Philippa's creative process begins long before the town stirs. Her days kick off at 4 AM with a dedicated session of inspiration-gathering. She immerses herself in the world of fashion, poring over magazines and watching streams to spark new ideas for her jewelry designs.
With a cup of coffee in hand and her hair neatly tied back, Philippa transitions from observer to creator. Dressed comfortably, she heads to her drawing board, translating her morning's inspiration into tangible sketches of necklaces, earrings, rings, or other intricate jewelry pieces. This focused design period lasts until 9 AM, when her shop officially opens.
Upon opening her shop, Philippa moves to the workbench at the back. Here, she meticulously crafts the jewelry she's designed. The rhythmic sounds of creation are occasionally interrupted by a rather loud buzzer, signaling the arrival of a customer.
ㅤㅤㅤSaija mantinha as pernas cruzadas e a postura impecavelmente ereta enquanto esperava ser chamada para a sala de interrogatório. Reconhecia, obviamente, a gravidade do incêndio e o simbolismo do roubo do cálice para o reino, mas simplesmente não via sentido em ter sido convocada. Toda sua família, além de pelo menos dez empregados, poderiam confirmar seu paradeiro no momento do incidente. E quanto ao motivo? Qual razão plausível ela teria para destruir a academia militar? Sim, havia a constante tensão entre changelings e khajols, no entanto, para Saija, era totalmente irrelevante. Cada um tinha sua função no intrincado sistema que sustentava o reino, e ela estava muito ocupada para se importar com uma rivalidade que, em sua visão, não a afetava diretamente.
ㅤㅤㅤCom um suspiro inquieto, Saija descruzou as pernas e as trocou de posição, a impaciência crescendo dentro dela. Que demora!, pensou, os dedos tamborilando levemente no braço da cadeira. Sua distração foi interrompida por uma voz masculina. “Senhorita…” Seu rosto virou na direção da voz. “Saija,” respondeu de imediato, erguendo-se com elegância calculada. Não carregava mais o sobrenome da mãe, e muito menos gostava de ouvir o nome do falecido marido associado a ela. “A senhorita pode me acompanhar?” Com um breve aceno de concordância, seguiu o homem até a porta que ele apontara. Assim que cruzou o limiar, seus olhos percorreram o ambiente e um leve franzir de nariz escapou. Não esperava luxo em um lugar como aquele, mas também não imaginava sentir-se tão nitidamente como uma suspeita. A contragosto, ela se acomodou na cadeira em frente ao interrogador. Seus olhos imediatamente se fixaram no rosto dele — arredondado, quase comum, mas com uma expressão que parecia medir cada centímetro dela. Saija, por sua vez, manteve o queixo erguido e o olhar firme, determinada a não deixar transparecer qualquer traço de desconforto.
Onde você estava no momento em que o incêndio começou?
ㅤㅤㅤAo ouvir a primeira pergunta, ela sentiu a agitação de Týr no fundo de sua mente e precisou se conter para não dar uma resposta sarcástica. Aparentemente, o deus estava tão indignado quanto ela por ela ser tratada daquela forma. “Eu não sei o horário que o incêndio começou, mas passei toda a noite na casa da minha mãe, jantando e fazendo meus afazeres diários. Pelo menos quinze pessoas podem confirmar.”
Você notou algo incomum ou fora do lugar antes do incêndio, seja no comportamento de outras pessoas ou no castelo de Wülfhere?
ㅤㅤㅤSaija franziu a testa, lutando para encontrar algum sentido na pergunta que acabara de ouvir. O interrogatório em si era compreensível, dadas as circunstâncias, mas ela esperava algo minimamente condizente. Respirando fundo, escolheu suas palavras com cuidado. “Perdão, senhor, mas temo não saber como responder a essa pergunta. Estudo na academia dirigida por minha mãe, Hexwood, que, como o senhor deve saber, fica consideravelmente distante da academia militar.” Sua voz soou clara e controlada. O interrogador estreitou os olhos, lançando-lhe um olhar torto, provavelmente esperando alguma hesitação ou contradição. Mas Saija se manteve impassível, a postura tão ereta quanto sua determinação. Não era o tipo de mulher que se deixava intimidar por olhares zangados ou tentativas de pressão.
