Conforto
A felicidade reside
em arriscar em tudo.
No risco encontrei
o nosso conforto.
AM, 17/12/2020

oozey mess

blake kathryn
hello vonnie
macklin celebrini has autism

★
cherry valley forever
Lint Roller? I Barely Know Her

JBB: An Artblog!

JVL

❣ Chile in a Photography ❣
let's talk about Bridgerton tea, my ask is open

if i look back, i am lost

Kaledo Art
taylor price
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Sade Olutola
AnasAbdin

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roma★
ojovivo
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@thelovesongofawriter
Conforto
A felicidade reside
em arriscar em tudo.
No risco encontrei
o nosso conforto.
AM, 17/12/2020
Verdade
A mais pura das mentiras
é uma verdade com toques de ilusão.
AM, 16/12/2020
Repetição
O presente repete o passado.
Temos os mesmos receios,
os mesmos pesadelos,
as mesmas alegrias,
os mesmos sonhos.
Será que a vida
não passa de um tema e variações?
AM, 15/12/2020
Bracara Augusta
A história de Bracara Augusta,
uma cidade romana que,
sem se dar por isso,
foi despromovida,
é a história daquela rapariga
com quem me cruzei no café.
Meu doce, podes ter deixado de ser
o centro desta parte do império,
mas conquistaste
o império inconquistável.
Um lugar no meu mundo.
AM, 14/12/2020
Destino
Chegamos ao destino.
O dia em que contrariamos a matemática
e que transformamos dois em um.
O dia em que sentimos e tocamos
a realidade que parecia longínqua.
Contrariamos os números e os factos
e somos felizes. Só nós.
Temos um novo brilho nos olhos.
Temos um novo sorriso.
Perguntei-te o que isto era.
Respondeste:
- Somos nós…
AM, 13/12/2020
Recomendações Literárias #14: O Vendedor de Passados
Nesta semana de “Recomendações Literárias” trago um romance de um escritor e jornalista angolano: O Vendedor de Passados de José Eduardo Agualusa.
José Eduardo Agualusa nasceu na cidade do Huambo, em Angola, em 1960. Viveu em Lisboa, Luanda, Rio de Janeiro, Berlim — e, atualmente, divide o seu tempo entre Lisboa e a Ilha de Moçambique. É romancista, contista, cronista e autor de literatura infantil. Os seus romances têm sido distinguidos com os mais prestigiados prémios nacionais e estrangeiros. Toda a sua obra literária está publicada na Quetzal.
Em O Vendedor de Passados, Agualusa conta a história de Félix Ventura, um albino que tem como profissão inventar passados gloriosos. Os seus clientes- prósperos empresários, políticos, generais, enfim, a emergente burguesia angolana- têm um futuro assegurado. Falta-lhes um bom passado. Félix dedica-se ao fabrico de memórias felizes e uma genealogia de luxo, conseguindo-lhes os retratos de ancestrais ilustres. A vida corria-lhe bem até que uma noite lhe entra em casa um misterioso estrangeiro à procura de uma nova identidade. É nesta altura que o passado irrompe pelo presente e o impossível parece acontecer. Num enredo que mistura "antigamente" fictícios com realidades não menos verossímeis, o leitor acompanha também o drama de uma osga, o nosso narrador, que convive dramaticamente com as lembranças da sua encarnação humana. Para além da evidente sátira feroz, mas divertida e bem-humorada, à atual sociedade angolana, o autor também propõe ao leitor uma reflexão sobre a construção da memória e os seus equívocos.
AM, 12/12/2020
Deusa
Tu segredaste-me ao ouvido
que eu era a tua deusa
mesmo sabendo
que eras tu, meu deus,
me levavas ao paraíso
numa varanda ternurenta.
Naquela varanda vimos
o nosso infinito.
Era o vazio tão cheio de divindades.
AM, 12/12/2020
Arquitetura
A arte de moldar
o inanimado
e torná-lo vivo
na sua existência
reside na mente
daqueles que desafiam
o incombatível.
AM, 11/12/2020
Escuro
O escuro romântico
daquele lugar tão iluminado
levou-me para pensamentos
que tu nunca me tinhas revelado.
Será que aquilo que nos separa
é o que nos une mais?
E aquilo que nos une
