(Grace van Patten, 28 anos, ela/dela) Era Uma Vez… Uma pessoa comum, de um lugar sem graça nenhuma! HÁ, sim, estou falando de você ALYSSA ENGLERT. Você veio de LEICESTER, INGLATERRA e costumava ser FIGURINISTA por lá antes de ser enviado para o Mundo das Histórias. Se eu fosse você, teria vergonha de contar isso por aí, porque enquanto você estava FAZENDO UMA MAQUIAGEM ARTÍSTICA, tem gente aqui que estava salvando princesas das garras malignas de uma bruxa má! Tem gente aqui que estava montando em dragões. Tá vendo só? Você pode até ser AMBICIOSA, mas você não deixa de ser uma baita de uma INSOLENTE… Se, infelizmente, você tiver que ficar por aqui para estragar tudo, e acabar assumindo mesmo o papel de A DESCONHECIDA na história VALENTE… Bom, eu desejo boa sorte. Porque você VAI precisar!
˖ 𝐬𝐤𝐞𝐥𝐞𝐭𝐨𝐧 ˖ 𝐰𝐚𝐧𝐭𝐞𝐝 ˖ 𝐩𝐢𝐧𝐭𝐞𝐫𝐞𝐬𝐭 ˖ 𝐩𝐥𝐚𝐲𝐥𝐢𝐬𝐭 ˖
𝐁𝐈𝐎𝐆𝐑𝐀𝐏𝐇𝐘:
Embora criada em um ambiente simples, cercada por limitações e sendo fruto de um caso onde sequer tivera a oportunidade de conhecer seu pai, a mais velha dos Englert, nunca teve do que reclamar. Sabia que se gostaria de realizar seus sonhos, estes que vivendo em Leicester jamais poderia alcançar, teria que expandir seus horizontes. Por isso camuflava sua ambição com a ilusão de que tudo que fazia era para o bem de sua família, e ainda que fosse distorcido, não era a maior mentira que já contara. Se importava com a mãe o suficiente para detestar vê-la se afundar na vida pacata e trivial que tinham. Viver de um trabalho informal em um bairro tão pobre quanto sua própria ganância, parecia piada para Alyssa, que se esforçava ao máximo para desfrutar nem que minimamente do gosto da dignidade. Sua personalidade vulcânica e muitas vezes ansiosa, poderia ser o fagulha que faltava para se tornar uma pessoa influente, assim também como poderia ser o sua maior fraqueza.
Porém, antes mesmo de alcançar sua tão desejada maioridade, lhe foram impostas responsabilidades maiores do que seus ombros eram capazes de carregar, estas que não se tratavam mais da sua sobrevivência, mas sim, da progenitora. A mulher descobrira uma séria doença do coração naquela época, deixando Alyssa perdida com as novas mudanças de sua vida tão bem programada. Necessitando de cuidados especiais e um transplante antes que fosse tarde demais, sua família fora obrigada a ir morar com os avós em Londres, estes que não eram tão miseráveis e que, na maioria das vezes, eram até mesmo amáveis. Parecia que tudo estava se ajustando em seu devido lugar, até que sua mãe se agarrara a religião com unhas e dentes, inconscientemente barganhando devoção por cura. E totalmente cega pela nova paixão, virou a chave do descaso para os seus filhos, não se importando com mais nada que não fosse Deus e o sua tão importante cirurgia.
A nova vida com os avós não lhe trouxe apenas o gosto de viver em uma cidade mais urbana, como também obrigações. Deixada totalmente à deriva após a morte de sua mãe, Alyssa se sentia na incumbência de cuidar da irmã mais nova, se tornando assim uma pessoa que pensava mais no outro e não só em si mesma. Os avós a colocaram nos trilhos, ainda que parcialmente. Lhe deram exigências sobre o seu futuro e rotas para alcançar os seus objetivos. Não era a pessoa mais focada nos estudos, sequer gostava de estudar e dentro dos seus planos não estava incluso se enfiar em uma universidade e ficar nela pelos próximos anos de sua vida, porém, sabia que seria mais do que necessário se gostaria de se tornar alguém. E sua ambição, muitas vezes, falava mais alto do que qualquer coisa. O que a levava a patamares maiores do que ele sequer sabia que poderia chegar.
