pelos deuses! aquele ali passeando na praia é ZEUS? ah, não, é só THEODORE GODMAN, um PADRE nos agraciando com sua beleza nos halls do aletheia hotel. as moiras avisaram: mesmo com os 45 anos nesse novo corpo, segue tão CORDIAL e NARCISISTA quanto na antiguidade. a maldição levou tudo, menos sua beleza. que prazer tê-lo como HÓSPEDE do nosso hotel!
𝙵𝙸𝙲𝙷𝙰 𝚃𝙴́𝙲𝙽𝙸𝙲𝙰
Nᴏᴍᴇ ᴄᴏᴍᴘʟᴇᴛᴏ: Theodore Kristiansson Godman
Iᴅᴀᴅᴇ: 45 anos
Oʀɪɢᴇᴍ: Suécia
Pʀᴏғɪssᴀ̃ᴏ: Padre e drag queen
Rᴇᴇɴᴄᴀʀɴᴀᴅᴏ: Zeus
Cᴏʀᴘᴏ: 1,89m, musculoso e definido, cabelo curto e penteado pra trás, tatuagens aparentes (muitas), barba sempre bem feita.
Theodore veio de uma família humilde da Suécia, e com isso eu quero dizer: burgueses safados. Assim, isso foi um problema? Foi, porque quando você pode fazer o que quiser, o que te sobra pra fazer? Theodore acabou se perdendo na vida. Foi um adolescente padrão preocupado com a própria aparência, com quantas mulheres se envolveria na próxima festa (inclusive, se não pegasse ninguém, diria que a festa foi um flop), bebia álcool no lugar de qualquer coisa mais saudável (inclusive refrigerante) e com 16 anos teve um filho. Com 18 teve outros 2. Os três com mulheres diferentes. Não assumiu nenhum.
Foi aos 20 anos que as coisas mudaram. Sim, o clássico acidente, experiência de quase morte, a mudança na vida. É essa última que a gente precisa falar. A espiritualidade o acolheu com um abraço. Mudou sua forma de pensar, entrou pra um seminário e 8 anos depois já estava fazendo casamentos, missas…
E aí vieram as polêmicas. É que muita coisa do que viveu contradizia com seus ensinamentos, além dos diversos boatos de que talvez ele não esteja aplicando em sua vida realmente todos os ensinamentos, como práticas homossexuais e até mesmo a existência de filhos (para além dos que não sabiam que já existiam). Essa situação resultou em uma crise depressiva que fez Theodore perder mais de 30kg.
A academia foi uma segunda muleta, trazendo de volta corpo e mente, sendo um lar para descontar as frustrações, medos, receios… Só que a adrenalina que o esporte trouxe foi tanta que precisava ser gasta de outra forma. Começou frequentar bares gays. Gays. Escondido, claro. Escondido atrás de muita maquiagem pesada, uma peruca enorme, saltos altos, vestidos extravagantes, um leque barulhento e o nome de Valéria Protagonista.
Foi chamado para reger o casamento de Thea e Horace, mas aproveitou para fazer uma grana extra com shows nos bares e até mesmo no hotel, por que não?
Tudo que Hadrian não precisava ter que lidar agora era com um padre, porque achava um saco sempre que alguém religioso vinha com papo de benzimento pra cima de si. Mas sabia ser uma pessoa educada, principalmente quando ele próprio também estava com incertezas e dúvidas envolvendo tudo ali. "É isso aí. Suponho que seja o que aconteceu com noventa por centro do hotel. Com você não? Ai acharia estranho" olhar semi estreito, igualmente analisando o outro, mapeando "coincidências" para ver se encontrava algum denominador comum. "Absoluta, quase dois meses sem álcool e contando. Tem sido meses incríveis" um toque de humor sem humor, porque o sorriso era mais cansado do que qualquer coisa. Se sentia um prisioneiro contando cada dia sem beber, fingindo que celebrava essa vitória mas era só a desidratação "Minha vez de fazer pergunta. Você veio de onde antes de acordar aqui? Algum lugar da Europa?"
