Clary Simmons, Distrito 6, desafio 3
Remexi os pés, notando ao quanto me sentia aquecida com a sua proximidade. As mãos repousavam sobre sua pele, peitoral, calor. Suas mãos em volta da minha cintura, corpo junto ao corpo. Espreguiço-me automaticamente ao despertar, abrindo um dos olhos e imediatamente levando ambas as mãos ao rosto, esfregando os olhos na esperança de finalmente acordar e me certificar de que não sonhara. Mas Augustus adormecido ao meu lado era prova suficiente. Gus, protegido pelo cobertor, usado uma box preta bem apertada, que alargou o sorriso ao me notar ainda em profundo sono. Ainda era cedo. O sol continuava adormecido e pequenas linhas luminosas ameaçavam penetrar as persianas da janela. Aproveitei-me de seu sono para ficar em seus braços. Começou com um beijo sutil na base do maxilar, delicado o bastante para que ele não percebesse. O gesto intensificou-se com cuidado, meu rosto se aconchegando ao dele, acarinhando, sentindo a textura da barba roçar em minha pele. Augustus usava a cueca apertada demais.Eu usava uma calcinha e camiseta. Exigência noturna. Nada malicioso, nada de nudez, apenas eu e ele, na cama, só compartilhando carinho.
Suspirei demoradamente, esfregando o rosto pela curva do pescoço do Gus. Seu cheiro, o calor de sua pele, o conjunto de tudo que o formava. Encaminho os lábios até seu queixo e o mordi. Devagar. Nada de acorda-lo. Seria embaraçoso demais que ele acordasse comigo mordendo seu rosto. Provavelmente de chamaria de louca. E talvez eu fosse. Mesmo que seja só por uma noite, sinto-me feliz por ele estar comigo. Sorri, queria aproveitar esse momento o quanto eu conseguia. Depois poderia fingir que o confundi com o travesseiro. Mas enquanto podia aproveitar sozinha o silêncio de sua companhia, o faria. Virei-me de costas, jogando o braço para trás até encontrar o dele e puxá-lo para que meu corpo se encaixasse ao seu. Queria que me abraçasse, me envolvesse. As pernas dele se entrecruzando às minhas, o peito dele juntando-se às minhas costas, os pequenos pontinhos de sua barba fazia cócegas ao encontro do meu pescoço, a presença dele ali, tão gostosa e tão quente quanto um dia claro de verão. Remexo os ombros sentindo-o colado a mim. Rocei as costas em seu peito, rindo das cócegas aleatórias que sentira pela linha dos ombros.
- Ainda é cedo. – Sussurrei num tom mais baixo do que esperava, entrelaçando meus dedos aos dele e fazendo-o pousar a mão em meu cabelo. Ele é simplesmente perfeito com esses olhinhos sonolentos, Deus, como pode ser tão bonito? Era cada vez mais impossível de ignorar o quanto ele mexe comigo, cara.. Quantas vezes já me imaginei abraçada a Augustus, deslizando pelo corpo dele, o dando beijinhos de bom dia..
- Pare de fingir que está dormindo. -Murmurei, rindo, sem realmente ter certeza de ele dormia. Passei os dedos nos seus cabelos bagunçados, que mesmo depois de eu arrumar, continua rebelde. Estivesse ele pensando ou sonhando, provavelmente não me ouviria. Mas que ele me rendeu bons sonhos esta noite, eu não poderia negar. Todos eles tinham o Gus, ele em toda parte, me beijando, e aquilo parecia tão errado, mas, ao mesmo tempo, tão gostoso. Sei que sem ele, jamais presenciara naquela vida momentos como esses, mas também sei que embora eu tenha sonhado com ele, mesmo com ele deitado ao meu lado, não tenho certeza se ele me ama o quanto eu o amo, nem se ao menos me ama.
- Temos que ir ao Centro de Treinamento. Você precisa me soltar…- Informei em meio a um bocejo, aconchegando-me mais uma vez, me envolvendo nele nele como se desvendasse uma nova sensação, caindo em risos divertidos e sem qualquer maldade, como uma criança encantada por um novo brinquedo.
-Acorde, neném. - Assim como o apelido, o meu tom de voz era carinhoso.