Se tornar figurinista, no entanto, não fazia parte dos seus planos. Alyssa estava muito mais inclinada ao glamour dos flashs, desfiles e palcos que lhe atraíam exatamente como ímãs de polos diferentes, porém, sua paixão por costura e o estilo excêntrico fora exatamente o que acabou por chamar atenção dentre os mesmos palcos e cenários que desfilava. Sua marca registrada eram as próprias roupas alternativas que costurava e que vestia, as mesmas as quais viu ganhar vida em obras onde também deixou um toque seu graças a sua participação. No fim, estaria presente em todas elas de uma forma ou de outra.
𝐇𝐄𝐀𝐃𝐂𝐀𝐍𝐎𝐍𝐒:
Embora trabalhasse como figurinista no teatro, também gostava de fazer maquiagem e até mesmo algumas partes do cenário das peças. Aprendendo um pouco de tudo, inclusive atuação com quem estivesse disposto a ensiná-la.
Bastante teatral, tende a agir de forma muito dramática.
Seu sonho era trabalhar no cinema, fazendo os figurinos para grandes estrelas.
Foge um pouco dos padrões tanto no seu estilo quanto em suas criações.
Gosta bastante de desenhar e tem se inspirado muito na estética do Mundo das Histórias. Assim como também costuma desenhar as pessoas distraídas em seu tempo livre.
Apaixonada por Alice no País das Maravilhas, age como fã de metade dos canons desse conto.
"bu!" saltou ao lado de sua colega de dormitório, duvidando muito que fosse a assustar, mas o efeito da bebida já estava a deixando alegre. desde que se mantivesse assim, sem exageros, estava tudo bem. "me perguntaram se você vai arrancar meu braço ou algo assim. eu espero que não porque, tipo, eu preciso dos meus dois braços." balançou eles levemente, como se os mostrasse para a loira, sorrindo em seguida. "já ficou traumatizada com alguma das atrações ou dá tempo da gente ir em algum juntas?"
Encarando a mais baixa com a mesma cara de tédio que costumava usar diariamente, era previsível que aquela tentativa de susto não havia funcionado. Apenas porque era a décima desde que havia parado naquele ponto da avenida. Não se lembrava de ter passado por aquele tipo de coisa em Londres. Talvez as pessoas por lá fossem mesmo muito mais chatas que a maioria. "Sáficas precisam muito dos seus braços... eu jamais poderia fazer algo parecido com você." O sorriso malicioso indicava o que queria dizer com aquilo. Mas logo voltou a sua expressão entediada de antes, pronta para mais críticas. "Mas, aliás, o que aconteceu com esse pessoal, perdeu a criatividade? Quer dizer, o Pennywise nem usava corset na droga do filme, muito menos naquele tijolo que os fãs do Stephen King chamam de livro." Sua careta de desgosto mudou apenas com o complemento da frase de Chloe, enfim, abrindo um largo sorriso. "Estava mesmo esperando você dizer isso, esposa." Brincou, ampliando seu sorriso de orelha a orelha tal quão a cena macabra do próprio Pennywise. "Que tal um paintball sangrento?"
"Será que essa coisa de saber do futuro funciona mesmo aqui?" Perguntou, para a garota atrás de si na fila enquanto aguardava a sua vez de poder encontrar a tal bola da qual todos estavam falando. Alyssa por mais que fosse bem cética quanto à religiões graças ao histórico de sua mãe, ironicamente, acreditava em qualquer falcatrua que costumavam lhe oferecer, caindo no papo de cartomantes e mulheres capazes de ler as linhas de suas mãos. Em um mundo mágico, então, por que algo do tipo não seria interessante? "Soube que ela está sendo bem grossa com as pessoas. Me pergunto se seria pelas perguntas burras ou o desinteresse em responder como vamos voltar pra casa." Algo que para a loira também era bastante burro. Se não haviam descoberto até o momento como fazê-los voltar, por que uma bola de vidro poderia ter essa resposta? "Acho que estou mais curiosa do que realmente crente de que pode funcionar."