– Só não aconteceu com os jornalistas, aparentemente. - respondeu em um suspiro, igualmente cansado, mas fazendo o possível pra não demonstrar. Theo era representação de força, de conforto. Não poderia se mostrar fraco. A confissão de Hadrian fez com que seu foco mudasse, afinal nada excitava mais um religioso do que um ex-alguma-coisa, principalmente um ex alcoólatra. - Sério? Parabéns! Isso é uma conquista enorme, você deve tá orgulhoso. - com carinho e cuidado, tocou em seu ombro, deixando pro outro um sorriso verdadeiro. - Eu estive por aqui, na verdade. Fui turistar pelos templos. Já conheceu os templos?
Megan havia dito a mesma coisa um milhão de vezes e, naquele ponto, já começava a sentir a frustração subir. Eram sempre as mesmas perguntas, como se ela não fosse saber se tivesse usado alguma droga. Naquela altura da vida, era praticamente especialista; ninguém ia pegá-la de surpresa. — Eu, por acaso, gaguejei? E, a não ser que tenha alguma droga no ar dessa cidade, não tinha nada na minha bebida. — rebateu, cruzando os braços, já de saco cheio do interrogatório repetitivo.
Inspirou fundo e segurou um sorriso, disfarçando a impaciência para com aquela garota. Era, o que, a segunda vez que conversava com ela? Queria ser chato e dar uma bronca por falar assim com os mais velhos, mas aí teria que admitir que era mais velho, além de dar mais motivos para uma sem educação. - É só um descarte de perguntas, senhorita, eu não sei quem falou com você antes. Além do mais, eu também estou lidando com essa confusão, então ajuda se a gente se ajudar. - apesar do que sentia, seu tom era amoroso e delicado, como se segurasse um recém-nascido. - É angustiante pra mim também. Vamos mudar as perguntas. Já comeu? Quer um café, um lanche. Você já tinha me dito que tem alimentação restrita, correto? Me fala o que pode e o que não pode pra eu poder trazer sem problema.
Compreendeu o que o outro explicava e, de fato, eram pontos que naturalmente não poderiam ser concebíveis. É claro que ainda era algo sobrenatural que a parte dentro de si acreditava. A mão que indicou ao outro em negação pela xícara de chá, seguido de um 'obrigado, mas não gosto', foi a mesma que puxou os fios encaracolados para trás, tirando-os do rosto por puro incômodo. Marwan era consideravelmente cauteloso com tudo, até mesmo a forma que se portava e o ambiente em que se colocava. Estudar, entender, saber as nuances de onde estava era o mínimo, e aquele homem o ajudaria, mesmo que indiretamente. "Precisamente. A julgar pelo corte de cabelo e a barba, deve ser Theodore... Theo?" Ousou perguntar apenas para não parecer tão formal assim, estreitando os olhos em dúvida. "Antes não tenho certeza, só lembro do que comentei agora pouco. Mas, depois... eu suava na cama. Foi como se eu nunca tivesse viajado e tivesse sido um delírio a saída daqui para os festejos de fim de ano, entende?" Mais uma vez cruzou olhares. "Alá é o centro de tudo. Da minha vida, das minhas escolhas, da minha família... Ele influencia em tudo, seja negativamente para eu aprender as consequências, ou positivamente. Parece sobrenatural o que aconteceu, mas não acho que seja um ensinamento de Alá. Ele não opera dessa forma. Não em conjunto."
