Eu amo a chuva.
O barulho, a brisa, o cheiro de terra molhada e tudo o que a acompanha.
Olhar pela janela em dias chuvosos sempre me lembra que, independentemente do caos da minha vida, de onde eu esteja ou do que eu esteja sentindo, se a chuva tiver que cair, ela vai cair. Ela não espera que eu esteja pronta. Não muda de direção porque tive um dia ruim. Apenas segue seu curso.
Pensar nisso me faz sentir pequena e insignificante, mas não de um jeito triste. De um jeito profundo e libertador.
Existe um alívio em perceber que nem tudo depende de mim. Que o mundo continua girando enquanto eu tento organizar meus próprios pedaços. Que a natureza não tem urgência para corresponder às minhas expectativas.
Talvez seja por isso que gosto tanto da chuva. Ela me lembra que a vida acontece para além da minha história. Que existem ciclos maiores do que os meus medos, dores e desejos.
Às vezes, acho que só queria ser uma gota de chuva.
Cair sem precisar provar nada. Sem controlar o caminho. Sem carregar o peso de fazer tudo dar certo. Apenas existir pelo breve tempo em que me cabe existir, tocar o mundo por um instante e, depois, seguir fazendo parte de algo muito maior do que eu.