"Acho que algum fantasma me possuiu porque eu já flertei com umas cinco pessoas diferentes por aqui." Comentou, ao se aproximar de Solange que estava um pouco mais afastada no meio dos que se divertiam e dançavam com alguns fantasmas. Apertada naquele corset, dançar acabava atrapalhando um pouco, por isso, Alyssa gostava de descansar vez ou outra. "Não que eu não fosse flertar com cinco pessoas diferentes se não estivesse possuída ou coisa parecida. Eu só achei as minhas escolhas um pouco fora do meu padrão criterioso." Não que fosse uma pessoa criteriosa também, mas gostava de fingir que sim. Assim, parecia menos desesperada. Algo que, definitivamente, não era. Apenas gostava de viver sua vida sem tantas barreiras. "Deveria ter ido ao open bar antes, não estaria me julgando tanto por isso se estivesse bêbada."
"Nunca imaginei que veria Alice vestida de Princesa Jujuba!" Murmurou, assim que assistiu Alice se aproximar em passos confiantes em sua direção. Alyssa estava gostando de analisar as fantasias de todos ali presente, e não foi diferente com a garota. No entanto, não esperou que fosse gostar tanto da escolha. "Não pense que é uma crítica. Na verdade, gostei bastante da sua escolha." Confirmou, concordando também com a cabeça. "Vocês não costumam usar fantasias assustadoras nessa época do ano?" Também não era como se as pessoas do seu mundo estivessem preocupadas com aquele tipo de coisa, mas Alyssa sempre curtiu participar de modo a entrar no conceito, logo, a maioria das suas fantasias tendiam a ser mais apavorantes. Ou o mais próximo que conseguia chegar disso tendo em vista que também curtia ser bonita e sensual.
𝐀𝐋𝐘𝐒𝐒𝐀 vestida de 𝐏𝐄𝐍𝐍𝐘𝐖𝐈𝐒𝐄 para o festival de 𝐇𝐚𝐥𝐥𝐨𝐰𝐞𝐞𝐧.
Embora seja uma grande fã de halloween pela oportunidade em ser o mais extravagante e usar a menor quantidade de roupas possível, Alyssa não resistiu a referenciar a um clássico. Mas, é claro, não poderia evitar em dar um toquezinho Englert em tudo o que fazia.
sofia percebeu alyssa assim que entrou no bar e , claramente , não resistiu à tentação de importuná-la para sua noite ser um pouco mais … divertida . o comentário da outra veio , carregado de um certo desprezo , algo que a bourbon já esperava . ela reagiu a alfinetada sobre o "pole dance" com um leve sorriso no rosto . aquilo não era o suficiente para irritá-la , longe disso . sofia gostava de dançar e adorava a atenção … por que levaria como insulto ? ‘ pole dance mágico ? ’ repetiu a frase em um tom leve , quase rindo . ‘ bom , se te incomoda tanto imaginar o que eu faço no sinister mirage , você deveria passar lá uma noite . quem sabe eu até te dou uma performance especial ... vai que muda a sua perspectiva . ’ piscou na direção de alyssa , sabendo que ela odiaria aquela ideia . ela deu uma olhada em volta , como se analisasse o ambiente , antes de voltar sua atenção para alyssa , que ainda parecia dividida entre a bebida e o desgosto por estar na sua presença . ‘ fui pega pela curiosidade . não sou feita de pedra , alyssa . ’ sua resposta era verdadeira , mesmo que mantivesse o mesmo sorriso cínico no rosto . ela suspirou , decidindo , finalmente , se sentar . o mais próximo que podia da englert , é claro . ‘ e então , o que está bebendo ? ’
