Como posso eu me colocar no centro e ainda assim sobrar espaço? E me pergunto se Ă© proposital tudo que diz. NĂŁo Ă© como se eu estivesse em desvantagem, nunca estou. E nĂŁo Ă© como se vocĂȘ tivesse o que eu preciso, nĂŁo te admiro. Te olhar Ă© ver um vazio, vocĂȘ nĂŁo tem o suficiente para me cativar e nem deveria. Eu tenho sede e vocĂȘ nĂŁo Ă© o suficiente.
Mas vocĂȘ colocou meu dedo no gatilho e espera que eu viva Ă beira do buraco de onde um dia saĂ. Ă cĂŽmico, vocĂȘ nem existiria se eu nĂŁo precisasse matar a minha fome.
Eu tenho essa mania de servir de catapulta, te dei o que vocĂȘ nunca teve a chance de provar, e agora vocĂȘ acha que Ă© mĂ©rito seu. E nem quando vocĂȘ me dilacera Ă© mĂ©rito seu, vocĂȘ coloca o dedo na ferida que outro me fez. Esse sim me mostrou que poderia ser meu, e eu dele. Todo vazio que ele tinha eu poderia preencher. Mas essas memĂłrias eu jĂĄ reescrevi e nĂŁo hĂĄ mais certezas no que jĂĄ passou. De certo ele me mostrou muito do que eu queria, mas nos desencontramos numa estrada que seguia apenas uma direção.
Em uma de nossas conversas ele me explicou a dor de perder alguĂ©m que nĂŁo se tem. Queria poder dizer para ele que hoje eu sinto na pele, mas escolhi ir embora porque jĂĄ nĂŁo me cabia ficar, ele diminuiu o espaço que me pertencia, e vocĂȘ sabe que eu nĂŁo vivo com pouco.
Quase dois anos, ele era diferente, ele ocupava um espaço que para vocĂȘ sobra, apesar do tamanho da sua mesquinhez.