vai transformar-nos?
AM, 10/12/2020
Perda
Perdi aquele amuleto da sorte
que acumulava todos os meus azares.
Depois de soprar aquele dente-de-leão
eles ganharam outra forma.
Agora andam espalhados
por todos os cantos
do meu sótão.
AM, 09/12/2020
Chorar
Chorei quando as nossas caras
se cruzaram, e tu me levaste
para o teu mundo e tu
vieste para o meu.
Choro quando os nossos olhos
se tocam, cheios de carinho
e ternura.
Chorarei sempre que me visitares,
Realidade.
AM, 08/12/2020
Por ti
Por ti eu deixei de fingir.
Por ti deixei de passear em sonhos.
Por ti sou eu própria.
Por ti eu ando
de mãos dadas com o mundo.
Neste mundo real.
Por ti ou por tua causa?
Não interessa.
Agora vivo.
AM, 07/12/2020
Pathétique
Uma morte precedida.
Uma morte pensada.
A beleza que a antecedeu
tocou-me no coração
mesmo antes de saber
o que era.
AM, 06/12/2020
Recomendações Literárias #13: A Trilogia de Nova Iorque
Sem nos darmos conta chegamos à décima terceira semana de “Recomendações Literárias”. No cardápio de hoje, temos A Trilogia de Nova Iorque de Paul Auster.
Considerado por muitos um dos grandes nomes da literatura norte-americana, é o autor de vários best-sellers como Timbuktu, O Livro das Ilusões, A Noite do Oráculo e A Música do Acaso. Entre as suas influências podemos encontrar Dostoiévski, Ernest Hemingway, F. Scott Fitzgerald, Faulkner, Kafka, Hölderlin, Samuel Beckett e Marcel Proust. Escritor de romances sobre almas solitárias, o seu nome é familiar aos devotos da literatura de ficção. A sua obra caracteriza-se por histórias fortes e prosa limpa. O confronto entre o indivíduo e o vazio, o poder da contingência, a natureza da solidão e memória são alguns dos temas abordados nos seus romances.
A Trilogia de Nova Iorque conta-nos três histórias, intituladas A Cidade de Vidro, Fantasmas e O Quarto Fechado, que aparentemente não estão em nada interligadas a não ser no tom e no facto de todas as personagens serem sobre homens (Daniel Quinn, Blue e um critico literário cujo nome é desconhecido), solitários, perdidos e esquecidos numa cidade gigante, alienados do que os rodeia, ignorados e extremamente infelizes. Nada mais parece ligar estes homens que desistem da vida que levam, para vigiarem a vida de outros homens e serem completamente absorvidos pelas vidas e rotinas da pessoa que vigiam obsessivamente. Todas as histórias são fascinantes e o autor, de forma leve, fala de desilusão, abandono, loucura, alienação, solidão, perda e de tristeza com uma propriedade e conhecimento que assusta. As personagens são complexas e credíveis ao mesmo tempo, com as quais nos conseguimos identificar, de alguma forma. Gostaria de falar um pouco sobre a primeira história. N’A Cidade de Vidro, conhecemos Daniel Quinn, um escritor de policiais bem-sucedido, que deixou de escrever no dia em que perdeu a mulher e o filho pequeno. Quinn vive sozinho, ocupa o seu tempo entre um livro e outro, a vaguear por Nova Iorque, sem destino pré-definido, gosta de andar e deixar de se sentir na sua pele, ser absorvido pela multidão e conseguir não pensar. Uma noite a sua rotina é interrompida por um estranho telefonema de um homem que lhe pede ajuda, julgando que Quinn é Paul Auster, um detective privado. A partir deste telefonema a vida de Quinn muda e nunca mais será como era.
AM, 05/12/2020
Sorrisos
Naqueles segundos
o tempo parou.
Naqueles segundos
vivemos o infinito.
Trocamos olhares
e sorrisos.
No infinito,
disseste-me que
te tinha conquistado.
Mas antes do infinito
já tu me tinhas na mão…
AM, 05/12/2020
Requiem
Ouve-se agora o Requiem
em memória daquilo
que nunca aconteceu.
A melodia mais bela
penetra o meu coração.
Uma bala que não consigo remover.
Só me resta carregar o chumbo.
AM, 04/12/2020
Femme Fatale
A brisa do teu toque
ilude o pobre e bom samaritano
que distribui amor
por quem não precisa.
Como tiveste coragem?
AM, 03/12/2020