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Precisamos falar sobre Suicídio!
A efemeridade da vida e o receio da morte
"A razão humana possui o singular destino de se ver atormentada por questões que não pode evitar, pois lhe são impostas pela sua natureza, mas às quais também não pode dar respostas por ultrapassarem completamente as suas possibilidades." A passagem acima, de Kant, veio à minha memória após ler um artigo em uma revista (Piauí, edição 110) denominado “O Cérebro Eterno”. Ele falava sobre uma estudante americana de ciências cognitivas, chamada Kim que, após morrer de câncer, teve o seu cérebro preservado através de criogenia. Ela esperava que a tecnologia do futuro permitisse ressuscitar a sua mente, transferindo-a para um computador.
Confesso que fiquei um pouco atônita com tal ideia, de início. As seguintes palavras de Kim para o namorado Josh ficaram ressoando na minha cabeça: “preferiria sobreviver com danos a não sobreviver”. O apego dela não era somente à vida enquanto existência orgânica, mas à própria existência, independentemente de como isso se daria.
Em um primeiro momento pensei “que egoísmo! Que narcisismo. Ela preferiu gastar milhares de dólares na preservação do próprio cérebro, sem garantias da eficácia do processo, ao invés de destinar esse dinheiro à pesquisa de cura do câncer”. Mas como exercício de reflexão, coloquei-me a pensar mais profundamente sobre as motivações de Kim. Ela também disse no perfil de uma rede social “me ajude a encontrar alguma paz no fato de morrer tão jovem (tenho 23 anos)”. E aí reside algo de mais intrigante. O sentimento de efemeridade da vida, o desejo de não ter se vivido em vão.
Nos tempos de hoje parece que se exige cada vez mais cedo das crianças e jovens que assumam responsabilidades, tornem-se logo profissionais bem sucedidos, a despeito de suas motivações e anseios pessoais. E aí, em momentos de crise, que surgem na meia idade ou na eminência de doenças terminais é que se vê como a vida passou diante dos olhos sem que tenha realmente sido vivida. Quando muito, vive-se da expectativa de finais de semana que compensem a turbulência do dia-a-dia.
O que houve com o Carpe Diem dos barrocos que muitos ainda hoje tatuam, na lembrança de que se deve aproveitar todos os dias ao máximo? O que faz a vida valer a pena? Vocês se perguntam isso com que frequência? Acho que essas questões talvez tragam ainda mais inquietação do que a inevitabilidade da própria morte. É muito difícil conciliar os prazeres com os deveres, muitos se perdem em algum desses extremos propiciados pela cruel demanda da sociedade capitalista. As pessoas têm vivido em função de um reforçador generalizado, o dinheiro, na esperança de este lhes proporcione os prazeres tão almejados. Mas aí entra mais um termo na equação, o tempo. Tão efêmero quanto a vida, às vezes confundindo-se com ela em fronteiras sutis. Quanto tempo você está disposto a sacrificar agora trabalhando e estudando, às vezes coisas pelas quais você nem se interessa, para tentar garantir um tempo incerto e improvável no futuro onde você possa enfim relaxar em uma poltrona com o livro preferido ou deitar-se sob o sol na beira de uma praia?
Resistindo à tentação de adentrar-me demais nessas questões, quero expressar o que eu acho que faz a vida valer a pena. É a coisa mais simples e a mais complicada. A mais almejada talvez, mas também a mais subestimada. O Amor.
Chego a admirar quem possa ser feliz sem amor. Todo o resto compra-se com dinheiro, mas o amor... Ah, esse só acontece. Sem pedir, sem aviso, imprevisível. Amar e ser correspondido é a melhor sensação do mundo. Acredito que Kim poderia ter sido mais feliz se pensasse dessa maneira, afinal, tinha ao seu lado o namorado que a apoiou enquanto até mesmo seu pai foi contra sua vontade de ter o cérebro preservado, que esteve com ela nos momentos mais felizes e no momento derradeiro da morte...
Crenças pessoais à parte, não tenho medo da morte. Apesar de não conseguir compreendê-la e nem fugir de pensar nisso em alguns momentos, já que isso é inevitável à razão humana, tenho a convicção de que, de fato, o Amor é a causa última deste mistério chamado Vida. Então, caros leitores, vivam, amem, à sua maneira, do jeito que melhor lhes satisfaçam. Sejam quem quiserem ser e usem esses tantos questionamentos para crescer e para valorizar cada dia mais os pequenos presentes que a vida nos dá! - Cigs.
Agradeço ao meu querido Khon pelas reflexões e conversas de todo dia.
Faço um último apelo à um mundo sem ouvidos
Vi um vídeo no facebook que me deixou pensativa... Até que ponto nos tornamos tão individualistas, etnocentristas e estúpidos (com perdão da expressão) para afirmar que somos melhores do que os outros? O que nos dá o direito de nos considerar superiores ou até mais evoluídos do que os outros? A verdade que ninguém quer encarar é: ninguém é melhor que ninguém.
Pode soar um pouco revoltada tais perguntas, mas a verdade é que muitas coisas estão acontecendo hoje em dia e muitas delas, se não todas, envolvem algum tipo de discurso de ódio. Seja a preferência por um partido político, seja o preconceito a diferentes formas de viver a vida ou se identificar com ela, seja por discrepância religiosa, a verdade é que ninguém quer tolerar ninguém.
Já escrevi alguns textos aqui e agora, fazendo uma reflexão retrospectiva, vejo que abordei esse tema mais que uma vez. Uma delas foi para falar sobre relacionamentos e a outra sobre abusos. Talvez já tenha falado disso mais do que eu gostaria. Ou talvez a necessidade disso esses dias tenha sido tão grande que não se pôde evitar. Queria muito que tivesse sido apenas por acaso e não por necessidade do tema...
