Hoje eu só queria esquecer que sinto, só pelo privilégio de não sentir tudo intensamente.
Bentler.
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Hoje eu só queria esquecer que sinto, só pelo privilégio de não sentir tudo intensamente.
Bentler.
As pessoas sempre sabem o que elas estão fazendo, se elas fazem é porque elas escolheram fazer.
-BENNETT
Normal People (2020) Dir. Hettie Macdonald
Lugar
Eu corri pro vazio de novo.
De braços abertos, ciente do perigo mas cega.
O caminho foi curto, as consequências, bem longas.
Eu não posso alegar inocência, não mais.
Eu antevi a queda, e me joguei mesmo assim.
Numa fé cega, uma esperança melancolica de dias passados onde a escuridão viu a luz.
Eu quis crer, ainda que brevemente, que poderia voltar.
Não posso, a chave não está em minhas mãos.
Esta nas suas.
Mas você decidiu desprezar esse santuário que outrora foi nosso, agora ele é só seu pra guardar, ainda que você apenas o despreze.
Daqui eu o vejo, chego perto e quase alcanço, mas seus muros me impedem.
Não impedem no entanto as tentativas que cansadamente eu crio, me machucando em todas, obviamente.
Era sagrado, era segredo, era nosso, só nosso.
Agora é apenas um vazio assombrado de esperanças passadas, os fantasmas se ajuntam em riso frente a mim, não consigo levantar meus olhos.
A dor se mistura a auto piedade de quem sabia que iria ferir se, mas escolheu fechar os olhos e se lançar sem ver, até se quebrar, de novo...
Você está aí, parado, com a chave em suas mãos, me olha de cima almejar por elas, querer adentrar o espaço e me dividir com você, e não faz nada, não se comove.
Eu espero que o que quer que seja que tenha transformado em rochas seus sentimentos, me alcance também.
Pois sei que nesse dia a chave se repartirá também para as minhas mãos, e então seremos nós dois guardiões de um santuário não mais habitado.
Escrever é perpetuar as palavras…
O titulo desse texto é mais do que auto explicativo, ele é a razão pelo qual tenho evitado estar aqui.
Uma vez que passasse para cá tudo o que me vem ocorrendo, seria tudo real de fato, não uma memória infundada da minha cabeça, uma lembrança solta...
E a verdade sobre os últimos dias é uma só: Medo.
Medo esse que pode ser dividido em: tristeza, duvida, ansiedade, dividas, prazos... tudo!
E a maior parte desse medo, a que me invade com maior frequência: a solidão. Eu tenho estado tão só que dói, e penaliza a mim mesma derramar sobre a única pessoa que me resta, todos os meus anseios e desesperanças.
Talvez eu seja boba, estupida, carente e todas outras verdades que venho evitando encarar, talvez meu apego não seja saudável, talvez eu queira como sempre, mais amor do que mereço.
Eu achava que essa seria uma fase melhor da minha vida, que sentiria um certo encontro com meu eu adulto, mas nada, é como sempre, incerto.
Esse texto não esta coeso, é apenas a junção de todas as palavras que derramo nesse teclado a fim de covardemente evitar que adentre o que da fato me fere.
Eu queria me sentir melhor, queria passar por esses dias sentindo tudo menos o que de fato sinto, eu queria mais uma vez, realizar meu sonho de infância: Eu queria não ser eu.
(Fim da parte publicável desse texto.)
Acredito que não exista nada mais gostoso do que ficar nos teus braços em um dia de domingo
THE PRINCESS DIARIES (2001), dir. by Garry Marshall
Sentei aqui hoje, no meu pseudo refugio, o meu lugar seguro dentro das escassas opções de segurança que me são oferecidas.
Lá fora um frio céu outonal torna quase que insuportável o cinza que já existe dentro de mim, e parada agora frente a essa tela questiono quando vou aprender a existir…
Achei que seria na infância, aos 4 sabia ler, certamente essa inteligência teria aberto alguma vantagem na compreensão da vida, errei.
Na adolescência ao realizar o cotidiano de todas as mudanças que me se cercavam achava ter adquirido aprendizado suficiente, errei novamente.
Adulta, quase dois anos em isolamento, tive tempo de sobra para me analisar e reanalisar, cri que havia com muito dispêndio achado a melhor versão de mim, e agora saberia sem dúvidas o que fazer, adivinhem? errada estava.
Sei que estou cansada de ser a peça solta, de fingir ter ideia do que me cerca ou espera enquanto vivo a beira de um precipício diário de anseios.
Só por um dia queria não ter de pensar, analisar, questionar cenários e antever desastres, tudo em mim dói, tem dias que tudo o que mais queria era saber e tem dias que preferia não saber de nada...
Será que um dia a vida me ensina, e se possível com carinho como passar por ela sem me quebrar tanto? eu não gostaria de chegar ao fim da linha sabendo que mesmo ao respirar já morri faz tempo e arrastei meus dias em extensão de sofrimento até não poder mais.