma lei, sem direito à inveja; onde pudéssemos viver de forma plena e intensa todos os nossos piores e melhores sentimentos. Ah, como tudo seria diferente se nós não exigíssemos tanto de nós mesmos, se não fossemos tão burros ao ponto de termos medo de demonstrarmos fraquezas quando realmente estamos fracos. Talvez o mundo estivesse diferente, talvez houvesse menos doenças, menos dores, menos mortes. Talvez, conseguíssemos ser felizes de verdade, porque pelo que me parece, vivemos como se em um teatro, onde só entra em cena o que agrada ao público, e às vezes, o que agrada a ele não é o que nos faz felizes. É tão triste perceber que o mundo está se transformando em mera tecnologia, e que os homens estão cada vez mais parecidos com robôs. Não, por favor, façamos questão de lutarmos contra, de irmos de encontro a essa mutação. Não dá para aceitar simplesmente existir, temos que viver, e viver exige plenitude, profundidade, intensidade. Chega do razoável, do superficial, dessa coisa que estamos sendo que não conseguimos ser verdadeiros. Precisamos ter coragem de mostrarmos nossas dores e fraquezas, e também termos a liberdade de compartilharmos nossas conquistas e vitórias sem que haja a audácia de alguém invejá-las. Precisamos nos libertar dessas cadeias que nos prendem e nos impedem de sermos quem realmente somos, permitindo-nos o ápice da nossa existência e vivencia aqui na Terra. E por fim, devemos entender que bom ou ruim, sentimento é a nossa capacidade de sentir, e não devemos nos abster disto, pois as emoções que um sentimento pode trazer a alguém só se sabe quem se permite senti-lo.
- Evelin Melo














