Festa na Moita (Cap. I)
Três dias depois. 04:00p.m. Quinta-feira.
Vitória estava à flor da pele. Eram muita coisa para serem resolvidas, muitos números a serem (ainda) discados e fora isso tudo, ainda tinha seus pais. Ah, seus pais. Os pais de todo mundo, na verdade. Vitória, a “Comandante”, ficara encarregada de um bando de coisas. Inclusive de lidar com algumas ligações preocupadas, furiosas e curiosas de pais que não conseguiam falar com seus filhos. O fato é que ninguém queria atender o celular. Nem ela. Para os outros também não estava mais fácil. Não era a raiva dos pais e sim dos próprios balaclavos. Quem fazia o quê, quem queria o quê (ou quem…), quem cozinha o quê e ainda tinha a festa! Cada um fora ordenado e obrigado a cumprir uma tarefa para aquela festa, menos Agnes. Todo mundo tinha concordado em deixá-la de fora, era sua festa de despedida e queriam que fosse uma surpresa. Ou pelo menos desejavam que houvesse uma meia surpresa. Voltando à Vitória, ela estava quase a ponto de arrancar seus próprios cabelos e ninguém aparecia para ajudá-la.
- Pode deixar. Desculpa por isso, farei com que carregue o celular agora mesmo. Não! Não! Não tem motivos para que ele vá embora, confie em mim. - Vick andava em círculo pela sala falando com mais um responsável do grupo e esperava que fosse o último do dia. - Ok, vou passar o recado. Novamente desculpa por tudo isso. Tchau. Um beijo, senhora.
Um suspiro de alívio escapou de sua boca quando finalmente pode encerrar a ligação. Anotou mentalmente para nunca mais deixar nenhum telefone descarregado, nem que isso a fizesse tomar medidas drásticas. Mas também não era para tanto, ela mesma estava cogitando a possibilidade de deixar que a bateria de seu celular acabasse de vez. Conversar com pais nervosos é quase o mesmo que tentar domar um leão. Pegou seu bloquinho de notas e caminhou em direção ao jardim onde todos estavam reunidos. Precisavam de vez arrumar os últimos detalhes e ver quem já havia conseguido fazer o que. Julia e Pamela ficaram encarregadas de por todos na linha e mais diversas coisas. Vitória ainda estava imaginando como conseguiram aguentar isso tudo por quase uma semana.
- Rapidinho. - a garota aproximou-se mais do grupo pedindo atenção. - Hora dos recados diários. Bond: sua mãe pediu para lembrá-lo de por suas cuecas para lavar, assim como as meias. Diz ela que costumam ficar com um cheiro horrível. Aos demais: Coloquem as porcarias dos seus celulares para carregar! - praticamente gritou a última frase antes de se jogar em uma cadeira ao lado de Ana. - Bom, continuando… - disse Pam depois de rir do pequeno surto. - Precisamos saber quem já fechou as tarefas. - Eu, Jon e Pam já compramos parte das bebidas. As quentes estão no armário e as geladas… Bom, não tem espaço na geladeira então teremos que alugar gelo. - Julia inteirou a fala de Pamela para incentivar todos. - No armário? Qual o seu problema Julha? - Bond entoou o seu famoso tom de deboche. - Sim, no armário, trancadas. Não confio na capacidade de vocês e… - Está bom! Chega! Não temos tempo pra discutir esses detalhes. - Vick respondeu abanando os braços como se afastasse um mosquito imaginário. - Parte das bebidas? A festa é amanhã! Vocês tem que comprar mais. E quem é o keeper dos gelos?! Aninha meu amor… É gelo! - diz, e em meio a todo esse estresse, eles riem. No final das contas a moita nunca perde o estilo.
Quase no fim da tarde, a reunião estava terminada. O resultado era completamente desesperador pois metade das tarefas estavam incompletas. O que esperar de um grupo de jovens que só querem se divertir nessas férias? Ah, podemos classificá-los como bando de lambe ko.
Estavam todos amontoados na sala assistindo à um filme duvidoso escolhido por Pam. O chão estava completamente coberto por uma maravilhosa refeição nutritiva e que todos amam: pizzas. Laura estava pegando mais uma fatia quando o telefone de Agnes começa a tocar e faz com que a garota pule desesperada. Mas quando prestou mais atenção, observou que era uma música no mínimo, peculiar: “I DON’T CARE, I SHIPP IT!”
- Ei Google! Eu quero prestar atenção. - Calma Ana! Eu to atendendo o… - mal havia terminado a frase quando pode escutar a morena gritando no telefone. Péssima mania, tinha que entender que a pessoa doutro lado da linha não é surdo. Pode ser tudo, menos isso. - Alô? O que? Italo? - Italo? Oh Deus! Me passa o telefone! - Acalma os pelos, Amanda. - Jonathan disse. - Ei Italo, é o Bond. - Bruno quase esmagou Agnes para poder berrar perto do celular e recebeu vários tapas como resposta. - Gente, abram a porta por favor. Ele não sabe achar a campainha. - por fim Olivo pode dizer.
No mesmo instante que proferiu essas palavras mágicas, Amanda pula do sofá e corre para a porta. Mas segundos antes de conseguir alcançar, Jonathan entrou na frente. Como de birra, a loira fez seu bico clássico e voltou para perto de Agnes que a recebeu com um abraço e uma gargalhada escandalosa. Nesse meio tempo, Jon havia aberto a porta e se deparado com uma das cenas mais bizarras vistas até agora.
- Hm, acho que vocês vão querer ver isso. - disse enquando chamava o pessoal para a parte de fora da casa. - Então sabemos o motivo dele não conseguir achar a campainha. - Kawan falou um pouco antes de ser atropelado por uma savana descabelada. - Opa. Pare aí mocinha. - Lia ordenou. - Venha cá. - Porque? O que houve? - perguntou passando as mãos freneticamente pelos cabelos e pelo moletom antigo que havia virado seu pijama. Mas se aproximou da ruiva que a chamava. - Esqueceu de tranças os cabelos? - riu enquando o fazia pela garota. - Pronto. Mil vezes melhor. - Argh, que demora. Italo! - Bond gritou chamando atenção do amigo. - Bruno Per… - Nem começa, muita enrolação. - cortou a fala de Agnes e voltou-se para a sedução de regata que procurava uma campainha numa casa em construção.
(Nota rápida das autoras: Exatamente isso. Vosso amigo confundiu a casa da deusa com uma em construção que possuía exatas três paredes. Típico.)
- Nem começa vírgula, bunda marrom. Vamos por esse traste para dentro, Ags. - Giulia agarrou a orelha do garoto e o como se ele fosse um saco de peso morto, o arrastou de volta para a sala. - Ai! Ta doendo. - reclamou pela última vez e quando viu que não surtira efeito algum, apenas deixou-se levar.
E assim seguiu-se a noite. Italo tentando se explicar, Amanda sendo compreensiva mesmo tendo uma parte dela completamente incrédula com o que tinha acontecido e a maioria dos outros rindo. Como de costume, ao olharem uma última vez para o relógio e esse mostrar ser quase quatro da manhã, todos se ajeitam para o momento de hibernação. Agnes com seu amável cobertor e o resto apenas babando de balbuciando durante a noite. Compreensível já que daqui há umas horas se inicia o dia da grande festa.
Resta a nós torcer para que tudo ocorra bem.