Se Marwan tivesse noção do crime que acabara de cometer, teria calado a boca. É que o ego de Theo era tão, mas tão grande, que poderia se materializar. Ser reconhecido fez seus olhos brilharem. Claro que ele seria reconhecido, foi escolhido por ninguém menos que o próprio prefeito para reger seu casamento, abençoar sua união e selar o comprometimento do casal para e com Deus e entre si. Obviamente não estava esperando ser reconhecido, mas agora que sabia que existia essa possibilidade, era inevitável seus pensamentos não se resumirem a isso. - Sim, sim. Eu mesmo. - um sorriso se abriu, um sorriso que com certeza deveria ser temido. Precisou se concentrar muito em anotar o que ele dizia, porque a vontade de tornar o tópico "Theo Godman" era muito, muito forte. - Entendo. Como se estar aqui fosse a única opção possível e não estar fosse errado? - voltou a olhá-lo nos olhos. Resistia à tentação de um abraço. Marwan despertava nele um instinto de proteção - proteção ao seu ego. - E como Alá opera? Você acha que isso possa ser divino ou científico? E como você se sente agora podendo falar sobre isso comigo? - a última pergunta tinha o objetivo de aproximar mais o rapaz de si, criar uma relação de confiança e porto seguro... pra Theo, claro.
Damian suspirou, porque de tempos em tempos voltavam para aquela conversa de matar Valéria. "Você não está culpando a histeria coletiva com o fato da Valéria existir não, certo?" palpite dado com a sobrancelha arqueada. No geral Damian gosta de ser uma pessoa blasfemica que se porta como o próprio anticristo na terra, mas naquele ponto específico tinha uma compaixão estranha, fraternal, pelo amigo padre que não conseguia se assumir. E isso fazia Damian sempre tomar o lado contrário do apoio a igreja. "Se passar para outra pessoa vai se arrepender na mesma hora. Por que sempre tem que matar a Val, a parte que te deixa feliz, e não .. a outra parte da sua vida?"
– Eu to sim. - inspirou e suspirou, um "shuu" bem teatral passando pelos lábios, os ombros quase no chão. As perucas da Valéria, especialmente a verde que tanto gostava, eram de um material orgânico e de qualidade de ele sempre fazia questão. Tudo sobre a Valéria era mil vezes melhor do que as coisas de Theo. - Foi cara mesmo. Mas você não tá entendendo, Dan. - E de repente volta a voz grave com a rápida virada na direção do mais novo. - É culpa dela! - os olhos arregalados demonstravam mais do que dor, tinham uma pitada de loucura. - Deus fala comigo, Damian. Ele tá aqui! No Halloween ele veio até mim, eu pude sentir. Eu pude sentir ele me observando, tomando conta do meu corpo. Eu tive uma conexão com uma menina... uma moça... uma... e ela... parecia de outras vidas, parecia que eu já tinha dado a vida por ela. E sabe o que aconteceu depois? Isso mesmo, Dan, a fenda. A fenda fechou. E sabe o que aconteceu depois, Dan? Nada. A Valéria não apareceu até o ano novo. - mentiu, porque dizer que tinha se montado no Natal não corroboraria com sua teoria. Estava de pé e segurava a peruca com força, denunciado pela palidez das falanges. - E o que acontece agora? Deus prende a todos nós nesse hotel... - disse como se aquela fosse a conclusão mais óbvia, até completar: ... que eu ainda não faço ideia de o que significa, mas isso a gente tem que...
Theo estava EM UM DRAMA! Season finale de uma série que durou mais tempo do que deveria. Olhava para aquela peruca como quem olhava um filho que precisava partir. E pela primeira vez, na face de Theo, se permitiu ser Valéria, sendo o mais feminino que poderia. - E se eu só passar a peruca pra outra pessoa? - o plano era queimar ela.
