Eu poderia dizer que lhe amei pelo aconchego do ventre Ou o repetitivo bater de dentes na carne dos lábios Poderia profetizar espelhos ao teu toque E o sol ameno cristalizado nos poros A primeira vez que te vi Assisti rubricas minhas A cratera entre distâncias de pupilas A rachadura veraneio em cada digital dos cílios Quando a vi pelo segunda vez Suas pernas em lança dançavam com o 'x' das minhas Seu rosto desgarrado de espelhos cuspia no meu borrado Ansiava-se pelo meu rosto amorfo, fazendo planos de almoço Este não é um romance E sim uma tentativa vã de elogio És o que és, Ilhada em costa Sereia frontal dançando nos dedos do verão Pós vinda do acaso, vejo-a com o dorso já madura Como que de tão prematuro, tivera vindo antes Fora concebida na pressa paulista E ficara espera do resto ao longo de décadas Eu vi rosas diagramadas em seus seios Contei sinais como quem conta estrelas com esperança Eu menino incrédulo, a vi contar e prometer beijos a mim Contávamos juntos, o troco, contava feito as moedas que tinha no bolso... O esmero tão velho esperara por teu bálsamo A antiguidade moinho vista em sílaba tônica Transtorna-se em minhas rangentes juntas Juntando duas peças da tríade platonismo A última vez que a vi, fora consumida pelas chamas Que começam a partir de meu peito O dia e a noite entrelaçaram, pararam no crepúsculo vermelho A quentura subira aos céus e chuva alguma descera...
Recanto, Pierrot Ruivo
