Às vezes faço um discurso utópico, imaginando que um dia poderemos superar esse ódio crescente e finalmente viver como irmãos, como já pedia Martin Luther King: “Aprendemos a voar como os pássaros, a nadar como os peixes, mas não aprendemos a simples arte de viver juntos como irmãos”. Às vezes faço isso apenas como força apelativa, uma vez que enxergo tal como tão necessário a nossa existência ou, pelo menos, para a continuidade dela. Já houve guerras, destruição em massa e quase um colapso nuclear por causa disso. E, infelizmente, ainda não aprendemos o que Martin (licença para o apelido carinhoso) ressalta em sua frase.
Ao ver esse vídeo (acima) e o discurso das pessoas que passaram por esse experimento, fiquei mais frustrada. No final (spoiler), descobriram como suas crenças, preconceitos e aversões eram ridiculamente infundados. Afinal, bem no fundo, ou nem tão fundo assim, somos todos seres humanos, com emoções, memórias, experiências diferentes que nos fazem seres únicos, porém iguais. Iguais no sentido que todos nós compartilhamos esse mesmo mundo, de certa forma respiramos o mesmo ar e bebemos a mesma água. Comemos para sobreviver, procriamos e morremos. Caímos para aprender a andar e continuamos caindo e levantando com o decorrer da vida. No fundo somos os mesmos, por mais que isso afete o seu ego, com corações diferentes.
Eu podia vir aqui pedir mais amor, mais compreensão, mais empatia, porém já fiz isso, como muitas pessoas já devem ter feito também. Hoje peço apenas que você que lê esse texto olhe para si mesmo. E a partir do momento que se enxergou, olhe para o resto a sua volta. Enxergue as diferenças apenas como escolhas de caminhos diferentes da vida. E enxergue a igualdade como vida. Qual é maior?
- Gigi
Obrigações que tornam-se oportunidades
Existem tantas coisas que temos que fazer.
Umas que devemos,
outras que queremos,
as vezes as duas coisas juntas,
outras vezes nenhuma delas.
Agora quero agradecer a oportunidade de escrever.
Agora quero me desculpar, por as vezes me demorar.
Agora tenho que pensar:
- Quem está a me ler?
E porque?
Ler o que?
Vai escrever!
Deixa para amanhã...
Nada como uma bela noite de sono para esquecermos do que queremos
e pesadelar com o que devemos.
O pesadelo nos acorda.
E te pergunta:
- E agora, qual é o seu sonho?
Só me lembro de um quadrinho da Mafalda...
“Como sempre: o urgente não deixa tempo para o importante”
- Ana Mafalda
Metamorfose
Sempre fui muito indecisa. Para os que acreditam, nasci em outubro e sou libriana. Não me peça para escolher algo rápido, seja uma comida, uma blusa nova ou ainda uma opinião. Não sou de falar minha opinião logo de cara, aliás, sobre muitos assuntos, ainda não consegui formar uma opinião. Durante algumas leituras comecei a pensar sobre isso: o que é isso que não me deixa ter uma opinião forte? O que é isso que me divide entre a pizza e a batata frita; o rosa e o branco; a raiva e a compaixão?
Durante algumas leituras, comecei a pensar: seria a mudança de opinião como um processo de luto? Para mim, é tão difícil abandonar algo que acredito que fiz tal comparação. De acordo com Elisabeth Kubler-Ross, o luto possui cinco fases: negação, raiva, barganha, depressão e aceitação.
Quando me dizem algo diferente do que eu penso, minha primeira reação: negação. Quem me conhece sabe a dificuldade que tenho para “acreditar” em ondas. Você liga a televisão na tomada e lá está uma linda imagem que foi transmitida pelo ar por satélites?! Desculpa, mas isso é muito pra mim! Simplesmente me recuso a acreditar.
Existe também o momento em que sinto raiva! Como pode alguém querer que eu mude minha opinião sendo que a minha vida toda tive os meus princípios?! Falar para eu deixar de ser careta porque a maconha não é tão prejudicial assim... Eu aprendi no proerd que tinha que ficar longe das drogas!
Às vezes negocio comigo mesma: toda história tem dois lados e não posso ter razão sempre. Minha mãe me dá conselhos porque quer o meu melhor, não para pegar no meu pé; briguei com o meu namorado por achar que estava certa, mas ele também estava tentando acertar...
Inevitável não ficar deprimida quando sinto que fui injusta. Não tem como não ficar triste ao saber que teimei para que algo fosse de um jeito, mas na verdade de outra maneira seria muito melhor! Como não ficar triste quando sua amiga lhe dá um conselho que você ignora e teria dado super certo?!
Mas apesar de tudo isso, existe a aceitação! Depois de pensar comigo mesma, no meu tempo, consigo enxergar coisas que não vi em um primeiro momento! Consigo aceitar que, apesar de não ver, as ondas existem; que apesar de eu ter aprendido no proerd que as drogas são ruins, elas também podem ser usadas como medicamentos; que as pessoas que amo só querem o meu bem e também que posso ter sido injusta uma vez, mas que da próxima posso ouvir minha amiga.
Acho que muitas vezes, no cotidiano, passamos pelo luto, seja por ideias e ideais que vivem mudando, seja pela pessoa que somos, que muda a cada dia!
- Mandi
Jovem, qual é meu papel no seu futuro?
Após ler a matéria intitulada “Jovens, qual será o futuro?” - de autoria de Alexandre Barbosa Pereira (2016) para a Le Monde Diplomatique Brasil - que traz problemáticas referentes à juventude moderna, suas dificuldades, culturas, desejos e anseios, me peguei refletindo sobre “uma pagina anterior” ao que o texto aborda. Por mais que o autor toque no tema sobre a situação economicamente precária de adolescentes, não chega nem perto do que eu observei durante o acompanhamento de uma criança (sim, porque ele não tinha nem completado 15 anos na época que o conheci). Então, convido-os para uma nova reflexão.
Esse menino, que nomearei de Xis, morava na periferia de uma cidade de 700 mil habitantes, aproximadamente. Residia com os pais e mais dois irmãos em uma casa de três cômodos - cozinha, quarto e banheiro. A mãe trabalhava como diarista, porém estava afastada por conta de constantes crises epiléticas; o pai motorista de ônibus; o irmão mais velho como assistente em um escritório de advocacia; uma irmã de 4 anos e outro irmão, que não mencionei anteriormente pois ele não se encontra lá: está institucionalizado na Fundação Casa. Xis não frequenta a escola desde os 13 anos, os diretores já não o aceitam mais por conta de seu histórico de conflito com a lei, ele está cumprindo liberdade assistida.