-Oh, claro. Porque você definitivamente precisa se esfregar em mim para me fazer levantar. Acho que se continuar se apertando daquele jeito contra mim, posso não te deixar sair daqui hoje. - A vibração rouca de suas cordas vocais chegou a me deixar surpresa, ele apertou meu quadril contra seu corpo, me aprisionado a ele, mas sem a menor intenção sexual. Contando, ele tinha os dedos bem bobos que passeavam pela minha coxa a fim de subir para a bunda. Suas mãos deslizaram pela minha camiseta, e eu estremeci, não queria nenhum toque ousado. Mas me senti mais aliviada ao sentir algo diferente: cócegas. Ele estava me provocando com as cócegas, dando beijos pela minha nuca conforme os risos vinham aos meus lábios sem nenhuma repreensão.- H-hm… Isso é o que ganha por me acordar cedo. -Disse ele, mas por fim inclinou-se de modo a aplicar um beijo longo, demorado, onde toda pressa tinha sido extinta do mundo. - E isso é o que ganha por ser assim, tão ridiculamente linda mesmo quando acabou de acordar.
Estar ali com Augustus parecia estranhamente certo. Certo porque me fazia rir, arrancava-me suspiros, me dava arrepios, eliminava traços de mau humor e transmitia-me uma paz interior que há muito parecia ter sido roubada. Uma paz que só consigo sentir quando estou ao seu lado, encarando aqueles lindos olhos castanhos, sentindo-o perto de mim, Era absurdo notar que somente uma pessoa no universo inteiro tinha o poder de roubar a minha solidão e poder fazer com que eu realmente me sinta acompanhada, Não preciso conter os risos e os arrepios provocado pelas cócegas que subiam o pescoço e desciam pela coluna, deixando-me livre de cobranças de mim mesma. Com o Gus eu podia ser o que quisesse, e era irônico que sempre acabasse por escolher ser eu mesma. Cada vez sinto que devo me aproximar mais perigosamente do seu corpo. Sinto que devo estar perto dele e, por um momento, percebo que eu o amo. Sim, eu amo Augustus Whestphall.
-Não estou me esfregando, Gus. Pare de me fazer cócegas. Paaaaare. - Luto precariamente contra os braços de Augustus, contra os beijos que me arrepiavam a alma até finalmente me sentar. O encarei dali de cima, sua expressão preguiçosa e a bagunça que estavam seus cabelos, as olheiras que marcavam a pele, o sorriso encantador a luz do dia e todos os traços que o formavam. Quis dizer o quanto ele também conseguia ser ridiculamente bonito ao acordar, mas lembrou-me que não estava ainda num nível íntimo e independente o suficiente para proferir tais elogios. Mesmo tão próxima, meu instinto me obrigava a manter uma distância segura de palavras que por vezes intensificavam o poder dos gestos que já me via incapaz de evitar, como o discreto mover dos dedos pelos cabelos de Gus, acarinhando-o com leveza e calma, um contraste absurdamente carinhoso. O tocava com a suavidade de uma brisa, sentindo os fios escuros roçarem em minhas palma. Indaguei para mim mesma silenciosamente quantas vezes desejei estar bem aqui, fazendo-lhe carinho, fitando a infinidade de seus pequenos olhos castanhos.
-Durma mais um pouco. – Sugeri docemente, escorregando a mão pelos seu corpo, fechando meus olhos ao acarinhar seu rosto, passeando pelo nariz até pausar sobre os lábios. Esboucei um sorriso que durou pouco menos que alguns segundos. Nunca reparei o quanto seus lábios são vermelhos. Senti suas mãos alisando-me nas costas, e eu apenas retribui. Agora que o tinha assim, deitado em meu colo, com os olhos fechados e sonolento. Não conseguia parar de olha-lo - Sua boca é muito beijável. - Comentei num tom sério, ignorando a estranheza da afirmação, tirei os dedos finalmente do contato dos lábios alheios e deixando-os passear pelo peitoral dele. Umedeci os lábios, arqueando a sobrancelha e encarando Augustus por mais alguns instantes antes de sem qualquer aviso prévio inclino-me para frente e aplico uma mordida forte numa das linhas que delineavam os músculos do abdômen dele. Uma mordida repentina, sem qualquer precedente, mas forte o bastante para com certeza deixar uma marca perfeita bem onde queria. Uma mordida que evoluiu para um carinho feito com um simples roçar dos lábios, e então me afastei de novo, abrindo um sorriso que não demorou a se transformar numa risada divertida. - Volte a dormir. - A sugestão repetida foi acompanhada de um carinhoso tapa no ombro dele, antes que ele se levantasse e bocejasse, se espreguiçando na cama. Ele gemeu involuntariamente ao alongar o pescoço, fechando um dos olhos e mantendo o outro fixo na garota que acabou de presentear com uma bela marca vermelha no corpo. - Tenho que partir agora.