Você notou algum dos dragões agindo estranho no dia do incêndio?
ㅤㅤㅤTýr parecia inquieto, sua presença em sua mente pulsando com uma energia nervosa, enquanto Saija, por outro lado, lutava contra a vontade de rir. Aquela pergunta era para ser levada a sério? “Bom, não sei,” começou, um sorriso irônico brincando em seus lábios, “mas posso garantir que o que mantenho no meu jardim estava perfeitamente calmo.” Ela soltou um riso abafado e revirou os olhos, já imaginando a reprovação que sua mãe expressaria ao ouvir sobre sua resposta. Endireitando-se um pouco, completou com um tom mais direto: “Eu não tenho a menor ideia. Nunca tive qualquer contato com dragões.” Sua voz soava firme, mas o sarcasmo sutil era inegável, uma marca de sua personalidade que parecia se manifestar ainda mais quando estava sob pressão.
Você teve algum sonho ou pressentimento estranho antes de saber do incêndio?
ㅤㅤㅤ“Bom,” respondeu, um pouco pensativa “acho que nada que pudesse ter referência com o incêndio.” Havia tido alguns sonhos diferentes na semana em questão, mas nenhum deles parecia minimamente ligado ao incêndio e sim a situação que ela vivenciava com deuses em sua cabeça. Ela viu o cenho do interrogador se franzir levemente, no entanto, ele não perguntou mais nada sobre.
Você acha que o incêndio foi realmente um acidente, ou acredita que pode ter sido provocado por alguém? Quem se beneficiaria disso?
ㅤㅤㅤ“Isso se enquadra na categoria de perguntas que eu acredito não caber a mim responder,” disse de forma sincera, por mais que houvesse achado a pergunta absurda. “Mas se tratando de uma academia militar, acredito que as mesmas pessoas que possam ter provocado são as beneficiadas com o incêndio, então…” Ela ergueu os ombros, como se o final de sua fala fosse algo que eles pudessem deduzir por si próprios.
Na sua opinião, quem estaria mais interessado no desaparecimento do Cálice dos Sonhos e na interrupção do acesso ao Sonhār?
ㅤㅤㅤ“Essa é mais uma das perguntas que eu não me vejo suficientemente qualificada para responder,” disse no tom mais respeitoso que pôde. “O Império certamente possui inimigos, e certamente não cabe a mim nomeá-los quando existem pessoas muito mais qualificadas do que eu para fazê-lo.” Ela suspirou, visivelmente descontente de ainda estar ali. “Não quero ser desrespeitosa, mas eu já posso ir? Não gosto de espaços fechados assim,” argumentou. A verdade é que Týr parecia cada vez mais próximo de assumir o controle de suas ações, mas ela não queria ter que explicar mais aquilo ao desconhecido. Quando o mesmo assentiu, Saija se levantou e saiu da sala o mais rápido que pôde.
The lost child always finds their way back home.
THE WHARF, KITLEY VILLAGE: §20.000 MONTHLY
A hope to find his family after so many years had passed brought Conrad back to the place that had seen him grow up — a place he had once called home. His expectations and hopes were crushed within the very first few days, the encounter he longed for did not happen, he was too late, his past home not empty, but already rented to another family. Nothing looked the same.
That only meant his encounter with his family had to be delayed, not forgotten, he would not give up. So, with that in mind, he decided to stay, and after so many years spent moving around, sleeping on the couches of some friends, in cheap lodgings, in abandoned garages and in the worst of days tucked under a blanket and against the outside of a random building, he could finally not only afford getting a place of his own, but he also wanted to put down some roots and bring some balance to his own life.
His place is a mirror that reflects his personality, habits and fears – a gun taped under the sink, a pot of coffee on the counter, money under his mattress, an already used first aid kit in the bathroom, an opened tool box on the floor of the living room and a bed that is rarely made, he leaves in a rush in the mornings but always comes back to his safe place at the end of the day, keeping it not necessarily tidy, but definitely comfortable. Or at least, comfortable enough that some companions feel bold enough to invite themselves and spend the day there — more often than not, Conrad forgets the window open, the one close to the emergency exit and without fail comes home to find stray cats enjoying his furniture, sleeping on his bed and even napping on top of his towels in the bathroom, he doesn't mind them and lets them stay, they are often regulars and he already knows them and suspects a few even belong to his neighbors. They help him not feel as alone as he tends to feel on late nights.