Mas o que aconteceu com esse jovem para que ele seguisse uma trajetória de infrações? Pois bem, quando questionado, afirmou que a primeira vez que vendeu drogas foi porque ele queria um Nike Shox e seus pais não tinham condições de comprar. A cada 200 reais que ele vendia em droga podia ficar com 50 reais (o restante ia para o traficante que havia “apadrinhado” Xis naquela comunidade).
Essa era a realidade desse menino, incluindo pai violento, mãe analfabeta, irmão já no crime e o outro, que não se envolveu em delitos, em constante conflito com os pais por ser homossexual.
Então, me deparo com notícias de jovens mortos em todos os cantos, me lembro daquele menino de 10 anos que morreu com um tiro na cabeça, disparado por policiais, ouço de inúmeras pessoas (inclusive que se dizem “estudadas”) que a criança “já foi tarde”, que “bandido bom é bandido morto”, que “acha ruim? Leva pra casa”, que “ tudo seria melhor se a maioridade penal fosse reduzida e legalizassem o porte de armas” – como se pudessem conter a violência com mais violência, com mais medo e mais coação.
Esses são inúmeros pontos de reflexão, mas o que eu queria chamar a atenção é: o que levou a criança que acompanhei (ou qualquer outra ) a escolher esse caminho? Qual é a responsabilidade dos “cidadãos de bem” nessa trajetória trágica, para dizer o mínimo?
Acredito ser muito difícil responder a essas perguntas com uma configuração só. Acredito que existem alguns reguladores das condutas dos adolescentes – propostos, por exemplo, por Marc Leblanc[1] – que juntos interferem nas escolhas e no caminho seguido pelo jovem. A teoria, falando de maneira bastante superficial, versa acerca de alguns aspectos que auxiliam a regular a conduta: a escola, os pares, os pais (figuras de autoridade), e, é claro, a regulação pessoal.
Mas parece que as pessoas comumente se esquecem que mais de um fator pode influenciar nas escolhas (limitadíssimas) de uma criança que vive em condições desfavoráveis. E por isso, o que mais se escuta são discursos que permeiam apenas a regulação pessoal, ou ainda a personalidade, tem alguns que se aventuram até mesmo a colocar a culpa na biologia: “nasceu bandido”. Mas analisando os fatos, o desejo de um Nike Shox foi algo inculcado na cabeça da criança pela sociedade de consumo que alimentamos dia após dia. É uma prioridade para quem quer se destacar, possuir um tênis (ou qualquer outro objeto similar) já não tem a função de calçar, de proteger os pés, mas sim de conferir status social. Essa criança tem culpa de almejar algo que a nossa sociedade como um todo valoriza? Não, não tem. Ela acaba sendo vítima de sua condição, acaba por escolher dentre as poucas alternativas que lhe são propostas por aquela mais fácil ou que ao menos traga alguma satisfação imediata. Sim, porque ele não pensa nas consequências mas sim no prazer de ter um Nike Shox nos pés.
Então, por que não nos preocupamos em melhorar as escolas para que a criança lá dentro permaneça e diminuam-se os números de evasão? Por que não cobramos isso dos nossos políticos? Por que não damos suporte a programas que visam melhorar, mesmo que um pouquinho, a situação do pobre no Brasil? Por que insistimos em valorizar o consumo e exigimos de uma criança de 10 anos que “se contente com o nada que ela tem”? Por que vivemos a cada dia mais com um pensamento higienista no sentido de que “se eu não vejo ou não vivo, então não é problema meu”?
Não estou, de forma alguma, defendendo a criminalidade. Porém olhar para esse tema de maneira limitada é ingênuo, é lavar as mãos até que algo realmente aconteça. Até que você seja a vítima de um adolescente que é vítima da sociedade e da ganância. Cabe a nós, “pessoas de bem” refletir e agir sobre como podemos mudar esse cenário, sobre qual é o nosso papel nisso tudo. O meu? Eu procuro fazer, por mais que seja uma gotinha no oceano infinito, tenho esperanças que um dia ele transborde.
- Cigs
[1] Le Blanc, M. (1997a). A regulação social e pessoal da conduta delituosa. (R. Estevão, trad.). In Manuel sur des mesures de l’adaptation sociale et personnelle pour lês adolescents québecois. École de psychoéducation. (pp. 3-22). Université de Montreal. Montreal.
De pior a melhor, a Juventude
Época em que cometemos erros. Que nos arriscamos, fazemos besteiras e não pensamos muito nas consequências. Época de coisas novas. Papos novos, vontades novas, formas de lazer novos, amigos novos. É época de mudança, de incerteza, de coragem e de timidez. Ainda, porém, é a melhor época da sua vida e se chama juventude.
Alguns podem discordar, mas ser jovem foi/é/será uma das melhores bênçãos que recebemos. É aquele momento maravilhoso que não somos nem adultos nem crianças. Aquele momento que podemos errar, chorar loucamente e aprender com isso. Aquele momento em que um joelho ralado significa muito mais que apenas merthiolate.
É liberdade. É ter talvez a experiência de morar sozinho, de se virar, de passar fome com preguiça de cozinhar. É quando você pensa que só viverá de pizza, mas infelizmente você só vive de miojo mesmo. E quando você engorda com essa vida “super saudável”, você descobre que ir na academia não é tão legal assim, chegando até a intimidar um pouco, porém é necessário. É ver que dirigir é uma das melhores coisas do mundo, assim como namorar.
É ter um celular e viver em função de um despertador insuportável que toca às 6 da manhã. Além das mensagens, dos vistos por último, das redes sociais e das milhares de notificações. É aguentar os gritos da sua mãe dizendo para você largar o celular e fazer alguma coisa que preste.