Acabou rindo do que havia dito no momento em que suas palavras tolas saíram dos lábios de Sofia. Era tão absurdo imaginá-la em algum tipo de pole dance mágico? Provavelmente. Mas de todas as estranhezas que já havia presenciado graças a galera divertida dos país das maravilhas, nada mais a surpreendia. "Ah, é? Então você dançaria pra mim no seu pole dance mágico?" Foi inevitável não arquear uma de suas sobrancelha escura, maldando a fala alheia. Sabia não ser o caso, mas era do seu feitio sempre deturpar tudo o que as outras pessoas diziam. Alyssa se divertia daquela forma, tanto que riu ao dizer aquilo. Talvez por aquele motivo Sofia não fosse nem um pouco com a sua cara. "Nah, dispenso. Acho que eu prefiro bater a minha cabeça na parede." Não era o caso, mas não se perdoaria em nenhuma situação se aceitasse aquela proposta. Gostava de se manter no campo da hostilidade velada com a outra mulher, era mais divertido daquela maneira. "Curiosidade? Achei que mulheres de classe como você não fosse curiosas." Ou ao menos não expressassem isso tão abertamente, pensou. E por mais debochada que sua fala pudesse parecer, não era o caso. Alyssa costumava ser sincera em momentos esporádicos. Vê-la ocupar a cadeira na sua frente, no entanto, a surpreendeu bastante. Alyssa não imaginava passar aquela noite justo na companhia da loira. "Bom, não faço a menor ideia. Acho que misturei um pouco de tudo, deve ser por isso que já estou tão bêbada." Riu, de si mesma. "Mas posso pedir um pra você, se quiser experimentar."
"olha, até semana passada isso aqui tava diverso... não sei o que rolou." tentou defender o cinema, mas parecia que tudo havia se transformado com a chegada do halloween. poderia reclamar disso? não mesmo. ao menos era algo novo, por enquanto, inofensivo. "acho que ele tá precisando mais do que dicas." não conseguiu evitar o comentário mais ácido, quase saindo como um resmungo. mas, não focaria em sua nova vida como general corvo; não mesmo. alyssa não precisava ouvir suas reclamações logo no cinema. "seu trabalho é tão ruim assim...? tipo, em termos de remuneração." fez uma careta. "você sabe todos?! eu só sei alguns. nunca vi todos os filmes... eu sei, eu sei. terror não é meu forte, mas são muitos filmes."
"Nossa... onde eu estava semana passada?" Provavelmente julgando algum outro estabelecimento e sua precariedade que não se encaixava nos gostos específicos da oxigenada. Alyssa era uma pessoa que reclamava sobre tudo sem qualquer necessidade, puramente porque era de seu interesse falar coisas negativas. Fazia parte de algum tipo de charme que fingia ter. "Faz parte da minha estética reclamar sobre a falta do dinheiro, Chloe. Pra se adequar ao fato de que sou artista e não ganho um centavo trabalhando no teatro e coisas assim." Divaga, explicando seu ponto. E por mais que não pudesse fazer sentido algum para a outra, o que dizia fazia todo sentido para si. "Eu tenho uma excelente memória e uma irmã obcecada pela franquia, então..." Deu de ombros, não se aprofundando mais a respeito. "Você não tem cara de quem gosta de filmes de terror mesmo. Parece aquelas garotas conceituais que assiste filmes indies que só as inteligentes entenderiam a proposta. É uma estética que eu particularmente adoro."