Primeiro que Milaya nunca foi religiosa o bastante para se ater a uma congregação, por mais que uns tios comentassem. Ela sempre era repreendida por alguns colegas cristãos que por ter sido adotada, deveria agradecer a Deus, mas, é claro, como toda boa samaritana que se preze, a morena apenas concordava e dizia que iria ver no que ia dar. No caso, se por ela não agradecer à Deus: iria pro inferno ou se já estava destinada a ele de qualquer jeito. Quando o outro lhe deu a bênção, ela fez uma careta de olhos abertos, meio sem jeito. Não lembrava nem o motivo de ter se sujeitado a conversar com ele. "Nessa baderna toda, você é o quê aqui?" Ajeitou a postura com as mãos na cintura e sobrancelha arqueada. "Já respondi muita coisa pros policiais. Não tô afim de conversar sobre minhas coisas pessoais pra alguém que não conheço bem. Não falo nem pra minha irmã direito." Debochou no final, rindo de si mesma, pois, não era mentira; ela sequer tinha se dado o trabalho de compartilhar aquilo com Katerina, embora devesse. Mas o faria, em algum momento... "Vamos fazer assim: você me diz o que estão dizendo, e eu vejo se te digo o que quer saber do meu ponto de vista."
Franziu o cenho e inclinou levemente o corpo pra trás. Que menina mais audaciosa! A vontade de dar um esporro pela sua resposta ácida vinha de um ponto desconhecido, e do mesmo ponto veio um riso carinhoso. – O conforto. É isso que eu sou. – Ela não estava vendo? A batina, a oração. Ele claramente era a figura paterna e acolhedora ali. Como ela não via aquilo? Mas a resposta não veio de forma grosseira, veio como um tutor que assistia seu pupilo crescer. - Tenho certeza de que os policiais estão procurando alguma explicação lógica, como sequestro ou histeria coletiva. Eu quero saber o que você acha de verdade. Porque isso não é normal. A fenda, o parque e agora isso? Não tem bebida adulterada que faça isso.
Foi uma interação rápida. Mão na testa, olhos fechados, uma reza rápida e silenciosa antes de olhar nos olhos do outro e sorrir com confiança. - Então você dormiu do nada e só acordou agora? Como se tivesse esquecido das últimas 12 horas? - pressionou os lábios, pensativo, fingindo que aquilo tudo era novidade. - Tem certeza de que não foi nenhuma bebida alcoólica adulterada?
– E por isso eu digo que estamos com problema e a culpa é minha. - a explicação de Theo não tinha fugido muito do bizarro. Encontro com Deus, pecados, limbo. Apocalipse... Tudo isso era fomentado na internet e reforçado pelos religiosos assíduos. Theo era um religioso assíduo. A conclusão que foi... demais, eu diria. Então pelo menos 60 pessoas foram abduzidas e tido suas memórias apagadas porque um padre sueco estava usando peruca de plástico? O maior pecado era contra a natureza, definitivamente, mas tente convencê-lo do contrário e seja chamado de caluniador. - Eu preciso matar a Valéria. - não seria a primeira vez que Michiel ouviu aquela frase.
"Eu não sei muito bem..." Foi o que conseguiu sair de sua boca no instante em que o contato com a pessoa havia iniciado. Eles estavam compartilhando uma pequena dose do que lhes acontecera, mas, Marwan estava inseguro sobre tudo, especialmente porque em um piscar de olhos as coisas haviam mudado sem qualquer consciência sua. "Juro pra você, eu tinha acabado de desejar feliz ano novo aos meus pais e irmãos. Nós nos abraçamos, agradecemos a Alá pela vida nova e mais um ano com saúde, fui dormir e de repente estou aqui." Mexeu a cabeça, inconformado. Como as coisas pareceram tomar esse rumo tão sem nexo? Era o questionamento de um bilhão de dólares. "Minha única resposta pra isso tudo é que, das duas uma: fui drogado e raptado do meu lar, ou sou sonâmbulo e simplesmente peguei um vôo de volta pra cá sem sequer me lembrar. Mesmo morando aqui, ainda é estranho que eu tenha acordado dentro do hotel. Mas é óbvio que é estranho, né?!" Virou o olhar para a pessoa próxima de si. Se esta não tivesse uma resposta conivente para a situação deles, então que enxergasse no rosto de Marwan a confusão explícita para o confortar.
