Eu não excluí o seu número, sempre que a saudade bate, ou a raiva, eu mando mensagem, digo tudo que eu queria te dizer, tudo que você não vai ouvir. Esses dias eu te liguei de madrugada, com a tola esperança de que você atendesse, mas você nunca me atendeu, nem quando estávamos juntos.
Eu te procuro em cada rosto, em cada lugarzinho que você poderia frequentar, em cada foto que aparece na minha timeline, em cada post que poderia falar sobre você, em cada fila de ônibus que você poderia estar, eu te procuro, te procuro o tempo todo, mas eu nunca te acho e eu me perco um pouco mais a cada procura.
Eu me perco por ainda achar que você merece que eu te busque depois de tudo, depois de cada lagrima e cada ferida que nós dois sabemos, nunca vão sarar, você é veneno que eu ainda quero beber, é tarja preta que eu me viciei, é cocaína.
É uma dorzinha chata que não me abandona, é aquela lagrima no canto do olho que eu seguro pra não deixar vir a público no fim de cada dia, é o fato de eu manter a guarda sempre alta e ter medo de toda e qualquer pessoa porque eu não suporto mais um trauma como esse.
Eu não apaguei o seu número, covardia, talvez, ou uma maneira de me lembrar que você me deixou da maneira mais cruel possível, sem nem ao menos dizer adeus, você, que disse me amar tantas vezes, apenas trocou de número pra que eu não pudesse mais falar com você, assim, sem motivo, bom, meu bem, eu não excluí seu número.