sentada em um dos sofás exuberantemente vitorianos do teatime , as pernas cruzadas e o pé balançando de forma impaciente , aysel examinava o cardápio de chás como se estivesse prestes a tomar uma decisão que mudaria o destino da humanidade . ‘ é tão difícil ! ’ resmungou para alyssa de uma forma extremamente manhosa . ‘ eu juro que se esse tal chá de copas realmente me encher de ideias brilhantes , vou acabar resolvendo todos os problemas do mundo em uma tarde . mas , por outro lado , você já imaginou demais ideias ? eu já falo muito do jeito que estou , imagina com a criatividade ampliada ! ’ depois de alguns momentos de deliberada indecisão , aysel decidiu que precisava da ajuda de algo mais mágico . é para isso que a magia daquele lugar servia , certo ? ‘ sabe o que eu vou fazer ? ’ piscou para alyssa , já com a mão estendida em direção à caixa mágica que estava na mesa . ‘ vou escolher uma chave ! eu só espero que não seja o tal chá de cheshire ... porque , olha , alucinações eu já tenho de graça , não preciso pagar por isso . ’
"Se você for resolver todos os problemas do mundo acho que ninguém vai ficar realmente incomodado com seu falatório. Eu, pelo menos, não ficaria." Mesmo porque, ela acabava por ser a pessoa que falava sem parar a todo momento. De certo que um simples chá não resolveria todas as crises que os moradores daquele mundo estavam enfrentando e que nos últimos dias reclamar sobre qualquer tópico era algo que todos faziam com relativa frequência, porém, não custava nada ter um pouco de esperança. Ainda que não fosse a mulher mais otimista de todas. Não era difícil começar a pensar que Aysel poderia encontrar a resposta mágica para que todos voltassem para suas casas. Por mais burro que fosse considerar aquela ideia. "Você tem muito poder nas mãos, Aysel. Precisa escolher com sabedoria." Comentou, ao cruzar as pernas. Para alguém que sempre tomava as piores decisões ao ter opções sobre a mesa, era presumível que ficaria apreensiva por mais que aquela nem fosse uma escolha sua. "Acho que entre uma brisa ruim e o chá que vai me fazer falar pelos cotovelos, eu prefiro ter ideias demais. Imagina começar a ter alucinações? Ninguém quer usar drogas pra isso."
"E por acaso você faz as tatuagens também ou só vende as armas?" Inspecionando a loja, o questionou. Os olhos curiosos intercalando entre observá-lo e observar cada mínimo detalhe como se pudesse gravar o local em uma parte da memória. Alyssa gostava de estética e não podia negar que aquele lugar tinha aquilo de sobra. "Porque eu acho isso tudo incrível! Eu super frequentaria um lugar desses se existisse no meu mundo. Quer dizer, quem não quer comprar uma pistola e colocar um piercing no umbigo?" Talvez ela fosse a única, parando para pensar um pouco mais a respeito. "O ponto é que eu estou considerando colocar um piercing só de ficar aqui dentro." Poderia ser uma boa ideia visto a nova persona que estava buscando se adequar. Sua personagem tinha uma personalidade um pouco mais forte que a sua, logo, precisava impor um pouco mais de respeito do que normalmente parecia conseguir. "Mas talvez não seja uma boa ideia visto as nossas aulas de defesa pessoal." Pensando a respeito, aproximou-se alguns passos do outro. "Melhor focar na minha proteção, nunca se sabe quando podem tentar acertar uma flecha no meio da minha testa. Por falar nisso, você entende alguma coisa de arco e flecha?"
Com o álcool em excesso correndo em suas veias, Merida se sentia livre — quase como se estivesse em uma de suas caçadas na floresta. Nem mesmo notava o fato de estar em um espaço que pertencia a Hans, de todas as pessoas, já que a sua aventura da noite começara no bar de Mushu e se findara ali sem que ela se lembrasse como ou porquê. Encontrar Alyssa em qualquer lugar teria sido visto por uma Merida sóbria como mau presságio, mas enquanto o discernimento permanecesse inebriado, a presença dela não a incomodaria. Pelo contrário, a ruiva se aproximou com uma expressão travessa, chegando perto o suficiente dela para falar em seu ouvido como se lhe contasse um segredo: "Se eu não tivesse que te odiar pelo que vai fazer comigo e minha família, eu até que gostaria de você. Você é gata."
