O estupro ou coito forçado é a prática não consensual do sexo, imposto por meio de violência ou ameaça, sendo qualquer forma de prática sexual sem consentimento de uma das partes, envolvendo ou não penetração. As mulheres são, historicamente, as vítimas mais atingidas, e a maior parte do corpus jurídico mundial caracteriza o estupro como um crime sexual somente no qual há penetração.
O sexo não consensual pode se mostrar de várias formas e em diversas ocasiões. Um dos tipos é o estupro de vulneráveis, quando a vítima se encontra sob poder ou responsabilidade do estuprador, e uma outra forma, o estupro dentro do casamento, quando um dos parceiros, normalmente a mulher, não quer sexo mas é forçada pelo marido. Outra forma é o ato com finalidade corretiva (por exemplo, em lésbicas), política, étnica ou religiosa (com fins missionários em regiões muçulmanas). Há também um meio corretivo dentro do sistema carcerário, que é autorizado em muitos países, não tendo legitimação na legislação. O estupro é também um fenômeno generalizado no decorrer de conflitos armados, sendo usados para humilhar, levar ao desespero e medo e engravidar mulheres do inimigo. Uma outra prática pode estar ligada à prostituição, no caso uma mulher que não é prostituta por vontade própria, mas forçada por outras pessoas, é estuprada não somente pelos cafetões, mas também pelos clientes. Há também outras duas formas de estupro menos recorrentes, que são o estupro de homens contra homens e de mulheres contra mulheres.
A ativista feminina Susan Brownmiller conta em seu livro "Contra Nossa Vontade: Homens, Mulheres e o Estupro " publicado em 1975, que o crime de estupro decorre de um processo consciente de intimidação da mulher pelo homem, a qual se mantém, assim, em um permanente estado de medo. Perde, portanto, o caráter de mero crime sexual violento para ganhar conotação política. O estupro se torna uma forma de subordinação da mulher frente ao homem. Cria-se assim, uma "Ideologia do estupro", proveniente do fato de que todos os homens se beneficiam, em alguma medida, dessa condição de superioridade, internalizando práticas e conceitos que dão apoio a esse estado de terror.
No Brasil, ocorrem 4,6 mil assassinatos à mulheres por ano e, pelo menos, 50 mil casos de estupro são registrados anualmente. Esses números mostram o quão nossa sociedade é machista e violenta. O caso da menina de Bom Jesus, no Piauí e o da menina do Rio de Janeiro são crimes brutais, que demonstram um desprezo grande pela vida, pelo corpo e pela sexualidade das mulheres. Essa violência é naturalizada de muitas formas, sendo que nossa sociedade aceita o machismo, a desigualdade entre homens e mulheres, em que a questão da igualdade de gênero não faz parte da nossa cultura. O tema não é tratado nas escolas com a profundidade que deveria, sendo este o espaço destinado para socializar meninos e meninas numa cultura de igualdade, respeito e tolerância.
A mídia, no que lhe concerne, banaliza o tema do estupro, existindo até casos extremos de apologia a esse crime em novelas e propagandas. Até mesmo em manchetes de notícias, a evidência de estupro é amenizada/indagada pelo redator. E, apesar de o país ter uma boa resposta em termos de leis, elas não são efetuadas com a força e a decisão necessárias.
Faz parte da cultura machista e sexista botar toda a culpa na vítima, com comentários do tipo: "Se estivesse em casa, não teria sido estuprada", "Era drogada, morava na favela e não saía das festas, mereceu ser estuprada", "Certeza que estava usando roupa curta". Esses discursos são uma forma de desprezar o direito da mulher de estar onde quiser, de vestir o que quiser e, ao mesmo tempo, de não assumir a sua própria responsabilidade pelo ataque.
O movimento feminista é de extrema importância na sociedade em que vivemos, pois ele defende os direitos das mulheres e igualdade entre gêneros. Sendo assim, é na luta das mulheres que fazem parte desse movimento que pode-se conseguir com que a cultura do machismo e do estupro sejam cada vez mais oprimidas e amenizadas. É também de grande importância que os homens sejam participativos nessa luta, compreendendo e defendendo os direitos pela vida, pelo corpo e pela sexualidade das mulheres.