𝗣𝗢𝗩 #𝟬𝟭: 𝗔 𝗖𝗼𝗹𝗵𝗲𝗶𝘁𝗮
ɪꜱ ᴛʜᴇʀᴇ ᴍᴏʀᴇ ᴛᴏ ᴛʜɪꜱ ᴛʜᴀɴ ᴛʜᴀᴛ? ɪꜱ ᴛʜᴇʀᴇ ᴍᴏʀᴇ ᴛᴏ ᴛʜɪꜱ ᴛʜᴀɴ ᴛʜᴀᴛ? ɪꜱ ᴛʜᴇʀᴇ ᴍᴏʀᴇ ᴛᴏ ᴛʜɪꜱ ᴛʜᴀɴ ᴛʜᴀᴛ? ɪꜱ ᴛʜᴇʀᴇ ᴍᴏʀᴇ ᴛᴏ ᴛʜɪꜱ ᴍᴏʀᴇ ᴛᴏ ᴛʜɪꜱ, ᴍᴏʀᴇ ᴛᴏ ᴛʜɪꜱ ᴛʜᴀɴ ᴊᴜꜱᴛ ᴡᴀɪᴛɪɴɢ ᴏɴ ᴀ ᴡᴀʀ?
Naquela final de manhã, Zedo teria tudo para descrever-se como alguém minimamente feliz. Afinal, o sino de todas as indústrias do Distrito 8 soaram mais cedo e, em massa, todos os trabalhadores seguiam para suas casas, ainda que por pouco tempo. Ter dado sua força de trabalho pela capital por apenas três horas seria um belo sinônimo de felicidade, entretanto, um único detalhe impedia essa informação de ser verídica: a colheita.
ᴊᴜꜱᴛ ᴡᴀɪᴛɪɴɢ ᴏɴ ᴀ ᴡᴀʀ ꜰᴏʀ ᴛʜɪꜱ ᴀɴᴅ ᴛʜᴀᴛ
De uma maneira simples e direta: Zedo era ridiculamente azarado, em todos os aspectos. No entanto, ter se livrado até seus dezoito anos de ser sorteado era absolutamente uma questão que frisava quando queria se sentir bem consigo mesmo. Por isto, como todas as outras vezes banhou-se apenas por uma questão de costume, colocou uma de suas vestes limpas e usou uma essência qualquer que vendiam como perfume contrabandeado da capital. Spoiler: não era. Poderia ser algo inútil tratando-se de ter que gastar com algo mais importante, porém, admitindo ou não, Evergrove é uma das pessoas mais vaidosas que você poderá conhecer. Cabelo alinhado, perfume no pescoço e pulsos, mangas da camisa de retalhos em tons de cinza dobrada e sapatos perfeitamente limpos. Tomou um xarope para dor, que... sinceramente? Estava longe de cumprir função de cessar as dores que sentia. Fechou a porta de madeira, bem como as janelas e seguiu caminho para onde os telões foram montados. De maneira prática preferia chegar adiantado em eventos como aquele, não por amar ou ser um entusiasta, todavia, sempre que pudesse evitar de ser coagido por um pacificador por estar atrasado, era de validade importante.
ᴛʜᴇʀᴇ'ꜱ ɢᴏᴛ ᴛᴏ ʙᴇ ᴍᴏʀᴇ ᴛᴏ ᴛʜɪꜱ ᴛʜᴀɴ ᴛʜᴀᴛ
Aos poucos notou o local ser tomado por uma multidão. Era curioso pensar que dois infelizes se despediriam hoje de todos e seriam massacrados nos jogos. Era óbvio. O distrito oito não tinha legado algum nos jogos. O número de carreiristas era grande nos outros distritos, ainda mais tratando-se de um massacre quaternário. A população do distrito oito tinha uma fama de morrer nas primeiras horas. Qual a chance desse ano ser diferente? Seria isso. De novo. Choro com os dois subindo no palco. Os dois assustados o suficiente para não conseguir falar uma frase completa. Pessoas com cara de choque, mas ao mesmo tempo aliviadas por terem se livrado e, para aqueles que acompanhavam vinte e quatro horas os telões, teriam a chance de sair avisando para os trabalhadores fabris sobre os canhões soados. E a partir daí, mais uma sequência de choro da família. Todo ano era a mesma coisa. O que poderia ser modificado neste ano, é que a pessoa já seja tão velha, que não tenha mais os pais vivos. Ou simplesmente não ter os pais ou família ali, como era seu caso.
ᴇᴠᴇʀʏ ᴅᴀʏ ᴡᴀɪᴛɪɴɢ ꜰᴏʀ ᴛʜᴇ ꜱᴋʏ ᴛᴏ ꜰᴀʟʟ
Poucos minutos antes do anúncio ser realizado, o moreno trocou olhares com Dazzle. A mulher de trinta anos e dona dos fios mais loiros que teve a honra de conhecer, foi casada dois anos com o melhor amigo de Zedo, até o amigo morrer misteriosamente na floresta. Na visão de Evergrove, não havia mistério algum. Dale continuamente se rebelava no trabalho e arrumava uma forma de implicar com a capital. Em uma das últimas vezes que viu o amigo, foi apanhando em praça pública e, no outro dia, foi vendo o corpo encontrado sendo retirado da floresta. Já se faziam seis meses desde o ocorrido. Desde então, sente-se culpado por ter se aproximado de Dazzle. Nunca aconteceu algo efetivamente, mas não por ele, por ela. Dazzle nunca deu abertura para a ação, por mais que demonstrasse e já tivesse dito que gostaria, mas sempre era não agora. O mínimo era Zedo respeitar a decisão da loira. O luto ainda a incomodava.
ʙɪɢ ʙᴀʙʏ, ʀᴜɴ ᴀɴᴅ ʜɪᴅᴇ
Finalmente os olhares e sorrisos constantes foram desfeitos com a microfonia causada. Infelizes. Um discurso cafona e clássico foi iniciado. Mais letais. Mais sanguinários. Mais impiedosos. Frases que soaram continuamente na cabeça de Evergrove. Não admitiria, mas seu coração estava acelerando. Poderia ser parte de sua doença ou apenas um alerta sobre o que viria a seguir. A mão da apresentadora com uma roupa estonteantemente amarela mexia continuamente o recipiente com um número absurdo de nomes. Muitas possibilidades. Não havia estudado o suficiente para saber probabilidade, mas entedia que as chances de sair um nome conhecido era mínimo. Lilith Evie Koskinen. Quem? Uma coitada. Pouco se importou com a cerimônia de ver a mulher subir no palco. Só queria que aquela encheção acabasse de uma vez por todas. Após todo o drama dos conhecidos da tal de Lilith, que diga-se de passagem, parecia alguém importante e querida para alguns, iniciou o drama para a escolha dos homens. “Galvan Amberflake, setenta e dois anos. Yay” Yay? Engoliu seco a maldita escolha feita pela apresentadora. Nome errado. Não, não poderia ser. Galvan sempre será o pai de Dale e, por mais pouca consideração que Zedo aparentava nutrir atualmente pelo amigo, não poderia deixar de se recordar que foi Galvan que o acolheu por tantos anos. Galvan foi como um pai para Evergrove. Sei que pareceu até agora que Zedo Evergrove não tem lá muita empatia pelas pessoas, todavia, tratando-se do homem da terceira idade que o acolheu no momento da ida de sua mãe para a capital e na morte de seu pai, Zedo ainda guardava um pouco de compaixão. Mordeu os lábios e respirou fundo. Não tendo muito tempo para o mínimo de raciocínio possível, rapidamente levantou o braço direito e gritou que seria um voluntário. Sentiu olhares pesados olhando para si. Talvez indignados. Talvez surpresos. Talvez nem sabiam quem eles eram. Apenas deu um olhar final para Galvan antes de subir ao palco, algo que se assemelhava a um “sinto muito por isso”.
ᴅᴏɴ'ᴛ ᴡᴇ ʟᴏᴏᴋ ɢᴏᴏᴅ? ᴅᴏɴ'ᴛ ᴡᴇ ʟᴏᴏᴋ ɢᴏᴏᴅ?
Sentia as batidas do coração tomarem um ritmo até então desconhecido por ele. Em suas têmporas tornou-se visível gotas de suor e, bom, enquanto isso, sua visão tinha alguns flashes de escuridão. Para Zedo, foi um milagre ter conseguido subir os seis degraus até o palco. Não conseguiu prestar atenção em mais nada a partir dali. Apenas segurou a mão da mulher sorteada do distrito oito. E segurou apenas por ter recebido essa instrução da apresentadora, após ter repetido diversas vezes que deveriam fazer aquilo. Depois da cerimônia, foram praticamente empurrados até a parte de dentro da tenda construída atrás do palco. Sua última lembrança foi apoiar uma das mãos na parede e vomitar, mesmo que não tivesse comida alguma para sair.
Talvez devesse manter algum resquício de fé que acordaria em um lugar melhor, ainda que em seu colchão velho e desconfortável. Qualquer coisa parecia ser melhor do que ser um tributo no massacre quaternário. Qualquer coisa.













