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Passou. Nas duas primeiras semanas foi quase impossível, acordar era sinônimo de sentir tristeza. Suspirei inúmeras vezes, me recusei a abrir os olhos e decidi fingi que a vida era só um sonho ruim. Lá pra quinta semana, eu quase conseguir me reerguer, mas ai eu passei pela rua do nosso primeiro encontro, meu coração apertou, dei um sorriso amargo e o pensamento de que isso nunca deveria ter acontecido tomou conta da minha mente. Na décima semana, fui a um barzinho e tocou músicas da banda que adorávamos ouvir, ri de lembrar das vezes que cantou para mim, e de como isso salvava um dia difícil. Procurei você por todos os lados e o sorriso murchou. Olhei para os meus amigos e tentei ser feliz naquela noite. Na décima quinta, fui remexer num aplicativo de fotos e encontrei prints das nossas conversas, mas dessa vez não doeu ler aquelas mensagens, uma chuva de lembranças caiu sobre mim. A gente se divertia juntos. O sorriso foi de orelha á orelha. Lembrei da vez em que você me viu chorar e disse: ''Não gosto de te ver assim''. Desinstalei o aplicativo, e fui dar um passeio no meu lugar favorito. Meu coração ficou em paz. Já na vigésima terceira semana, eu acordei e o dia não estava cinza, pelo contrário, o dia estava tão colorido que eu senti a temperatura quente do sol me abraçar. Corri pro espelho e vi a única pessoa que poderia cuidar de mim. Cantei no chuveiro, a música daquela banda que a gente costumava ouvir, aquela do barzinho, mas dessa foi diferente, eu não pensei em você. E não foi a melodia que mudou, continua a mesma, mas sem aquela sensação de nostalgia. Coloquei o meu melhor vestido e fui observar o mar, respirei fundo e sentir que minhas costas estavam leves, o peso se foi. A vida seguiu, a rotina continuou, sem nenhum aperto no coração. Um mês depois, encontrei você naquela boate, fechei os olhos, segurei firme no braço da minha amiga e, por um momento pensei que sentiria tudo de novo. Respirei fundo, e franzi as sobrancelhas quando percebi que nada mudou. Abri os olhos e vi você sorrindo na minha direção, sorri de volta e o coração se acalmou. Aqui dentro, finalmente, estava tudo em ordem. Conversamos e entre uma cerveja e outra eu relembrei de como você me fazia bem. Sorri meio tímido e abaixei a cabeça. Sua partida me fez entender que a missão de cuidar do meu coração, é só minha. Olhei bem no fundo dos seus olhos, levantei, me despedi pedindo um último abraço, dei um beijo na sua testa, e partir. Foi bom te conhecer, obrigada.
Jéssica Patricia
"Você pode não se perdoar pelo que passou, ou pode agradecer pelas novas oportunidades que se permitiu abrir. A escolha depende de você."
- Mikaela Dutcovsky
Meu celular vibrou e a notificação apontou seu nome.
Eu sei o que deve estar pensando, esperei tanto por esse momento que até eu mesma me surpreendi.
Era um domingo preguiçoso, daqueles chuvosos no qual nossa única vontade é dormir ou passar a tarde inteira maratonando aquela série de filmes favoritos. E assim aconteceu.
Apenas no final do dia, quase anoitecendo, aconteceu algo inesperado. Meu celular vibrou. Então peguei, desbloquei e ao deslizar a tela principal, supresa. Seu nome estava escrito na barra de notificação.
Era apenas um "oi", mas pela primeira vez minhas mãos não soaram, meu estômago não gelou e meu coração não acelerou. A única coisa que consegui fazer naquele momento, foi sorrir. Não pelo motivo que deve ter se passado pela sua cabeça, é que naquele momento eu percebi que nem me lembrava mais dele.
É dessa forma que funciona a vida. A gente passa esperando tanto um momento, e quando ele simplesmente acontece já não mais é tão importante.
Então eu visualizei a mensagem, excluí a conversa e segui o baile. Quem não soube arrumar a bagunça, não tem mais espaço pra se tornar confusão.
- Mikaela Dutcovsky
Senti uma forte fisgada do lado esquerdo do peito
Com o tempo a dor se tornou cada vez mais constante e conviver com isso tornou-se insuportável.
Por meses vaguei pelos corredores de farmácias procurando qualquer droga que fosse capaz de aliviar essa dor.
A procura era em vão, testei várias medicações, fiz vários exames, mas não se encontrava a cura.
Cada vez mais essa dor aumentava e minha vontade de viver diminuia. Com dor não tinha vontade de sair, me divertir, muito menos conhecer pessoas novas.
Um dia andando pelas ruas vazias esbarrei em um desconhecido, que ao perceber minha dor ofereceu-me um novo medicamento.
Ao engolir, senti pela primeira vez em meses, a dor cessar, diminuir, diminuir e passar.
Então todos os dias começamos a nos encontrar. Ele chegava me cedia a medicação, e com esse ato alegrava meu coração.
Com o tempo meu organismo acostumou e o efeito do medicamento diminuiu gradativamente, mas, não podia ficar sem, então aumentei a dose.
E a cada vez que parecia perder o efeito, eu amentava mais um pouquinho. Tornando-me viciada.
Até que um dia fui surpreendida ao perceber que o meu fornecedor de cura foi embora, não cogitou em avisar e nem deixou estoques.
Então a dor começou a voltar.
Dessa vez por conta da abstinência, voltou mais forte, mais dura, mais constante.
Fui a hospitais, vaguei desesperada pelas farmácias e não achei nenhuma droga que pudesse substituir a passada.
Então voltei pra casa, com o coração em pedaços e me escondi entre os lençóis. Decidi ficar ali até que a dor passase.
Ofereceram-me alguns outros medicamentos, me fizeram altas promessas, mas de nada adiantava. Nada funcionava.
Com o tempo percebi a dor começou a cessar sozinha, de início foi assustador. Acostumei-me tanto com a dor que nem lembrava como era viver longe dela.
No fundo descobri que não precisava de remédios com efeitos temporários ou milagres imadiatos, a cura precisava vim de dentro de mim.
- Mikaela Dutcovsky