Sei também, que, se atravessasse essa fronteira, deixaria de ser eu, me tornaria outra pessoa, não sei quem, e isso, essa terrível mutação me assustas, é por isso que procuro o amor, com a fúria do desespero procuro um amor no qual possa viver tal como sempre fui, tal como sou ainda, com meus velhos sonhos e meus ideais, pois não quero que minha vida se quebre ao meio, quero que ela continue sendo uma só de ponta a ponta, e foi isso que fiquei sufocada a esse ponto quando te conheci, Ludvik, Ludvik...
— A Brincadeira, Milan Kundera (1967)
[via poem4]














