Estamos hoje com a presença ilustre de um músico que passou quase uma década completa nas sombras da produção musical. O especial retorno de Ace provoca interesse de alguns artistas e, principalmente, dos fãs da produção artística de Victor Hugh. TO THE MUZZLE será finalmente o álbum da voz de Victor?
Victor, como podemos chamá-lo? Faz certamente muito tempo, bem-vindo de volta.
Faz um longo tempo não? Assino por Ace, mas, utilizar meu nome não me é problema, sinta-se a vontade. Estou surpreso que quiseram fazer essa entrevista em português mesmo estando em Nova Iorque, me sinto acolhido no meu idioma natural.
O que veio fazer em Nova Iorque? Será aqui o lugar de debut do álbum?
Vim prestigiar a coleção da Spiral-Ode. Foi uma das melhores experiências até então, fiquei por mais um tempo para realizar as entrevistas para onde fui chamado, mas sintam-se felizes, não tenho grande aparição midiática afinal.
Conte para nós tudo que precisamos saber sobre To The Muzzle.
To The Muzzle é um álbum de rock que contém seis faixas, a ideia é resgatar a nostalgia do gênero ser a melhor ferramenta para explorar meus sentidos e sentimentos mais agressivos. É como se lembrar de uma banda de garagem, a diferença é que é feito por um homem só.
Qual o motivo de ser tão diferente do trabalho que anda fazendo em sonoplastia?
Existem vários aspectos para essa resposta assim como existem vários aspectos na vida de um artista. O princípio que carrego comigo é que, música pode ser minha carreira, mas certamente é minha vida, e isso me trás uma liberdade ampla e a possibilidade de abraçar as coisas conforme elas vem em minha vida.
Sou músico porque é isso que quero fazer com a minha vida, se fosse apenas uma carreira, então obedeceria a uma grade de disciplinas nas quais não quero fazer parte. A sonoplastia é um grande sonho tanto quanto produzir de mim, sobre mim, para vocês.
A produção é inteira da Label?
Sim, é tudo feito entre os estúdios na China e no Brasil, mas em sua maioria na China. Desde os instrumentais até o vocal, são todos meus. As façanhas de um multi instrumentalista.
É verdade que a produção envolve um áudio de uma execução criminal?
Vocês são rápidos… bem… sim. O processo de obtenção da fita em questão foi devidamente feita sob a lei do estado em questão, mas para começo de conversa, a fita já era pública do Estado de Mississipi. Ouvirão duas vezes durante o álbum a descrição de uma execução por cadeira elétrica, mas claro, nenhuma morte é incluída na equação. Não matei ninguém! [riu alto].
Não se preocupem.
Por que “To The Muzzle”?
Creio que esse seja um dos aparelhos de contenção à violência necessária mais interessantes de se observar, nossa espécie tem infinitas maneiras de lidar com a expressão de agressividade e violência, e é essa violência que quero expressar. Não é novidade que a música é poderosa medicina para a alma, um movimento que tira a focinheira de um cão para vê-lo em sua ira.
Quando fala sobre violência, não há receio de propagar alguma apologia que não deve?
[Risos ecoam pela sala]
Posso ver pela expressão de como me perguntou que o tédio dessa questão é palpável. Bem… eu creio que não tenho que explicar a história da música e da arte para expressão própria e os sentimentos mais vicerais que ela amplifica.
Creio que estar em contato com o que te amordaça é uma parte importante de dominar a natureza agressiva em cada um de nós, então não, não estou preocupado sobre o que devo ou não cantar e tocar.
A discursos on-line debatendo uma possível ficha criminal sua, essa brincadeira toda tem algum fundo?
[Um sorriso surgiu]
Geralmente me falam que eu dou pinta de assassino por toda essa história de expressão de violência, mas nada passa de uma narrativa que entretém, mas é falsa. Sou inofensivo e, na realidade, emotivo até demais, mas de onde vim temos muito apreço no assustador. Creio que mostro meus laços brasileiros assim.
Quando será o lançamento oficial?
Dia 31 de outubro para todo o público, mas estou trabalhando na primeira distribuição da faixa principal que sairá mais cedo. Fitas já foram distribuídas para pessoas selecionadas que já ouviram todo o trabalho.
Para finalizarmos, um recado para quem está ansioso para ouvir?
Não vou lhes decepcionar, fiquem mais que tranquilos, tudo bem? É sempre um prazer fazer arte e espero que seja mais prazeroso ainda ouvi-lá. Talvez alguma faixa lhe encha a alma e te faça explodir, isso é sempre uma boa coisa ao meu ver.
Espero ver todos lá, até dia 31.











