Ele cerrou os olhos de leve enquanto observava a filha. Sabia muito bem de como ela o bajulava para tentar escapar de situações complicadas para ela e tinha que admitir que na maioria das vezes ele acabava caindo na lábia da filha e ela se saía muito bem da situação, mas lá era diferente. Não sabia onde estava e tinha um medo enorme de que algo acontecesse para a sua amada cria, tinha que ficar alerta de qualquer maneira para que ambos saíssem daquela situação. - Eu sei que sou o melhor pai do mundo e é por isso que eu cuido tão bem de você a ponto de me preocupar com a quantidade de doces que está comendo. - ele disse calmo, olhando para a filha. Poderia muito bem coloca-la de castigo ou talvez a proibir de comer mais doces naquela festa, mas conhecia a peça que tinha em casa e não demoraria muito para que ela conseguisse se livrar de qualquer ordem do pai, até furtar alguns doces sem que ele percebesse direito. - A gente nem sabe direito onde estamos ou como vamos sair daqui pra voltar pra casa. Vai que você exagera nos doces e passa mal de noite? Eu to morando numa casa da árvore dentro de uma floresta e você na cidade, não é tão perto assim pra eu te socorrer - ele disse demonstrando clara preocupação - Pode comer doce, mas por favor, não exagera. Ninguém sabe direito o que vai acontecer aqui e você passar mal em uma situação de aperto pode ser ruim - ele disse ajeitando a joia na testa da filha que estava torta. - Aliás, você está muito bonita. Sua mãe ia querer tirar quinze milhões de fotos de você assim.
﹝ MB — flashback ﹞
- ̗̀ Outra risada escapou de seus lábios, que se projetavam para frente em um pequeno bico encenado e foi difícil não revirar as íris azuladas diante da preocupação do mais velho, não por irritação, mas apenas por julgá-la exagerada. Os anos que passara nas ruas haviam lhe ensinado a avaliar os riscos de uma situação antes de agir e, bem, a única coisa que parecia uma ameaça ali eram aqueles sapatos altos que lhe deram. Talvez o ponche, caso alguém o batizasse, mas não era como se ela pretendesse experimentá-lo. “ — Eu nem comi tanto assim ”, Raven tentou argumentar, contudo, acabou por deixar o prato que segurava sobre a mesa, em um sinal de rendição. Seus olhos permaneceram fixos nos do pai conforme este continuava a fala e, por fim, se viu expirando o ar que retinha em seus pulmões pelo nariz e acenando. É, aqui realmente parecia uma problema bem possível. Todavia, não se prendeu naquela informação, e a face logo se iluminava em divertimento puro. “ — Pera, você tá morando em uma casa na árvore? Oh, a irônia! ”, os ombros finos chegavam a chacoalhar com as risadas dela, que apenas podia se lembrar da vez que ela própria, anos atrás, quisera fazer a mesma coisa e Ryder não permitiu. Ainda ria quando ele ajeitava seu acessório, mais lembranças voltando a sua mente, transformando o sorriso tímido em um outro revirar de olhos bem humorado, “ — Deus, ia ser a minha formatura toda de novo! Lembra que tinha acabado de ganhar um celular novinho e ainda sim acabou com toda a memória disponível naquele mesm.... ”, a frase foi cortada no mesmo instante que os demais convidados começaram a gritar. A morena não chegou a ver a entrada do vilão, todavia, não demorou para ver as chamas esverdeadas começarem a se espalhar pelo local. Por instinto, seus olhos se voltaram para a figura do pai, agora carregados de medo, preocupação e descrença.