Abnegados Pluto em noite de bailarico no tributo a José Pinhal - Dia 1 do Rock no Rio Febras 2025 | Reportagem Completa
Bruno, o vocalista dos José Pinhal Post-Mortem Experience junto do público | mais fotos clicar aqui
Pela primeira vez desloquei-me à Quinta da Ponte, em São Salvador de Briteiros, para assistir ao Rock no Rio Febras. Neste ano de 2025 realizou-se a 4ª edição nos dias 25 e 26 de julho, passada sexta-feira e sábado.
Mais uma vez aliou a música à solidariedade com a receita financeira a ser canalizada para a construção de um lar de idosos. As verbas de anos anteriores já permitiram mobilar um centro de dia e comprar o terreno para o referido lar.
Este festival começou por chamar-se Rock in Rio Febras em 2022, no entanto, durante o seu percurso teve de mudar de designação por causa de uma famigerada e bem pública contenda com o Rock In Rio derivado à designação. A comunicação social apimentou a discórdia entre ambos os eventos, tendo o festival minhoto empreendido por uma comunicação irónica e divertida via redes sociais enquanto o diferendo não teve o seu epílogo. O público geral achou piada e mediu-lhe a pinta como um diferendo do género “David contra Golias”.
Visão do público durante o concerto dos Copa Funda | mais fotos clicar aqui
Tal disputa fez com que o festival ganhasse notoriedade nacional, até mesmo internacional, “obrigando” a uma edição bastante mais alargada em termos de público em 2024, então foi somente um dia. O patamar foi novamente elevado este ano, o recinto aumentou consideravelmente bem como a lotação máxima cifrando-se agora em 15 mil pessoas diárias e o evento passou a dois dias. Na primeira edição, em 2022, teve somente cerca de 200 pessoas a assistir, portanto foi uma progressão meteórica.
Dado todo o hype em volta do evento foi com naturalidade que atingiu lotação esgotada. Para todas as rockeiras e rockeiros o cartaz revelou-se irresistível, diga-se em abono da verdade.
Felizmente tive a possibilidade de fazer os cerca de 20km até ao local do festival logo bem cedo na sexta-feira, dia 25 de julho. Bem ao meu gosto fiz todos os processos de forma relaxada: estacionar, levantar a pulseira, conhecer as imediações e já dentro do perímetro passear e ambientar-me ao interior do recinto.
Visão do público durante o concerto dos Pluto | mais fotos clicar aqui
Em dia de verão com um calorzinho q.b. soube bem descobrir este bosque rodeado de árvores enormes onde estava um fresquinho bastante prazeroso.
Entre a abertura de portas às 18h e cerca das 21h o ambiente sonoro foi assegurado por DJ Sets em representação de espaços existentes na vizinha vila de Caldas das Taipas.
Primeiro por NSC, em nome de 0’CUNHA, dedicado sobretudo ao rock oriundo do Reino Unido e dos Estados Unidos da América.Em seguida foi a vez da dupla Filipe Oliveira & Emanuel Magalhães pelo Bar 21 com sons mais populares da vertente pop de um universo mainstream.
A primeira atuação de uma banda teve lugar com os Copa Funda e a performance deste trio oriundo de Baltar (Paredes) foi efetivamente peculiar. Em altura de muita azáfama na zona da restauração devo dizer que registaram uma audiência generosa de muita gente que claramente não os conhecia, quiçá até a esmagadora maioria.
O trio Copa Funda em palco | mais fotos clicar aqui
Letras vociferadas a duas vozes: gritadas e provocantes com um rock deslavado e direto alicerçado em riffs soltos e batida de ritmo constante. As letras por vezes versavam sobre rostos bem conhecidos do nosso meio televisivo como, por exemplo, Jorge Gabriel.