Mordeu a ponta do canudo colorido que degustava sua bebida quando a abordagem usada por Merida a surpreendeu, a ponto de deixar um sorriso traiçoeiro brilhando no canto da boca. De todos os encontros que haviam tido, poucos foram onde trocaram palavras tão brandas quanto aquelas. Em partes porque Alyssa gostava de colocar lenha na fogueira apenas para estressá-la, e em partes porque não costumava ser alguém que levava desaforo para casa, porém, percebendo a aura plácida daquele momento de tranquilidade, quis aproveitar. Ainda que estivesse sóbria o bastante para notar o sopro do álcool que ela havia ingerido tão vívido como em uma cena de desenho animado. "Meio injusto me odiar por algo que eu nem fiz, não acha?" Sabia que as coisas não eram tão superficiais quanto estava fazendo parecer, mas sua falta de noção a impossibilitava de separar as coisas devidamente. "Se considerasse que até o momento eu sou inocente, sem qualquer intenção de deixar de ser, é claro. E que acima de tudo eu também sou bem gata, como você mesma disse, inclusive, muito obrigada... você poderia evitar de me xingar o tempo todo, né?" Lançando a sugestão, apoiou o braço no balcão agora observando-a pelo canto dos olhos. "Quer dizer, nada contra mulheres bravas que querem destruir a minha vida. Eu sempre tive uma queda pelas tóxicas, isso é um fato. Mas acho que você poderia facilitar a nossa relação. Dias intercalados de insultos, pra começar. Um beijinho ou outro, nada demais. Você poderia continuar me odiando tranquilamente, é só uma sugestão."
❝Gente... Tô passada, você foi tipo full Katniss Everdeen! Eu com toda certeza teria acertado tudo, menos a maçã!❞ E isso não era muito difícil de imaginar, já que ela não era nada boa com qualquer coisa referente a combate. E não sabia bem se um dia seria capaz de aprender, até por que se ficasse ali, até onde sabia não lhe valeria de muita coisa. Não se importava muito com a veracidade de todos os fatos, contanto que a narrativa fosse interessante, afinal, Solange amava ouvir uma boa história ou contá-la. Acompanhou a risada da recente amiga, os pais nunca a levaram em nenhum show de mágica, mas isso era por que achavam bobagem demais e que ela deveria focar mais nas diversas aulas particulares que tinha. ❝Olha, parece ser interessante saber uma coisa ou outra sim, eu acho que pra mim não vale muito por que eu vou mais me machucar do que o contrário... Mas bom, a gente sempre pode achar algum mocinho querendo bancar o herói né? Tudo bem que eu vou ser uma princesa em Quebra Nozes, mas ainda tá valendo né?❞ Tinha quase certeza de que as regras eram um tantinho diferentes em Nutcracker, talvez por que os regentes fossem mais bonecos do que gente de verdade, ou algo nessas linhas ao menos. ❝Nossa, você tá tendo que lidar com ela, né? Sabe, sempre soube que ela seria uma rebelde indomada, mas não antipática ou coisa do tipo. Mas me diz, o quão bonitinha estamos falando? Ainda não tive o prazer de conhecer a desquerida.❞
"Katniss Everdeen loira talvez possa ser a minha nova personalidade." Com um sorriso que crescia nos lábios como uma praga, Alyssa ponderava, considerando a ideia por mais que verdadeiramente não houvesse sido uma. Se seria uma personagem na história de alguém, não havia problema em criar uma nova personalidade para isso também, ou não? No fim, não importava quais escolhas tomasse se o livre arbítrio não parecia ser parte daquela realidade. "Uma princesa também precisa saber se defender, não é?" Erguendo o indicador, apontou para Solange como se o que havia dito fizesse todo sentido. E por mais absurdo que fosse alguns pensamentos da Englert, sabia que no fim não teria a quem recorrer além de si mesma. Logo, precisava estar no controle de alguma coisa caso tudo fosse para o espaço. "Não acho que ela seja antipática, pra falar a verdade. Acho que é presumível o medo que ela pode vir ter de mim já que tenho participação bastante ativa na possibilidade da mãe dela deixar de viver... mas é aquelas, mantenha os seus inimigos por perto." Afinal, Alyssa sequer acreditava que algo semelhante se concretizaria. Era desgraça demais para poucas histórias. "Estamos falando de bem bonitinha pra quem nem se digna a pentear o cabelo." Acabou rindo, jogando as mechas loiras para trás. "Mas e você? Como vai com o pessoal da sua nova história?"
parou na entrada do cinema com sua colega de quarto, olhando a programação e estranhando. parecia que só tinha pânico... não que fosse algo ruim, só era estranho. franziu sua testa, logo voltando-se a mais alta. "ahm... eu sei que eu disse que a programação era bem diversa, mas, acho que... bom, as coisas mudaram." soltou um riso fraco. "quer ver pânico?"