É passar por crises, sejam elas existenciais, emocionais, físicas ou psicológicas. É amar, se decepcionar e tentar de novo. É se apaixonar perdidamente. É odiar indescritivelmente. É comer um lanche às 5 da manhã e acordar às 2 da tarde. É sentir sono, muito sono. É não conseguir dormir, com insônia.
É descobrir que água cura dor de cabeça, que não se lava roupas coloridas junto com as brancas e que um dia o detergente acaba e a gente tem que comprar outro. É ir ao mercado e perceber como tudo está caro. É aprender a sobreviver com 3 reais na conta bancária. É esperar muito para fazer 18 anos, mas depois perceber que de repente os 18 se transformaram em 20.
Fase que se escolhe o que você quer ser/fazer da vida. Fase em que você acha que escolherá o que quer da vida, descobrindo mais tarde que você meio que nunca saberá. Ou talvez saberá, não cheguei lá ainda. É quando se sabe das coisas, mas ao mesmo tempo nada se sabe. É quando se é feliz, mas nem isso você sabe.
- Gigi
“Um dia me disseram/ Que as nuvens/ Não eram de algodão...” Que triste descobrir que o bom velhinho, sim, o Papai Noel, não era bem quem eu achava. Que decepção descobrir que os desenhos animados não eram de verdade. Que decepção ter que ir para a escola SOZINHA! Como é difícil deixar a infância, fase de carinho e proteção , para enfrentar o mundo...
“Somos quem podemos ser.../ Sonhos que podemos ter...” Que bom sonhar, que bom acreditar que tudo será possível! Seria essa a melhor parte da juventude? As festas? As amizades? As juras de amor?
“Um dia me disseram/ Quem eram os donos/ Da situação” Trabalho, contas para pagar, milhões de responsabilidades... O que é isso no meu rosto? Uma marca de expressão?
O grupo Engenheiros do Hawaii estaria fazendo uma referência às etapas da vida? Estaria certo dizer que a juventude seria a melhor delas? Não sei... Mas sei que a paixão da juventude ainda está em mim.
- Mandi
A, B, C, D
Palavras Palavras medidas Palavras ouvidas Palavras caladas Palavras escritas
Para quê as utilizamos? Para medir o tamanho do carinho Daquilo que desejamos Ou a dor de quem se percebeu sozinho
Palavras em um diário No face ou no twitter Em um email publicitário Que disparamos, sem nem perceber
Palavras que podem magoar Que podem acalentar Que podem amedrontar Que podem, seu cérebro lavar
Se o poder de persuasão Fosse usado para o bem teríamos menos ódio na questão da religião e menos bullying nos fazendo de refém
A psicologia, por sua vez Se faz de palavras, essencialmente Você pode rir, chorar, desabafar com fluidez E se abraçar de maneira consciente
Por isso, meu caro Escolha bem o que vai dizer Para não ter que fazer reparo E deixe passar o que ouviu sem fazer por merecer
- Cigs
Seja o oposto
E foi invadido. Violado. Desrespeitado. Sentiu o aperto da pressão, da intolerância, da ignorância. Empatia? Não houve, não há.
Incompreendido, se isolou. Desistiu. Abandonou. E ninguém foi procurar.
Esquecido, se esqueceu. Morreu?
O que nos dá o direito de violar as outras pessoas? A resposta é curta, grossa e simples: nada.
O tempo todo, em todo lugar, seja escola, rua, trabalho ou internet, pessoas são violadas.
Danos são causados, irreparáveis. E as pessoas? Bom, sem voz, elas são silenciadas. Agora são vítimas.
E a relação muda. De pessoa para pessoa, agora de agressor para vítima. Humanos, que não aprenderam a se amar, e por isso invadem, destroem, fazem morrer a esperança. Matam, mataram.
E o que resta? Os pedaços. Os pedaços de um ser que antes era inteiro e que foi violado, sem dó, nem piedade. E que agora luta para se reconstituir. Será que luta?
Tem que lutar. E precisa de ajuda para lutar, de apoio e de motivação. Não deixar a depressão entrar, nem dominar, nem destruir.
Crianças, adolescentes, adultos, homens e mulheres. Todos são vítimas. Da violência, dos abusos, da intolerância, do preconceito.
Por isso pratique o oposto, seja o oposto. Pratique a tolerância. Pratique o amor. Pratique o respeito. Pratique a compaixão. Pratique a empatia.
Olhe nos olhos. Toque. E Sinta. Você não está sozinho, por isso nunca deixe o outro estar.
- Gigi
Não existe amor em...
Por que o mundo está todo dividido? Seria a psicologia mais uma forma de fazer emergir essa desconexão? Seria a psicologia, a ciência da empatia uma nova forma de causar a discórdia? Existe uma psicologia cristã? Existe uma psicologia não cristã? Quantas psicologias existem?
Acho que se faz importante conceituar o que é psicologia: ciência fundamentada no rigor científico orientada para atender as demandas da sociedade e que respeita princípios éticos. Se a definição é única, por que a necessidade de divisão?
O que mais me preocupa, caro leitor, é essa necessidade constante de dividir tudo! O que me vem muito á cabeça é aquela história de que os objetos antigos eram consertados e os de hoje são jogados fora. Vejo muito essa cultura do “descarte” nas relações: se não há uma concordância, não podemos conviver com isso, aceitar as opiniões contrárias. Temos que quebrar essa relação.
Agora, se o mais importante para o ser humano são as relações, o que de tão errado acontece para que se prefira “estar certo” à conviver próximo a alguém que pense diferente?
Peço desculpas, mas não sei muito o quê falar sobre essa divergência na psicologia; não acho que eu tenha uma base teórica suficiente para formar uma opinião e sustentá-la. Mas tenho uma ideia bastante clara sobre o “desamor” no mundo. Não existe amor em SP, em MG, no RJ, no AM, no RS, no DF, no AL...
Venho agora, com os meus humildes argumentos, pedir: amigos psicólogos, existe algo que admiramos mais que a empatia? Vamos fazer o exercício de aplicá-la não apenas nas clínicas, mas também em nossas vidas cotidianas? Espero que todos nós possamos fazer o exercício de nos colocarmos no lugar do outro e deixar o individualismo, pelo menos um pouquinho, de lado. Espero que possamos ver um pouquinho de amor no mundo.