It isn't much but it's home, his peace and he will do anything to keep it, no one is taking that away from him a second time.
"O Dia da Profissão é uma oportunidade única para vocês explorarem as várias carreiras disponíveis no mundo mágico e começarem a planejar seus futuros.
Durante o dia, vocês terão a oportunidade de participar de palestras, demonstrações da vida real e atividades que lhes darão uma visão geral das diferentes áreas de trabalho no mundo mágico, tudo isso no Ministério da Magia. Este é o momento para vocês explorarem suas paixões e interesses, e para começarem a se preparar para as carreiras que desejam seguir.
Eu incentivo todos vocês a participarem plenamente do Dia da Profissão e a fazerem muitas perguntas. Este é o momento para vocês começarem a moldar seus futuros e eu não tenho dúvidas de que cada um de vocês encontrará uma carreira gratificante e emocionante.
Lembre-se de que a escolha de uma profissão não é algo que deve ser levado de ânimo leve. É importante que vocês sejam honestos consigo mesmos e escolham um caminho que os faça felizes e os faça sentir realizados. Estou ansiosa para ver todos vocês em suas futuras carreiras e tenho certeza de que vocês farão um ótimo trabalho."
Informações OOC:
Os alunos do último ano recebem um passeio até o Ministério da Magia, para que possam conhecer algumas profissões bruxas e conhecer mais de perto sobre quais profissões desejam seguir. Para tanto, disponibilizamos uma lista de profissões que está elencada nesse link aqui. Essa lista é dividida em profissões do Ministério e fora dele. Além disso, disponibilizamos também uma lista de todos os departamentos do Ministério, que podem ser encontrados aqui.
Nessa task, vocês tem duas opções:
fazer um pov sobre como foi esse dia e como isso influenciou na carreira que o personagem deseja seguir
fazer uma redação para a aula de Transfiguração falando sobre a profissão que deseja seguir pós Hogwarts.
O pov vale 10 pontos pra casa. A redação vale 10 pontos pra casa. Quem fizer os dois, ganha 20 pontos pra casa. A partir de agora, as tasks valerão pontos para as casas.
Além disso: O Ministério da Magia encontra-se desbloqueado para plots. Caso, no desenvolvimento do seu personagem, você deseje interagir nesse ambiente, ou nesta data, sinta-se livre!
Hans is a bad boy as we all know, but its not his fault he came from a life of luxury, developed a god complex and then had to live in the real world where he thinks hes better than everyone else :( all of these songs either give off bad boy energy or hoe energy which is essentially Hans in a nutshell. If he’s not using you for his own gain he’s probably trying to get in your pants.
A child that's being abused by its parents doesn't stop loving its parents,
it stops loving itself.
1 - Padrasto - Ron Perlman - 72 anos. Cristão, homofóbico, assíduo na igreja, “pai de família”, provedor da maior parte da renda da família: a marcenaria que Cézar era obrigado a trabalhar. Não sabia que Cézar não era seu filho de verdade até ser entregue nos braços de Morfeu. Se soubesse, as praguejadas e zombarias teriam sido piores, ou até fatais. Nunca viu o rapaz com orgulho, já que seu jeito considerado “delicado” e baderneiro iam contra o que acreditava de sua igreja. Se fosse ele quem o buscasse na escola, Cézar sabia que estaria morto.
2 - Mãe - Katey Sagal - 68 anos. Cristã e responsável por diversos trabalhos na igreja, desde arrecadação de dinheiro à cuidar das crianças no culto. Mas no próprio filho, preferia só desprezá-lo quando não sabia lidar com sua “loucura”. Sempre pedia para Cézar sumir de casa e ficar quieto para que pudesse levar outros homens ao trailer. Um filho nunca foi algo do seus planos, então entregá-lo para Morfeu foi a maior facilidade de seus dias.
