Era engraçado como Damian fazia Megan se sentir tão pequena e, ao mesmo tempo, tão segura. Entre todas as picuinhas e brigas infantis, havia algo que não mudava: os amigos. Ela o amava por isso. Amava-o da mesma forma que amava Charlie e Haz. A vida inteira, Megan procurou em relacionamentos aquele mesmo sentimento e falhou, porque, diferente da extensa lista de homens que diziam amá-la, eles sempre a amaram de verdade, com todas as centenas de defeitos. Era diferente de tudo que já tinha vivido. Um amor sem custo. Ela sentiu o abraço do amigo e correspondeu na mesma intensidade. Era assustador o tanto que Megan sentia por eles. Não sabia exatamente de onde vinha, mas uma onda de choro lhe subiu à garganta; ainda assim, como sempre, conseguiu segurar. Nos lábios, o sorriso cansado, que já não parecia tão feliz assim; nos olhos, uma tristeza mais funda que o normal. Em um de seus dedos, uma pedra preciosa marcava um compromisso precoce, e ela sabia. Era típico de Megan se empolgar com o momento e não pensar nas consequências. — Eu também senti sua falta, Veyron. Você cuidou das meninas enquanto eu estive fora, né? — perguntou, com a consciência pesada por ter ficado tanto tempo longe. Mais do que gostaria, pra ser sincera. Não era nem pra ela estar ali, mas Santorini parecia não lhe dar outra escolha. Ela riu levemente tentando desconversar, sabendo que, entre todos, era quem mais queimava a paciência de Veyron. — But it’s your birthday! A gente tá aqui pra celebrar você. Tudo precisa ser sobre você hoje, Veyron. É a única noite do ano que eu preciso te dar um passe livre… A gente pode conversar sobre tudo amanhã, talvez? Antes de eu ir pra Paris, eu prometo que não vou a lugar nenhum… Mas hoje é só sobre você. — garantiu, como se conseguisse, por algumas horas, empurrar o caos da própria vida pra depois.