Augustus gargalhou abertamente quando percebeu a sua nova marca na pele causada por mim. Cruzou as pernas e me encarou, com um ar de curiosidade tão comum que não me surpreendeu. Mordeu o lábio inferior, estreitando os olhos e mantendo o foco de sua atenção no meu rosto.. Havia algo particularmente belo em vê-lo sentado ali, com seus olhos e seus sorrisos encantadores, com a sua expressão de sono e com o seu cabelo bagunçado.
- Meu Deus, eu devo ter feito algo de muito bom nas outras vidas pra ter você aqui assim… Desse jeito. - A confissão saiu pressionada no pescoço ao meu alcance, onde pressionei a extremidade do nariz e respirei fundo por diversas vezes. Deixei o rosto pender para o lado, observando-o arrumando os fios de cabelo, mas eles continuavam rebeldes. - Você é lindo.- O elogio gratuito seguiu um beijo tímido, pontuado na curva do seu pescoço - Incrível. - Outro beijo. Outro pedaço de mim abandonado numa das bochechas dele. - Maravilhoso. - Um novo beijo, soprado na multidão escura dos cabelos perfumados. - E… Que horas são? - A brincadeira acompanhou agora a nuca, dei uma breve gargalhada por conta do comentário. O clima estava tão alegre que eu não queri mais sair da cama
Não sei se ele estava realmente gostando de me ter assim, tão perto dele, anunciando o óbvio. Claro que muitas outras já estiveram ao seu lado em uma cama, e claro que elas já falaram o mesmo. Esse pensamento me deixa desconfortável.
-Vou me trocar..- O dei mais um longo selinho, tímida. Senti ele morder o meu lábio, e, minhas bochechas automaticamente ficaram vermelhas como um tomate, Deus, porque ele me deixa tão louca assim? Isso parece extremamente errado, mas muito gostoso. Eu apenas retribui sua mordidinha com um forte chupão em seus lábios, e ele gemeu, o que me fez abrir um sorriso largo, mas não malicioso
-Até mais tarde -Disse com a voz baixinha e lenta. Ele finalmente me soltou, mas fez um biquinho mimado e.. Nossa, mas que boca mais linda, meu Deus do céu. Fiquei parada na sua frente boquiaberta, o observando ele deitado na cama, com os braços atrás da cabeça, me olhando sonolento. E por um momento, eu não consegui mas pensar em nada, não consegui formar palavras para falar alguma coisa que faça sentido. Minha língua se recusava a pronunciar qualquer coisa, e eu só conseguis o olhar, deitado assim na cama, mas que perfeição. -Eu te amo, Augustus -sussurrei mais para mim do que para ele e caminhei em direção a a porta, deixando o seu quarto.
O reflexo no espelho dizia que eu estava bonita, como se realmente fosse acreditar. Havia colocado a camiseta preta e apertadinha que uma avox me entregou, ela era mais justo na parte de baixo, o que fazia minhas curvas ficarem mais marcadas. Tinha calçado uma sapato rosa e colocado minha pulseira de pérolas. Deixei os meus cabelos todo preto e, como sempre, prendi os cabelos em um rabo de cavalo. Minha calça era prata e colada, sua cor é bastante escura, mas comum. Logo a lembrança do rosto do Gus veio a minha mente, e eu sorri abertamente ao ver os seus incríveis olhos castanhos.
Não demorei muito no quarto, sabia que deveria acordar mais cedo, e que provavelmente eu estava atrasada, mas a culpa não foi minha. mas eu não resisti.. Ele deitadinho na cama, como um gatinho carente, pedindo por carinho. Eu não conseguia sair da cama.
Suspirei ao entrar no elevador em direção a sala do treinamento. Não sei o porque mas, todos daquela sala estavam olhando para mim. Droga. Andei olhando para os meus pés até chegar perto dos outros tributos. Fiquei na ponta dos pés e comecei a procura-lo. Franzi o cenho ao vê-lo ao lado daquela garota do desfile. Acho que é do distrito 6, se não me engano. Seus longos cabelos loiros extremamente claros estavam soltos e, ela assim sem maquiagem, ficou muito mais bonita, na minha opinião.