Imagens com pessoas conhecidas da nossa praça televisiva e musical foram passando no ecrã principal como, por exemplo, um Quim Barreiros em trajes menores. Aliam paródia, nas letras e nas imagens, a um rock perfeitamente vulgar. As pessoas estavam numa onda divertida e solta... Acharam piada. Pessoalmente não fiquei propriamente impressionado de forma positiva.
Antes do término às 21:50h tocaram ainda “Inflação” e “Há Moina no Carreiro” numa atuação muito focada no álbum ‘Joias de Luxo a Baixo Custo’ editado em março de 2023.
Em foco o baterista dos Copa Funda em palco | mais fotos clicar aqui
Em seguida tivemos o primeiro momento áureo da noite. Coube aos José Pinhal Post-Mortem Experience a banda tributo que homenageia o cantor José Pinhal, mestre português da música de baile originário de Santa Cruz do Bispo, Matosinhos dos anos 80.
Sobretudo desde 2022, a banda tem tocado em festivais de renome, em salas de relevo bem como em festas populares (de norte a sul) tornando-se num símbolo de redescoberta da música popular portuguesa com reconhecimento além-fronteiras.
Efetivamente o cântico “José Pinhal Imortal”, que o público faz nos concertos, é maior prova do significado que a obra do artista ficou para a eternidade. Felizmente não ficou perdida em cassetes num caixote qualquer como esteve quase a acontecer…
A efervescência dos jovens fãs dos José Pinhal Post-Mortem Experience | mais fotos clicar aqui
São 7 os excelentes músicos que subiram ao palco do Rock no Rio Febras em representação deste bonito projeto dos quais destacamos Bruno Martins, conhecido artisticamente também como Bruno de Seda, o vocalista que encarna de forma intrépida o malogrado artista. Todos os restantes são membros do underground portuense.
Na nova roupagem, os temas de José Pinhal têm um toque de modernidade com fortes traços pop dentro do natural registo pimba e da imprescindível alma de baile da Cidade-Invicta.
A plateia, no auge da noite em termos de audiência, virou pista de dança com muitos casais a aproveitarem para um momento mais fofinho. O pessoal estava morno na fase início porém foi arrebitando aos poucos tendo o ambiente de bailarico ficado mais efusivo a partir dos temas “Magia” e “Tua Mulher”.
Elementos dos José Pinhal Post-Mortem Experience em alta rotação | mais fotos clicar aqui
Pelo meio ficou “Avisa-me”, tema que só tem vindo a ser tocado este ano.
“Baby Meu Amorzinho”, “Gitano Soy” e “Tu És A Que Eu quero” foram apresentadas em alto estilo antes de um encore bastante solicitado.
O bis revelou-se imensamente animado com temas reconhecidos por toda a gente, tais como, “Porém Não Posso” e “A Vida Dura Muito Pouco”. Tudo para satisfação geral e encerramento de performance às 23:16h com a justa ovação aos artistas.
José Pinhal Post-Mortem Experience a agradecerem a merecida ovação | mais fotos clicar aqui
De volta às “rockalhadas” foi a vez para os Travo depois de um longo atraso na sua entrada, surgiram às 23:47h, portanto com 17 minutos de atraso.
Vários fatores contribuíram para uma menor adesão de público à sua performance, essa foi definitivamente uma delas. Muita gente ficou dispersa pelo recinto, os milhares de pessoas formaram um público imensamente heterogéneo, dos 7 aos 70 anos de idade. Notou-se que muitas delas não tem a rotação de festival nem ouvem as “rotações” dos temas desta banda bracarense.
A banda bracarense teve os indefetíveis mais junto ao palco. Já o restante público esteve mais espalhado pela plateia em modo expectante e curioso.
Nuno Gonçalves, o baterista dos Travo a dar tudo | mais fotos clicar aqui
Rock psicadélico inspirado nos anos 70, krautrock e uma pitada de stoner são os traços musicais destes Travo. Eles fornecem algo de novo ao panorama nacional da música alternativa e realmente não é para todos os públicos.
