Você consegue imaginar o quão complexo é descrever uma pessoa ou o amor que se sente por ela? Ao te descrever, dou vida a uma versão de você, que talvez só eu enxergue. É estranho pensar nisso! Considerar que aquele que eu conheço também é uma versão de mim, uma versão moldada sob a luz das minhas próprias percepções, pelas nuances da minha existência.
Esses versos dedicados a você carregam a veracidade daquela que te vê e te interpreta com prazer e resiliência. Eles não refletem o amor romântico, mas sim, a dualidade do amor, do ser humano e da vida aqui na Terra.
Seus olhos são tão profundos quanto o mar, é possível mergulhar, mergulhar e até mesmo se afogar. Conforto é o seu remédio e o seu veneno: é difícil pra você distingui-los e saber a hora de abdicá-lo.
Sua voz é belíssima, grave, intensa e ao mesmo tempo doce, interpreta tantas canções e vocaliza tantos sentimentos, mas por trás do seu canto silenciado ecoa o medo.
Conversar com você é o mesmo que me acolher, sua escuta se transforma em reflexão e compreensão, dialogar com você nunca será um erro, pois a sua receptividade é como morada para mim.
Seu humor é ácido e ao mesmo tempo contagiante como uma criança alegre e incansável. Sua língua é afiada, como o julgamento que corta e corta de forma literal.
Seu colo é alento e refúgio, onde dispo minhas armaduras. Suas feridas ecoam em mim, assim como as minhas em ti. Minha sabedoria te faz crescer e a sua gentileza me faz refletir.
Juntos idealizamos o futuro, embora sejamos tão diferentes e tão iguais, dois seres humanos em suas próprias odisseias, cada um em seu degrau de evolução, caminhando seja lá para onde esse caminho nos levar, atentos ao lembrete que a vida traz consigo: ela é frágil, permeada por uma fina membrana que a qualquer momento pode se rasgar, pois viver é isso:
“abraçar as incertezas, ser vulnerável e estar presente, assim tal qual é o amor e o amar”
- Amorimn