Ele se aproximou de mim e pude ver um sorriso nos seus lábios. E eu sorria ao vê-lo, era instantâneo, de imediato. Ele passava por mim e uma corrente elétrica tomava meu corpo, nós nos encaramos sem graça desviavam o olhar como se um não existisse para o outro.
-Olá -ele sorriu sem graça novamente, e senti a sua mão enlaçar a minha timidamente. Comecei a tremer de medo. E se alguém nos visse? A loira começou a se aproximar e ele soltou imediatamente a minha mão, e então nos afastamos como se nada tivesse acontecido. Ele deu uma gargalhada e eles se abraçaram. Em seguida ele sussurrou algo no ouvido dela e, eles começaram a rir.
Meu coração começou a pesar.
Desviei o olhar deles e tentei prestar atenção no que a instrutora estava falando, mas eu não conseguia me focar em mais nada. Só conseguia pensar nele, e só conseguia sentir raiva daquela garota, mas é um tipo de raiva diferente. Não arde por dentro. Mas machuca muito mais. Eu nunca senti isso antes em toda a minha vida como eu senti agora.
Já faz mais de 20 minutos que tento acender uma pequena fogueira, e, na minha opinião, só serviu para me atrapalhar. Sei muito bem que acender uma fogueira só vai me trazer prejuízos Se algum carreirista me encontrar, me matará da maneira mais cruel e maldosa possível
Em uma edição dos jogos, acho que foi a uns 2 anos atras, um tributo masculino do distrito 1 matou o tributo feminino do distrito 3 cortando lentamente cada pedacinho do seu corpo. Desde aquele dia, não consigo mais tirar essa cena da minha cabeça. Os jatos de sangue voavam longe, mas não tinha ninguém para ajuda-la.
Balancei a cabeça para afastar a má lembrança e sorri orgulhosa ao ver as chamas da fogueira brilharem. No finalzinho da sala, pude ver Augustus. As chamas quentes faziam o seu rosto ficar retorcido, mas ele estava longe demais. Muito mais longe do que eu queria que estivesse.
Depois que o fogo se apaga, me levanto com dificuldade do chão e meu quadril começa a latejar, e sinto minhas pernas dormente, mas continuo a andar hesitante em direção ao centro da sala, onde várias fileiras de facas estão organizadas pelo tamanho. Pego uma do tamanho médio. Eu até pegaria um chicote, ou uma lança, mas os carreirista já estão usufruindo desses equipamentos.
Paro na frente de um alvo e me concentro, segurando a faca com firmeza entre os dedos. Quando ia lançar a faca, escutei a risada dele, e, a faca ficou ficou presa no alvo, porém, muito longe do ponto vermelho. Os carreiristas apontaram para mim e riram. Minhas bochechas coraram.
Peguei outra faca e a entrelacei entre meus dedos. Cerrei os meus olhos e olhei para o alvo, com a respiração ofegante.
Joguei a faca com força e confiança, e, ao vê-la voando em direção ao alvo, meu corpo tremeu na expectativa. Um sorriso largo surgiu em meus lábios quando vi a faca cravada no centro do alvo, bem no círculo vermelho.
Estranho. Quando eu erro a mira, todo mundo me olha como se eu estivesse fazendo algo bizarro. Mas quando eu consigo acertar o alvo, ninguém nem liga.
As idealizadoras estavam em uma sala protegida por uma cerca transparente, que dá choques poderosos em quem tentar ultrapassar. Sei disso porque está escrito em uma plaquinha perto da parede.
São três garotas. A loira está no meio, analisando os tributos e com um sorriso malicioso. deve estar planejando a morte de cada um. Uma morena de cabelos castanhos e olhos da mesma cor está escrevendo algo em um bloco de notas, deve servir para anotar as ideias da loira, que sussurrou algo no seu ouvido. A morena riu e concordou, mordeu o lábio e anotou algo no papel. A outra garota também tinha cabelos escuros. Porém é branquinha e com os olhos claros. Ele só estava tomando um café, e sorriu sem mostrar os dentes quando eu acertei o alvo, e balançou delicadamente a cabeça em sinal positivo. Eu apenas sorri de volta meio sem graça.