- Mandi
Voz da Normalidade e Vozes das Diferenças: os abismos das produções de desigualdades.
Definir o que está dentro da normalidade humana é algo que existe a partir do estabelecimento de uma cultura. De acordo com a localização tempo-espaço, a cultura muda e juntamente com ela se transforma os padrões e parâmetros do que é considerado normal. Bem, isso parece lógico e demasiadamente simplista. Todavia, a tentativa de abrir diálogo sobre o que é normal nos coloca em complexas questões sobre a criação das diferenças e da sua conversão em desigualdades.
Quando nascemos, outros dizem desde na barriga da mãe, fomos inseridos numa cultura que passa a ser nossa. De acordo com a concepção de homem, mais ou menos ativo no mundo, e de um ambiente, mais ou menos soberano sobre esse homem, pode-se ver pelo modo de se vestir, pelos hábitos alimentares, pela música que houve, enfim, pelos seus valores morais onde ele se localiza no tempo-espaço, ou seja, de que época ele é e que meio ele frequenta.
Dizem que com a análise de certos comportamentos pode-se até dizer o que os controlam, dizem também que certas questões são indizíveis e que encontramos suas causas recalcadas no inconsciente.
Dentro do que podemos chamar de estudos acerca do psicológico dizem e continuam a dizer muitas coisas acerca do que é humano e tentam definir, de braço dado com a cultura, o que é normal. E para sentenciar a normalidade fez-se, dessa vez de braços dados com a medicina, uma lista enorme de que poderiam ser anormalidades, mais adiante entendidas como anormalidades que possuem tratamento, ou seja patologias.
Disso ainda resta dizer que nem a cultura, nem a medicina e muito menos os saberes psicológicos são uma massa homogenia que reproduzem os mesmos discursos, ao contrário, os avanços e retrocessos dos saberes e as transformações das culturas vêm justamente do jogo de forças de poderes-resistências.
Tomemos como um exemplo as questões acerca da sexualidade humana, a saber, profundamente pensada por Foucault, sem ter acesso a essa leitura ou qualquer outro bom estudo sobre a questão, poderíamos dizer que o sexo é para a reprodução da espécie, o que darei o nome de posição biogizante, e que deve ser feito por um homem e uma mulher, posição que poderíamos chamar de religiosa, ou mesmo que existe sexualidade infantil, posição psicanalítica.
Dizer que a homossexualidade era comum dentro do exército na Grécia Antiga e que hoje em dia é manchete de jornal o exército norte-americano ter aceitado o primeiro homem assumidamente homossexual quer dizer muitas coisas a respeito de transformações tempo-espaciais. A questão que quero colocar é: a homossexualidade é normal? Vozes da biologia, da psicologia, da religião ecoam cada uma com sua verdade que por vezes se encontram e outras vezes se distanciam.
Longe de responder essa questão, pois para mim não parece muito eficaz dada os coros dos aflitos que ecoam a respeito dessa temática, o ponto que quero tocar diz respeito ao lugar da diferença que hoje colocamos a homossexualidade (bi, trans e afins) em relação a heterosexualidade.
Alguns podem dizer que esse tabu é coisa do passado, que estamos em tempos modernos e isso é considerado normal. Mais uma pessoa um pouco mais atenta percebe o jogo de forças inclusive dentro da representatividade política do povo brasileiro, enquanto uns defendem, igualdade de gêneros, e leis de proteção as minorias, contra os preconceitos, outras “pregam”, e é bem esse o termo, pregam a “cura gay”.
Estamos inseridos numa cultura onde parece que a normalidade é a heterossexualidade, para além dos afetos, dos desejos, das diferenças, das escolhas ou condições. Assumir qualquer posição que não seja essa não é uma experiência muito fácil, as vezes, até para si próprio é algo doloroso, situação geradora de sofrimento e que pode levar a pessoa a procurar atendimento psicológico.
Quando disse no início das diferenças serem convertidas em desigualdades esse exemplo acerca da sexualidade é uma boa ilustração desse processo. Uma pessoa que se descobre trans, por exemplo, atualmente, poderá passar por tristes situações de preconceito e discriminação e que talvez no auge de sua dor ela poderia dizer que preferiria “ser igual a todos”, mas de fato, somos todos iguais?
A igualdade, palavra símbolo da revolução burguesa, parece um valor perseguido por muitos, entretanto, as desigualdades e o sofrimentos que elas geram, brotam a todo instante, pessoas que são feridas, mal ditas, e até mortas por sua sexualidade, cor, credo, posição social.
Para a Psicologia cabe se posicionar e refletir eticamente sobre as questões das desigualdades, embora o perigo do fazer acrítico no exercício da profissão sempre ronde, é importante ter clareza que reproduzir as desigualdades e patologizar diferenças pode ser um grave erro que repercute na produção de mais sofrimento nas pessoas.
- Ana
Time is money
Em um futuro distópico, aqueles que detêm o poder passaram a controlar o envelhecimento, supostamente no intuito de controlar a superpopulação. Para tanto utilizaram nada mais, nada menos que o tempo de vida, transformando-o em moeda. As pessoas passaram a deixar de envelhecer aos 25 anos, quando um marcador embutido em seus pulsos começa a indicar uma contagem regressiva de 365 dias. Quando o tempo de um relógio se esgota, seu portador invariavelmente morre - independentemente de quão jovem ele aparente ser. No entanto, o tempo pode ser transferido entre as pessoas, pagando por necessidades básicas e luxos. Consequentemente, enquanto os ricos podem gozar de longos anos de vidas e mesmo flertar com a imortalidade, os pobres precisam lutar pela sobrevivência dia após dia, minuto após minuto, a partir do dia em que completam 25 anos. A desigualdade é a regra, chegando ao ponto de ser geograficamente explícita: as pessoas habitam diferentes “fuso-horários”, segundo suas condições financeiras, de forma que os mais pobres ficam mais afastados das regiões centrais.
