Amycus estava exausto. Seus passos eram curtos e preguiçosos enquanto caminhava em direção ao salão comunal e ele estalava algumas partes do próprio corpo para se sentir um pouco menos tenso. Tinha acabado de deixar o campo de quadribol e seus músculos ainda tremiam depois de todas as atividades de treino - tornar-se o capitão foi, definitivamente, uma vitória para a Sonserina com o aumento da possibilidade de partidas ganhas, mas ele estava mais cansado do que nunca. Aquele havia sido seu primeiro treino com o novo posto e metade de seus jogadores nem chegou a terminá-lo, isso trouxe certa satisfação para o loiro, enquanto adentrava o espaço de seu destino.
Checou o relógio numa das paredes e lembrou-se que deveria encontrar Alecto, sua irmã em poucos minutos para irem jantar. Sorriu com o pensamento, já que não tiveram tempo de se ver desde o domingo à noite, a não ser pelos períodos de aula. Ambos estavam muito ocupados e assim como Amycus, Alecto tinha suas próprias coisas para cuidar.
Subiu os degraus longos e suaves da escada central do salão e antes de rumar para seu próprio dormitório, deu leves batidinhas na porta do quarto da irmã, esperando poder encontrá-la.
E como se lesse sua mente, Alecto surgiu, colocando um pequeno sorriso nos lábios ao vê-lo e, arrancando dele também, um sorriso de cumplicidade.
“Hey, beautiful.” Lhe beijou a bochecha rapidamente e voltou a olhá-la nos olhos. “Just got here from the practice, might be running a bit late, ten… fiteen minutes, tops. Wanna meet me at the Great Hall?” Sugeriu, já que dessa forma, ela não precisaria esperá-lo com fome. Amycus sempre se preocupava com o bem-estar dela.
{puerlunna}
Bom, como poderia descrever o meu dia? Exaustivo e talvez insignificante. Aulas atrás de aulas, algumas sonecas entre elas, e os meus doces cigarros para que minha mente possa achar que está em paz. Estamos tendo as primeiras aulas de Aparatação no sétimo ano, por mais que eu sempre esperei esse momento, não poderia imaginar o cansaço que isso me traria. O corpo não está preparado para ser dividido em várias partículas no ar e muito menos nossa mente para imaginar que podemos perder membros no decorrer do curso. Tinha voltado a pouco tempo de um longo banho quente, gostava de usar o banheiro apenas quando estava vazio e fiz questão de decorar os horários onde minha única companhia eram as bolhas sorridentes da banheira. Coloco o uniforme padrão, um pouco mais aberto do que deveria nos seios e com a saia curta de costume, me recuso a usar gravata apenas para jantar.
Amycus esteve em meus pensamentos a cada minuto do dia. Tínhamos combinado de jantar juntos, afinal era o único momento em que conseguíamos nos ver. Por mais que fossemos do mesmo ano, nossos gostos eram completamente diferentes e a maioria das aulas acabava tendo choque de horário, não que ele fosse em todas… Voltando ao assunto, me sentia tão cansada que apenas um abraço de meu irmão poderia me trazer descanso.
Estava sentada na janela admirando as algas que dançavam ao ritmo das águas do lago, enquanto aguardava Amycus. Ouço as batidas na porta que já estava entreaberta e meus olhos brilham ao ver meu irmão, ali tão próximo. Me levanto e aproximo até a porta com um sorriso de alívio no rosto por vê-lo. Recebo o leve beijo que faz meu sorriso aumentar. “Hmm should I believe you? Cause this…” Aponto para o corpo do irmão de cima a baixo. “Will take you more than just a few minutes.” Deixo um leve riso solto sair e me coloco para fora do quarto, fechando a porta atrás de mim. “I’ll go with you. I won’t be here just waiting for you to rescue me.”
{ nemeqvittepas }
Alecto era a mais cheia de atitudes dos dois, isso não era algo a sequer se duvidar, então quando ela passou em sua frente e adentrou o dormitório masculino que pertencia ao irmão, ele não se surpreendeu realmente. Assistiu-a sentar-se na cama relativamente organizada e manteve silêncio, sem sentir a necessidade de preencher o ambiente com comentários desnecessários. Alec era a única pessoa com quem Amycus se sentia realmente bem até mesmo para dividir a quietude.