3 - Cézar - Logan Lerman - 29 anos.
4 - Morfeu - Oscar Isaac - xx. Morfeu é o pai rígido, duro, mas amável. Foi ele quem guiou o rapaz para o acampamento, ensinou a ser resiliente, mostrou como outro campista deveria fazer sua arma e como Cézar deveria utilizá-la. Treinou o rapaz com calma e disciplina, sempre repetindo que tudo tem o momento certo. Sempre visita seu filho em sonhos, mas também sabe ser rígido quando necessário. A falta de memória de Cézar é um exemplo que as punições do pai não são brincadeiras. É justo e não aceita desobediência.
With Greer having officially been declared a missing person, now is the perfect time for our first task !!! There are cops on campus trying to get some information on where Greer could be, and as it is, they will be pulling people in for questioning on when they last interacted with Greer. Because at the end of the day, everyone just wants to know where Greer Morrison is. ...Right?
IMPORTANT NOTE: this should NOT reveal your characters motive !!! Some questions the cops may ask are:
“When did you last speak to Greer?”
“When did you last actually see Greer?”
“How well did you know Greer?”
“What was your relationship with Greer like?”
“Have you heard or seen anything about where she was this summer?”
As well as the IC question that was included on the app:
“You wouldn’t have wanted Greer to disappear, would you?” (Please make sure to answer this IC as your character would - that should include dodging the motive they want to keep a secret)
This task can be approached however you would like, but I would recommend showing how the character answers the cops questions instead of the actual truth.
AGAIN, this should NOT reveal your characters motive - as the reminder from the app above says, it should be answered IC with your character dodging the motive they want to keep a secret, as well as anything they think would make them look bad. They did nothing wrong, so they have nothing to hide - but, they really don’t want to look suspicious, do they?
Keep that in mind when writing this task out and if you have any questions, feel free to ask in the discord or send over a DM !!!
Please complete the task by next Tuesday, June 28th - while not required, what a shame it would be if any muses are accused of withholding info from the cops.....
Quando acordou, o céu era laranja e azul. As primeiras estrelas apareciam enquanto o sol começava a desaparecer no horizonte. Tudo era silêncio senão pelo constante barulho dos motores rodando e cuspindo fumaça no subsolo e por seu coração que, naquele início de noite, batia com força suficiente para que suas costelas doessem. É hoje. Enquanto as pessoas do seu distrito se preparavam para dormir, Nesrin deixava as pernas caírem para fora da cama e mecanicamente a levarem para as tarefas da noite.
No escuro começou suas tarefas mais básicas: ir ao banheiro. Escovar os dentes. Tomar uma pílula branca. Prender os cabelos. Evitar os espelhos. Tudo era silêncio, apenas os motores zumbindo aos seus pés, reconfortantes e em ordem. E o coração batendo no ritmo das máquinas. Um copo de leite, um pedaço de bolo relativamente duvidoso e as louças lavadas. As portas de todos os cômodos sempre fechadas, para que ela não se importasse em ver o que tinha dentro, para se lembrar que não havia ninguém dormindo nas camas sempre feitas.
Enfiar seus braços pelo macacão cinza e depois os pés nas botas também cinza e as mãos nas luvas cinza para abrir a porta e ver uma noite igualmente cinza. Ela suspirou, deixando o ar puro sair de seus pulmões para inalar a fumaça do clima cinzento do distrito 6. Saiu de casa sem olhar para trás: não havia ninguém de quem se despedir. É hoje.
As pesadas botas de aço e plástico rebatiam no chão de pedrinhas ladeado por florzinhas toscas. Nesrin deixou a boca se contorcer num sorriso doloroso: a Capital achava que as florzinhas rodeando a aldeia dos vencedores dariam a ela algum conforto, a fariam agradecer por ter uma vida boa e ligeiramente menos miserável do que a das outras pessoas. Ela arrancaria todas aquelas flores com os dentes se isso significasse que poderia sair dali e ter sua família de volta. Não podia, portanto apenas continuou andando, deixando os portões de ferro e o caminho de pedras para trás.