Esse é o universo fictício do filme “O Preço do Amanhã” (In Time), no qual a vida do protagonista Will Salas (Justin Timberlake) toma outro rumo quando um aristocrata desconhecido lhe doa os mais de cem anos que possuía em seu relógio. Envolvida na trama (que paro de contar por aqui) aproveitei as emoções que a sétima arte costuma nos proporcionar. Mas depois veio a reflexão: será que esse futuro está tão distante e tão distópico assim? Quantas vezes já não se ouviu por aí que “tempo é dinheiro”, que “Deus ajuda quem cedo madruga” e que “se deve trabalhar para viver e não viver para trabalhar”?
Isso me parece uma questão muito atual e, tirando a parte de que para nós o dinheiro de papel são as moedas de troca, vivemos em uma sociedade em que se usa o tempo para ter mais e mais dinheiro, luxo, carros, comida, roupas, perfumes, jóias, eletrônicos. Simultaneamente, mais e mais desigualdade: enquanto o tempo de algumas pessoas vale muito, permitindo que eles vivam uma vida confortável (ao menos do ponto de vista material) e acumulem riquezas, o tempo de outros vale muito pouco ou quase nada. As pessoas menos favorecidas precisam, assim, lutar própria sobrevivência dia após dia, assim como os pobres em “O Preço do Amanhã”. As pessoas mais abastadas, sem terem de lutar minuto a minuto, centavo a centavo, por condições mínimas de sobrevivência, conseguem proporcionar uma boa educação e um bom ambiente para o desenvolvimento de seus filhos, cujo tempo será, assim, mais valorizado, perpetuando a desigualdade.
Curiosamente, contudo, a preocupação obsessiva com o tempo parece muitas vezes ser mais comum na realidade do que no próprio filme, inclusive entre as pessoas ricas ou de classe média. Isso porque as pessoas dedicam parcelas crescentes de seu tempo a suas carreiras e ao seu trabalho, no intuito de obter mais riquezas ou reconhecimento. Quanto mais se tem, mais se quer. Em função de uma supervalorização do material, mesmo pessoas abastadas se veem escravizadas pelo tempo - sinônimo de dinheiro. Conseguem os melhores estágios, os melhores empregos, os melhores salários, os melhores bônus. Só não conseguem viver plenamente. E quando se dão conta, seus 25 anos de idade ficaram há muito para trás e a vida passa a ser (explicitamente) uma contagem regressiva.
O custo é elevadíssimo: a saúde psicológica é prejudicada, desenvolvem-se quadros de depressão e há até mesmo casos de suicídio. Tudo isso porque é necessário investir cada segundo em atividades consideradas “produtivas” (ou seja, atividades remuneradas), para que se consiga o mínimo necessário para a sobrevivência (caso da população mais carente) ou para que se consiga acumular mais riqueza e ostentar símbolos de status (caso da população mais abastada). Em ambos os casos, a busca por uma maior qualidade de vida passa a impedir que as pessoas aproveitem seu tempo de vida. Isso pode resultar no desgaste da saúde psicológica, o que, por sua vez, prejudica a própria qualidade de vida pela qual se luta.
Assistir novamente a um filme pode ser chato, pode ser monótono, pode te fazer dormir.. Mas também pode te fazer refletir, pensar de novo, olhar diferente para a própria vida, para a sociedade e, por que não para a morte?
Talvez seja a hora (se já não passou dela!) de reavaliarmos nossas prioridades, de revermos nossas escolhas como seres humanos e de, que sabe, pouco a pouco lutar por um mundo mais humanizado e menos etiquetado, com seus preços absurdos: nossa juventude, nossa saúde física e psíquica, nossas amizades, nossa família, nossa moral. Qual é o seu preço?
- Cigs
Morrer para viver; morrer de viver
Há inúmeras formas de morrer. Vivemos como se só houvesse uma.
Há inúmeras formas de morrer. Do momento que perdemos a esperança ao momento que sofremos um trauma.
Há inúmeras formas de deixar de sentir nosso corpo todo como algo único, completo e inteiro. Há inúmeras formas de nos despedaçar.
Mor.rer 1. Cessar de viver, extinguirem-se as funções vitais de; falecer: Morreu de pneumonia. A certeza de morrer.
2. Passar, sofrer (morte): Morrer morte honrosa.
3. Sofrer muito, ter dores físicas e morais: Morria de dor de dente. Morria-se de saudades da pátria.
4. Cessar, extinguir-se: A democracia morre com os desgovernos. Amor verdadeiro não morre.
5. Afrouxar lentamente; desaparecer: "Já o sol morria" (Cândido de Figueiredo).
6. Ficar inacabado, interrompido ou suspenso: Um grito de espanto lhe morreu nos lábios.
7. Acabar, findar, terminar: "Onde morria a falda da colina o arvoredo era basto" (José de Alencar).
8. Cessar de correr ou de ter movimento: "As ondas morrem na praia" (Coelho Neto, ap Laudelino Freire).
9. Estiolar-se, não medrar: As plantas definhavam e morriam.
10. Parecer ou tornar-se menos vivo: Esta cor morre em confronto com o vermelho.
11. Perder a energia, a vivavidade, o vigor: Esse rapaz não é mais o que era; vive morrendo, agora.
12. Cair no esquecimento: Essa doutrina não morrerá jamais.
13. Desaparecer sem ser revelado: Este segredo morrerá comigo.
14. Desaguar ou desembocar em: "Rios cuja grã corrente morre no Mar Índico" (Luís de Camões).
15. Gostar muito de, ter grande afeição a: Morria por Marília.
16. Gostar muito de alguma coisa: "Eu morro pelo vinho" (Mário Barreto).
17. Desejar ardentemente: Morriam por saber quem era ela.
18. Cair num logro, deixar-se iludir, sofrendo as consequências disso: Acreditou no velhaco e morreu com US$ 15.000,00.
19. Pagar a conta de que outros participam: Morrer nas despesas.
20. Finar, falecer em certo estado ou condição: Não queria morrer solteira! Vivera e morrera cristão.
Morrer à mingua, morrer de fome, morrer como um passarinho, morrer de criança, morrer de medo. Morrer de morte desastrada, de morte macaca, de morte morrida, de morte violenta. Morrer de saudades, morrer de velho, morrer em vida, morrer na corda, morrer na cama ou morrer por mãos de alguém. Ou até morrer de repente, sem dizer ai Jesus.