Depois de buscar a toalha e alguns itens, ele rumou para o banheiro abandonando as roupas pelo caminho. Pela primeira vez no dia, Amycus estava tendo tempo de não pensar nada e isso não era uma das suas coisas preferidas. Enfiou-se embaixo de uma água gelada e trincou os dentes pela mudança repentina de temperatura, ele quase sentia o interior dos seus ossos esfriando.
Alguns minutos mais tarde, depois de limpar toda a extensão do próprio corpo de forma bem mais lenta do que era necessário e bem mais relaxado, fisicamente falando, enrolou-se na toalha e agarrou com uma das mãos as roupas sujas, colocando-as no cesto com seu nome para recolhimento dos elfos. Entrou no quarto, observando que Lucius havia chegado no lugar, ignorando-o para olhar a garota em sua cama.
“Did you go to class today, Alecto?” Perguntou subitamente, ao perceber que não vira a irmã em boa parte do tempo. Amycus detestava que ela ficasse sem ocupações e ainda mais isolada, como tinha costume. “‘Cause I did, so I hope you’re doing your part in our deal.”
Começou a vestir-se e depois de colocar uma cueca, ele jogou com certa delicadeza um suéter mais fino dos que tinha. “You should wear it, by the way. You’ll end up getting a cold.” Revirou os olhos, incomodado com a exposição dos peitos dela. Apesar de bonitos, ela não precisava exibi-los a tantas cobras.
Jogou uma das camisas de treino, limpas, do time em cima do corpo e vestiu a calça do uniforme. Amycus era ótimo em meter medo nos seus monitores, então questões como uniforme, nunca eram um problema, de fato.
“Let’s go?”
Por mais acostumada que eu estivesse com o corpo escultural de meu irmão, não conseguia deixar de observar encantada. Pego o fino suéter três vezes maior que eu e reviro meus olhos, my body my rules! “Good to know you’re so worried about my health, but no.” Devolvo o suéter para o baú de Amycus e o abraço por trás como um coala que não solta do tronco da árvore, continuo andando assim com ele enquanto falo. “Well, it’s go to classes or go back home. What would you prefer?” O tom ao dizer home foi mais irônico possível, afinal, não tem como chamar de lar um lugar como aquele. Amycus e eu sempre planejávamos a nova casa em que moraríamos depois de formados, e eu gostava de me firmar nesse pensamento. “And by the way, I’m an excellent student, this deal was made so you could stay, and maybe know how to live in the future, cause quidditch is not everything.”
Afasto dele e continuo andando ao seu lado. Era engraçado como todos que passavam pelos corredores, tentavam andar o mais longe possível de nós dois, e eu confesso amar esse sentimento de medo que eles tem, minha fama me condiz, pois bem que continue assim. Chegamos ao salão principal e sigo para uma ponta da mesa onde não tinha tantos animais se alimentando e falando alto. Sento e vou logo preparando o meu prato com várias coisas variadas, estava faminta não conseguia nem me decidir o que pegar primeiro, quero tudo como sempre.
“Maybe you could try to remember that last year you managed to almost fail most subjects, so the deal is also about you, missy.” Revirou os olhos, estendendo a mão para entrelaçar seus dedos nos dela, fazendo carinhos com o dedão. Quando se tratava de Alecto, Amycus era sempre muito carinhoso e cheio de atenção, ela era sua pessoa preferida no universo. “And you should be more thoughtful when it comes to quidditch because if I end up being better than all these goofballs, we could be rich, you know?” Pontuou, com uma das sobrancelhas arqueadas em certa arrogância.
Deixou o assunto para lá ao finalmente deparar-se com toda a comida ali. E se tinha algo com o qual os gêmeos nunca brincariam, era comida. Eles sabiam o peso de passar dias de fome por causa de torturas impiedosas das pessoas com quem eram obrigados a viver e Hogwarts havia caído como uma pena quanto à isso.
Entretanto, Amycus sempre gostava de apreciar sua irmã enchendo o próprio prato como se aquela fosse ser a última refeição - em todas as refeições -, naquilo ele podia afirmar que os dois eram bastante parecidos.
“You know… if people realized that you eat as much as I do sometimes, they would be way more frightened about you presence than about mine. I can’t even figure where you fit this amount of chicken in you…” Comentou, com um sorriso descontraído, olhando-a e já começando a comer também.