Depois de longas horas, quando já estava ficando escuro, fomos finalmente liberados e, desta vez, eu dormi sozinha
No segundo dia de treinamento, tive que treinar o meu nado. E acabei descobrindo que eu sou um desastre nisso. Mesmo tentando, eu não conseguia nadar sem entrar em pânico total, sempre acabava me afogando. Meu segundo dia não foi nada produtivo.
Agarro-me aos galhos da grande arvore, nos limites dela. Subo mais alto do que a minha coragem me permite alcançar, os meus membros ardem. Aos 10 anos, descobri que, quando fico fora do barulho e da movimentação do meu dia a dia, meus ouvidos produzem um grande zumbido perturbador. Minha cabeça lateja com o barulho.
Enxugo o suor da minha testa com as costas da minha mão, em pé em cima de um galho, quando escuto uma risada. A princípio, ele vem lá de baixo, e parece estar próximo. Fico parada para conseguir decifrar a risadinha e consigo identificar de quem ela pertence: Augustus.
Sinto um arrepio na nuca e agarro o galho acima da minha cabeça com as duas mãos e seguro todo o meu peso nele. Estou tremendo agora. Fico agachada, com os galhos e enroscando em meus fios de cabelo. Essa arvore é bastante alta, consigo vê-los conversando e rindo no outro lado da sala. E tudo o que eu quero é escutar a conversa.
Uso os galhos mais próximos como degraus, equilibrando-me e contorcendo-me cuidadosamente entre as folhas para não fazer barulho.
Aos poucos, os galhos tornam-se mais finos e fracos Molho os lábios e encaro o próximo galho. Preciso escalar o mais alto possível, mas o galho aparenta ser curto e flexível Apoio o pé sobre ele, que range, mas aguenta Levanto o corpo para a poiar o outro pé, mas o galho se rompe.
Arquejo enquanto meu corpo desaba para trás. A dor logo invade cada parte do meu corpo, e eu só consigo ouvir a sua voz chamando pelo meu nome, mas meus olhos se recusam a abrir. Meus pulmões procuram o ar, mas eu não consigo encontra. Sinto os seus braços me acolhendo, e o perfume familiar. Augustus. Depois disso, eu não consigo me lembrar de mais nada.
Quando abro os meus olhos, ele está sentado em uma cadeira ao meu lado, segurando forte a minha mão.
-Gus.. -Ele me olhou assustado e abriu um sorriso encantador, me envolvendo em seus braços. Retribui meio fraca, mas estar em seus braços me traz um conforto imenso. Então não tento me soltar
-Você tem sorte, Clary. -ele diz baixinho -O chão do centro do treinamento tem uma camada de proteção de borracha, e amortece a queda - ele começou a beijar o meu pescoço, e eu escondi um sorrisinho ao sentir seus lábios ali, tentei não me arrepiar.
-Eu fiquei preocupado, pequena- senti algumas lágrimas escorrerem do seu rosto. As sequei e alisei seus cabelos. Segurei o seu rosto com as minhas mãos e o dei um selinho, e, cara, aquilo era extremamente bom
-Eu estou aqui, tá bem?- sussurrei tentando o tranquilizar, e senti ele beijando meu pescoço
-Só não me deixe preocupado novamente -ele sussurrou próximo ao meu ouvido. Eu só queria abraça-lo forte e fingir que o mundo não existe, que só tem nós dois ali, no seu quarto, na sua cama.. mas não posso
Sei que está perto de chamarem o meu nome. Suspiro pesadamente e começo a andar de um lado para o outro. Augustus segura a minha mão e me encara com aqueles incríveis olhos castanhos. Se levanta da sua cadeira e me abraça
-Relaxa, neném.. Você vai conseguir- ele beija a minha bochecha e eu dou uma mordidinha em seu maxilar, ele ri. Sinto as suas mãos me alisarem na cintura, e, em seguida, ele me coloca contra a parede delicadamente e me dá aquele selinho carinhoso, que faz o meu coração bater mais forte, como nunca bateu antes por alguém. Sua mão sobe pelo meu braço, fazendo uma trilha de fogo por onde toca.
-Clarissa Simmons -o meu nome faz um eco por toda a sala, e eu me solto dele, indo em direção a porta
[Aqui é a parte onde ficaria o treinamento individual]