Como Se Eu Fosse Leitor
Hoje eu entendi que algumas dores não nascem apenas da perda.
Algumas nascem da beleza.
Da beleza de existir um amor tão verdadeiro entre uma mãe e um filho. Da beleza de um momento simples numa cama, um pijama igual, uma risada sincera, um livro infantil aberto sem imaginar que aquilo um dia viraria memória.
Talvez seja isso que mais destrói a gente: o cotidiano que parecia eterno.
O Dia das Mães passou, mas existem crianças que continuarão procurando a mãe em todos os outros dias do ano. Na escola. Nas músicas. Nos cheiros. Nas datas. Nos detalhes. No silêncio do quarto.
E talvez existam pessoas como eu também: que não fizeram parte daquela vida da forma que gostariam, mas que mesmo de longe foram profundamente tocadas por aquela luz.
É estranho sentir luto por algo que nunca foi totalmente seu. Mas algumas pessoas atravessam a nossa alma sem precisar permanecer muito tempo nela.
E acho que hoje eu entendi: não era só sobre saudade.
Era sobre imaginar quantos momentos simples pareciam infinitos… até deixarem de existir.