Há inúmeras formas de morrer, pois há inúmeras formas de viver.
Vi.ver 1. Existir, ter vida: Vivera muitos anos. O país vivia, como sempre viveu.
2. Empregar, passar (a vida): Viver uma vida calma e feliz.
3. Apreciar, gozar (a vida): Oh! vidinha de estudante, que jamais viverei!
4. Existir; passar a vida: "Os peixes... lá se vivem nos seus mares e rios" (Padre Antônio Vieira).
5. Ter de vida: Disse-lhe o médico que ele viveria uns três meses.
6. Morar, residir: Viva cada um em sua casa. Meus irmãos vivem em São Paulo.
7. Nutrir-se, sustentar-se: "Há quase três dias que só vive de beberagens" (Visconde de Taunay).
8. Procurar ou tirar os meios para passar a vida: Vivia o apóstolo de fabricar tendas. A minha renda chega para eu viver parcamente.
9. Frequentar a sociedade, ter convivência: Vivia Bernardes mais com o coração do que com o mundo. Conhecia os homens, vivera bastante.
10. Comportar-se, portar-se, proceder: Viveu quase em ascetismo até agora. Viveu santamente.
11. Manter-se com determinado assunto: "As cenas teatrais deste país viveram sempre de tradições" (Machado de Assis).
12. Conservar-se: Costume que vivia apenas na tradição.
13. Durar, passar à posteridade, perpetuar: "A tua glória em meus versos eterna farei viver" (A. F. de Castilho).
Ação de viver. Já ter vivido. Não viver. Quem viver verá. Ter vivido muito.
Viver à discrição, à leu da nobreza, a sabor, a seu modo. Viver a sós, viver à sombra, viver bem.
Viver com. Viver de. Viver em. Viver na. Viver pela. Viver sobre si. Viver sobre um leito de rosas.
Há inúmeras formas de viver morrendo. Há inúmeras formas de morrer vivendo.
Pois então viva primeiro, mesmo se morrendo de sono, de paixão, de saudade, de medo. Não morra em vida. Mas viva de tanto morrer.
E para morrer, escolha o jeito mais bonito. Morra de tanto viver!
- Gigi
Fonte: Dicionário michaelis online; que provavelmente teve como fonte uma extensa visão da vida.
A finalidade da Psicologia e o fim dela mesma!
Comumente, os estudantes de Psicologia, têm em seu primeiro ano de formação disciplinas engajadas em refletir a história da Psicologia. Explica-se o nascimento do homem moderno e como só nesse contexto foi possível a emergência de uma individualidade para se psicologizar. Conta-se da luta dos saberes psicológicos para se afirmarem enquanto una ciência, e nesse sentido, fizera suas parcerias com as ciências naturais, as que até hoje, juntamente com as ciências exatas, reinam no império das ciências positivas. Também, discutem-se as implicações da regulamentação da psicologia enquanto profissão no contexto de Ditadura Militar no Brasil. Todas essas e outras temáticas acerca da história da Psicologia são especialidades de muitos acadêmicos, dentre eles, Foucault, um dos que eu mais compactuo no movimento do pensar e agir. Todavia, não são esses pontos específicos que esse texto pretende discutir, essa introdução foi para refrescar a memória no sentido de tomar cuidado para não naturalizarmos a Psicologia como algo que sempre esteve aí e sempre estará e lembrar que ela está vinculada a questões históricas, desde sua constituição que é recente em relação à outros saberes sobre o homem. Contemporaneamente há muitos que falam que estamos vivendo um hiperindividualismo e dentro dessa sociedade de espetáculos, onde o indivíduo ganha luminoso destaque, a psicologização do cotidiano é naturalizada, o psicólogo parece ser um profissional que poderia e até deveria estar em todos o setores: nas escolas, presídios, hospitais, projetos sociais, empresas, famílias. O ganho de território mercadológico soa atraente no primeiro momento, autoconhecimento passa a ser obrigatório e a Psicologia parece ser o canal adequado para essa infinita descoberta. E é nesse ponto que eu gostaria de fazer ressalvas ou ponderações. Algumas angústias, temores e infelicidades que fazem parte da história da humanidade - as quais podemos nos deparar em antigos sonetos, na filosofia clássica, ou até mesmo em mitos de formação dos povos primeiros - de poucas décadas para cá são passíveis de patologização, para toda fragilidade humana há um psicodiagnóstico e um tratamento. Espaços coletivos de compartilhamento de sentimentos parecem perder força para a sala do psicólogo. Há de se precaver da triste imagem do psicólogo enquanto um técnico em soluções para adequações biopsicosociais, aquele que aperta parafusos soltos de pessoas fora do padrão, aquele acriticamente inserido na conservação de um sistema, na adaptação à esse, aquele que se identifica com a imagem do colonizador. A Psicologia precisa de pessoas comprometidas com uma ética para além da profissional, no sentido espinoziano, uma ética que mira a alegre expansão da vida. Os Psicólogos necessitam desconfiar da imposição de modelos prontos, das metodologias únicas e trabalhar para abrir caminhos para a construção criativa, inventar ferramentas pra a recriação de si. Mesmo que esse caminho não seja psi.
- Aninha
Na Alegria e na Tristeza
“Que a felicidade vire rotina”. “Não quero final feliz, quero ser feliz a vida inteira”. “Não existe caminho para a felicidade, a felicidade é o caminho”. “Sorria mesmo sem estar sendo filmado”. “Que a felicidade entre, puxe uma cadeira e fique ao seu lado para sempre.” “Quando a tristeza bater na sua porta abra um belo sorriso e diga: desculpa, mas hoje a felicidade chegou primeiro.”
