Aqui estou eu, mais uma vez escrevendo no bloco de notas do meu celular, num espaço vazio que logo será preenchido com algumas palavras do que tentei te dizer e não consegui. Por medo. Sinto que digitar foi a única escolha que me sobrou. Trabalho. Estudo. Vejo um filme. Qualquer coisa que me faça, por um segundo, esquecer aquela noite. A nossa primeira noite. Quando sentamos no banco daquela praça longe de tudo e você me contou de detalhes que talvez nem todos saibam - dentro dos poucos minutos que tínhamos. Ali pude sentir seu toque. Pude observar seu sorriso nas entrelinhas. Aquele olhar. Aquele maldito olhar que me assombra até hoje. Quando dizem que do futuro não sabemos, posso sentir o gosto amargo dessa frase até na pele. Talvez o futuro poderia ser o presente se as escolhas e decisões que tomamos fossem fáceis. Talvez o errado seria o certo, porque para nós dois era. O nosso universo. O nosso mundo. Eu queria que fosse. Momentos como esses me fazem pensar em como tudo poderia ter sido diferente se você tivesse visto meu coração através dos meus olhos, e considerasse tudo que deixei pra traz pra ter você. Larguei tudo o que me tirava o brilho e transferi minha fé pra o nosso amor, mas percebi que na verdade era só meu. O universo que criei a partir de nós, um mundo inteiro de fantasias sobre um amor que estava prestes a acontecer, eu te quis e continuo escrevendo pra você dia após dia esperando pra viver de novo o pra sempre que nunca teve um início. Meu medo de viver sempre me paralisou, e agora me encontro entre linhas e lágrimas sob um bloco de notas fadado a ouvir lamúrias de um amor que não vingou.
Tudo aquilo que eu não disse. Inspirado na história de um anônimo; por psicoativos e inspirasse - para vibraste.