O interesse de Theo naquela conversa ultrapassava a vontade de ajudar. Ele precisava confirmar uma teoria, mas temia a loucura. Por isso precisava colher o máximo de informações possíveis, e para isso precisava incorporar a pose de líder religioso e apoio emocional. - O sonambulismo é mais raro do que parece, e um sequestro em massa chamaria uma atenção absurda. Mais do que já estamos tendo. - seu tom era suave quando lhe ofereceu uma xícara de chá. - Marwan, correto? Você pode me dizer com o máximo de detalhes possível? Exatamente o que se lembra antes disso ou o que veio depois? E como é a sua relação com o divino?
you just sit there and look pretty. i'll handle everything. (Grécia antiga - Poseidon)
A risada alta reverberou por todo o campo. Era um daqueles poucos momentos em que os irmãos se juntavam para uma tarde de diversão e dispersão das obrigações olimpianas. Zeus propunha um desafio simples: os deuses convidados se disfarçariam de mortais e tentariam convencer um grupo de humanos de que ele era o próprio Zeus. O deus que convencesse mais pessoas ganharia uma estátua em sua honraria no meio da cidade. - Só não repita o erro de Atenas. - provocou com seu clássico sarcasmo na voz.
O que os deuses não sabiam era que o desafio também era para os humanos. Aquele específico grupo gabava-se por saber reconhecer cada deus olimpiano, gritava aos montes ser mais esperto que qualquer vidente. Então por que não juntar o útil ao agradável? Insolência era algo repudiável.
O dedão acariciava a alavanca da arma, levantando e abaixando conforme ele movia diante da mira. Ah, um pequeno movimento e tudo acabaria. O rival encontraria o destino nos braços da morte e o caminho ficaria livre para o que quisesse. O que desejasse... Contudo, por mais que estivesse tão resoluta de suas intenções, algo a travava de realizar o grande feito. Uma negação sutil e determinada, minando sua obstinação, e trocando explícita raiva pela provocação descarada. Se não podia matá-lo, a irritação seria a resposta. "Você não chegou aqui há muito tempo, Juanito. Não foi muito discreto com seu barco no caminho até aqui. Ou foi de propósito? Para segui-lo de pertinho?" Girou o revólver no dedo pelo aro do gatilho, terminando com o encaixar perfeito no coldre afixado a coxa. Lady aproximou-se sem respeitar limites, seus dedos o puxando pela camisa para a diferença de alturas ser apenas um mero detalhe. "Por que homens são tão mais inteligentes e focados, não? Cobertos da benção divina e superiores em todos os sentidos?" O nariz roçou no dele e ela riu, riu. Os dentes aparecendo no sorriso de deleite.
Só que... Ela não ficou ali parada. A destra foi de encontro a parede e, espalmada, procurou o caminho oculto pela vegetação escassa e musgo protuberante. Alí. A unha achou o botão e o nó do dedo pressionou, o mecanismo iniciando sua ação com som de pedra raspando e quebrando. "Aposto que já tinha isso em vista, sim? Só esperando eu sair para usar a passagem secreta em segurança; sem arriscar nesse pulinho de lebre sobre o precipício." Estalou os dentes na mordida súbita no ar, os pés trocando de peso e um ficando mais adiante; entre os dele. "O que tem de bonito, tem de burro, cábron?
– Então você vem me seguindo? - Um sorriso foi suprimido. A ideia de que Esmeralda lhe dedicava o mínimo de atenção era tentadora demais, o suficiente pra planejar trajetos bem mais descarados do que aquele. Inspirou fundo mantendo o sorriso de raposa, ato mais comum quando estava apavorado do que confiante. E a aproximação de Esmeralda o apavorava. Correu os olhos pelos dedos estudando a possibilidade de qualquer ataque, dele ou dela. Não era o mais rápido, e naquele contexto não adiantava ser o mais forte. Precisaria ser o mais esperto, mas... - Não lembrava que seus olhos eram tão verdes. - Maldito par de olhos!