Se você tem o costume de seguir páginas de frases no facebook e instagram, certamente já se deparou com citações assim. Vivemos em uma época em que a regra é ser feliz. Entretanto, a felicidade não é a única emoção existente! A animação “Divertida Mente” mostra cinco delas: alegria, medo, raiva, nojinho e tristeza. Convenhamos, quem é que nunca sentiu cada uma delas em algum momento da vida?
Se alguém for passear em uma cachoeira e não souber nadar não é somente normal, mas adaptativo sentir medo. Se alguém comeu algo que não fez bem, ao ver o prato novamente, provavelmente sentirá nojo, isso não é nenhum problema. Ao discutir com um amigo, no calor da situação, não é de se espantar que o sentimento seja de raiva. Creio que ninguém viu grandes problemas nos exemplos que citei, estou certa? Mas e se eu dissesse que em determinadas situações sentir tristeza é totalmente legítimo?
O período é de intolerância com a tristeza e o sofrimento. Não se pode ficar chateada após o fim de um relacionamento, é necessário estar pronta para ir para a balada no final de semana seguinte. Não se pode vivenciar o luto, alguém sempre vai dizer: a vida segue. Não se pode ficar triste com a situação em que o país se encontra, é necessário colocar um sorriso no rosto e defender o que você acredita ser o certo.
Venho aqui, humildemente, pedir: por favor, me deixem ficar triste! Eu acredito que inúmeras vezes é necessário passar pelo momento difícil, sentir a tristeza, somente assim um ciclo poderá ser concluído e outro iniciado. As emoções, acredito eu, têm que ser sentidas e não ignoradas ou camufladas. O próprio filme que citei mostra que a grande salvadora não é a alegria, mas a tristeza. Há ocasião para cada uma delas, espero que cada um consiga diferenciar e possa senti-las no momento adequado; que possam ser gratos, na alegria e na tristeza.
- Mandi
“Só sou eu que...”
Para aqueles que utilizam com certa frequência o facebook ou alguma rede social , vez ou outra já devem ter trombado com algum “meme”, que são aquelas imagens, fotos, vídeos, frases, etc que “viralizam” na internet e que são de cunho humorístico. Um que foi muito popular no início desse ano foi o da “diferentona”, com alguns exemplos sendo mostrados a baixo.
O que me chamou atenção é a repercussão que teve e a identificação de muita gente com as situações ironizadas, com a pessoa que vos escreve não sendo exceção, é claro. Passada a primeira onda da graça, é interessante ver comentários que provavelmente não escutaria na vida “real”. Não consigo imaginar alguém dando uma resposta dessas espontaneamente. Provavelmente muitos, ao escutar uma frase “eu sou o(a) único(a) que…?” diante de alguém que não se conhece teria uma posição mais reservada e, se tivesse qualquer crítica, muito provavelmente guardaria para si mesmo suas opiniões. São as normas de etiqueta silenciosamente repassadas no mundo fora da rede.
Só que a internet vem para quebrar isso. É um novo espaço, onde anonimato e vida pessoal se misturam e muitas pessoas encontram nele a chance de trombar com “semelhantes” devido ao seu amplo acesso. Possibilita que possamos nos deparar com outra pessoa que também já teve aquele pensamento ou impressão que parecia que só você tinha, trazendo muito alívio saber que não se é o “único” no mundo e que há alguém por aí que também compartilha aquele algo que você não tem coragem de dizer em voz alta.
Pergunto-me se isso não criaria mais uma faceta na identidade de alguém. Afinal, muitas pessoas inclusive utilizam da internet como uma forma de desabafo, podendo ser ditas coisas onde não dificilmente seriam censuradas do ”lado de fora” do aparelho eletrônico ou que não tem a mesma repercussão e apoio como visto nesse mundo virtual. É como se barreiras caíssem e houvesse a sensação de uma maior liberdade.
Não só isso. Debates e reflexões ganham outros contornos na rede, com diversas questões sendo motivos para “textões” que são lidos e compartilhados, além de ideias se disseminando rapidamente. O que era virtual começa a se tornar real, a se materializar no concreto. Tanto o que pode ser considerado positivo, como negativo.
Ainda assim, por que parece que esses espaços parecem estar cada vez mais diminuindo no real? Nossas aparições são pontuais, nossa união é temporária. Quando vemos, logo já voltamos a nossa vida cotidiana, do isolamento, na nossa bolha. Temos ferramentas o suficiente para nos blindarmos dos outros, criamos paredes cada vez mais rígidas, somente deixando espaço para pronunciar algumas frases automáticas.
Pergunto-me se sempre fomos assim ou se apenas deixamos transparecer com mais clareza no presente por ter instrumentos que reforçam isso. Será que é uma estrutura natural do ser humano criar muros? E qual a nossa capacidade de derrubá-los? Antes disso, será que queremos demoli-los?
É muita mais fácil apenas achar que essas barreiras são limites intransponíveis. Na realidade, é um alívio quando podemos atribuir uma incapacidade nossa a um fator externo do que a nós mesmos. Que o destino decida por nós.
Mas travas também só são um estorvo. Tendo tudo ao alcance de um clique, atividades que demandam mais esforço nos deixam impacientes. Se não tiver como ser do “meu jeito”, provavelmente larga-se mão de forma muito rápida ou apenas arrasta-se quando determinada a sua obrigatoriedade. E se há a possibilidade de nos enclausurarmos no nosso mundo fantasioso e ideal? Melhor ainda.
Se a internet mostrou que temos muito a expressar, porque se restringir apenas a ela? Será que estamos em um modelo de sociedade tão fechada que a única forma de nos conectarmos é virtualmente? Ou talvez seja a dificuldade de deixar o subsolo* que já nos é familiar? Provavelmente acreditamos ser melhor ficar remoendo nossa melancolia e achando que se é único, exclusivo, mais trevoso que a sombra do Batman, colírio humano, reencarnação de Augusto dos Anjos, All by myself…
B.
Música recomendada: https://www.youtube.com/watch?v=bNT-zFJKifI&nohtml5=False
Tradução em português: http://time-slipping.blogspot.com.br/2016/03/amber-borders.html
*Referência à “Notas do Subsolo” de Dostoiévski.
Ainda sobre achar que algo só acontece com você... Vale a pena! (: