won't you kiss me on the mouth and love me like a sailor? and when you get a taste , can you tell me what's my flavor?
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ONDE: acampamento militar
COM: @ethcl
Estava indo e voltando de casa conforme conseguia, aproveitando qualquer oportunidade para escapar do amontoado de changelings que oscilavam entre uma alegria imensa pela morte da imperatriz e a preocupação do que aquilo poderia significar, unindo peça a peça de todos os ocorridos até então. Cillian, por outro lado, estava preferindo a ignorância. Tinha muito a pensar e a fazer, começando por seus próprios problemas, e a morte da imperatriz não causava efeito algum em si. Ela sempre fora uma das mulheres mais abertas ao ódio contra changelings, então, por quê deveria se comover tanto? O mínimo que tinha era respeito e nada mais.
Depois de perder algumas horas revirando as próprias coisas esquecidas em casa, voou com Void de volta para o acampamento apenas para ser visto e alguém comentar que o viu por ali quando algum superior perguntasse. O dragão preto chamava atenção por ser uma penumbra gigante durante o dia e quem queria encontrá-lo saberia por onde seguir, como Ethel sempre o fazia. Quando a changeling ainda estava a alguns passos, foi ele quem andou em sua direção. O olhar dela dizia o mesmo que o dele: precisavam conversar, sobre tudo. "Já sei." Afirmou antes que ela pudesse dizer algo, a guiando para um canto longe do aglomerado. Já tinha a visto retornar em segurança para Hexwood antes de serem separados outra vez, mas não teve tempo de checar. "Que bom que está inteira. Precisou ir até a enfermaria?" Não custava assegurar.
Olhou para os lados, ainda desconfiado de privacidade, e por isso optou pelo murmúrio. "O que falaram enquanto reuniram os professores e dirigentes?" Não sabia o que havia chegado em Hexwood já que ficou responsável por guiar um grupo de soldados para um posto até a chegada de algum oficial do exército. "A única coisa que sei é que não vai ter volta para Hexwood ou para casa. Vocês vão ficar aqui por um tempo."
* SETTING : no barraco humilde lar de Cillian, com @ethcl.
A casa de Cillian era para onde fugia quando não queria ser encontrado. Naquela tarde estava determinado a escrever sem interrupções, e carregava consigo o diário e um sanduíche surrupiado do Salão Principal no fim da tarde. O voo até Zelaria no dorso de Buruk já era como segunda natureza, e tanto ele quanto o dragão facilmente poderiam fazer todo o trajeto de olhos fechados. Aterrizaram às margens da floresta que ocultava o chalé, construído no coração da clareira de um bosque. O caminho entre as árvores era demarcado não só pelas pegadas frequentes, mas pelos riscos nos troncos feitos por ele quando mais novo, quando a trilha ainda era pouco viajada e era preciso de orientação para a navegar. Desde então, suas botas e as de Ethel eram as mais frequentes a esmagar a neve sob as solas ao cruzar a distância que separava o lugar de desmonte da casa escondida.
Ao entrar na cabana sem anunciar sua chegada, não precisou procurar pela figura morena familiar por mais que um par de segundos. A residente oficial do sofá estava de pé na sala de estar que tinha como quarto, e parecia estar dançando ao som de uma melodia imaginária. Na linguagem silenciosa que partilhavam, aquilo só podia ter dois significados: algo de muito bom havia acontecido ou, mais provavelmente dada a má sorte compartilhada, algo de muito, muito ruim. Tadhg deixou os pertences que carregava consigo sobre a mesa da cozinha, e então contou o tempo imaginário que regia seus movimentos por um par de segundos antes de se juntar a ela, os passos livres uma manifestação da cultura feérica e não da coreografia engessada que era vista nos bailes khajols. ❛ Por que estamos dançando? ❜ Perguntou em vias de cumprimento, porque os problemas e as felicidades dela eram seus também, e aquele era o método compartilhado para expressá-los. Manteve a expressão cautelosamente neutra, escolhendo não se preocupar ou celebrar até ter motivo–primeiro precisava de resposta.
⠀( … )⠀FLASHBACK : perto da muralha de Ânglia com @ethcl.
Seus piores medos tinham se confirmado tão logo Jörmungandr emergiu do mar: o Ragnarök estava à porta. Estava com a irmã quando o céu se abriu, e a urgência de a proteger acabou por o colocar no olho do furacão, envolvido na ação da batalha pela primeira vez em sua vida. Usar de sua mágica para proteger o reino o fez sentir útil, e o deu um propósito maior que o de assumir o título de Valdr. Poderia se acostumar com a sensação, não fosse a preocupação esmagadora com todos a quem queria bem.
Passado o pior, tinha um inventário mental a checar, começando pelo bem-estar de Ethel. Seus olhos tinham se cruzado durante a batalha, e seu peito tinha se enchido de orgulho ao vê-la atendendo aos dragões feridos na companhia de Aygoas. O aquaris de escamas turquesas era uma coisinha pequena comparado às bestas na linha de frente, mas cortava os céus com uma agilidade incomparável, e Eirik se viu curioso para conhecê-lo tão logo o temor pela sua vida e a de sua noiva passou.
A chamar de noiva tinha um gosto adocicado mesmo em pensamento, e o fez sorrir enquanto caminhava na direção do ponto de encontro escolhido. A tinha enviado um bilhete através de Magdalena, e agora rumava aos portões da muralha, a guarda reforçada o tomando mais que um par de minutos de tempo antes de poder seguir seu rumo. A ideia não tinha sido sua mas, fora dos limites da capital e longe de olhos observadores, supunha que pudessem estar um com o outro sem receios. Tão logo sua carruagem alcançou o destino, tratou de bater contra a madeira um par de vezes, indicando que o condutor estacionasse o veículo para que pudesse descer. O tinha subornado para o deixar a sós mas, não confiando apenas no dinheiro, planejava apagar sua memória com magia antes que tivesse a chance de dar com a língua nos dentes para Gydda – um truque que tinha aprendido graças às lições privadas de Manipulação da Realidade. Espiou o ir e vir de mercadores sob a sombra de uma árvore, buscando pela figura familiar entre a multidão até avistar os longos cabelos castanhos a que tanto adorava. Não aguentou esperar: foi de encontro a ela na metade do caminho antes que tivesse a chance de o alcançar. Ainda não podia a cumprimentar como queria, mas o sorriso de orelha a orelha que estampava seu rosto estampava de maneira clara sua intenção. ── Thank Odin you're okay. ── Exclamou, a olhando de cima abaixo como se quisesse se certificar de que a conclusão não estava equivocada. Os olhos se demoraram no anel de visco que adornava seu dedo, e que ainda esperava por companhia. Tinha tido uma ideia que desejava partilhar, mas não queria começar a tagarelar logo de cara. Primeiro a daria a oportunidade de falar. ── Estou curioso com a sua escolha de local. ── Admitiu, não tendo o costume de frequentar os arredores de Ânglia por conta própria.
* SETTING : com @ethcl na Underbelly.
Qualquer comemoração pela suspensão das aulas morreu na praia tão logo percebeu que estas seriam substituídas com postos na muralha da capital. Graças ao luto pela Imperatriz, o comércio de bebidas alcóolicas estava proibido na maioria dos estabelecimentos do Alto Império, e os boêmios como ele tinham que recorrer aos estabelecimentos de reputação suja se queriam molhar o bico. Por sorte, tanto ele quanto Ethel estavam livre naquela noite, e a tinha ido buscar em sua barraca para intimá-la como companhia.
Tendo crescido em Ânglia até a captação, era de se esperar que conhecesse suas ruas como a palma da mão, mas toda e qualquer exploração dos becos e vielas foi feita apenas quando mais velho, somente quando passou a receber o soldo e a ter possibilidade de deixar Wülfhere. Quando criança, só o que viu do movimento na capital foram as silhuetas de transeuntes recortadas contra a janela. Quando adolescente, foi na companhia de Ethel e de Cillian que tomou o primeiro caneco de cerveja na mesma taverna em que agora estava enfiado.
Colocou um trio de cobres sobre o balcão do bar, e a bebida com cor (e gosto) de mijo que os foi servida mais parecia um castigo, mas por ora teria que bastar. Empurrou um dos canecos na direção da amiga enquanto se acomodava no banco alto, dando um par de longos goles antes de a falar. ❛ So where's that leprechaun boyfriend of yours? ❜ A perguntou, um sorrisinho implicante erguendo os cantos de seus lábios tão logo interrompeu o silêncio momentâneo. ❛ You should know better than to trust gingers, but I'm sure Cillian's already given you 'the speech'. ❜ Continuou, sabendo que a escolha de pretendente de Ethel a teria garantido um esporro caprichado dado o histórico entre os Methusael e os Hrafnkel. ❛ I saw you two at the wedding looking mighty cozy. Are you next on the marriage docket? ❜ Considerando que o Imperador estava apoiando uniões entre khajols e changelings pela primeira vez desde a fundação de Aldanrae, não se surpreenderia se mais e mais casamentos interraciais se tornassem possíveis – parte de si tinha esperança de celebrar o próprio, mas morreria antes de o admitir em voz alta.
ONDE: salão do casamento
COM: @ethcl
A changeling tinha um lugar especial na lista de relacionamentos de Freyja. Desde as festas de fim de ano, vinham trocando livros e cartas, sempre contando suas opiniões, resenhas e até jogando um pouco de conversa fora. Com os dias corridos em Hexwood, mal tinham tempo de se verem além de nos corredores, e todas as vezes que tentavam combinar uma leitura coletiva decente, a qual Freyja tinha considerado até convidar Brianna e Sigrid para participar, algo ocorria e atropelava qualquer chance. Aquela era, provavelmente, a primeira vez que via Ethel sem ninguém a alugando, embora a tivesse visto cochichar algo com Eirik — tinha prestado pouca atenção, na verdade, preocupada com outros assuntos que a estavam atormentando. Se aproximou da morena, contente por ser alguém completamente excluída de seu círculo social. Pelo menos teria um assunto diferente para puxar. "Senhorita." Tocou o braço para chamar a atenção, estendendo a ela um dos copos com a bebida cor de rosa tão sem vinda quanto a falta de álcool. "É bom ver você e poder conversar de verdade. Quase fiquei enciumada quando vi você conversar com minha cópia e não comigo." Apontou na direção do gêmeo do outro lado, interagindo com outras pessoas. "Não que eu esteja desacostumada a dividir tudo com o único gêmeo que tenho." Brincou com um piscar de olhos, aliviada pelo fim da tensão que tinha com o irmão, ou assim pensava. Agora, tinham outros problemas. "Veio acompanhada com seu noivo? Irmão? Amigo?" Não via sinal do changeling que estava por perto de Ethel até então, sorrindo satisfeita. "Aposto que ele não vai se importar em te emprestar uns minutinhos."
ONDE: Casa do Cillian, varanda
COM: @ethcl
Ao redor da casa, havia neve em grande quantidade. O inverno ainda estava dando seus últimos suspiros, fazendo chover frio durante alguns dias e deixando a neve esbranquiçar todo o chão pela noite, dizendo a eles que ainda estava firme e pronto para continuar gelando o que conseguisse. As árvores não tinham folhas e pareciam esqueletos medonhos e desgrenhados, balançando de vez em quando com o vento frio que assoprava. Apesar do básico, o terreno de Cillian estava cheio de neve pesada, parecendo piorar todas as vezes em que ele se sentia triste ou irritado. Quando convidou Ethel para visitá-lo e falar sobre o que mais parecia ser uma paranoia, não pensou que se sentiria estúpido.
A mera presença da morena fez com que boa parte da neve derretesse e sua varanda se tornou um monte de madeira molhada, fazendo barulhos ocos conforme pisavam, e um círculo de sol iluminou o telhado. Não era possível ver o astro, mas o calor era grande como se fosse o mesmo. Os insetos e aves estavam atraídos o suficiente para fazer parte do cenário, simulando perfeitamente uma das casas das donzelas de histórias infantis que corriam por Aldanrae. Queria provar a ela um ponto e estava provando outro completamente inédito e inesperado; ao mesmo tempo em que havia sol, um vento frio tentava brigar com o calor e Cillian sentia uma energia estranha que o fazia formigar.
Estava recostado em uma das madeiras secas, olhando para ela como se ela tivesse alguma resposta para ajudá-lo. "Não faço ideia do que está acontecendo ou porque isso acontece." Começou, sabendo exatamente qual seria a maior dúvida de todas. "Já procurei por todos os cantos da casa por qualquer coisa mágica que possa ter aparecido que não tivesse antes, mas não é aqui que isso acontece. Em Hexwood é a mesma coisa, e piora muito quando fico..." Não sabia quais palavras usar para descrever os sentimentos já que estavam todos misturados de acordo com o cenário em que estava. "O ponto é que choveu, dentro da minha sala. Tenho medo de estar delirando. De novo. Você também está vendo, não é?"