A Dificuldade de Ser Autêntico Por Viviane Andrade
Tenho 30 anos, sou formada em Publicidade e Propaganda, e enfrento um desafio constante: expressar minhas ideias de forma genuína. Não é timidez, nem problemas sociais ou psicossomáticos. É algo mais profundo e comum do que parece. Decidi falar sobre isso porque impacta meu trabalho e, acredito, a vida de muitos.
Vivemos numa geração onde tudo gira em torno de estar conectado, ser visível e seguir tendências. Apesar de tudo isso, levo a vida de maneira simples. Meus sonhos são grandes e, por vezes, difíceis de alcançar, mas encontro alegria nas coisas pequenas. Contudo, em um mundo que valoriza ostentação, ser simples parece "exagero".
A explosão tecnológica nos trouxe plataformas, tendências e uma infinidade de tarefas. No entanto, há pouco espaço para aprender naturalmente, no nosso próprio ritmo. Desde nova, fui incentivada a ser autêntica, mas parece que existe um "jeito certo" de fazer as coisas que ninguém explica direito. Você já sentiu isso?
Sempre surge alguém que parece saber mais do que você, mesmo com menos experiência. Isso desanima. Parece que vivemos em um eterno jogo de competição, onde todos querem ser professores, mas poucos aceitam o papel de alunos.
Eu me considero uma “inimiga da pressa”. Respeitar o tempo sempre foi importante para mim, talvez porque passei boa parte da vida correndo no ritmo imposto pelos outros. Hoje, me pego tentando agradar a todos, menos a mim mesma. No fim, acumulamos mil tarefas buscando pequenos prazeres, que acabam virando uma avalanche de trabalho.
Não sou contra o trabalho, mas sou crítica aos métodos que não envolvem coerência e não nos oferecem estrutura — seja física, mental ou social. Muitos empresários criticam as metas de vida da nova geração, como querer ser influenciador, mas eles próprios investem em inovações que alimentam essa realidade. O curioso é que a velha geração, que paga para manter essa engrenagem funcionando, criou um ambiente onde as gerações competem entre si. Em vez de aprendermos juntos, nos transformamos em correntes de rivalidade.
O resultado? Uma sociedade sobrecarregada, vivendo pressões desnecessárias por ser "o que está na moda". Isso tem consequências graves. Estamos normalizando problemas mentais, romantizando síndromes e desequilíbrios. A indústria farmacêutica lucra, mas nós pagamos o preço. Tornou-se "normal" estar mentalmente abalado, algo que deveria nos preocupar profundamente.
Se algum alienígena estiver lendo isso, fica o conselho: não siga o exemplo da humanidade. Não estamos no nosso melhor momento para inspirar ninguém.
Minha reflexão é um convite: será que é possível encontrar autenticidade e tranquilidade em uma geração tão acelerada? Talvez a resposta esteja em respeitar nosso próprio tempo, em aprender a ser mais humanos em um mundo que insiste em nos transformar em máquinas. E você, o que pensa sobre isso?












