Novembro, 15 de 2002 - 18:02h – Casa da Ana.
Tá, ter saido do cemitério não mudou muita coisa, porque ainda estva um tédio na casa da Ana..Enfim, decidi ajudar Maria - mãe da Ana- a terminar de arrumar as coisas, já que a casa estava realmente cheia de gente em busca de comida de graça.
- E ai Tia? A senhora ta melhoor?
- To indo né filha..
- O Tia, sabe eu também sinto falta dela, a senhora sabe que é dificil pra todo mundo que tinha ligação com ela...
-Bom eu vim ver se a senhora precisa de ajuda?
-Não querida, eu to bem, pode deixar que eu faço tudo sozinha, além do mais eu preciso ocupar minha mente com alguma coisa nem que seja com a louça suja..
- Tudo bem então Tia, eu amo você
- Também amo muito você minha segunda filha!
Sorri e disse: Minha segunda e primeira mãe!
Eu não tinha uma relação boa com a minha mãe nós discutiamos muito, teve uma vez que ela chegou a me dizer que preferi que eu morresse no parto em vez de ter nascido saudavel pra atormentar a vida dela... Eu nunca liguei muito pra isso na época, mas chega uma hor que você explode sabe? Que você não aguente mais, então eu venho morando mais na casa da Ana do que na minha casa.. Sempre achei clichê e chato draminha esse negocio de se cortar e tals, mas ai aconteceu comigo, e você se arrepende muito de falar uma coisa sem saber que realmente alivia e muito, mas na maioria da vezes Ana chegava a tempo de me impedir e me dar um abraço. Eu sempre digo que um abraçoa sincero é melhor que a lámina, mas as vezes nem um abraço ajuda, porque é tanta coisa qu vão jogando na sua cara, que sei lá você não aguenta sabe? Mas enfim, isso fico muito dramatico já.
Eu estava indo pro porão. O porão era o lugar em que eu e Ana iamos pra ficarmos sozinhas, ninguém, nem mesmo Maria ia lá, a não ser pra limpar claro, e nós eramos espertas o suficiente de irmos quando ninguem ia. Faziamos tanta bobagem naquele porão... Mas a que mais gosto é dá " Vamos cortar nossos proprios cabelo Ana" realmente eu não estava muito bem naquele dia pra falar uma coisa daquelas, sorte que Ana estava um pouco melhor e me impediu de fazer uma coisa daquelas e acabar tendo de usar uma daquelas boinas horriveis...
Estava perto do banheiro rindo sozinha da desgraça que teria ficado aquilo se Ana não tivesse me impedido de fazer quando ouço uma voz que não conhecia me chamar:
- Lua, tão bela, o que faz aqui sozinha?
- Q-quem é que tá a-aí ?
- Não Lua, não fique com medo, sou do bem.
- Quem é você, e como veio aqui? - não conhecia a pessoa, era um menino- e que menino! Jesus apaga a luz e sai do quarto porque o resto é pecado!- devia ter no máximo uns 19 anos, 2 anos de diferença de mim, era pouco, mas porque eu to fazendo contas em vez de ficar preocupada se ela não vai me estuprar?
- Bom, vamos as apresentações, meu nome é Arthur e tenho 20 anos, você é a Lua e tem 17, certo? - hmm errei por 1, merda!
- É, mas como você sabe?
- Tenho te observado esses dias no cemiterio, e em falar nisso o que faz uma dama sozinha no cemiterio?
- É, eu tava pensando na Ana, pensando na vida..- nem sabia porque tava contando aquilo pra ele, nem conhecia ele diretio- Mas, peraí você disse que tava me espionando?!
- Não, não claro que não! Estava admirando, é diferente!
- Rá Rá, muito engraçado você senhor Arthur!
- Me chame de Thur.
- Ok Thur. - Thur, gostei, é bonitinho- mas você ainda não me disse como chegou aqui..
- Olha eu vim andando...- fiz uma cara de brava e ele continuou- brincadeira eu vim mesmo era porque vi você descendo e achei uma oportunidade ótima de perguntar se você não quer sair comigo- percebi que suas bochechas ficaram levemente rosadas, e ele tinha ficado de repente tímido..
- Ok, onde você quer me encontrar?
- Pode ser no cemiterio?
- Claro.
- Te vejo lá amanhã, tchau Lua.
E ele se foi e eu voltei as minhas lembranças, sozinha. Acho que uma das minha qualidades era conseguir lembra das coisas boas primeiro e depois das ruins. E com o "depois as ruins" eu lembrei que Ana não estava ali pra eu dividir que iria ter um encontro, ela provavelmente estava perdida, com fome, frio, e acabei começando a chorar, sim chorei com o pensamento de nunca mais poder ver minha melhor amiga...