Tornado era um homem respeitado, um espanhol de grandes honrarias, um grande aventureiro e amigo de infância do rei. Carregava consigo medalhas por ter travado batalhas marítimas, salvo diversas cidades espanholas, recuperado saques de outros piratas que ousaram invadir a Espanha. Antes dos 20 recebeu seu título de corsário pelo seu melhor amigo. Tudo isso sem perdoar o mais inocente olhar de uma criança.
Mas ali ele estava entregue. Aquela mulher o emburrecia. Aquela mulher desfazia qualquer sinapse mental falhar, suas respiração sair do automático e seu corpo todo ferver. Perto de Esmeralda, ele era no máximo João Brisa.
A puxou pela cintura, fazendo com que a única distância entre os dois fossem os lábios. Estavam tão perto que poderia se afogar naqueles olhos verdes (e não pediria por resgate). Sentia a respiração dela enquanto os dedos faziam caminhos já conhecidos, leves, sempre quentes, possessivos. - Sabe, Esmeralda... - e aquele nome tinha sabor de água fresca no calor. Juan estava em chamas. - ... de todos os lugares que a gente já esteve... - de todas intenções em seus dedos, nenhuma delas parecia com pegar a arma alheia. Eles subiam pelo meio das costas sentindo cada centímetro exposto, a pressionavam contra o maior como se precisasse daquilo pra sobreviver, envolviam cada mecha alheia e então repousavam na nuca, forçando a destra feminina a ir em direção aos seus ombros. - ... uma caverna em uma ilha isolada não estava nas minhas apostas. - Fala entre inspirações e expirações fortes, um sentimento intenso sendo controlado a todo custo. Tinha que parecer menos entregue, menos devoto. Era ofegante parecer o caçador quando queria ser a caça. Sussurrou bem rente ao pescoço, um segredo que nem mesmo Deus poderia escutar: - Mas o trono espanhol ainda está. Como prometido. - Seu corpo pedia por ela, seus ouvias ansiavam pela sua voz, sua boca implorava pelo seu beijo, seu orgulho se ajoelhava diante daquela mulher, e suas mãos não faziam jus a tudo isso, mas a destra continuava explorando por ela, aproveitando cada segundo daquilo que desejava ser eterno. Em apenas um movimento, a colocou de frente pra entrada, ainda sem desgrudar da espanhola. - Entra!
[ FIVE CALLS ] send for five times the receiver nearly calls the sender and the one time they do. [ Zeus ]
Submundo, Grécia Antiga, sina de Caronte.
Normalmente Caronte tem tudo sob controle nos seus afazeres, já que é meio que a intermediária do que acontece no submundo, mas a parte mais complicada não fica com ela. Contudo, houve situações em que pensou em alertar Zeus diretamente, porque algumas coisas interfeririam muito além do que poderia ser resolvido com Hades e também porque o Deus dos Deuses havia a marcado assim que foi amaldiçoada por Hera e ele soube da quase desordem que poderia ter causado no submundo.