A habitual genialidade de distorção elétrica que o quarteto revela nos seus concertos foi acompanhada por uma imagem no ecrã de palco em tom monocromático brilhante na qual o nome da banda apareceu escrito num tipo de letra espacial.
Gonçalo Ferreira com a sua bravura e as brutais expressões faciais revelou-se o mais extrovertido na performance tanto pelo desempenho vocal como no modo como lida com a sua guitarra. Como habitualmente Gonçalo Carneiro, na guitarra e nos sintetizadores, esteve também bastante elétrico. Já David Ferreira (baixo) e Nuno Gonçalves (bateria) foram mais sóbrios e menos expansivos.
Quarteto Travo numa belíssima performance | mais fotos clicar aqui
O final da sua performance foi algo estranha, foi uma saída apressada. Eventualmente tiveram indicações do lado de fora para terminarem, foi isso mesmo que pareceu olhando da plateia. O último tema que tocaram foi "Turn To The Sun".
A jornada inaugural do Rock no Rio Febras, no que diz respeito aos concertos, encerrou com os Pluto cuja atuação teve início à hora marcada: uma hora da manhã. Esta formação é composta por Manel Cruz (voz e guitarra), Peixe (guitarra), Eduardo Silva (baixo) e Ruca (bateria).
A plateia voltou a ficar bem mais composta como anteriormente em José Pinhal Post-Mortem Experience.
Manel Cruz, o vocalista dos Pluto | mais fotos clicar aqui
"Túnel" e "Bem-vindo a ti" surgiram na fase inicial, serviam de aquecimento das hostes. Em “Sexo Mono” lá surgiu o momento da praxe em que Manel Cruz tira a t-shirt.
Decorria de forma animada e em crescimento quando, antes da interpretação de “Convite”, os Pluto tiveram de pausar o concerto devido a problemas técnicos. Pela voz de Cruz lá veio a confirmação da questão: "O Peixinho vai ter uma conversa com os pedais".
Experientes como são, não se deixaram abater e retomaram a performance com uma tranquilidade de como não tivesse acontecido nada. Devo também referir a paciência do público, não desanimou e até deu forças ao quarteto.
Eduardo e Ruca em força total | mais fotos clicar aqui
A música nova “Coisas Delas” foi interpretada e é fantástico ver os Pluto a lançarem temas novos. Eles que regressaram em 2023, 20 anos depois, com o single “Túnel”. Entretanto lá lançaram mais temas e um novo registo discográfico está na forja.
Em "Quadrado", tema editado em 2024, Manel deixou a guitarra e deambulou de um lado ao outro do palco. Puxava pelo público numa altura em que fazia já um belo friozinho, nessa altura já ele estava tronco nu como é-lhe costume. O concerto rumava à fase final talvez isso explique os ânimos um pouco contidos.
“Um prazer estar aqui no festival com mais carisma do país” disse Manel Cruz e com toda a razão. Há uma vibe diferente proporcionada por um público diferenciado onde há centenas de voluntários e a comunidade local a trabalharem em prol de um bem comum.
Manel Cruz sempre com os olhos no público | mais fotos clicar aqui
Abnegados e certinhos como um relógio suíço os Pluto não desiludem e fornecem uma atuação bem competente e intensa. "Algo teu " interpretada no encore com Manel sentado na borda do palco foi o último fogacho já bem depois das 2h da manhã.
Jorge Lopes com o seu DJ Set em representação de espaço Oub’Lá encerrou a programação da primeira jornada.
O Rock no Rio Febras é uma organização da Casa do Povo de Briteiros e conta com o apoio do Município de Guimarães bem como de imensos parceiros nomeadamente de estabelecimentos comerciais da área envolvente a Briteiros.
Reportagem fotográfica completa: Clicar Aqui
Olhos do público concentrados em Pluto | mais fotos clicar aqui
Texto: Edgar Silva
Fotografia: Ricardo Costa @ ricardojosecosta (Instagram)