As ruas do distrito 6 eram escuras, com luzes que tremeluziam pela quantidade de energia que os trens e outros equipamentos gastavam, mas Nesrin não precisava de muito mais que um feixe de luz para se guiar até o subsolo, seus pés descendo pelos degraus gastos e ásperos até chegar até sua sala no subsolo 7. As fracas luzes do painel transformavam as cadeiras e seus ocupantes em meros espectros fantasmagóricos, as vozes abafadas pelos ruídos dos metais arrastando-se uns com os outros. Ouviu "boa-noites" e "como vai?", mas decidiu responder apenas com um fraco sorriso. Não era uma boa noite e ninguém ia bem; era hoje, afinal.
Ela se ajeitou na cadeira, colocando os fones de ouvido pesados e analisando os pontos luminosos em seu painel. Os trens corriam por toda Panem em velocidades absurdas, mas, para ela, eram apenas estrelinhas navegando em um confortável emaranhado de linhas. Foi-se a época em que tinha de se esgueirar pelos trilhos com ferramentas entre os dentes e graxa escorrendo pelo rosto; agora sentava confortavelmente em sua cadeira enquanto as veias de Panem se desdobravam a sua frente, mas não sabia dizer qual era pior. Naquela noite, treze pequenas estrelas a esperavam aglomeradas em um ponto do mapa. A Capital. Nesrin engoliu em seco, respirando fundo e sentindo o coração bater com a mesma intensidade das treze luzes tremulando. Apertando um dos botões de seu painel, escutou a própria voz distante:
- Distrito 6, funcionária Brass 1423. Máquinas com início na Capital... - as palavras ficaram travadas em sua garganta, sua perna esquerda tremendo. Tudo dependia dela - Repito, máquinas com início na Capital e destino aos distritos... - as luzes ficaram estáveis, indicando resposta imediata. Os operadores estavam todos a escutando. Um único botão alaranjado chamava sua atenção no canto do olho. Se apertasse o botão, iniciaria um alerta de emergência mecânica. Se apertasse o botão, todas as linhas seriam imediatamente fechadas. Se apertasse o botão, não haveria trem algum chegando em nenhum distrito nos dias seguintes. Se apertasse o botão, causaria caos suficiente para alguns dias de atraso na colheita. Se apertasse o botão, vinte e seis famílias teriam mais tempo com seus parentes. Se apertasse o botão... Seus dedos esticaram um pouco, tão perto... Pressionou. - Máquinas com início na Capital e destino aos distritos, linhas abertas e seguras, permissão para iniciar viagem. Estejam atentos a novas informações. Distrito 6, funcionária Brass 1423.
Uma a uma, de acordo com seus comandos, as pequenas luzinhas começaram a se mover pelo painel enquanto seus dedos ainda pressionavam o botão verde. Verde. Nesrin fechou os olhos até ver pontos luminosos na escuridão. Enquanto os outros dormiam, lá estariam ela e seus companheiros de cabine, acompanhando aquelas luzinhas pelas próximas noites, liberando trens atrás de trens, verificando peças e consertando itinerários, fingindo que podiam fazer alguma coisa para parar a Capital quando não passavam de peões com alguns botões coloridos. Esperando que chegassem aos seus destinos para causarem pequenos desastres.
No dia da colheita.
Sair do subsolo sempre fazia com que os olhos de Nesrin demorassem a se acostumar com a luminosidade do dia. Piscando, a última Brass ajeitou seu macacão menos surrado e olhou para as botas pretas e lustrosas. Era a melhor coisa que possuía para se arrastar até a praça central e ser apenas mais um rosto na multidão. Após três dias observando todos os trens se moverem por Panem e chegarem um a um em seus respectivos distritos, seus olhos estavam secos e cansados, olheiras fundas arroxeando sua face normalmente radiante. Enquanto tentava focar nas pessoas ridiculamente decoradas no palco malfeito e precariamente decorado com fitilhos coloridos, voltou a pensar no botão laranja que não havia apertado três noites antes. Ele era da mesma cor que as decorações vibrantes.