"Achei que a variedade de filmes em um mundo mágico fosse, no mínimo, maior." Claro que a ideia que tinha de uma sessão de cinema em um conto de fadas não era nada semelhante com as que tinha em Londres, por exemplo. E talvez por isso Englert estivesse tão desapontada por ver as mesmas porcarias sem personalidade que já havia assistido. "Merlin está precisando de um rebranding urgente. Será que ele aceita umas dicas?" Ergueu uma sobrancelha escura para Chloe com um sorriso traiçoeiro no canto dos lábios. "Estou mesmo precisando de uns trocados. Não acredito que deixei de ser falida no meu país pra ser falida aqui também. Quer dizer, eu sei que sou uma artista mas o papel de gata borralheira nunca me caiu bem, eu sou apenas gata." Reclamando como sempre fazia, murmurava forçando um beicinho triste nos lábios. "É o jeito, né? Vai ser muito sem graça se eu contar quem são os ghostfaces?
"Aí eu coloquei no arco uma daquelas fechas de modo que não vou saber te explicar como e, acredite se quiser, eu acertei a flecha bem no centro da maçã que estava no topo da cabeça dela. Surreal." Contando sua história como quem contava a fofoca mais quente da atualidade, Alyssa também aproveitava para aumentar detalhes que sequer haviam acontecido apenas para deixar a sua cronologia mais interessante aos ouvidos de Solange que, àquela altura, certamente já havia entendido que, por mais verdadeira que pudesse ser, dificilmente teria acontecido daquela forma. "Foi como em um daqueles shows de mágica que a gente vai quando criança. Quer dizer, eu acho, né. Minha mãe nunca me levou em um desses. Estava ocupada demais fazendo escolhas ruins, coitada." Riu baixo com certo divertimento, jogando uma almofada para trás; a mesma a qual apoiou as costas, também erguendo seus pés em um dos móveis. "Depois dos últimos acontecimentos desse lugar, me preocupo com a minha segurança o tempo todo então talvez seja útil saber usar um arco e flecha. Ou entender alguma coisa de defesa pessoal." Ponderou, por um tempo. "Talvez não com a Merida na minha cola. Quer dizer, como consegue ser tão bonitinha e tão insuportável? Se esse lugar não me deixar maluca, ela com toda certeza vai."
Alyssa estava tão dividida entre identificar o sabor da bebida que sugava em seu canudinho colorido e descobrir o nome da música que tocava no ambiente que demorou a perceber que Sofia se aproximava em passos estonteantes. Rapidamente olhou em volta, se certificando se esses mesmos passos firmes dignos de uma angel na passarela do Victoria Secrets estava mesmo vindo em sua direção. E para o seu desprazer, de fato era. Não sabia qual notícia ela poderia ter para lhe dar, mas sabia não ser nada boa. Porém, uma coisa era certa, por mais antipatia que sentisse por ela, não poderia negar que estilo ela possuía. Algo que Alyssa admirava até mesmo em quem ela não gostava. "Não era pra você estar no Sinister Mirage dançando em um pole dance mágico ou qualquer coisa do tipo?" Impaciente, não se importou em supor. Por mais que não fizesse a menor ideia de qual era a função da outra loira no estabelecimento, não era muito difícil imaginar as atrocidades que aconteciam na Boate de Malévola, como Alyssa apelidou carinhosamente. "Achei que vocês não fossem de frequentar a concorrência." Sequer poderia dizer se era o caso, mas foi a melhor desculpa que pensou para camuflar sua pergunta levemente hostil de minutos atrás.