1) Em determinada época, houve uma grande onda de mortos-vivos que estavam chegando ao submundo sem o valor do pedágio. Normalmente, seria fácil negociar com um ou deixá-lo vagando, mas não naquele caso, principalmente porque Caronte descobriu que se tratava de uma guerra recentemente ocorrida em Ítaca, cujos derrotados não tiveram os corpos velados porque foram realmente estraçalhados e espalhados pelo percurso, fruto da condução de Ares, filho de Zeus. Por isso Caronte pensou em procurá-lo, mas deteve-se e tratou de levar isso aos seus superiores. Escritório do @joshsharlow e do @damian-veyron trabalhou demais nesse dia;
2) Um guerreiro famoso atravessou o rio e, ao tocar a outra margem, não perdeu a memória como deveria. Lembrava-se do nome da mãe, de suas comidas favoritas, do juramento feito a um amante esquecido, dentre outros detalhes que não podiam incorrer segundo a ordem natural dos fenômenos da morte. Um morto consciente era uma ameaça à ordem, então Zeus deveria saber. Contudo, Caronte se conformou com o fato de não ser juiz de lembranças ou de erros e, dentro do possível, direcionou a situação a Hades novamente, deixando que ele se resolvesse com os olimpianos que poderiam ter permitido esse tipo de situação;
3) Quando juramentos de morte se encontraram e se quebraram diante do Estige, já que Zeus é o guardião das promessas e dos juramentos em códigos de honra;
4) Quando um dos filhos de Zeus, semideus, recusou-se a entrar no barco. Deu muito trabalho e Caronte pensou em chamar o rei dos deuses para intervir diretamente, mas depois de muita insistência e algumas ameaças de uma versão menos ainda simpática de Caronte, o semideus colaborou;
5) Quando o Estige, por algum motivo, refletiu o Olimpo. Todavia, como isso durou pouquíssimo tempo, Caronte não fez nada além de guardar a informação para si.
Uma situação em que Caronte procurou Zeus: quando o Estige deu sinais de estar secando após uma aparição de @herafiel com toda sua fúria.
if i were a drink, i'd be the one you remember tomorrow. [ JUAN TORNADO ]
As botas da pirata brilhavam de tão polidas quando a mesma as jogou para cima da mesa, cruzando os pés na altura dos calcanhares. Pratos metálicos tilintaram com a força, colocando uma trilha sonora que combinava com a risada melodiosa e suavemente ébria. A rainha do mar jogava a cabeça para trás com a ousadia em forma de cantada, o copo levantado como que para um brinde. "Claro, Juan. Claro. Vou lembrar de você com a ressaca que vai me deixar." Sua tripulação urrou com o cometário da capitã, erguendo os copos para se juntar à cacofonia de provocação. Esmeralda precisou entrar no personagem, erguendo-se e passando o braço livre ao redor do inimigo. Ou melhor, conhecido, porque Tortuga e suas leis eram absolutas. "Um brinde para as bebidas de pior qualidade, porque só elas são lembradas no dia seguinte. À você, cariño. Que o gosto que deixe em minha boca não seja tão ruim quanto seu desempenho tentando me pegar." Aquela última frase foi dita mais baixa, rente ao ouvido, num tom provocante que... Bem... Ela precisou dar uma mordida brincalhona na carne macia da orelha, manchando de vermelho a área ao redor.
promise you won't hate me tomorrow? [ RAYMOND BOLT ]
"O que isso quer dizer, Raymond Bolt?" A desconfiança no tom carregava o sotaque porto-riquenho de Martina. As mãos movimentando-a na cama e a arrastando para cima do peito largo do marido. Seu cenho franzido acentuava a expressão, olhos perscrutando o rosto masculino. Por um segundo revisou tudo o que tinham feito naquele dia, naquela semana. Pescando cada uma das conversas e das suspeitas, das intenções por trás daquela gentileza ou da forma como a tinha segurado para entrar no carro. Pareciam inofensivas, mas poderiam carregar algo mais. Martina colocou dedo indicador e do meio no centro do peito, imitando duas perninhas enquanto percorria o caminho para cima. "Não posso prometer isso, cariño." Ronronou quando os dedos passaram pela curva do pescoço e a protuberância do pomo de Adão. "Mas posso prometer que farei o possível para perdoá-lo." A mão enganchou no pescoço e ela usou a alavanca para se içar para cima. As pernas ao redor da cintura, o corpo curvado para beijá-lo no maxilar. No canto da boca. Em cada olho fechado. Na ponta do nariz. "O que você pretende fazer, hm?" Ao mesmo tempo que queria descobrir, tentava convencê-lo do contrário com uma distração. Martina o beijou com fome, puxando os fios de cabelo na nuca e o prendendo na cama. Estava tudo tão perfeito, que o frio no estômago passou a ser uma preocupação esquecida.