Enquanto a ladainha começava, Nesrin deixou que seu olhar vagasse pelas pessoas do distrito. Estaria mentindo se dissesse que as conhecia. Eram milhares, esperando por suas sentenças, as armas dos pacificadores firmes em mãos enluvadas de branco como um eterno aviso de que a qualquer deslize tornar-se-iam vermelhas. Vislumbrou os rostos cansados de seus colegas de trabalho e tentou sorrir para alguns deles, mas não conseguiu. Ao seu lado, uma mulher abraçava um bebê. Seus olhos imediatamente focaram nela; não deveria ter mais de trinta anos, agarrando-se à criança enquanto tremia. Poderia ser ela. Poderia ser uma mãe que nunca mais voltaria a abraçar o filho de poucos meses. Poderia ser um bebê morto porque sua mãe morrera, simples assim: duas vidas ceifadas sem motivo nenhum. Seus olhos se encontraram. Castanho escuro e verdes. O botão verde. No palco, a mulher espalhafatosa colocou a mão dentro do aquário. Unhas como garras prontas para ceifar uma vida.
Foi apenas um sussurro. Apenas um sussurro olhando no fundo dos olhos verdes daquela mãe ao seu lado, mas teve quem ouviu - Eu me voluntario. - os olhos claros se arregalaram quando falou mais alto, sentindo o coração na garganta - Eu me voluntario como tributo. - um passo para frente. Ela pensou que iria vomitar. Os olhos verdes se enchendo de lágrimas. Ela estava cansada de apenas esperar para morrer. De não apertar o botão laranja. O foco dos olhos castanhos na mão que nunca tirou um nome do aquário. O sorriso doentio e falso da mulher da Capital. Mais passos para frente, pacificadores ao seu encalço empurrando-a pelo corredor infinito. Então foi assim que seus irmãos se sentiram? Ou eles estavam mais tranquilos porque havia alguém para amá-los quando morressem?
A cada passo se lembrava de alguém de sua família, em ordem, deixando seus companheiros de distrito para trás. Moon; uma flecha atravessada no olho. Cryssan, soterrado em uma avalanche. Copper; esfaqueado no banho de sangue. Lumos; envenenado por um tributo. Donan; morreu de tristeza e overdose. Rosé; morreu feliz, achando que seus filhos teriam uma ótima vida. E agora Nesrin, a última Brass a procurar a morte. A Capital não teria ninguém para executar se ela morresse na arena. Uma pessoa a menos na pilha de corpos cinzentos e cheios de graxa. O barulho oco de pisar nos degraus do palco era tão excruciante quanto o silêncio da plateia, aliviado por alguns suspiros de felicidade e medo: não tinham sido eles daquela vez. Nesrin não queria olhar para ninguém e nem tinha para quem olhar. Apertou a mão da enviada da Capital, era gelada como a da morte; e esperou em choque o tributo masculino ser chamado e também apertou sua mão sem sequer ver quem era, espichando os lábios num sorriso doloroso para as fotos.
Silêncio e o barulho dos motores tremendo no subsolo. Foi levada pelo cotovelo para uma sala qualquer. Ela não pensava, não chorava, apenas escutava o coração bater nas costelas e doer. Vislumbrava os olhos verdes e o bebê no colo daquela mulher. O botão laranja que nunca apertou. Não havia ninguém de quem se despedir. A sala era grande demais para sua solidão. O prefeito lhe deu um tapinha nas costas e foi tudo que levou de seu distrito antes de colocar os pés no trem que ela mesmo havia programado para levá-los até a Capital. Jamais imaginara que seria ela a luzinha brilhante se afastando do distrito 6.
Se tivesse apertado o botão laranja... Quem agora apertaria o botão? Moon. Cryssan. Copper. Lumos. Donan. Rosé. Não deixara nada para trás, não havia nada para deixar. Talvez morrer fosse bom. Talvez já estivesse morta há anos. O gosto ruim em sua boca poderia ser da morte e não dos remédios que tomara pela noite. Ela ouvia as engrenagens rodando, tão reconfortantes, e os ouvia chamando por ela. Moon. Cryssan. Copper. Lumos. Donan. Rosé. Decidira apertar o botão verde, e era hora de ir.