Reviro os olhos para o comentário de Amycus sobre o último ano. Não queria lembrar dos motivos que quase me fizeram reprovar, ou do motivo mais especificamente. “Imagine you and me, famous, rich, with all the food we could ask for… Yeah that will happen when I become the Minister for magic.” O tom em que falo soa irônico por ser algo natural, mas até que parte daquilo era desejo interno e real. Gostaria de colocar as coisas nos eixos diferente de toda a merda e bagunça que é aquele ministério.
Lambendo as pontas dos meus dedos sorrio para ele. “It goes straight through the toilet right after I finish, I don’t even think my body take any advantage of the food that comes in.” Estava sorrindo e feliz, meu irmão era o único capaz de fazer isso. Ninguém consegue tirar um sorriso meu com tamanha facilidade, talvez porque ninguém seja confiável o suficiente e ninguém me conhecesse tão bem quanto…
Pronta para pegar a sobremesa, ao me aproximar a comida desaparece da minha frente, e junto é possível ouvir as badaladas do sino que toca sinalizando o fim do jantar. Não acredito que nos atrasamos tanto a esse ponto! Eu não conseguia nada do que queria, estava farta nem mesmo a sobremesa que eu queria eu podia ter! “Fuck! Stupid bloody timing!” Saio da mesa irritada, obviamente com muito mais coisas na cabeça do que apenas a sobremesa.
“That’d be fantastic…” A voz de Amycus foi quase tão longe quanto seus pensamentos diante da possibilidade de uma vida tão fácil. Rodeado por tanta gente, ele sempre conseguia pensar no quanto nenhum deles sabia o quanto a vida fora injusta com ele e com a única pessoa pela qual valia à pena existir. “Yeah, I’d love having us as Minister. You could make me vice, I’d be the pretty face of your campaign.” Sorri, em meio à uma brincadeira boba.
Amycus não duvidava de qualquer coisa que Alecto decidisse querer, ainda que isso fosse o ministério da magia. Tudo era sempre tão pequeno para ela que, ainda que tomasse tempo, seria seu no final das contas. E ela merecia cada uma de suas conquistas, disso ele não tinha dúvidas. “Well, as long as you’re healthy and not dead to leave me alone here, I can accept all the food you eat.” Justificou-se, ainda com um sorriso, mesmo que falando sério. Sem ela não faria sentido.
Seu suspiro frustrado foi ouvido somente por ele, quando ouviu o sino, já que sua irmã rumou para longe, irritada por não ter podido terminar de comer. O rapaz levantou-se com rapidez para segui-la, puxando sua mão com delicadeza. “Hey, listen. I know you like the eating and everything… but what’s going on? Why are you so mad?” Questionou, com o cenho franzido em certa preocupação. “We can go get another while you tell me.” Lhe dá um beijo na testa, e um abraço lateral, enquanto começava a guiá-la para a cozinha. Onde, ainda que não admitisse, gostava da ideia de poder pegar comida quando alegasse fome, contanto que fosse gentil — se levado em conta, valia à pena.
A semana fora complicada, o mês talvez… Para ser sincera não estava sendo um ANO fácil. Por mais que estivéssemos longe, nossos pais ainda nos importunavam. Eu tinha uma gaveta repleta de cartas do meu pai que insistia que fossemos vê-los, e outras falando sobre cada atitude minha ou de Amycus que seus “amigos” dentro do castelo viam. O controle que eles tinham sobre nós, mesmo longe, ainda era imenso. E isso me afetava mais do que eu gostaria de admitir, só queria eles mortos. Meus pensamentos voavam em várias ideias desconnexas, era uma ansiedade que se misturava ao leve choro. Quando sinto Amycus me abraçar, uma corrente elétrica transmitindo calma me atinge. Deito minha cabeça em seu ombro, e cesso as lágrimas. “Ah amy, I’m just so tired! I wanna have control upon my life at least.” O sigo até a cozinha onde alguns elfos resmungam ao noso ver. “Can we runaway from everything? Just the two of us?”
Era estranho pensar como eu estava animada alguns minutos atrás e como se alguém tivesse virado uma chave, BOOM, muitas emoções explodem em mim de uma vez. Amycus ao meu lado não entendia nada e como eu poderia culpá’lo? Mais uma vez eu estava apenas o arrastando comigo para minhas vontades e ele ali, simplesmente tentando me acalmar e me fazer feliz. Eu não podia pedir por nenhum homem além dele na minha vida. “How can you still be gentle to me while I behave like a little kid?” Pergunto, agradecendo pela sua gentileza, afinal não tinha conhecido muito isso.
Depois de tantos anos de abuso e terror, poucas coisas mexiam com a capacidade de manter o controle de Amycus, porém, nada o abalava quanto ver a irmã em um aspecto tão vulnerável. E ele entendia completamente porque todas as vezes que era ameaçado mesmo que de longe, cada osso seu doía só de pensar nas possibilidades e ele sabia, ainda que fingisse que não era algo com que se preocupar para Alecto, que Hogwarts era a melhor solução temporária possível.
“You will, babe. Sooner than ever, believe it. We’ll ghost them as soon as the classes are over. We’ll go anywhere we need to.” Garantiu, beijando-lhe a testa e mantendo-a por perto o suficiente para que seu braço esquerdo passasse seus ombros, tentando lhe transmitir algum sentimento de segurança. Quando a situação era inversa, os abraços e o contato de Alecto eram tudo pelo que ele poderia pedir, gostava de pensar que aquilo também a ajudava.
Ignorou os murmúrios dos elfos sem dificuldades, não era como se eles fossem queridos pela maioria das pessoas e quando você sente isso do par de pessoas que deveriam te amar com a própria vida, o desgosto de qualquer um outro parece estupidamente pequeno. Aproximou-se de um dos balcões e pegou três porções das sobremesas, levando-as para perto dos bancos altos em que se sentariam. Entregando duas delas para a loira, com um sorriso reconfortante. “See? And we even get a VIP sit.” Pisca, brincando.
“I’m always gonna treat you right, sis. I’ll always be here to comfort you. We will get out of this.” Afirma mais uma vez antes de começar a comer sua própria porção, sentindo-se levemente melhor pelo saboroso doce, imaginando que Alecto também.
Havia me esquecido que apenas a presença dele e suas palavras poderiam me acalmar desse tanto. Prendo meus cabelos em um coque e como um pedaço do doce. Meu olhar corre pelo rosto do irmão que fazia com facilidade aquilo que pra mim era tão difícil, ver a positividade nesse mundo cruel. Um sorriso singelo se sobressai em meu rosto o admirando e até mesmo esquecendo da comida, mal percebo a pequena e última lágrima que escorre do meu olho esquerdo. — The best seats to the best people, and of course we’re the only ones with this privilege. — Devoro meu doce em segundos e logo parto para o próximo, praticamente jogando o prato sujo para que o elfo mais próximo o limpasse.
— What are you gonna do tomorrow? Saturday’s are for contemplation. I plan to swim in the hot pool or runaway to hogsmeade and make rosier buy us some fine wine. — Solto um leve riso, fungando um pouco o nariz congestionado pelo choro anterior. Hogwarts helps us with money for what’s necessary but when it comes to superfluous we can’t do anything. I thank lord we’ve got some friends that helps us with it, but if we weren’t talented in torturing people maybe they wouldn’t even talk to us. I try not to think about it!
Limpou a lágrima que escorreu pelo rosto dela e manteve o sorriso no rosto porque Alecto era definitivamente a única pessoa que o fazia sentir daquela forma, risonho como se nada mais importasse. Porque não importava, tudo o que ele precisava estava bem em sua frente, era simples.
“Definetely. People are way to stupid to have the same things we do.” Piscou um dos olhos, com charme, tentando manter os espíritos dela animados. Assistindo ela devorar os doces com rapidez. “That’s my girl.” Passou a mão pelo rosto macio dela, num carinho delicado.
“Well, I didn’t have anything planned. But I’m up for both ideas, we could head to Hogsmead and... I might be able to get us some money from the third years... We borrowed money from Rosier last week... it’s not good to make that easy for him to complain about anything, right?” Contrapôs, tomando cuidado porque sabia que a única coisa que mantinha todos eles por perto era o medo. Amycus gostava de manter tudo muito quieto e silencioso porque sempre bastava muito pouco para uma grande confusão. “After buying some wine we can get the prefects’ bathroom for ourselves, whatcha think?”
Ele adorava os fins de semana porque eram quando realmente podiam aproveitar a companhia um do outro e Amycus gostava de deixar Alecto longe dos problemas que ela tinha tendência em se meter, ficar juntos e passar o tempo relaxando era de longe a melhor opção de todas.












